3 Oppfølging av forvaltningen
3.2 Resultater i forvaltningen
3.2.2 Resultatutviklingen for SPU
No presente capítulo, procederemos à análise dos discursos produzidos pelas alunas surdas participantes do estudo à luz teórica das heterogeneidades enunciativas, mais precisamente no que diz respeito ao caráter heterogêneo constitutivo do sujeito discursivo e a própria interdiscursividade. A heterogeneidade constitutiva (Authier-Revuz, 2004), pois, é aquela na qual as vozes do outro encontram-se diluídas no discurso do sujeito e, não, na superfície enunciativa.
Conforme esclarecido, com o intuito de compreender melhor as escolhas enunciativas das participantes, atrelamos essas escolhas ao que fora observado ao longo das aulas, assim como pelo que foi fornecido documentalmente pelos agentes educacionais e instituições, inclusive no que tange o background das alunas e professores regentes/intérpretes envolvidos.
Iniciamos, assim, esclarecendo uma vez mais os conceitos de discurso e interdiscurso. Orlandi (2005, p. 15) se vale da etimologia para socializar seu ponto de vista sobre o discurso, dizendo que ele é: “(...) palavra em movimento, prática de linguagem: com o estudo do discurso observa-se o homem falando”; ou ainda, conforme define Foucault
(2013), um conjunto de enunciados pertencentes à mesma formação discursiva35.
Interdiscurso, por seu turno,
O interdiscurso consiste em um processo de reconfiguração incessante no qual uma formação discursiva é levada (...) a incorporar elementos pré-construídos, produzidos fora dela, com eles provocando sua redefinição e redirecionamento, suscitando, igualmente, o chamamento de seus próprios elementos para organizar sua repetição, mas também provocando, eventualmente, o apagamento, o esquecimento, ou mesmo a denegação de determinados elementos (Maingueneau, 1997, p. 113).
35 Por formações discursivas (FDs), Foucault entende: “Um conjunto de regras anônimas, históricas, sempre
determinadas no tempo e no espaço que definiram em uma época dada, e para uma área (...) dada, as condições de exercício da função enunciativa” (2000, p. 153).
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Partiremos, pois, do que Possenti (2003) assevera em relação à análise de um corpus tendo em vista uma base teórica interdiscursiva; para o autor, o analista, nesses casos, considera o confronto do discurso com outro, e não com todos os outros, como ele mesmo lembra. A Análise do Discurso, pois, busca entender esses (des)encontros de sentido da língua, de forma simbólica, que constitui o sujeito sócio-histórico (Orlandi, 2005). Assim, esse confronto é melhor visualizado, a nosso ver, partindo-se de filtros de análise, a que chamamos de categorias interpretativas que emergem das próprias situações discursivas do corpus. Neste estudo, como já explicitado, as categorias e subcategorias de análise serão:
Percepção de Pertença;
Percepção de Pertença enquanto Sujeito Aprendiz;
Percepção de Pertença enquanto Sujeito Ensinado;
Percepção de Pertença enquanto Sujeito Incluído.
Sobre a noção de percepção, trata-se de como o sujeito (organicamente) interpreta estímulos, ou sensações prévias compostas por elementos que se lhe apresentam de forma interdependente, mas percebidos conjuntamente; ou seja, qual sua atitude (comportamento) ante esses estímulos (Piaget, 2013).
A percepção, nessa perspectiva, é um fenômeno complexo que conjuga uma gama de operações que se processam no enredo psicológico humano perpassando, não apenas pelas sensações como, também, pela memória, pela comparação, pela associação, pelo juízo, entre outros (Gáspari; Schwartz, 2005).
A ideia de percepção, a qual diz ser esta obtida frente às/por meio das experiências vividas pelos sujeitos, aproxima-se da noção de heterogeneidades enunciativas (interdiscurso) e de imaginário sociodiscursivo (representações sociais), uma vez que estes têm como um de seus elementos as sensações resultantes dos significados impressos (dizeres) nas situações (e aqui acrescentamos situações discursivas) vivenciadas. A percepção, portanto é-nos bastante conveniente nesse sentido. Como nos lembra Moscovici: “(...) nossa reações aos acontecimentos, nossas respostas aos estímulos, estão relacionadas à determinada definição, comum a todos os membros de uma comunidade à qual nós pertencemos” (2013, p. 31).
Definida a acepção de percepção adotada neste estudo, falta-nos ainda conceituar
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sentimo-nos motivados socialmente a fazermos parte de um coletivo organizado; ou, nas palavras de Weber (cit. in. Sousa 2010, p. 37): “(...) ‘constituição de um todo’, ou seja, naquilo que como um fim, faz do pertencer um meio e uma necessidade, matriz de algo que se define como um comum”.
Bauman (2004) relaciona pertença à identidade, na medida em que esta compõe as entidades definidoras do todo; ou, como ele mesmo apregoa, definidoras das “comunidades” (p. 17); que por sua vez são organizadas por ideias, valores, princípios, dentre outros que convergem. O autor, ainda citando um exemplo pessoal em relação à sua mudança da Polônia (país de seu nascimento) para a Grã-Bretanha no livro
Identidade, lembra-nos que as duas noções, identidade e pertença, não são definitivas ou
imutáveis; mas, ao contrário, flexíveis, negociáveis, a depender dos próprios sujeitos. O cenário, a nosso ver, remete-nos à ideia de comunidades discursivas, uma das vertentes estruturais do discurso, juntamente com formação discursiva; postulado por Maigueneau. Para ele, pois, essas comunidades dizem respeito a: “(...) o grupo ou a organização de grupos no interior dos quais são produzidos, gerados os textos que dependem da formação discursiva (1997, p. 56); entendendo aqui textos enquanto enunciações.
No que diz respeito às questões apresentadas às alunas e que suscitaram o material discursivo a ser analisado, faz-se importante mencionar ainda, como nos lembra Authier- Revuz (2004) sobre a não neutralidade das palavras (aquela neutralidade encontrada no dicionário); sendo o discurso constituído, portanto, dialogicamente, “(...) feito de acordos, recusas, conflitos, compromissos” (p. 68). Sendo assim, esclarecemos que palavras encontradas nas perguntas direcionadas às participantes, como opinião, indica posicionamento discursivo; importância, remete tanto a significância e perspectiva, percepção imediata e futura, respectivamente; inglês, ora remete a uma disciplina escolar a ser cumprida, ora diz respeito a uma língua franca/instrumento de comunicação ou ainda uma língua oral estrangeira; surdos faz alusão tanto a um sujeito surdo na condição de aluno ou, mesmo, um estudante com surdez, ou ainda a um membro de uma comunidade (Comunidade Surda); nível e motivação, mais uma vez remetendo à perspectiva e significância; aprendiz, aqui toma um caráter de aluna simplesmente, já que essa palavra- chave está vinculada a aprendizagem (fluência)/sujeito que aprende/aquele que galga níveis; métodos se ampara ao seu correlato estratégias; por fim, professora alude a, nesse caso, alguém que faz escolhas metodológicas: sujeito ensinante.
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Quadro I Simbologia utilizada na tradução e transcrição das entrevistas
OCORRÊNCIAS SINAIS
Qualquer pausa ...
Ideia interrompida ou incompleta (?)
Hipótese do que se viu ( )
Ênfase CAIXA ALTA
Comentário do tradutor/transcritor [ ]
Fonte: Próprio autor