Foram analisadas 445 intervenções, em 143 equipamentos distintos de fluoroscopia, correspondendo a 445 medições de limiar de contraste de visibilidade, bem como de resolução espacial e a 719 medições de débito de dose à entrada do paciente. De salientar que numa intervenção podem ter sido efectuadas mais do que uma medida de débito de dose, em virtude de alguns aparelhos apresentaram mais do que um modo de funcionamento. Em cada intervenção houve sempre a avaliação de uma medida de débito de dose, uma medida de limiar de contraste e uma medida de resolução, de acordo com a metodologia especificada no capítulo anterior.
No início do estudo de cada variável (débito de dose, limiar de contraste, resolução espacial) realizou-se o teste de controlo de qualidade da amostra. Evidenciaram-se, assim, os casos que se encontravam não conformes, isto é, os casos que excediam os limites legais estipulados no Decreto- Lei n.º 180/2002. Para todas as variáveis foram encontradas não conformidades e, consequentemente, poder-se-ia fazer a sua exclusão das intervenções. No entanto, apesar das entidades clínicas e hospitalares, após os testes, serem informadas de tal situação, não existe garantia de que as mesmas tomem medidas correctivas. Portanto, os equipamentos poderão operar durante um largo período de tempo em condições anómalas. Considerando esta situação e dado o número de casos não conformes encontrados ser reduzido, a sua exclusão da amostra inicial não iria influenciar com significância os resultados. Portanto, optou-se por não remover da amostra esses dados. Garante-se, assim, que a amostra traduz a situação vivida no País.
5.1.1 Entidades clínicas e hospitalares participantes
Neste estudo foram analisados os dados recolhidos nas seguintes entidades (ordem alfabética): British Hospital, CEDI – Centro de Diagnóstico pela Imagem, Centro de Diagnóstico Médico Lúcio Coelho, Centro de Radiologia Mário Vilhena, Centro Hospitalar de S Francisco, Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, Centro Hospitalar do Barreiro Montijo, Dimasul – Diagnóstico pela Imagem do Sul, Hospital Amato Lusitano, Hospital Central do Funchal, Hospital da Força Aérea, Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, Hospital de Amarante, Hospital São Marcos de Braga, Hospital de Santo André, Hospital de Vila Verde, Hospital do SAMS, Hospital Fernando Fonseca, Hospital Padre Américo, Hospital Pedro Hispano, Hospital Privado da Boavista, Hospital de Cascais Dr. José de Almeida, Hospital Público-Privado Santa Maria de Faro, Hospital Público-Privado São Gonçalo de Lagos, Hospital Público-Privado dos Lusíadas, Hospital Santa Maria, Hospital Santo António, Hospital São João de Deus, Hospital São José, Hospital São Sebastião, Hospital São Teotónio, Hospital Senhora da Oliveira do Alto Ave, Hospital Sousa Barros e Hospital Pulido Valente.
5.1.2 Distribuição geográfica
Conforme se visualiza no gráfico da ilustração 5.1-A, os distritos do País onde se realizaram mais intervenções foram nos de Lisboa e Porto, com 129 intervenções cada. O que corresponde a aproximadamente 58% do total de intervenções efectuadas. Constatou-se que a frequência das intervenções, em cada distrito, está intimamente relacionada com a distribuição geográfica da população. Observa-se, pelo mapa da ilustração 5.1-B, que as zonas mais densamente povoadas correspondem aos distritos de Lisboa, Porto, Aveiro, Braga e Leiria. Distritos esses que totalizam 72% da amostra de intervenções deste estudo. Corroborando, também, esta informação, temos a ilustração 4.1-A do capítulo anterior. Aí observa-se que o número de equipamentos de fluoroscopia, nos distritos litorais a norte do Tejo, representa cerca de 74% do total de equipamentos testados. Portanto, a amostra deste estudo caracteriza, claramente, a situação portuguesa relativa a equipamentos de fluoroscopia.
A B
Ilustração 5.1 – [A] Gráfico que traduz o número de intervenções efectuadas em cada distrito e regiões autónomas. [B] Mapa da distribuição da população residente, em Portugal, em 2012, por município [52].
Procurou-se, ainda, dados referentes à distribuição do parque tecnológico Português. Contudo, segundo informação da Direcção Geral de Saúde, aquando do licenciamento dos equipamentos de fluoroscopia, estes são classificados como pertencentes à grande classe dos equipamentos de radiologia convencional. Apenas os Angiógrafos são classificados separadamente. Portanto não foi possível aferir a percentagem de equipamentos de fluoroscopia que possuíamos relativamente ao total nacional. De referir, no entanto, que, neste estudo, foram analisados 20 angiógrafos e, atendendo à mais recente referência bibliográfica Portuguesa, no que concerne ao parque tecnológico (relatório Dose Datamed 2 Portugal [53]), constata-se que temos dados de 69% dos angiógrafos existentes no País (20 dos 29 mencionados no DDM2). Excluindo Lisboa e Porto e as regiões autónomas, temos que os restantes 8 distritos analisados correspondem, em média, cada um, a cerca de 4% do total de intervenções realizadas. Como tal, e atendendo à distribuição geográfica da população, referida anteriormente, optou-se por dividir o país em 5 zonas, a saber: Norte, Centro, Grande Lisboa, Sul e Ilhas. Esta distribuição do número de intervenções é observável
5. Apresentação, Análise e Discussão de Resultados
na ilustração 5.2. Será a partir dela que se fará a análise de algumas das várias variáveis em estudo neste trabalho.
Ilustração 5.2 – Distribuição do número de intervenções por zonas: Norte, Grande Lisboa, Centro, Sul e Ilhas. À esquerda da ilustração temos o mapa de Portugal com as respectivas zonas assinaladas e à direita o gráfico que traduz
a percentagem do número de intervenções por zona.
5.1.3 Distribuição temporal
As intervenções foram realizadas entre o ano 2007 e o ano 2013. Contudo, os anos onde há maior número de intervenções foram os de 2010, 2011 e 2012. Consequentemente, dividiram-se as medições em 4 grupos, consoante o momento temporal, a saber: anterior a 2010, 2010, 2011 e posterior a 2011. O grupo anterior a 2010 inclui os dados de 2007, 2008 e 2009. E o grupo posterior a 2011 inclui os anos de 2012 e 2013. Este segundo agrupamento deve-se ao facto de os dados de 2013 só se referirem ao primeiro semestre do ano, não contabilizando um valor suficiente para garantir significância estatística. Relativamente aos anos antecedentes a 2010, esta divisão justifica- se, pois o número de intervenções nestes anos eram em menor número quando comparados com os restantes, não formando só por si um grupo com significância estatística. Na tabela 5.1 pode-se observar a frequência do número de intervenções realizadas em cada grupo temporal e no gráfico da ilustração 5.3 observa-se a percentagem relativa de cada um desses grupos.
Tabela 5.1 – Frequência e Percentagens do número de intervenções por anos.
Anos Frequência Percentagem Percentagem
acumulada
Ilustração 5.3 – Gráfico com a percentagem do número de intervenções por ano da intervenção.
<2010 76 17,1 17,1
2010 109 24,5 41,6
2011 149 33,5 75,1
>2011 111 24,9 100,0
Total 445 100,0 100,0
5.1.4 Distribuição das intervenções por marca dos equipamentos
Relativamente às marcas dos equipamentos, constatou-se que a Philips foi a marca mais encontrada nas unidades médicas estudadas estando representada em 53,4% das intervenções, seguida da Siemens e da GE com 23,1% e 17,5%, respectivamente. Dado que as restantes marcas apenas contabilizam cerca de 6% da amostra, decidiu-se agrupá-las num único grupo adiante denominado de Outras. Na tabela 5.2, encontram-se discriminadas as frequências e percentagens de cada marca nas intervenções realizadas. Por sua vez, o gráfico da ilustração 5.4 apresenta esta divisão e as respectivas percentagens. O predomínio da marca Philips poderá estar relacionado com uma melhor estratégia comercial, aquando da adquisição dos equipamentos pelas unidades médicas.
Tabela 5.2 – Frequência e percentagem das marcas nas intervenções realizadas.
Marca Frequência Percentagem Percentagem acumulada
Ilustração 5.4 – Gráfico com a percentagem das intervenções por marca dos equipamentos.
GE 78 17,5 17,5 Philips 238 53,5 71,0 Siemens 103 23,1 94,2 Toshiba 10 2,2 96,4 Dornier 5 1,1 97,5 FMControl 5 1,1 98,7 Ziehm 2 ,4 99,1 GMM 1 ,2 99,3 Opera 1 ,2 99,6 Shimadzu 1 ,2 99,8 AV Villa 1 ,2 100,0 Total 445 100,0 100,0
5. Apresentação, Análise e Discussão de Resultados