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RESULTATER OG DISKUSJON

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POPULASJONER OG -SAMFUNN AV LIMNISK ZOOPLANKTON

4. RESULTATER OG DISKUSJON

Ao longo do tempo, estudos realizados para diferentes línguas como o inglês (Radford, 1990), hebraico (Friedmann et al, 2009), italiano (Guasti e Cardinaletti, 2003) e português (Abalada, 2011; Silveira, 2011; José, 2011; Fonseca, 2011; Cerejeira, 2009; Costa et al, 2009; Ferreira, 2008; Lessa-de-Oliveira, 2008; Augusto, 2005), e em diferentes populações (crianças surdas, crianças com perturbações específicas da linguagem, crianças com atraso de desenvolvimento da linguagem e adultos com agramatismo), têm mostrado que em contexto de aquisição as estruturas com movimento-A’ de objeto são mais problemáticas do que as de sujeito e que parece não haver consenso quanto à natureza desta assimetria.

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Um estudo realizado por van der Lely & Batell (2003, citado por Augusto, 2005 e Cerejeira, 2009), num grupo de 15 crianças inglesas com idades compreendidas entre os 5;3 e os 9;1, com desenvolvimento atípico da linguagem (perturbação específica da linguagem), a adquirir o inglês como língua materna, permitiu verificar, para esta população, dificuldades na formação de interrogativas Wh, tanto no que diz respeito ao movimento do elemento-Wh, como ao movimento do auxiliar/inserção de do. As mesmas autoras salientam ainda a maior dificuldade com interrogativas de objeto.

A natureza específica do défice, na compreensão e produção de frases relativas de objeto, foi analisada por Friedmann e Novogrodsky (2004). Neste estudo, as autoras mostraram haver um défice na perceção das estruturas que envolviam movimento e a identificação de vestígios, ou défice na atribuição de papéis temáticos ao elemento movido. Os resultados do estudo mostraram que tanto as crianças com PEDL, como as do grupo controlo, não revelaram dificuldade na repetição de Relativas de Objeto. Pelo contrário, as crianças com PEDL na compreensão falharam cerca de 30%, o que sugere, de acordo com as autoras, que o défice não está na identificação de vestígios nem na construção da árvore sintática, mas sim na relação do papel temático da categoria vazia com o SP em questão.

Augusto (2005), em estudos realizados em populações com desenvolvimento típico, realçou o facto de interrogativas de sujeito surgirem antes das de objeto (aproximadamente por volta dos 2;0). Os dados analisados pela autora atestaram a emergência de interrogativas simples antes de encaixadas, de interrogativas de sujeito antes de interrogativas de objeto e aparecimento tardio de Wh in situ. Partindo de dados experimentais, a autora afirmou, ainda, que na compreensão há mais facilidade na interpretação de interrogativas de sujeito do que de objeto. Contudo, ao contrário do que é possível observar na produção, a presença de Wh in situ facilitou a compreensão.

Friedmann & Lavi (2006) referem que, para os diferentes estudos realizados focando a aquisição do movimento-Wh, estruturas que envolvem este tipo de movimento não são visíveis logo no início da produção de frases da criança e que frases relativas, por exemplo, apenas parecem surgir por volta dos 2;6 ao nível da produção e ser dominadas ao nível da compreensão um pouco mais tarde, entre os 5 e os 6 anos de idade. As mesmas autoras, usando como método a repetição de frases, realizaram um

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estudo com uma amostra de 60 crianças israelitas entre os 2;2 e 3;10, com desenvolvimento típico de linguagem e nativas do hebraico e tentaram estabelecer uma ordem de aquisição relativamente ao movimento-Wh, Movimento-A e movimento V- para-C. Os resultados obtidos por estas autoras permitem concluir que é importante considerar o tipo de movimento quando se tem em conta a aquisição da sintaxe. As autoras constataram que frases que partilham o mesmo tipo de movimento são adquiridas conjuntamente, e que, embora diferentes crianças adquiram o movimento em diferentes idades, a aquisição de movimentos do mesmo tipo parece ser similar. Numa fase inicial, parecem adquirir o movimento-A, depois o movimento-wh e só posteriormente o movimento V-para-C.

Com o intuito de estudar factos sintáticos e de aquisição em frases relativas no Português Brasileiro (PB), Lessa-de-Oliveira (2008) realizou um estudo natural e longitudinal apoiado na fala espontânea de 3 crianças com idades compreendidas entre 1;6 e 3;6, sem qualquer patologia associada e falantes nativas de PB. Neste estudo, a autora refere a facilidade e a rapidez com que relativas de sujeito e de objeto direto se verificam nos primeiros anos de aquisição da linguagem contrapondo com a dificuldade encontrada na aquisição de relativas com pied-piping. Segundo a autora, estas parecem ser adquiridas em idades posteriores e requerem ensino formal para ocorrer.

Ferreira (2008) testou a compreensão e a produção de frases relativas de sujeito e de objeto em populações com e sem patologia associada. A sua amostra incluiu crianças com perturbação específica da linguagem, crianças com desenvolvimento típico, adultos com agramatismo e adultos sem patologia neurológica, todos falantes nativos de PE. Em todos os grupos, a autora verificou uma assimetria na produção de relativas de sujeito e de objeto, sendo as primeiras mais acessíveis. Na tarefa de compreensão a autora verificou que, à exceção dos adultos do grupo de controlo, ocorre a mesma assimetria entre relativas de sujeito e de objeto. Os dados do referido estudo apontam para, numa primeira fase, a criança com perturbação específica da linguagem apresentar as mesmas dificuldades encontradas na criança com desenvolvimento típico, nomeadamente no que se refere a aceder ao domínio de C. Numa fase posterior, ambas as populações parecem apresentar dificuldades na transmissão de papéis temáticos, mas não na capacidade de aceder a CP. Numa última fase, a autora verificou que as crianças com desenvolvimento típico ultrapassam estas dificuldades enquanto as crianças da

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população atípica continuam a manifestá-las. Neste estudo, verificou-se ainda a dificuldade em aceder a CP pelo grupo dos adultos com agramatismo.

Em 2009, Cerejeira testou a compreensão e a produção de interrogativas de sujeito e de objeto em crianças com desenvolvimento típico com idades compreendidas entre os 3;0 e os 5;11, a adquirir PE como L1. Os 60 participantes foram distribuídos por três grupos de acordo com a faixa etária. O grupo de controlo foi constituído por 20 adultos, monolingues, falantes nativos de PE, sem qualquer diagnóstico ou indicação de problemas auditivos ou de desenvolvimento linguístico e/ou cognitivo. Os dados foram obtidos através de um estudo experimental que incluiu três testes, um de produção e dois de compreensão. No primeiro teste, foi elicitada a produção de IS e IO com sintagma Q-leve, com verbos semanticamente reversíveis e irreversíveis. Para a compreensão de IS e IO, foi aplicado um teste (Teste 2) com sintagma Q-leve, com verbos semanticamente reversíveis e irreversíveis e outro teste (Teste 3) com sintagma Q-pesado, com verbos transitivos agentivos de dois lugares, semanticamente reversíveis. De acordo com o estudo, os dados parecem sugerir que as interrogativas de objeto são adquiridas em idades mais tardias quando comparadas com as de sujeito e que as crianças são sensíveis a efeitos de intervenção. Para a autora, a dificuldade verifica-se na transferência de papéis temáticos e não no acesso a CP ou no movimento A-barra. Os problemas na transferência de papéis temáticos parecem ser mais evidentes quando o verbo é reversível e quando o objeto e o sujeito incluem uma restrição lexical.

Com o intuito de discutir a compreensão de estruturas com constituintes periféricos à esquerda e à direita, foi elaborado por Abalada (2011) um estudo experimental. Neste, tentou-se aferir se crianças em idade pré-escolar compreendem estruturas com constituintes nas duas periferias da frase, tendo para tal sido desenhada uma tarefa de juízo de valor de verdade, recorrendo a imagens. A referida tarefa foi aplicada a 41 crianças falantes monolingues de PE, entre os 3;5 e os 6;3, bem como a um grupo controlo de 30 adultos também monolingues de PE e foi elaborada para testar seis condições selecionadas de acordo com a periferia da frase e a função sintática do argumento (sujeito, objeto direto, objeto indireto ou complemento obliquo) envolvido na alteração da ordem básica das palavras. Os resultados obtidos mostram a existência de uma assimetria entre compreensão de estruturas com sujeitos na periferia direita e de estruturas com objetos diretos topicalizados na periferia esquerda, verificando-se uma

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compreensão mais precoce do material na periferia direita, bem como uma assimetria na compreensão dos diferentes constituintes na periferia esquerda, já que as crianças parecem ter melhor desempenho em estruturas com complementos oblíquos e objetos indiretos do que com objetos diretos. A autora conclui, assim, que a compreensão de estruturas com alteração da ordem básica de palavras envolvendo constituintes nas periferias esquerda e direita da frase em PE não se encontra completamente estabilizada em idade pré-escolar. Como refere a autora:

“Por um lado, registam-se assimetrias entre as periferias esquerda e

direita que podem ser explicadas por diferenças de estatuto sintático dos constituintes que ocorrem nas duas periferias. Por outro lado, registam- se assimetrias entre diferentes tipos de argumentos na periferia esquerda e entre diferentes sujeitos pós-verbais que podem ser explicadas pela ocorrência de um interveniente entre os dois constituintes que estabelecem entre si uma relação de dependência local” (Abalada,

2011:7).

José (2011) analisou a produção e compreensão de interrogativas parciais de sujeito e de objeto em crianças com PEDL. No estudo participaram dois grupos de controlo: grupo de controlo de idade (constituído por 60 crianças com desenvolvimento típico: 3:00-5:11 anos) e grupo de controlo de comprimento médio de enunciado (composto por 6 crianças: 6:0-8:3 anos). Foram definidas como variáveis de comparação a idade cronológica e a idade linguística, respetivamente. O grupo de estudo foi composto por 5 crianças com PEDL (4:7-10:10 anos). Os resultados dos testes de compreensão sugerem uma assimetria entre interrogativas Q-leve e interrogativas d-linked, para o grupo de estudo, com pior desempenho nas últimas, particularmente em interrogativas de objeto reversíveis. Em ambas as tarefas de compreensão, o grupo PEDL obteve um desempenho estatisticamente idêntico ao do grupo de controlo idade. Os resultados dos testes de produção sugerem a existência de assimetrias entre IS e IO, com pior desempenho em interrogativas de objeto, em contexto de reversibilidade. Estas verificaram-se tanto no grupo PEDL como no sub- grupo de 3 anos de idade, pelo que o desempenho de ambos os grupos foi semelhante para todas as condições analisadas.

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Com o objetivo de investigar a ordem de emergência de construções A-barra na aquisição de PB como L1, foi realizado um estudo por Silveira (2011). Para a realização deste estudo, foram analisados dados de fala espontânea de 23 crianças entre 1;10 e 5;0 anos de idade, divididos em amostras transversais e longitudinais. Os dados obtidos mostram que o surgimento dos diferentes tipos de interrogativas-QU obedece a uma ordem de complexidade derivacional. Interrogativas e outras estruturas A-barra que envolvem um CP e uma operação Move surgem antes daquelas que envolvem dois CP e/ou duas operações Move, seguindo, então, uma hierarquia de níveis de complexidade sintática. Estes dados parecem reforçar a hipótese de Soares (2003, 2004, citado por Silveira, 2011), segundo a qual as crianças em idades precoces são guiadas por princípios de economia no processo de aquisição. Assim, a emergência das diferentes estruturas A-barra é determinada pela complexidade da sua derivação. Construções menos complexas sintaticamente parecem surgir antes das mais complexas.

Com o objetivo de testar a compreensão e produção de orações relativas de sujeito e de objeto em crianças com desenvolvimento típico e com perturbação específica do desenvolvimento da linguagem (PEDL), foi realizado por Fonseca (2011) um estudo experimental. A amostra deste estudo foi constituída por 6 crianças com PEDL-S, com idades compreendidas entre os 5;4 e os 9;5. Como grupo controlo foram utilizados os resultados dos dados obtidos do estudo de Costa et al (2008), no qual foram avaliadas 60 crianças, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 3;9 e os 6;2. Os dados obtidos revelaram uma assimetria entre relativas de sujeito e relativas de objeto tanto ao nível da compreensão, como da expressão. Verificou-se que as crianças com PEDL compreendem e produzem orações relativas de sujeito em idades mais tardias que as crianças com desenvolvimento típico. Em relação às relativas de objeto, as crianças com PEDL avaliadas não conseguiram atingir uma taxa de sucesso comparável à das crianças do grupo controlo (Fonseca, 2011).

De acordo com Friedmann, Belletti & Rizzi (2009), estudos efetuados sobre orações relativas de sujeito e de objeto em crianças hebraicas em situação de aquisição de L1 têm mostrado que estas manifestam maior dificuldade em tarefas relacionadas com relativas de objeto. O objetivo deste trabalho centrou-se em testar efeitos de intervenção na aquisição de construções A-barra. Este fenómeno está presente em Interrogativas de Objeto e em Relativas de Objeto, dependências em que há intervenção

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de um argumento (o sujeito), não acontecendo o mesmo em Interrogativas de Sujeito e em Relativas de Sujeito, nas quais não existe nenhum interveniente entre o constituinte movido para C e o seu vestígio, na posição de base.

De acordo com os autores, as crianças parecem apresentar maiores dificuldades nas relativas de objeto do que nas de sujeito. Para estes autores, a dificuldade verificada nas relativas de objeto e nas interrogativas-Wh de objeto é seletiva: a mesma parece depender da similaridade estrutural entre o constituinte que sofre movimento-A’ e o sujeito interveniente.

“The main finding presented in this paper is that children aged three

and a half to five years deal unproblematically with subject-related A’ dependencies, whereas object-related A’-dependencies may be selectively problematic, where selectivity is determined by the nature of the A’ target and of the subject intervener.” (Friedmann, N., Belletti, A.

e Rizzi, L., 2009:24).

Os mesmos interpretam esta seletividade à luz do princípio postulado por Rizzi (1990) e amplamente descrito nos trabalhos de Grillo (2008), sobre agramatismo:

“We interpret this selective effect in terms of a proper extension of

Relativized Minimality, the principle of syntactic theory which expresses locality effects linked to intervention, and whose psycholinguistic relevance has been highlighted in Grillo’s work on agrammatism” ( Friedmann, N., Belletti, A. e Rizzi, L., 2009:1).

De acordo com este princípio, não se pode criar uma relação local entre X e Y quando Z intervém, sendo Z um potencial candidato para o estabelecimento dessa relação local:

(14) X … Z … Y

A ideia dos autores é que se pode estabelecer uma analogia entre a RM e os efeitos de intervenção, que tornam certas estruturas problemáticas em termos de interpretação. Esta hipótese é inferida pelo estudo experimental levado a cabo por estes

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autores. Neste estudo, Friedmann, Belletti, e Rizzi (2009) verificaram a existência de uma assimetria entre IS e IO, porém, verificam também que nem todas as IO são problemáticas em contexto de aquisição. Explicam este fenómeno, tratando-se de um facto seletivo, condicionado pela semelhança estrutural entre o constituinte deslocado por movimento A-barra e o sujeito que é intersectado no decurso desse movimento. Neste estudo, uma vez que as crianças manifestaram apenas dificuldades em IO com Which-N, os dados refletem a existência de dificuldades consistentes apenas em contextos nos quais o elemento movido e o interveniente incluem um NP lexical. Para os autores, este fenómeno é explicado da seguinte forma: as estruturas do tipo QNP (sintagmas-Q lexicalmente restritos) são atraídos para CP devido à presença do atractor complexo [+Q, +NP], enquanto os sintagmas-Q vazios são atraídos pelo atractor simples [+Q]. Em IO, quando o constituinte movido para CP é um sintagma-Q lexicalmente restrito, a presença de um sujeito NP leva a que este, o interveniente, bloqueie a relação A-barra, devido à partilha do traço [+NP]. Deste modo, as crianças manifestam dificuldades em interrogativas do tipo Which girl [+Q, +NP] is the

grandmother [+NP] kissing?, mas não em interrogativas do tipo Who [+Q] is the grandmother kissing? (Cerejeira, 2009).

28 CAPÍTULO 3: DEFINIÇÃO DA PROBLEMÁTICA

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