AL:PE PROSJEKTET: REMOTE MOUNTAIN LAKES AS INDICATORS OF AIR POLLUTION AND CLIMATE CHANGE
ETTER 4-5 ÅR MED KUNSTIG FORSURING Espen Lydersen
Em suma e tendo em consideração os objetivos inicialmente propostos, constata- se que:
- existe uma assimetria entre IS e IO, em tarefas de produção, havendo favorecimento em relação às primeiras;
- as crianças manifestam mais facilidade em produzir IOD (Quem é que o
menino beliscou?), comparativamente às IOP (De quem é que o menino está a fugir?);
- quando não produzem IOD e IOP, os adultos produzem geralmente estruturas gramaticais alternativas, ao passo que as crianças produzem frequentemente interrogativas de sujeito em contexto de interrogativas de objeto;
- as crianças manifestam mais facilidade em compreender interrogativas não d- linked (De quem é que o menino está a fugir?) do que d-linked (De que cão é que o
menino está a fugir?);
- existe uma assimetria entre IS e IO, em tarefas de compreensão de interrogativas d-linked, havendo favorecimento em relação às primeiras;
- as crianças manifestam um pouco mais de facilidade em compreender IOP do
que IOD, quer se trate de interrogativas d-linked ou não d-linked, mas essa diferença não se mostrou ser estatisticamente significativa em nenhum dos testes;
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- há mais interrogativas com movimento do que interrogativas in situ nas IOD, mas, nas IOP, a estratégia in situ é mais frequente do que a estratégia de movimento;
- o grupo constituído por crianças de 3 anos foram as que mais dificuldade tiveram quer em tarefas de produção, quer de compreensão, manifestando ainda alguma dificuldade na compreensão de interrogativas de sujeito;
- o grupo constituído por crianças de 4 e 5 anos apresenta mais facilidade em tarefas de compreensão do que de produção. Nas tarefas de compreensão, embora as crianças de 5 anos se aproximem do grupo de controlo nas interrogativas sem N realizado (teste 2), ainda se afastam bastante dos adultos na compreensão de interrogativas de objeto d-linked (teste 3);
- À semelhança do grupo de 3 anos, também para estas faixas etárias, se verificam assimetrias entre IS e IO, apresentando melhores scores nas primeiras, em qualquertarefa.
69 CAPÍTULO 6: DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Descritos os dados recolhidos através dos três testes, importa agora discuti-los, relacionando-os com as hipóteses de trabalho formuladas no início deste estudo, bem como com os estudos sobre aquisição de estruturas com constituintes periféricos em que este trabalho se enquadra. Desta forma, a discussão dos dados, de que este capítulo dá conta, segue a ordem das hipóteses de trabalho enunciadas no terceiro capítulo.
Hipótese 1
Se o problema da intervenção for apenas um problema temático, prevê-se que se observem nas interrogativas preposicionadas d-linked as mesmas dificuldades encontradas nas interrogativas de objeto d-linked. Em tarefas de compreensão de interrogativas preposicionadas, será esperado maior sucesso nas interrogativas não d- linked à semelhança do observado no estudo de Cerejeira (2009), onde se verificou que as crianças não apresentam dificuldades em compreender interrogativas de objeto não d- linked. Ou seja, se tal como referido por Friedmann et al (2009), as crianças forem sensíveis a efeitos de intervenção e se, no caso das IO, essa sensibilidade se caracterizar por dificuldades em construções nas quais o sujeito e o objeto são estruturalmente semelhantes, espera-se então que o desempenho nas IO do Teste 3 seja inferior ao do Teste 2.
Analisando o Teste 2 e o Teste 3, constata-se que a assimetria entre IS e IO, privilegiando as primeiras, é visível sobretudo no teste 3, ou seja em interrogativas d- linked, tal como verificado pelos diferentes autores (ver secção 1.4.1 deste trabalho).
Considerando e analisando os gráficos 7 e 8 e tabela 21, correspondentes aos testes 2 e 3 respetivamente, verifica-se que, à semelhança do que foi observado por Cerejeira (2009), as crianças têm maior facilidade em compreender interrogativas não d- linked do que d-linked, quer de objeto direto quer de objeto preposicionado, em qualquer grupo etário.
Confirmou-se, tal como em estudos anteriores, que as crianças são sensíveis a efeitos de intervenção. Por um lado, existem diferenças entre o teste 2 e o teste 3; por outro lado, existem diferenças significativas no teste 3 entre IO e IS, como observado em estudos anteriores (ver secção 1.4.1). Estes resultados parecem ir ao encontro do
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defendido por Friedmann, Belletti & Rizzi (2009). De acordo com estes autores, a dificuldade apresentada com algumas relativas de objeto depende da semelhança entre o constituinte que sofre movimento-A’ e o sujeito interveniente, ou seja, em dependências de objeto há intervenção de um argumento (o sujeito), não acontecendo o mesmo ao nível das de sujeito, nas quais não existe nenhum interveniente entre o constituinte movido para C e o seu traço na posição de base (cf. também Cerejeira, 2009).
Hipótese 2
Se os efeitos de intervenção forem devidos ao facto de existir uma categoria do mesmo tipo entre o interrogativo e a posição de base (SN - SN - vestígio), os resultados com interrogativas preposicionadas (SP - SN - v) deverão ser melhores do que com interrogativas de objeto direto, uma vez que a categoria interveniente (SN) não é categorialmente idêntica à categoria movida (SP). Se as crianças não forem sensíveis à semelhança estrutural entre o constituinte movido para [Spec, CP] e o interveniente, não são esperadas diferenças entre IOD e IOP no Teste 3.
Neste estudo, verificou-se que as crianças apresentam resultados ligeiramente melhores na compreensão de interrogativas de objeto preposicionado quando comparadas com as de objeto direto. O mesmo parece ter sido encontrado no estudo levado acabo por Abalada (2011), em que é demonstrada a assimetria na compreensão dos diferentes constituintes na periferia esquerda, e em que as crianças parecem ter melhor desempenho em estruturas com complementos oblíquos e objetos indiretos do que com objetos diretos.
No entanto, os resultados obtidos nos testes de compreensão mostram que, apesar de haver uma ligeira diferença na compreensão de IOP e de IOD, essa diferença não é estatisticamente significativa. Assim, dada a ausência de diferenças significativas no teste 3 entre IOD e IOP, verifica-se que a intervenção não é sensível à natureza categorial. Ou seja, quer o constituinte deslocado seja um SN, quer seja um SP, os efeitos de intervenção são semelhantes. Assim, os resultados mostram que a preposição não conta para efeitos de intervenção.
Resultados semelhantes foram encontrados no estudo de Costa, Friedmann, Silva & Yachini (em preparação). De acordo com estes autores, o desempenho das crianças falantes de PE foi globalmente bom, porém os resultados mostram que as crianças têm
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um melhor desempenho em relativas de sujeito quando comparadas com a performance em relativas de objeto, o que vem mais uma vez comprovar a assimetria entre IS e IO. Contudo, neste estudo, verifica-se que, à semelhança dos resultados obtidos nesta tese, não foi encontrada diferença entre IOD e IOP, pelo que este estudo mostra que a preposição não conta para efeitos de intervenção.
Hipótese 3
Em contexto de produção, espera-se encontrar, tal como em estudos anteriores, mais facilidade na produção de interrogativas de sujeito (em que não há efeitos de intervenção) do que em interrogativas de objeto (em que há efeitos de intervenção). Contudo, em contexto de produção, o facto de uma interrogativa preposicionada envolver movimento de um constituinte-wh integrado num SP, tendo a P sido atraída por ‘pied-piping’ pode ser um fator de complexidade adicional e eventualmente dar origem a piores desempenhos das crianças, quando comparando com IOD.
Através da análise do Teste 1 (Produção) e mais em específico do gráfico 2, pode-se afirmar que a terceira hipótese postulada neste trabalho é confirmada.
Em todos os grupos etários, foi verificada uma diferença assinalável entre produção de IS e produção de IO de acordo com o alvo, tendo as primeiras resultados de produções conformes ao alvo muito mais altas. Estes resultados parecem estar de acordo com os resultados obtidos nos últimos estudos (ver, p.e., Cerejeira, 2009).
Para além disso, o facto de uma interrogativa preposicionada envolver movimento de um constituinte-wh integrado num SP, tendo a P sido atraída por ‘pied- piping’ deu origem a piores desempenhos por parte das crianças. Apesar de a percentagem de não conformidade à resposta alvo (IOP) ter diminuído à medida que aumenta a idade das crianças, a percentagem de não conformidade em todos os grupos etários foi superior à percentagem de acerto à pergunta alvo. Desta forma, verificou-se que o grupo dos três anos obteve scores de não conformidade à resposta alvo de 96%, o dos 4 anos obteve scores de 71% e os de 5 anos obtiveram scores de não conformidade de 65,5%. Na realidade, se se somarem as interrogativas cortadoras às interrogativas preposicionadas, verifica-se que os resultados obtidos em IOD e em IOP são muito semelhantes.
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Estes resultados vêm confirmar resultados anteriormente obtidos em construções com pied-piping, nomeadamente no que respeita às relativas. Estarão estas dificuldades associadas à falta de conhecimento de um conjunto de preposições utilizadas em estruturas com pied piping, frequentemente evitadas na linguagem coloquial, sendo apenas aprendidas durante o período escolar, tal como defendem Guasti e Cardinaletti (2003)? Ou, como defendem McDaniel, McKee e Bernstein (1998), estas dificuldades estarão associadas ao número de movimentos na derivação?
O facto de as crianças produzirem mais interrogativas in situ com IOP do que com IOD parece mostrar que a dificuldade reside sobretudo no movimento associado a
pied-piping.
Estes dados parecem também vir ao encontro do defendido por Soares (2003,2004, citados por Silveira, 2011), quando a autora refere que crianças em idades precoces são guiadas por princípios de economia no processo de aquisição. Pelo que a emergência de estruturas A-barra é determinada pela complexidade da sua derivação, ou seja, construções menos complexas sintaticamente parecem surgir antes das mais complexas.
73 CAPÍTULO 7: CONCLUSÃO
A análise dos resultados obtidos e discutidos no capítulo anterior permitiu concluir que, à semelhança do que foi encontrado noutros estudos e em outras línguas, a aquisição de interrogativas em PE, como língua materna, também se caracteriza por uma assimetria entre interrogativas de objeto e de sujeito, sendo as primeiras mais problemáticas.
Os dados parecem sugerir que:
a) existe uma assimetria entre IS e IO, em tarefas de produção e de compreensão, havendo favorecimento em relação às primeiras;
b) as crianças manifestam mais facilidade em produzir IOD (Quem é que o
menino beliscou?), comparativamente às IOP (De quem é que o menino está a fugir?),
sendo pied-piping mais custoso;
c) as crianças manifestam mais facilidade em compreender interrogativas não d- linked (De quem é que o menino está a fugir?) do que d-linked (De que cão é que o
menino está a fugir?), o que mostra que a presença de N provoca efeitos de intervenção;
d) o grupo constituído por crianças de 3 anos é o que apresenta maiores dificuldades quer em tarefas de compreensão, quer de produção. Este grupo apresenta melhores performances com IS do que com IO. É o grupo que mais se afasta do grupo controlo;
e) o grupo constituído por crianças de 4 e 5 anos apresenta mais facilidade em tarefas de compreensão do que de produção. Em tarefas de compreensão apresentam melhores performances com interrogativas não d-linked, quer em contexto de IOD, quer de IOP. À semelhança do grupo de 3 anos, também para estas faixas etárias, se verificam assimetrias entre IS e IO, apresentando melhores scores nas primeiras, em qualquer tarefa (produção ou compreensão). Contudo, na compreensão de interrogativas de objeto d-linked, o grupo de 5 anos ainda tem resultados muito aquém do grupo de controlo.
f) os resultados mostram ainda que pela ausência de diferenças significativas no teste 3 entre IOD e IOP que a intervenção não é sensível à natureza categorial, ou seja, quer o constituinte deslocado seja um SN, quer seja um SP, os efeitos de intervenção são semelhantes.
Os dados observados para o contexto de IOD vêm ao encontro do pressuposto por Lessa de Oliveira (2006), Grolla (2005), Augusto (2005) e Sell (2002), quando
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afirmam que estudos realizados demonstram que interrogativas com constituintes-QU deslocados são produzidas em idades mais precoces quando comparadas com aquelas cujos elementos-Qu permanecem in situ. No entanto, os dados das IOP vão num sentido diferente, uma vez que, nas crianças, a estratégia in situ é mais frequente do que a estratégia de movimento. O facto de as crianças produzirem mais interrogativas in situ com IOP do que com IOD parece mostrar que a dificuldade reside sobretudo no movimento associado a pied-piping.
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79 Anexo A: Formulário de Consentimento
80 PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO
Título do projeto: Produção e Compreensão de Estruturas no Português Investigadores responsáveis: Maria Lobo (Universidade Nova de Lisboa)
Vera Baião (T. Fala, aluna do 2º Ano do Mestrado) Aos encarregados de educação
No âmbito da realização de um projeto de investigação, pedimos a colaboração do Centro Infantil Nossa Senhora da Conceição para recolher dados relativos à forma como grupos de crianças com idades diferentes adquirem Estruturas no Português.
Vimos agora pedir autorização para que o seu educando participe neste trabalho de investigação. A participação no projeto implicará apenas participar em três jogos em que a criança vai ajudar um boneco a identificar imagens e durará entre 30 minutos e 1 hora, num total de três sessões.
No tratamento dos dados recolhidos, é salvaguardado o anonimato dos alunos e dos professores que colaboram com este projeto de investigação. Como é normal acontecer, os dados serão utilizados exclusivamente no âmbito do projeto de investigação em curso.
Caso deseje obter mais informações, por favor contacte-nos através dos números 962557043 ou 914024253.
Agradecendo a colaboração,
Maria Lobo Vera Lúcia Baião
(Profª Auxiliar, FCSH – Universidade (T. Fala, aluna do 2º ano Mestrado) Nova de Lisboa)
---
Eu, ______________________________________________________, encarregado de educação de ______________________________________________, aceito que o meu educando participe no projecto de Aquisição de Estruturas no Português da responsabilidade de Maria Lobo e Vera Lúcia Baião.
Assinatura:______________________ Data:___________________________
Vera Lúcia Baião Terapeuta da Fala
81 Anexo B: Teste 1 (Produção de Interrogativas de Sujeito e de Objeto Direto e
82 Aquisição de Interrogativas de Objecto Preposicionado no PE
Teste de Produção (não d-linked)
Nome:________________________________________________________________________________________ Data de Nascimento ____/____/____ Idade ____ A ____ M Data do teste ____/____/____
Treino
Tipo de treino Estímulo Resposta
IS Alguém está a coçar o macaco. Eu quero saber quem. Pergunta ao fantoche...
[RE: Quem é que está a coçar o macaco?] Teste
Tipo de interrogativa Estímulo Resposta
SD 1- Alguém está a molhar o elefante. Eu quero saber quem. Pergunta ao fantoche...
[RE: Quem é que está a molhar o elefante?]
OD 2- A senhora está a beijar alguém. Eu quero saber quem. Pergunta ao fantoche...
[RE:Quem é que a senhora está a beijar?]
OP 3- A menina está a acenar a alguém. Eu quero saber a quem. Pergunta ao fantoche...
[RE:A quem é que a menina está a acenar?]
SD 4- Alguém está a lavar a menina. Eu quero saber quem. Pergunta ao fantoche...
[RE:Quem é que está a lavar a menina?]
OP 5- O menino está a telefonar a alguém. Eu quero saber a quem. Pergunta ao fantoche...
[RE: A quem é que o menino está a telefonar?]
OD 6- O senhor está a molhar alguém. Eu quero saber quem. Pergunta ao fantoche...
[RE: Quem é que o senhor está a molhar?]
SP 7- Alguém está a fugir do cão. Eu quero saber quem. Pergunta ao fantoche...
[RE: Quem é que está a fugir do cão?]
OD 8- O pinguim está a lavar alguém. Eu quero saber quem.