6 Empirisk analyse: USDNOK
6.1 Resultater fra unit root test
Num primeiro momento de leitura das reportagens do jornal selecionado para a pesquisa, considerando o tema mulher, buscamos apreender os temas mais recorrentes pela análise de discurso. Em seguida, buscamos identificar as características apontadas como femininas e suas possíveis conotações negativas e positivas, bem como uma possível posição
neutra. A análise levou em consideração o público a quem se destinam, seus redatores (as) e a tendência político-ideológica do referido jornal, por considerarmos que estes fatores influenciam na produção das reportagens.
O levantamento do corpus foi realizado através da pesquisa do site do jornal mencionado, tendo em vista os entraves administrativos13 para a consulta local impressa. Foram escolhidas reportagens escritas por jornalistas de ambos os sexos cuja temática é a mulher. As reportagens foram lidas e compiladas segundo a metodologia da análise documental, objetivando compor um corpus homogêneo e pondo em relevo as recorrências interdiscursivas entre os textos e entre os autores.
O corpus da pesquisa compreende vinte e seis partes de perfis jornalísticos veiculados na mídia impressa totalizando vinte e seis excertos. Trata-se de um corpus relativamente homogêneo, pois todos os perfis são de mulheres, classe média alta, com uma história de vida de superação. Justificamos a escolha dos perfis para investigação da representação da mulher na mídia impressa, pelo fato deste gênero discursivo colocar a mulher como personagem central, ou ainda, discutir de alguma forma sua presença na cultura e na sociedade. Consideramos que o corpus foi selecionado por conveniência, ou seja, por método não-probabilístico.
Sintetizamos os critérios de seleção aos seguintes itens:
- a presença de feminilidades nos perfis da mídia impressa (características, condutas, atitudes e comportamentos associados ao feminino)
- perfis jornalísticos direcionados ao público feminino adulto.
Desse modo, selecionamos cinco reportagens intituladas “perfil”, veiculadas em diferentes edições do jornal O Estado do Maranhão, no período de março de 2003 a maio de 2008. Contudo, vale ressaltar que do conjunto de reportagens escolhido, apesar de termos efetuado a leitura de todos os perfis femininos, selecionamos para a análise somente aqueles que melhor evidenciam os aspectos considerados por nós como relevantes para o estudo aqui proposto como a construção discursiva do gênero social, ou seja, perfis nos quais é possível constatar a presença de marcas na superfície lingüística
13 Na redação do jornal O Estado do Maranhão, para se ter acesso ao arquivo do jornal impresso é necessário agendar uma visita, além de não ser permitida a xerox das reportagens ; o jornal on-line, por sua vez, não impõe limitação, o site divulga as matérias sem restrições aos assinantes do jornal, tanto as do dia como as edições anteriores.
que nos permitem verificar a representação da mulher na mídia impressa e, consequentemente, os processos de construção das identidades no discurso. Assim, o número de reportagens/perfis selecionadas foi estabelecido após saturação dos dados.
Tal conduta é condizente com pesquisas qualitativas, como esta, uma vez que a análise e interpretação dos dados dentro de uma perspectiva qualitativa, segundo Gomes (2007, p.79):
Não precisa abranger a totalidade das falas e expressões dos interlocutores porque, em geral, a dimensão sociocultural das opiniões e representações de um grupo que tem as mesmas características costumam ter muitos pontos em comum ao mesmo tempo que apresentam singularidades próprias da biografia de cada interlocutor.
Apoiando-nos nesse pressuposto, analisamos cinco perfis, totalizando vinte e seis excertos, publicados no jornal O Estado do Maranhão dentro do recorte temporal de nossa pesquisa (março/2003 a maio/2008), conforme explicitado anteriormente.
Abaixo segue o quadro 2 com a legenda e respectiva data de publicação dos perfis selecionados.
Reportagem /
Perfil Entrevistada Titulo da reportagem Data de publicação no jornal O Estado
do Maranhão
Rp1 Terezinha de Jesus Almeida
Silva Rêgo “Trabalho é o meu oxigênio” 11/05/2003 Rp2 Marilea Campos dos Santos
Costa “O importante é buscar o que há de melhor” 25/05/2003 Rp3 Maria dos Remédios Buna Costa
Magalhães “Hoje me sinto uma rainha” 14/03/2004 Rp4 Sônia Maria Pereira de Almeida “Desde pequena minha
distração sempre foram os livros”
21/05/2006
Rp5 Rita Ivana Barbosa Gomes “Desde cedo a área da saúde
esteve ligada a mim” 25/05/2008 Quadro 2 - Síntese das peças selecionadas para análise.
Como critério de análise dos textos dos perfis jornalísticos, utilizamos os pressupostos teórico-medotológicos da Análise de Discurso Crítica (ADC), mais especificamente, as contribuições de Chouliaraki; Fairclough (1999) e Fairclough (2001; 2003), já demonstrados na fundamentação teórica desse estudo e aprofundados junto às análises.
Consideramos que a Análise de Discurso Crítica é relevante para o nosso estudo, pois essa abordagem visa mostrar “como o discurso é moldado pelas relações de poder e ideologias, e os efeitos construtivos que o discurso tem nas identidades sociais, relações sociais e sistemas de conhecimento e crenças de uma sociedade” (FAIRCLOUGH, trad. 2001, p. 21).
A Análise de Discurso Crítica é considerada importante em uma época em que cada vez mais as pessoas estão adotando práticas discursivas novas buscando reconstituir suas identidades profissionais e suas posições na sociedade. Nesse contexto, entendemos que a linguagem que usamos define nossos propósitos, expõe nossas crenças e valores, reflete nossa visão de mundo e a do grupo social em que vivemos e, também, pode servir como instrumento de manipulação ideológica.
Na análise dos textos apresentada a seguir buscamos evidências na linguagem e nas escolhas lexicográficas que demonstrem o propósito discursivo das enunciadoras (repórter mulher) e enunciadores (repórter homem). Assim, à luz da Análise de Discurso Crítica -ADC- (Chouliaraki; Fairclough 1999 e Fairclough, 2001;2003) centramos nossa análise dos perfis jornalísticos no significado acional através da categoria intertextualidade; no significado representacional utilizando a categoria interdiscursividade e, por fim, no significado identificacional pelas categorias modalidade e avaliação.
Nossa metodologia foi elaborada e estruturada levando em conta o alcance dos objetivos de pesquisa. O quadro 3 ilustra nossos parâmetros de análise. Vale ressaltar que a ADC trata-se de uma abordagem que teoriza sobre relações de poder e discursos como práticas historicamente situadas, tornando-se fundamental para o entendimento de como se constituem os processos identitários femininos através da inter-relação linguagem e sociedade.
Parâmetros de Análise
Dimensões de Análise de Discurso Categorias de Análise 1- Significado Acional
(construção das relações sociais; o texto como modo de interação em eventos sociais)
Intertextualidade Manifesta
2- Significado Representacional (construção de conhecimentos e crenças; e representação da realidade)
Interdiscursividade 3- Significado Identificacional
(construção de identidades sociais; a forma pela qual os participantes do texto são retratados)
Modalidade Avaliação Quadro 3 - Síntese dos procedimentos metodológicos
Assim, os dados serão analisados em três níveis: no nível da estrutura, será analisada a categoria referente ao discurso, no nível das práticas será analisada a categoria que se refere ao gênero discursivo e no nível textual, a categoria analisada remeterá ao estilo. Nesta dissertação, consideramos o arcabouço teórico-metodológico proposto por Chouliaraki; Fairclough, 1999. De acordo com esses autores, a análise deve iniciar-se com a identificação de um problema, que deve está no plano das práticas sociais - no caso por nós identificado, cabe apontarmos relações assimétricas de poder, envolvendo identidades, na representação da mulher na mídia impressa - a identificação e a caracterização do problema foram feitas no Capítulo II; a seguir, para identificar os obstáculos na superação do problema são propostos três tipos de análises: análise da conjuntura, da prática particular e do discurso, constantes no Capítulo IV, o que foi feito por meio da análise textual.
Na etapa seguinte, a verificação do problema na prática (ver capítulo IV) seguido pela identificação de possíveis maneiras de superar os obstáculos e, por fim, toda pesquisa em ADC deve trazer uma reflexão sobre a análise, ou seja, toda pesquisa crítica deve ser reflexiva, contemplados nas Considerações Finais.
CAPÍTULO IV - ANÁLISES
Conforme indicado na seção 1.3 do Capítulo I, diferentes discursos podem representar o mesmo aspecto do mundo de formas diferentes; discursos transcendem representações concretas e locais, e um discurso particular pode produzir várias representações específicas. Com base nesses pressupostos, este capítulo apresenta as análises do corpus que compõe a nossa pesquisa. Reiteramos que as análises foram realizadas com base na Análise de Discurso Crítica (ADC), segundo Fairclough (2001; 2003a). O nosso interesse está no processo de construção de significado em perfis veiculados no jornal O Estado do Maranhão. Para tanto, serão analisados textualmente os dados, visando a identificar os significados acional, representacional e identificacional presentes nos mesmos, sua relação dialética com a prática social e como o discurso das personagens entrevistadas bem como o discurso sobre elas contribuem para construir representações de mundo, ações e relações sociais e identidades desses mesmos sujeitos.
A análise dos perfis jornalísticos envolverá três etapas: a primeira referente ao significado acional, onde analisaremos a categoria da intertextualidade, a segunda, relativa ao significado representacional, através da categoria da interdiscursividade; a terceira, relacionada ao significado identificacional, através das categorias da modalidade e da avaliação.
Realizamos a investigação sobre as representações da mulher na mídia impressa, centrando a atenção em reportagens jornalísticas - coluna perfil- que colocam a mulher como personagem central ou ainda que discutam de alguma forma sua presença na cultura e na sociedade.
Investigamos de que forma se constrói um discurso sobre mulher no jornal O Estado do Maranhão; perguntamo-nos sobre a mulher e os modos de construí-la na sociedade maranhense contemporânea, ou seja, analisamos quais as estratégias utilizadas pela mídia para apreender o sujeito-mulher em suas mais diversificadas possibilidades de presença (quanto à situação econômica e social, idade, profissão, papel social, etc), considerando-se que “a mídia é em lugar privilegiado de criação, reforço e circulação de sentidos, que operam na formação de identidades individuais e sociais, bem como diferenças”. (FISCHER, 2001, p.588)
Nessa perspectiva, selecionamos um conjunto de reportagens intitulado “perfil”, em que a mulher é figura central e o submetemos a análise, levando-se em conta elementos de linguagem jornalística impressa e tópicos referentes às categorias de análises já mencionadas sobre a orientação da Análise de Discurso Crítica. Esse conjunto de enunciações (as sequências discursivas - SD) retiradas das reportagens (perfis femininos) constitui o corpus de análise da presente pesquisa.
Consideramos, neste estudo, que a relação família e trabalho é bastante significativa no sentido de revelar as transformações por que passa a mulher no tecido das relações sociais. Observamos que as transformações na família, em grande parte, se devem ao fato de que o ingresso da mulher no mercado de trabalho altera o quadro da sua vida privada doméstica e familiar, bem como mudanças significativas na estrutura de geração de renda.
Análise dos perfis jornalísticos
Procederemos à análise dos perfis publicados no jornal O Estado do Maranhão, para percebemos de que forma o referido jornal atua como um lugar de exibição de identidades, produzindo um espaço simbólico para que se estabeleçam possibilidades de interação e identificação entre os sujeitos.
4.1 Significado acional
A análise para compreender o significado acional dos textos será desenvolvida através da categoria da intertextualidade manifesta. Segundo Fairclough (2003a), a intertextualidade enfatiza a dialogicidade no texto, ou seja, o diálogo entre a voz do (a) autor (a) e as outras vozes dos participantes dos eventos. A análise, então, se inicia pela identificação das vozes relevantes incorporadas ao texto, observando a relação que se estabelece entre as vozes articuladas.
O perfil é uma modalidade textual dentro da narrativa jornalística. Assim, por meio da recontextualização de vozes referentes aos atores sociais envolvidos em eventos concretos dentro de uma prática particular, a prática discursiva dos perfis jornalísticos, de relatos diretos (as citações) e de relatos
indiretos (as atribuições) os(as) participantes situam-se, em rede, nas interações sociais. Uma característica que se sobressai no discurso das mulheres entrevistadas pelo jornal e também observada nos textos produzidos pelo (a) enunciador (a) repórter é a intertextualidade manifesta, através do uso do discurso direto revelada no texto produzido no momento da entrevista para a composição do perfil.
As vozes podem ser representadas mais ou menos concretamente ou abstratamente, pelo relato fiel do que foi dito ou escrito dentro de um evento particular concreto ou do relato de supostas falas e até mesmo modos de pensar sobre profissionalismo, participação da mulher no mercado de trabalho e o convívio diário desta com o acúmulo de papéis na sociedade contemporânea. Com base em citações de falas das mulheres entrevistadas na composição da reportagem-perfil, a(o) enunciador(a) do texto reflete sobre como essas profissionais devem ser representadas num veículo de comunicação de massa, que visa à divulgação de histórias de vida de superação como estímulo aos leitores(as) na busca de sucesso e reconhecimento profissional.
4.1.1 Análise da reportagem-perfil (1), doravante (Rp1)
(1) “Digo sempre que o meu marido foi a sorte grande da minha vida”.
(2) “Gosto muito de dançar e até hoje freqüento serestas e outras festas com o meu marido. Todas as sextas-feiras vamos ao baile do Clube Jaguarema”.
(3) “O trabalho desenvolvido pela farmacêutica é tão relevante para a sociedade que na semana passada a Câmara de Comércio e Indústria Brasil- China no Maranhão enviou três dos seus medicamentos para a China, com a esperança de uma possível cura para a pneumonia asiática”.
(4) “Eles dizem que eu trabalho muito e não tenho tempo para descansar nem para cuidar da minha saúde, mas nunca deixam de me dar apoio”.
(5) “Quero que o país acorde e se sensibilize para essa riqueza que é a flora medicinal do Brasil. Que a gente consiga uma lei de patentes docente,
para que não tenhamos de competir com as multinacionais e que, estudando os vegetais, se chegue à erradicação dessas doenças que ainda não possuem cura, como o câncer e a Aids”.
(6) “O meu trabalho é o meu oxigênio. No dia em que não puder ficar perto das plantas, não vou mais ter o que fazer por aqui”.
(Jornal o Estado do Maranhão, 11 de maio de 2003) Podemos identificar, nos fragmentos (1), (2), (4), (5) e (6), essa voz como sendo a voz da personagem em destaque - a professora e farmacêutica Terezinha de Jesus Almeida Silva Rêgo. Essa voz é trazida para o texto durante a apresentação da entrevistada na qual a mesma resgata suas experiências passadas, bem como sua trajetória escolar incluindo o ingresso no curso de Farmácia da Universidade Federal do Maranhão, época em que conheceu o estudante de Odontologia, Artur Nunes do Rêgo, que hoje é seu marido.
(1) “Digo sempre que o meu marido foi a sorte grande da minha vida”. Essa voz é trazida ao texto, através do discurso direto, pela entrevistada que recontextualiza o discurso e, por meio disso, justifica sua percepção de que o casamento representa uma forma de crença, reconstituída implicitamente no texto (1), segundo a qual um bom marido é sinônimo de vida feliz. Ao se referir ao marido como “o meu marido foi a sorte grande da minha vida”, o marido é construído pela entrevistada (narradora) como sendo fundamental, indispensável na relação familiar, característica tipicamente associada à figura do pai na nossa sociedade. Tal atitude da narradora pode ainda revelar uma valorização da família liberal burguesa, onde os pares pertencem ao mesmo estrato social, neste caso, classe média alta. Essa valorização do marido na representação da família pode ser articulada com a opinião da entrevistada sobre diversão e lazer: (2) “Gosto muito de dançar e até hoje freqüento serestas e outras festas com o meu marido. Todas as sextas-feiras vamos ao baile do Clube Jaguarema”.
Ao afirmar que continua participando de festas na companhia do marido, a entrevistada aponta para a realização de seus desejos pessoais, ao tempo em que informa assiduidade nos bailes: “todas as sextas-feiras vamos ao baile do Clube Jaguarema”. Vale salientar que o Clube Jaguarema, mencionado pela entrevistada, é um clube de São Luís freqüentado por
associados que adquiriram o título de sócio. Ao demonstrar sua preferência pela dança e garantir sua efetiva participação em festas juntamente com o marido, a entrevistada revela sua posição na relação marido x mulher, assumindo uma postura de resistência, posicionando-se contrária aos pressupostos do senso comum de que as mulheres devem ter seus espaços limitados. Podemos aventar que, a „posição‟ da entrevistada na relação conjugal está relacionada com sua vida profissional, conforme representada pelo jornal: (3) “O trabalho desenvolvido pela farmacêutica é tão relevante para a sociedade que na semana passada a Câmara de Comércio e Indústria Brasil- China no Maranhão enviou três dos seus medicamentos para a China, com a esperança de uma possível cura para a pneumonia asiática”.
Nesse excerto, a enunciadora (repórter) faz um julgamento do trabalho da pesquisadora, afirmando sua relevância „para sociedade‟ através da possibilidade de „cura para a pneumonia asiática‟, indicando o reconhecimento à dedicação da entrevistada à fitoterapia, o que lhe renderam glória e homenagens. Podemos atribuir à enunciadora, a fala que determina a representação sobre a entrevistada, como alguém que possui uma carreira profissional de sucesso e, por isso, já recebeu várias homenagens inclusive de outros países. Alguém que possui independência financeira, uma vida pessoal e profissional realizada, que não se submete à imposição do marido. Apesar dessa representação da mulher profissional “ideal” feita pelo jornal, podemos notar um desconforto na relação familiar na voz da entrevistada, quando esta argumenta sobre o ambiente familiar, a respeito de sua dedicação ao trabalho: (4) “Eles dizem que eu trabalho muito e não tenho tempo para descansar nem para cuidar da minha saúde, mas nunca deixam de me dar apoio”.
Esse enunciado construído pela narradora exemplifica como certos discursos construídos no contexto familiar são trazidos para a vida profissional. Aqui, a narradora é alertada pelos familiares do acúmulo de trabalho que realiza, impossibilitando-a de cuidar da saúde e gozar do descanso necessário. Essa postura da entrevistada pode ser vista como sinalizadora de restrições que a mulher terá de enfrentar ao “ousar” aderir à profissionalização. Apesar de já ter realizado quase tudo que deseja em sua vida a entrevistada ressalta que ainda tem um desejo: (5) “Quero que o país acorde e se sensibilize para essa riqueza que é a flora medicinal do Brasil. Que a gente consiga uma lei de
patentes docente, para que não tenhamos de competir com as multinacionais e que, estudando os vegetais, se chegue à erradicação dessas doenças que ainda não possuem cura, como o câncer e a Aids”.
A posição crítica da narradora à ação do poder público, através desse excerto, parece sugerir, por omissão, um ponto de vista que faz parte do senso comum de que é importante um trabalho de sensibilização junto às autoridades sobre o estudo dos vegetais, pois isso contribui para a criação de leis que favoreçam o desenvolvimento da fitoterapia nacional. Tais expressões utilizadas pela entrevistada: “quero”, “acorde”, “sensibilize” endossam suas queixas relativas à discriminação que sente por parte do poder público brasileiro a respeito da valorização do trabalho que realiza com a flora medicinal, movida pelo „descaso‟ que ainda impera num espaço social (políticas públicas) que deveria, ao contrário, ser de disseminação de atitudes incentivadoras e transformadoras junto à sociedade.
E, segundo ela, não pensa em parar o seu trabalho nunca e encerra sua fala afirmando: (6) “O meu trabalho é o meu oxigênio. No dia em que não puder ficar perto das plantas, não vou mais ter o que fazer por aqui”. Com essa afirmação, a entrevistada revela a influência que o trabalho exerce em sua vida e, com isso, justifica sua realização pessoal e profissional em “destaque” nas páginas do jornal. Por outro lado, essa afirmação da entrevistada pode, ainda, retratar uma posição oposta àquela vivenciada por mulheres comuns que se encontram desempregadas ou realizando trabalhos com quase ou nenhum reconhecimento social. E, portanto, excluídas dessa realidade representada pela entrevistada.
4.1.2 Análise da Reportagem-perfil (2) - (Rp2)
A entrevistada nesta reportagem é a promotora de justiça Marilea Campos dos Santos Costa, 42 anos, casada com o desembargador Gerson Oliveira Costa Filho, mãe adotiva de Maria Valéria Campos, 12 anos. Para análise da reportagem acima referida, foram selecionados os seguintes fragmentos:
(7) “Minha mãe trabalhava na Petrobras, mas resolveu deixar o emprego para cuidar da família e nunca esboçou arrependimento”.