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Resultater av samarbeidsaktiviteter (på kort sikt)

6. Resultater og effekter av samarbeid

6.1 Resultater av samarbeidsaktiviteter (på kort sikt)

A leitura é, como já o afirmei antes, um processo subjetivo que permite ao cidadão a consciencialização da sua realidade, das suas vivências, dos seus pontos de vista e da sua qualidade enquanto cidadão interventivo, devidamente esclarecido sobre os seus direitos e deveres. De acordo com Cagliari, é importante que o leitor decifre o que está escrito para que compreenda o que o escritor quis transmitir (Cagliari, s/d: 76). O que significa que se deve compreender a linguagem para descodificar a mensagem lida, construir conhecimento e formar uma opinião sobre o que se lê. Começa-se por converter, no entender de Cagliari, aquilo que está escrito em linguagem oral, tendo sempre em consideração a importância da decifração (“Decifrar é entender como a escrita funciona” - Cagliari, s/d: 76)26.

SegundoRajagopalan (2003: 29), um atributo da leitura é o facto de ser uma forma de representar o mundo, ao mesmo tempo em que exerce a função de agir no e sobre o mundo.

A ideia de que a função principal e imprescindível da linguagem seja a de representar o mundo está muito fortemente arraigada entre nós e escancaradamente presente em quase todas as teorias linguísticas.

(Rajagopalan, 2003: 29) Entre a linguagem e os meios sociais há ligações intrínsecas. Dessa forma, o sujeito depende da linguagem para fazer parte da sociedade e expressar-se nela.

Bakhtin (1997: 41) refere-se à palavra como o modo puro de relação social, entrando em todas as relações entre as pessoas, em vários domínios (cooperação, ideologia, quotidiano, política, entre outros), sendo, por isso, o indicador mais percetível de todas as transformações sociais. Desta forma, entende-se que o leitor é alguém que se integra num contexto social, mas que não perde de vista as suas próprias e peculiares expetativas de vida e os sonhos que motivam a leitura que empreende.

Segundo Paulo Freire, há três fases distintas no ato de ler, nomeadamente a leitura do mundo, a leitura da palavra e a leitura do mundo através da palavra.

Freire conta a sua experiência pessoal, o momento em que efetuou a leitura do mundo, em que se movia quando era ainda criança, em que tudo o que o rodeava tinha ainda muito sentido para si. Refere também que a este momento se seguiu a leitura da palavra. A sua infância, com tudo o que o cercava, oferecia-se-lhe como o mundo da sua perceção, como o mundo das suas primeiras leituras em determinado contexto. Quando passou à fase seguinte, a da leitura da palavra, sentiu que não houve um corte com a leitura do mundo. Com a leitura da palavra, fez a leitura do mundo e a releitura do seu próprio mundo (Freire,1989: 9).

Para Paulo Freire a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade daquela. Freire considera que um espaço pode ser lido em todas

26 Também na poesia essa decifração é fundamental. O leitor deve ser persistente na tarefa de desvelar

o sentido do texto, tendo, para tal de “Ver claro”, como nos diz Eugénio de Andrade no seu poema com esse título: “Toda a poesia é luminosa, até/ a mais obscura./ O leitor é que tem às vezes,/ em lugar de sol, nevoeiro dentro de si./ E o nevoeiro nunca deixa ver claro./ Se regressar/ outra vez e outra vez/ e outra vez/ a essas sílabas acesas” (Andrade, 2007:15).

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os seus constituintes (arquitetónicos, estéticos, pictóricos, psicológicos e sociológicos), implicando a conjugação de muitos fatores (sentimentos, emoções, memórias, valores, crenças, amores e ódios). Ler o espaço significa olhar em torno e sentir interiormente (Freire,1989: 9).

A leitura é uma competência gradualmente adquirida, se for dada ao leitor a argúcia e liberdade necessárias. Se houver autonomia e iniciativa na contemplação do mundo por parte do sujeito, haverá maior consciência crítica. Esse sentido crítico, que advém do facto de ser um leitor questionador, atento e reflexivo, permite-lhe distinguir o seu mundo e a ficção. A escola deverá contribuir para a formação desse leitor competente (Resende,1985: 52-72).

Compete à educação fornecer uma espécie de bússola que oriente as navegações, no complexo mundo da informação atual. A educação deve ter como polos fulcrais de aprendizagem, os seguintes: aprender a conhecer, com tudo que esse processo implica, nomeadamente a aquisição de instrumentos da compreensão a par do prazer de compreender, conhecer e descobrir; aprender a fazer, para se desenvencilhar no mundo envolvente e discernir o que é importante, despertando a criatividade intelectual que aguça o espírito crítico; aprender a viver juntos, cooperando ativamente com os outros; aprender a ser, que implica a realização da pessoa na sua totalidade, enquanto indivíduo, membro de uma família e coletividade, cidadão e produtor, inventor de técnicas e criador de sonhos, que integra as três anteriores. Do início ao fim do ensino, é imprescindível adquirir uma vasta cultura geral, enquanto abertura de outras linguagens, de outros conhecimentos. Aprender para conhecer pressupõe o aprender a aprender, exercitar a memória, a atenção e o pensamento. Este é um processo inacabado, aberto ao enriquecimento constante de novas experiências (Delors, 2007: 1-12).

A motivação baseada na criação de ficção, na imaginação e na criatividade, não deixa em segundo plano a aquisição do conhecimento. Crianças e jovens motivados têm maior predisposição para aprender a linguagem e as técnicas fundamentais e tornarem-se leitores competentes. A escola deve ser um espaço de mediação entre o sujeito e o mundo, sendo imprescindível que haja uma leitura que não se feche em si própria, mas que permita o contacto com o exterior, com a vida. Essa é uma leitura que contribui para a evolução do sujeito, que impulsiona a compreensão crítica e que, consequentemente, contribui para a mudança (Resende, 1985: 58).

Ousaria, aproveitando uma outra afirmação de Vânia Resende, partir para uma interpretação comparativa entre o que diz sobre este leitor crítico competente e o que menciona Fernando Pessoa no seu poema “Autopsicografia”:

A leitura manterá a sua função crítica se o leitor assumir a condição de re-escritor. Se a voz do escritor impõe um dirigismo e uma intenção explícita na linearidade do texto, a sua obra é pobre enquanto arte literária, deixando de oferecer-se para um diálogo aberto e fértil.

(Resende, 1985: 55) O poeta é um fingidor

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