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Effekter av institusjonens samlede innsats for samarbeid (på lengre sikt)

6. Resultater og effekter av samarbeid

6.2 Effekter av institusjonens samlede innsats for samarbeid (på lengre sikt)

aptidão

Leia muito, leia por gosto, leia por curiosidade, leia por desfastio, leia por obrigação, leia por indignação, mas leia, leia de tudo, sem preconceitos nem reservas.

(Carvalho, 2014: 28) Partindo desta afirmação, pode-se inferir que o escritor é, por norma, um leitor, no verdadeiro sentido da palavra, competente e crítico. É o leitor que compreende, interpreta e intervém, que é consciente e livre. E é a leitura que lhe permite desenvolver o domínio da linguagem, no que concerne às estruturas semânticas, sintáticas, pontuação, coerência e coesão, regras ortográficas, gramaticais e tipologias textuais. A competência linguística, não se cinge às regras gramaticais, mas também ao conhecimento da língua enquanto processo dinâmico com um determinado propósito comunicativo. Nesta competência linguística, estão subjacentes a competência organizacional (morfologia, sintaxe, vocabulário, coerência e coesão) e a competência pragmática (estrutura formal da língua, organização de frases na construção textual). Estas competências interagem entre si e com o contexto em que são produzidas (Bachman, 2003: 84-88).

A originalidade do escritor não nasce consigo, ainda que possa existir uma aptidão pela escrita. Um escritor tem de ser crítico, ao ser o primeiro leitor do seu próprio texto: “é o primeiro leitor, o primeiro crítico de si mesmo” (Kiefer, 2010: 6); ousar pôr em causa o que se decide a escrever; pesquisar, para confirmar e ser o mais fidedigno possível; questionar o que diz e por que diz; observar com perspicácia, para poder relatar, ainda que possa recriar; ser convicto de que consegue ultrapassar obstáculos e alcançar o objetivo a que se propôs; ser obstinado, para não desistir, para não se deixar levar pela inércia e pela derrota de um livro inacabado e, por último, trabalhar incansavelmente no seu projeto (Kiefer, 2010: 14-18). O escritor é aquele que escreve com prazer e que se distingue do autor, o profissional que dá a conhecer a sua obra e se vai esquecendo de que foi, antes de ser um autor, um escritor: “Aos poucos, enfim, o autor, auxiliado por esses profissionais competentes, vai matando o escritor, fazendo-o esquecer-se de que escrever e sonhar são uma coisa só e que se esgotam no próprio devir” (Kiefer, 2010: 6).

É evidente que o escritor não pode perder de vista o leitor, pois é para ele que escreve: “São precisos dois para dançar o tango” (Carvalho, 2014: 43). É imprescindível a coexistência do escritor e do leitor para que o que se escreve possa ser compreendido e interpretado por alguém, dando, assim, razões válidas para se ter escrito: “É sempre um outro que dará sentido à nossa obra” (Carvalho, 2014: 44). Nem sempre é fácil escrever sem se deter em banalidades do senso comum e despertar verdadeiramente o interesse do leitor: “Dificilmente conseguirá ser inovador e original quem não considerar os outros” (Carvalho, 2014: 29). Para chegar ao leitor, o escritor precisa de ser criativo, crítico e ativo, sem deixar de escrever com autenticidade, havendo, para tal, também a necessidade de uma boa seleção de fontes. Até

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porque o escritor precisa de ter em consideração a existência de diversos tipos de leitor – aquele que lê poucas páginas, porque de cada vez que lê, a sua mente vagueia, acabando por afastar- se do livro; aquele que lê atentamente, detendo-se nos mais ínfimos pormenores, considerando-os todos preciosos, e relê para encontrar ideias escondidas nas entrelinhas; aquele que relê os livros, encarando esta releitura como a primeira vez, pois continua a deslindar emoções e acontecimentos novos e que, ao reler consegue aumentar a distanciação crítica; o leitor que considera que cada livro que lê faz parte do grande livro único que constitui o conjunto das suas leituras; o leitor que entende que o livro único é o que existe para além do tempo, procurando em cada leitura o livro da sua infância, que não é fácil de encontrar; o leitor que se detém sempre antes no título, na capa, no início do livro, para o qual mais importante que a leitura é a promessa da leitura; aquele para o qual o mais importante é o que está para lá do final do livro e que ele procura desvendar. São tantos os tipos de leitor, que nem sempre é fácil escrever para um em específico. Às vezes, o próprio escritor fica surpreendido com os tipos de leitor que consegue captar para a leitura do seu livro. Por isso, o escritor tem sempre a aprender com o próprio leitor, que lhe vai dando indicações do que gosta, como gosta e porque gosta (Antunes, 2003: 46).

Deixar-se levar pelo sonho e pela imaginação pode ser muito interessante, mas não deve o escritor esquecer-se de planificar o que vai escrever, atender a uma necessária continuidade semântica, deter-se na estruturação (generalização, abstração e concetualização), linguagem, estilo, recriação, releitura, revisão e reescrita (Contente, 1995: 31).

Na produção de textos são indissociáveis várias dimensões: social, pelo facto de estar relacionada com o meio no qual surge, bem como com as normas da comunidade de discurso e interação com leitores e outros escritores; a dimensão cognitiva, em que importa, por exemplo, a atenção e a memória na resolução de problemas e a dimensão linguística, em que é necessário obedecer a um conjunto de regras e de convenções (Festas, 2002: 173-183).

A linguagem literária comunica expressivamente, revelando a atitude e o tom do escritor. Não afirma ou exprime apenas o que diz, tenciona influenciar a atitude do leitor, convencê-lo e, se possível, transformá-lo (Wellec e Warren, 1942: 24-25).

O escritor não pode, simplesmente, decidir contar, por exemplo, as suas memórias pessoais que, por mais interessantes que estas sejam, podem tornar-se maçadoras para o leitor. Precisa de recriar, ficcionar essas memórias, para as tornar interessantes aos olhos do leitor. Reinventá-las através da linguagem literária. Cecília Meireles dizia, no seu poema “Reinvenção”,

Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível, reinventada.

(Meireles, 1972: 94, vv.9-11) A reinvenção e a ficção são a melhor forma de captar o interesse. É preciso alcançar o leitor com arte e, como proferia Fernando Pessoa,

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