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3. RESULTAT

4.1. Resultatdiskusjon

Foi outra obra de Olavo Bilac, com o escritor sergipano Manoel Bomfim68, que se tornou também um cânone literário escolar, sucesso de vendas sem precedentes na indústria editorial brasileira. Trata-se de Através do Brasil: prática da língua portuguesa. Narrativa.

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“As datas nacionais são as que relembram um culto tradicional da Humanidade (2 de novembro), as que comemoram um acontecimento de interesse universal (1º de janeiro, 14 de julho, 12 de outubro); e as que, particularmente, se referem à nossa história, tendo influído no progresso e na civilização da Pátria Brasileira (24 de fevereiro – promulgação da Constituição da República; 21 de abril – Martírio de Tiradentes; 3 de maio de 1500 – Descobrimento do Brasil; 13 de maio de 1888 – Abolição da escravidão; 7 de setembro de 1822 – Independência do Brasil e 15 de novembro – Proclamação da República)” (COELHO NETTO, 1957, p. 99).

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Manoel Bomfim (1868-1932), médico e escritor sergipano, propôs uma nova análise sociológica dos problemas brasileiros. Exerceu importantes cargos educacionais no início da República: diretor-geral do

Pedagogium, diretor da Instrução Pública do Distrito Federal e diretor da Escola Normal do Rio de Janeiro. Foi

Deputado Federal pelo Estado de Sergipe e um dos fundadores da revista infantil “Tico-Tico”, em 1905. Além de Através do Brasil, escreveu outros livros escolares em co-autoria com Bilac: Livro de Composição (1899) e

Impresso em Paris, como de costume, e lançado pela Livraria Francisco Alves em 1910, o livro fez sucesso nas escolas. Inspirado no livro francês Le Tour de la France par deux enfants, narra as aventuras dos irmãos Carlos e Alfredo em busca do pai.

Carlos e Alfredo são dois jovens que fogem do colégio interno, na cidade do Recife, à procura do pai, que suspeitam estar morto. Na viagem, são mostradas a paisagem do território, os costumes, as tradições e os tipos característicos de diversas regiões do País – o sertanejo, o caboclo, o gaúcho. No caminho, conhecem Juvêncio, também jovem, forte e sagaz, conhecedor da região e considerado um protótipo do bom e valente sertanejo, a quem compete mostrar as especificidades do território brasileiro em sua rica diversidade. Com um bom final, os jovens descobrem que o pai está vivo, depois de terem percorrido diversas regiões.

A procura do pai é, de certa forma, a tentativa de conhecer melhor o País e, com isso, desenvolver o amor à pátria, pois se ama mais intensamente aquilo que se conhece. Nesse sentido, nessa obra, a tríade “Pai, País e Pátria” confunde-se na mesma história, cujo objetivo é também desenvolver o sentimento de patriotismo nas crianças e jovens.

A exemplo do seu inspirador francês, Através do Brasil teve sucessivas edições, “fazendo a cabeça” de gerações de brasileiros. Com 66 edições, foi o livro de leitura mais utilizado durante cinqüenta anos nas escolas brasileiras (BOTELHO, 2002).

Por que me ufano do meu País e Através do Brasil são dois exemplos paradigmáticos de livros de leitura que constroem a identidade nacional a partir de uma visão edênica e idílica do país. Segundo Oliveira (2003), talvez por influência de Manuel Bomfim – um de seus autores – o livro Através do Brasil dialoga com o pensamento de Euclides da Cunha, ao mostrar os valores do sertanejo e do sertão.

Figura 15 – Através do Brasil – capa. Fonte: BILAC e BOMFIM, 1918.

Por se constituir num locus da produção literária destinada ao uso das escolas, seja através de manuais didáticos ou livros de leituras e antologias escolares, a ABL, a exemplo de outras instâncias da sociedade, é, por excelência, um “lugar de memória” da educação em nosso País.

Outros membros da ABL como Sylvio Romero (A História do Brasil ensinada pela biografia de seus heróis. Livro para as classes primárias, 1890), João Ribeiro (História do Brasil, 1900), Afrânio Peixoto (Minha Terra, minha gente, 1915), Rocha Pombo (Nossa Pátria, 1917) produziram livros didáticos destinados ao ensino de História para a escola primária e secundária. Todos eles pertenceram aos quadros da ABL, o que reforça a tese de que a segunda fase da literatura escolar brasileira contou com a autoria de renomados intelectuais que faziam parte de academias literárias e científicas, a exemplo do IHGB e da ABL. Viriato Corrêa é, portanto, um desses intelectuais que se dedicou à escrita de livros escolares para as crianças.

Em 1938, após quatro tentativas frustradas, o escritor maranhense radicado no Rio de Janeiro, então capital da República, viu finalmente seu sonho realizado: Viriato Corrêa foi eleito para a cadeira de nº 32 da Academia Brasileira de Letras. Era a primeira vez que um escritor de livros infanto-juvenis ingressava no quadro dos “imortais” da ABL.

Quem foi Viriato Corrêa? Qual a relação entre sua obra literária e o ensino de História? O que o levou a escrever crônicas históricas e contos infantis, mesmo não sendo historiador ligado aos quadros do IHGB, nem tampouco professor de História em escolas de ensino primário ou secundário? Por que se interessou em escrever para crianças livros que abordavam o passado nacional? Na trajetória intelectual de homem de letras, quais seus parceiros e interlocutores nesse processo de “vulgarização” (aqui entendida como divulgação) da História?

Esses são os questionamentos que pretendo responder no Capítulo 3, dando destaque à produção do autor no âmbito da Companhia Editora Nacional, que publicou os principais livros infantis de Viriato Corrêa.

No Capítulo 4, a ênfase recai sobre o processo intelectual de elaboração do livro História do Brasil para crianças, seus aspectos materiais e o papel de outros agentes na produção e divulgação desse livro.