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3. Lønnstilleggene under Bernt Thomassen 1902-1920

3.2 Undersøkelse av lønnstilleggene, variabler og kategorier

3.5.2 Resultat

Com alguma frequência os espetáculos eram realizados em homenagem às pessoas importantes da cidade, ou que a visitavam. Representações também eram realizadas em nome de alguns membros do grupo amador. O espetáculo de inauguração do Club D. Arthur

Azevedo, na noite de 28 de agosto de 1915, homenageou o comandante da 4ª Região Militar,

General Napoleão Felippe Aché. Esta pode ter sido uma estratégia para chamar a atenção à iniciativa do clube dramático, dando destaque a um sujeito renomado. Não descartamos esta hipótese, contudo, é preciso considerar que o presidente do Arthur Azevedo era capitão do exército, e que, possivelmente, também houvesse uma relação próxima, afetiva entre estes sujeitos. No programa193 do espetáculo, foi anunciado o discurso oficial do orador do clube Augusto Viegas, que segundo O Florete de 05 de setembro daquele ano, proferiu “belíssimo discurso” oferecendo a festa ao General Aché, “dignamente representado pelos senhores capitão João Augusto Cezar da Silva e tenente Otávio Aché”194

.

Pouco menos de um ano depois, esse general recebia outra homenagem do mesmo clube dramático, por meio da “récita de gala” em que foi encenada a opereta A Mulher

Soldado. Dessa vez, o orador do clube não proferiu nenhum discurso, o homenageado

compareceu ao teatro e retribuiu a dedicatória com o seguinte ofício que foi publicado no jornal do clube dramático:

Comando da 4ª região Militar – Quartel General em Niterói, 27 de junho de 1916.

Sr. José Pimentel, Presidente do Club Dramático “Arthur Azevedo”, em S. João Del-Rei.

Com as mais gratas impressões da minha recente estadia nessa formosa cidade e profundamente desvanecido com as inúmeras atenções que me foram dispensadas, cumpre-me agradecer, entre testemunhos de

193

O Theatro, p.3, n° 1, de 28 de agosto de 1915. Album 1, p.34.

194 O Florete de 05 de setembro de 1915. Album 1, p.33v. Outros jornais anunciaram e noticiaram esta festa: O Zuavo de 02 de setembro; Jornal do Povo de 02 de setembro; Álbum 1, p.33v. O Zuavo de julho; A Tribuna de 22 de agosto; O Zuavo de 22 de agosto; estes na imagem: Album 1 p.33.

consideração, a excepcional gentileza do espetáculo de gala oferecido por essa seleta associação, em homenagem à minha humilde pessoa. Apresento- vos as seguranças de minha estima e maior apreço. Saudade e fraternidade. Napoleão Felippe Aché Gal.195

O fato de um general, da cidade de Niterói, ter apreciado a estada em São João del-Rei e o espetáculo que a ele foi oferecido, confere prestígio à cidade e ao grupo dramático responsável pela apresentação. Considerando a publicação dessa carta, podemos dizer que, neste caso, ainda que existissem laços fraternos entre o general Aché e o presidente do clube, sua homenagem pode ter sido motivada pelo prestígio deste sujeito e sua visita ocasional à cidade.

Amadores também eram homenageados por seus clubes. Em 1915 o Club União

Popular realizou um espetáculo de “gala” em homenagem a um de seus membros – José

Lopes Sobrinho. A notícia foi publicada no primeiro exemplar do jornal O Theatro, do Club

D. Arthur Azevedo, que estendia a homenagem realizada pelo colega às suas folhas. Como já

foi dito o capitão José Pimentel, presidente do clube Arthur Azevedo foi homenageado por seu aniversário no espetáculo realizado dia 16 de maio de 1916. Na ocasião foi encenada pela segunda vez a opereta A Mulher Soldado, não houve discursos196. A amadora Conceição Pimentel também foi homenageada em agosto daquele mesmo ano197.

O clube Arthur Azevedo, em festa artística do amador Alberto Gomes, dedicou o espetáculo aos funcionários da Estrada de Ferro Oeste de Minas e às excelentíssimas famílias198. Os amadores se distinguiam ao realizar espetáculos dedicados a determinados grupos sociais, dos quais eles também eram integrantes: as famílias são-joanenses e os prestigiados funcionários da estrada de ferro. A estrada de ferro, segundo Guilarduci (2009), simbolizava o progresso, pois trouxe mudanças para São João del-Rei, relacionadas ao espaço urbano, desde arquiteturais (com a chegada do ferro como adorno e material estrutural) até no modo de vivenciar a cidade: mais veloz, com “maior circulação de pessoas, de mercadorias, de moda, de revistas, jornais, livros, notícias”. Em 1917 um periódico da cidade notou a eficiente administração da estrada de ferro, e a “fineza” de seus empregados, que teria contribuído para a “boa ordem” da festa de Matosinhos.

195 O Theatro, p.1, n° 8, de 13 de julho de 1916. Álbum 13, p.28.

196 O Theatro, p.3, n° 5, de 16 de maio de 1916. Álbum 1, p.40; e O Theatro, p.1, n° 6, de 18 de maio de 1916.

Álbum 1, p.41. 197

O Theatro, p.1, n° 10, de 24 de agosto de 1916. Álbum 13, p.31. 198

Da boa ordem da festa, devemos algo à administração da estrada de ferro, pelo modo correto e prático com que resolve normalmente o embarque e desembarque dos romeiros. Neste ano, de preferência, notamos que além da boa ordem no serviço e fineza dos empregados, os 42 (quarenta e dois) trens, que correram em cada dia, correspondiam otimamente a frequência e exigência dos passageiros, sem atropelo e sem prejuízo de material. E não é pouco em se tratando de consultar interesses e opiniões de cerca de 11.000 passageiros.199

Um dos amadores, Francisco Velloso, foi guarda-chaves da Estação Ferroviária Oeste

de Minas, “espécie de trabalhador de linha que modifica a direção dos trilhos”200. Possivelmente, espetáculos que homenageavam essas pessoas pretendiam chamar a atenção desse público para o teatro, formando novas redes de sociabilidade e fortalecendo laços já existentes.

Durante o século XIX, era comum a realização de espetáculos, por companhias profissionais, em benefício de seus atores e atrizes. A bilheteria desses eventos era destinada ao ator ou atriz beneficiado(a) da noite, costume que contribuía para sobrevivência desses artistas. Os amadores do clube Arthur Azevedo costumavam organizar espetáculos “em benefício” que tinham um caráter caritativo, como por exemplo, o espetáculo organizado em benefícios da Cruz Vermelha Portuguesa201. Dessa forma os amadores davam provas de sua bondade, incitando a população a fazer o mesmo, por meio de sua presença no teatro202.

***

Os sócios do Club D. Arthur Azevedo pertenciam a uma elite heterogênea da cidade de São João del-Rei. Alguns homens intelectuais, ricos e poderosos, outros sem muito dinheiro, mas com algum prestígio, outros ainda com algum dinheiro, mas que se distinguiam por suas habilidades artísticas. As famílias de alguns desses homens integravam o grupo. Os membros do Arthur Azevedo eram familiares, amigos de infância e colegas de profissão. O teatro, assim como o jornal publicado pela agremiação, se constituía como espaço de sociabilidade em que

199 Acção Social, São João del-Rei, ano III, n. 116, de 03 de junho de 1917, p.1. Apud. Guilarduci, (2009, p.137). 200

Segundo Heleniara Amorim Moura (2007, p.17)

201 O Club Dramático Arthur Azevedo realizou a sexta récita da opereta O Periquito em benefício da Cruz Vermelha Portuguesa, em maio de 1916. (A Tribuna, 14/05/1916 – Album1(39v)).

esses sujeitos trocavam afetos, elogios, homenagens e distinguiam-se. Esse desejo de distinguir-se como pessoas mais cultas, mais talentosas e mais civilizadas do que as outras daquele grupo social, têm efeitos diretos nas apresentações: definiam as peças, a distribuição dos papéis, etc., como veremos nos próximos capítulos.

3 - O CDAA E O DESENVOLVIMENTO DA ARTE DRAMÁTICA EM SÃO JOÃO