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2. Lønnstillegget før 1902

2.3 Lønnstillegget og utviklingen frem imot 1901

SÃO JOÃO DEL-REI (1915-1916)

Segundo Regina Horta Duarte (1995), o teatro amador é um fenômeno que se manifesta em meados de 1850 e ganha mais intensidade a partir das duas últimas décadas do século XIX. Por meio do exame de notícias de jornais34 e relatos memorialísticos35 de pessoas que passaram a infância nas duas últimas décadas do século XIX em Minas Gerais, a autora afirma que lugarejos e cidades mineiras recebiam companhias circenses e teatrais que

fascinavam e quebravam a monotonia dos locais que “tinham poucas opções e a vida corria sem maiores agitações” (p.156). A formação de grupos de teatro amador figurava como uma

alternativa para reviver o prazer proporcionado pelas companhias ambulantes. Segundo a autora, a relação entre palco e plateia corria mais livre e descompromissada, os limites entre a cena e os espectadores se dissolviam, por causa das relações de parentesco e amizade entre os que encenavam e os que assistiam. Os erros dos amadores e intervenções dos espectadores eram motivos de boas risadas. Segundo Duarte (1995)

Aqui, atenuam-se os limites entre o homem comum e o ator, os desejos e as restrições do dia-a-dia. A fantasia encontra aí um fértil terreno. A cidade ri de seus filhos, de suas roupas, de seu provincianismo e de sua falta de preparo. A plateia se transforma num espetáculo onde as pessoas riem, gritam, comem e falam umas das outras. Nessas deliciosas noites, palcos e plateia improvisavam atuações alegres e lúdicas, zombeteiras e plenas de risos. (p. 159)

A imprensa dessas localidades pouco prestigiou os espetáculos dos amadores, possivelmente porque, de acordo com Duarte (1995), tais apresentações não guardavam a seriedade necessária para serem contempladas pela crítica.

No Rio de Janeiro a situação do amadorismo teatral era bastante distinta. Fernando Antônio Mencarelli (2003) afirma que a partir da década de 1870 os grupos de teatro amador estavam em intensa atividade na capital do império. Segundo o autor, o relatório apresentado

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Jornais: O Colombo de Campanha; A Província de Minas de Ouro Preto; O Amigo do povo de Turvo; Comarca de Caldas; Centro de Minas de Itaúna.

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Memória de Abílio Barreto sobre Belo Horizonte; Washington A. de Noronha sobre Passos; Maria do Carmo Paniago sobre Viçosa; Oliveira Mello sobre Paracatu; J. A. Oliveira sobre Abaeté; Alexina Sá sobre Caxambu; Jacinto Guimarães sobre Dores, Pitangui e Pompéu; Lygia Teixeira da Costa sobre Santa Luzia.

pelo Império do Brasil para a exposição universal de 1873, em Viena d’Áustria, contava dez edifícios teatrais no Rio de Janeiro, teatros em todas as capitais das províncias e em algumas vilas e cidades e a presença de artistas europeus célebres no Brasil. É nessa ambiência que pessoas de meios sociais mais favorecidos reuniam-se em associações teatrais, preocupadas em manter forte distinção em relação às companhias profissionais36 e com a intenção de instruir, recrear e praticar a benevolência37. Entre 1885 e 1886, de acordo com Esequiel Gomes da Silva (2011), o jornal Diário de Notícias teria mencionado pelo menos quinze associações particulares de amadores teatrais que atuavam naquela cidade38.

Artur Azevedo, em sua coluna no jornal A Notícia de 24 de janeiro de 1895, afirmou que, “no Rio de Janeiro, por via de regra, só vão ao teatro os pobres ou, quando muito, os remediados, isto é, os que vivem de um rendimento certo e têm que sujeitar a existência a um

orçamento implacável. As classes abastadas só vão à ópera, e quando vão” (Apud. Mencarelli,

1999, p.140). Segundo Mencarelli, “as elites locais costumavam frequentar os teatros amadores dos clubes selecionados e a ópera” (1999, p.140).

Luciana Penna Franca (2011) ao estudar o teatro amador da virada do século XIX para o XX, no Rio de Janeiro, identificou três categorias de grupos amadores: grupos de trabalhadores, militantes operários; grupos nacionais de imigrantes; grupos de pessoas mais abastadas. Ela ainda encontrou vestígios sobre um grupo de teatro negro. A partir dos pedidos de licença para funcionamento, dos estatutos de grupos teatrais do Rio de Janeiro e dos

36 De acordo Gustavo A. Dória (1975), a qualidade das representações de grupos amadores e profissionais não

era muito distinta, o que os diferenciava era o preconceito em relação aos profissionais, acusados de sacrificar a arte dramática em nome do lucro nas bilheterias. Para Artur Azevedo o valor do teatro amador, o que o diferenciava do teatro profissional era o fato de não depender do gosto do público para sobreviver. Essa liberdade “permitia o cultivo de gêneros e a encenação de peças nem sempre do agrado popular, mas que poderiam respeitar critérios mais ‘artísticos’”(Mencarelli, 1999, p.205). Para Azevedo o teatro amador poderia gerar o teatro nacional, pois, “nos amadores há mais zelo, mais solicitude, mais prontidão no decorar dos papéis” (Apud. Mencarelli, 1999, p.205). Artur Azevedo ainda esclarece: “Não quero dizer que amanhã o sr. Fulano ou a Exma. Sra. D. Sicrana, que são amadores, abracem a profissão teatral; bem sei que isso é uma cousa impossível, mesmo independentemente do preconceito que vai aliás desaparecendo . Quero dizer que o artista, não desejando ficar abaixo do amador, se esforçará por levar-se acima dele; quero dizer que os empresários terão nas representações dos curiosos, realizadas sem a preocupação da bilheteria, uma orientação segura das novas correntes da simpatia pública em matéria do teatro”(Artur Azevedo, O teatro, In: A Notícia, 12 nov. 1896. Apud. Mencarelli, 1999, p.205).

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É possível chegar a esta conclusão a partir da análise de Mencarelli (2003) dos estatutos de algumas sociedades teatrais do Rio de Janeiro.

38Sociedade Dramática Aurora Fluminense, Ateneu Dramático Ester de Carvalho, Sociedade Dramática União

Familiar da Gávea, Sociedade Dramática do Engenho de Dentro, Grêmio Dramático S. João Batista, Clube Dramático da Tijuca, Ginásio Dramático Inhaumense, Sociedade Dramática Filhos de Talma, Clube Dramático Gonçalves Leite, Sociedade Dramática Musical do Engenho de Dentro, Congresso Dramático João Caetano, Grêmio Dramático Cavaleiros de Caravelas, Sociedade Teatral Riachuelense, Sociedade Recreio dos Artistas e Sociedade Dramática Dez de Agosto. (SILVA, 2011, p.99)

periódicos dedicados ao teatro que existiam na cidade, além de críticas e colunas reservadas ao teatro nos jornais diários da capital, a autora observa que, ao contrário do que poderia sugerir o modo como os grupos amadores eram denominados pela imprensa – “teatrinhos” – os grupos de teatro amador do Rio eram numerosos e bem organizados. Sua atuação era significativa na capital federal e concorria com o “teatro comercial” (2011, p.42).

Em São João del-Rei, no início do século XX, a elite esforçava-se para demonstrar sua civilidade e colocar o teatro são-joanense na marcha do progresso, tendo como modelos os palcos do Rio de Janeiro e das nações europeias. Entre os anos de 1915 e 1916, a cidade contava com quatro grupos de teatro amador, são eles: Clube Teatral Infantil, Grupo Dramático 15 de Novembro, Club União Popular, e o Club Dramático Arthur Azevedo.

Segundo Antônio Guerra (1968, p.135), o Clube Teatral Infantil apresentou no Teatro Municipal, dia 10 de outubro de 1915, as comédias Casa de doidos e Os dois mineiros na

corte. Infelizmente não há mais notícias sobre os trabalhos do grupo infantil nos anos de 1915

e 1916, nem no livro de Guerra, nem nos álbuns confeccionados por ele. Sobre o Grupo

Dramático 15 de Novembro, o jornal do clube Arthur Azevedo39 registrou a notícia publicada, no dia 11 de julho daquele ano, no periódico A Tribuna, sobre sua reorganização. Contudo, não há mais informações, sobre a atuação dessa agremiação durante esse período, no acervo investigado.

A partir das indicações feitas por Guerra (1968, p.133-145), é possível observar que o

Clube União Popular realizou quinze espetáculos entre os anos de 1915 e 1916. Essa

agremiação estreou peças de autores são-joanenses, como a comédia A mina de Tiradentes de Tancredo Braga, as revistas locais Terra Ideal, também de Braga, e Fitas e discos, de Ribeiro da Silva e Oscar Gamboa.

Além das apresentações desses grupos, a Companhia Alzira Leão se apresentou nove vezes entre 18 de setembro e 24 de outubro de 1915, com um repertório composto de dramas e comédias francesas e portuguesas; o professor Conde Temístocles expôs espetáculos de ciências ocultas; o Circo Ideal; e a Troupe Lemos, companhia musical, também se apresentaram na cidade durante esse período. Dessa forma, podemos afirmar que o clube

Arthur Azevedo, foco deste estudo, não surge com a pretensão de suprir uma lacuna em

relação às opções de divertimentos na cidade, como acontecia nas cidades mineiras estudadas

por Duarte (1995) em meados do século XIX. As apresentações da associação inaugurada em 1915 somaram-se às de outros grupos amadores, companhias e artistas que passaram por São João del-Rei. Ao que parece, o Club Dramático Arthur Azevedo pretendia, assim como os grupos amadores fluminenses, formados por pessoas da elite intelectual e abastada, se

distinguir demonstrando “seus dotes e interesses artísticos, assim como um gosto refinado na

escolha de suas atividades de lazer” (Mencarelli, 1999, p.141). Essas características ficarão mais evidentes ao longo da tese.

Com o objetivo de nos aproximar das sensibilidades acionadas durante os espetáculos teatrais realizados pelo clube Arthur Azevedo, buscamos, nesta parte da tese, compreender: como o clube dramático se constituiu, quem eram as pessoas envolvidas nessa associação; minimamente, como eram as relações entre seus membros e como esse grêmio se inseria na sociedade são-joanense. Além disso, investigamos quais eram os discursos dessas pessoas, relacionados à função dos grupos amadores e à importância da arte dramática para aquela sociedade.

1 - A CONSTITUIÇÃO DO CLUB DRAMÁTICO ARTHUR AZEVEDO: UMA