2 Where, why, and how are vascular plants used?
2.3 Restoration, rehabilitation, and revegetation
Inicialmente, fez-se um estudo da documentação legal existente, anterior à Lei nº. 11.274/2006, de modo a considerar os aspectos históricos que a determinaram. Posteriormente, buscaram-se os pareceres, deliberações, resoluções e portarias que se sucederam após sua promulgação:
[...] os documentos representam uma versão específica de realidades construídas para objetivos específicos [...] devem ser vistos como forma de contextualização da informação. Em vez de usá-los como “contêineres de informação”, devem ser vistos e analisados como dispositivos comunicativos metodologicamente desenvolvidos na construção de versões sobre eventos (FLICK, 2009, p. 234)
Teve-se oportunidade também de, nas escolas pesquisadas, entrar-se em contato com alguns materiais instrucionais, como apostilas, cadernos de atividades de alunos, trabalhos em cartolinas que estavam expostos nos murais das salas de aulas, material dos professores, como chamada, listagem e idade dos alunos. Com os gestores, pôde-se verificar o Plano Municipal de Educação (2009-2019), documento em que se obtiveram os dados de quantidade de Escolas Municipais de Ensino Fundamental do Município.
Após o apanhado inicial da documentação legal, fizemos uma revisão bibliográfica do assunto a ser investigado. No início, encontraram-se trabalhos, dissertações, teses e publicações que tratavam de questões e situações que envolviam especificamente a mudança que a Lei nº. 11.274/2006 trouxe para a educação infantil (até 2011), em vários aspectos.
Isso porque primeiro se tinha pensado em fazer uma pesquisa que envolvesse a mudança tanto para o infantil, quanto para o fundamental. Chegou-se a entrevistar professores do último ano do infantil, cujos alunos são os de cinco anos, a fim de verificar como a mudança da Lei nº. 11.274/2006 os tinha afetado.
Porém, como se quer aqui discutir se houve mudança significativa quanto às questões que envolvem a criança de seis anos em face da Lei nº. 11.274/2006 e a lei é para o ensino fundamental, decidiu-se arquivar temporariamente tais dados do infantil para, posteriormente, analisá-los e publicá-los, pois oferecem rico material de pesquisa, fixando-se, portanto, no professor do primeiro ano do ensino fundamental que trabalha com a criança de seis anos.
Lüdke e André (1986) sinalizam que
[...] o pesquisador precisa desenvolver certa disciplina pessoal, pois a tendência neste tipo de pesquisa é achar que tudo é importante. A decisão sobre quais devam ser os focos específicos de investigação não é fácil. Ela se faz sobretudo através de um confronto entre o que pretende a pesquisa e as características particulares da situação estudada (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 46)
Depois desse trabalho de base e já com o foco nas considerações que uma mudança legal pode trazer tanto para o país, quanto para os agentes diretos envolvidos, no caso alunos, professores e gestores, enveredou-se pelo caminho da busca de autores que tratam da temática “reformas em educação”.
Sobre esse aspecto, logrou-se obter um amplo material, disponibilizado pelas professoras doutoras Vera Placco e Marli André, nas aulas de pesquisa, formação de professores e formação do adulto professor, que auxiliaram na escrita do capítulo sobre reformas e guiaram os passos na análise dos dados.
Outras referências bibliográficas foram acontecendo, ao longo do desenrolar do trabalho, conforme as temáticas iam surgindo, havendo necessidade de busca de repertório teórico que as elucidasse.
De posse dos documentos legais, técnicos e instrucionais, por meio das pesquisas e trabalhos encontrados, pelas leituras dos teóricos estudados e também mediante minha experiência como professora e meu interesse pela temática, algumas questões ou proposições foram surgindo, as quais levaram à decisão sobre quais instrumentos de pesquisa seriam utilizados.
4.3.1.2 Questionário Informativo
Optou-se por um questionário informativo para o levantamento do perfil escolar dos professores e gestores participantes da pesquisa.
Esse questionário pode ser encontrado no Apêndice, às página 219 e 220, e a compilação de seus dados será apresentada e analisada no capítulo da Análise.
4.3.1.3 Entrevista semiestruturada
Na sequência, realizou-se uma entrevista semiestruturada (Apêndice, pp. 221- 225), em que foram apresentadas questões que consideram vários aspectos relativos à mudança que a Lei nº. 11.274/2006 trouxe à nova configuração do ensino e que, segundo Lüdke e André (1986, p. 34), “se desenrola a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações”.
Mazzoti e Gewandsznadjer (1988) acrescentam que a entrevista semiestruturada
[...] permite tratar de temas complexos que dificilmente poderiam ser investigados adequadamente através de questionários, explorando-os com profundidade [...] No caso de entrevistas semi-estruturadas, frequentemente é possível indicar que fontes serão usadas para gerar os itens (pesquisas anteriores, teoria, observações e conversas informais com os participantes) também indicar o número aproximado de entrevistas e o tipo de respondentes (por exemplo, pais e professores, ou médicos, enfermeiras e pacientes etc.) (MAZZOTI; GEWZNDSZNADJER, 1988, pp. 168-169)
A entrevista semiestruturada foi primeiro um piloto, com onze questões, dirigidas a professores e gestores. Percebeu-se que, após a testagem, não havia necessidade de todas as questões e seria preciso rever a redação em um ou outro aspecto. Após os ajustes necessários, reduziu-se para sete questões, as quais foram aplicadas aos sujeitos envolvidos na pesquisa, de modo a atender aos objetivos.
As entrevistas ocorreram nas próprias escolas, tiveram duração de cinquenta minutos a uma hora e quinze minutos e foram gravadas. Geralmente, as professoras receberam a pesquisadora no horário de HTP (horário de trabalho pedagógico), que acontece uma vez por semana, após o horário de encerramento das aulas, a partir das 17 horas e 15 minutos e as gestoras, dentro da disponibilidade de cada uma.
No início, os entrevistados ficaram desconfortáveis; alguns gaguejaram, outros ficaram pondo as mãos no cabelo, outros tiravam e colocavam os óculos, em atitudes que demonstravam ora insegurança, ora timidez, além de incômodo.
Conforme a entrevista avançava, ficaram mais à vontade, comportando-se de forma mais natural no processo.
Após as entrevistas coletadas e transcritas, iniciou-se o processo de leitura fluida dos dados. Foi um longo período de leitura, para assegurar-se de que se poderia iniciar o processo de análise dos dados, que será relatado a seguir.