• No results found

Ressursstyring, ressursbruk og effektivitet

4 STYRING OG KONTROLL I VIRKSOMHETEN

4.5 Ressursstyring, ressursbruk og effektivitet

Recorde-se que era precisamente sobre a atualidade que se debruçava muito do trabalho diário dos jornalistas. Muita da produção não era definida nas reuniões de planeamento. Vinha antes da atualidade. Na rotina de produção dos jornalistas estavam práticas como a de ler, pela manhã, notícias dos outros jornais. Via-se as que mais se assemelhavam ao estilo do

V Digital.

Os jornalistas sugeriam os temas à editora, que dava o parecer.

Da observação participante, chegou-se à conclusão que, a maioria dos meus colegas, produzia mais conteúdos que partiam de fontes como agências de notícias (em especial o

Wibbitz

), do que contactava diretamente com a fonte de informação. Com a troca de emails que se dava logo pela manhã, que serviam para colocar a par a redação da agenda de trabalho do dia, era possível observar-se tal facto. Também era a partir destes emails que se faziam sugestões de temas para a rotina de produção diária e, a maior parte, prendia-se com temas que os jornalistas viam noutros jornais ou, então, em canais de rotina. Eram trabalhos pouco morosos – porque a informação

115

chegava já quase pronta à redação – e acarretavam poucos custos de produções, pois não alocavam deslocações nem editores de imagem.

Também na minha rotina de produção se verificou tal predominância de fontes oficiosas/agências de notícias. Para se provar, quantitativamente, o verificado a partir da observação participante, considerou-se pertinente fazer uma categorização das fontes – segundo as denominações previamente existentes no guião de análise. A intenção era, a partir dos dados qualitativos e quantitativos averiguar: a) qual a fonte de informação mais utilizada na rotina de produção; b) se há mais conteúdos publicado, por dia, no

V Digital

, oriundos da atualidade ou de agenda. Desde o dia 5 de julho até ao dia 28 de setembro, foram analisadas 81 notícias, produzidas por mim em três meses, categorizadas em função das fontes de informação utilizadas ao longo do período de análise quantitativa dos dados. Algumas das notícias foram consideradas em mais do que uma tipologia de fontes, nos casos em que, na produção da notícia, se consultou várias fontes de informação em simultâneo.

Dentro das agências de notícias/oficiosas, foram incluídas as fontes

Wibbitz, Agência Lusa e

Reuturs.

Considerou-se nesta análise também indicadores como motores de busca e redes sociais; fontes institucionais, empresariais, especializadas, populares, oficiais, documentais e anónimas.

116

Para Machado (2001) e Schmitz (2011), os jornalistas têm preferência por fontes de informação oficiais, por serem aquelas que, pelo seu grau de conhecimento sobre os casos e pelo seu grau de notoriedade na sociedade, davam relevo e sustentabilidade às notícias. Mas isso não se verificou no

V Digital.

Só houve um caso em que foi consultada esta tipologia de fonte, mais precisamente na reportagem intitulada “O Douro ganhou um novo percurso pedestre”, publicada a 3 de agosto. Neste caso ouviu-se o vice-presidente da câmara municipal de Castelo de Paiva que, por ter o pelouro do turismo, foi considerado a pessoa com mais conhecimento sobre o caso. Daquilo que se observou nesta análise quantitativa às 81 reportagens, bem como ao trabalho dos meus colegas durante três meses, estas fontes não eram recorrentes. Se atendermos ao constatado através da observação, pode-se dizer que houve alguns temas em que se sugeriu explorar questões políticas. Mas por fatores como serem meses de verão em que muitos se encontram de férias fez com que não fosse possível concretizá-los. Por outro lado, penso que a pouca opção por estas fontes se prende com os valores-notícia do canal, que veremos mais à frente, cujo tipo de notícias em que as fontes oficiais entram, como a política, não era comum. Schmitz (2011) no que concerne às fontes oficiosas/agências de notícias, defende que são estas fontes a ponte entre os interesses, opiniões e relatos de quem assessoram e os jornalistas. E refere que são quem determina a agenda do dia. Nas 81 notícias analisadas, foi possível perceber que, efetivamente, as agências de notícias definiam a agenda do dia do

V Digital

, com uma frequência de 44%. Nesta categorização das fontes de informação, foram consideradas a

Lusa,

a

Reuters

, eo

Wibbitz

(nos casos em que se utilizou conteúdos pré-fabricados que disponibilizavam). Assim, percebe-se novamente que houve uma forte procura por conteúdos “pré-fabricados”, que já chegavam prontos a publicar à redação, embora não fosse isso o esperado. É desejado que, embora chegue informação, essa seja devidamente tratada e verificada.

Dentro dos canais de rotina, deu para perceber, da observação participante, que havia dois meios de propagação de informação mais valorizados pelo canal. Por um lado, a agência Lusa, por outro, o Wibbitz. A primeira, para alimentar o site durante a manhã, enquanto não se produziam os conteúdos de vídeo. A segunda, para cerca de 12 dos 13 conteúdos publicados, em média, pelo canal. Também alguns eram provenientes da Reuters. Para tentar comprovar, com dados concretos, este facto oriundo da observação à rotina da redação, utilizei como exemplo os meus trabalhos, que integraram, durante três meses, a programação do dia.

117

Gráfico 3: Predominância de agências de notícias como fontes de informação

O gráfico anteriormente apresentado ilustra a percentagem de notícias produzidas (e publicadas) por mim. No que respeita à utilização da agência

Lusa,

como fonte de informação, pode dizer-se que foi utilizada uma vez. Em todo o caso, fazia parte da rotina de uma das jornalistas (a do turno das 7h) mas, do que observei, os restantes colegas não recorriam a esta fonte com frequência. Do que mais sobressai do gráfico, o

Wibbitz

era a agência de notícias mais utilizada, a representar 75% das minhas fontes de informação. Também foi a fonte mais utilizada nas produções dos meus colegas e isso constava-se na agenda do dia, com a listagem de atribuição dos temas aos colegas. Neste aspeto, deve-se aqui recordar que a plataforma era, mais que uma fonte, uma ferramenta de montagem de vídeo que integrava fortemente a rotina de produção dos jornalistas do meu local de estágio. O meu caso não foi exceção. O

Wibbitz

permitia criar conteúdos novos a partir dos seus

templates,

mas também possuía várias notícias prontas a serem publicadas nos sites de notícias da

GMG.

Destes conteúdos pré-fabricados não constavam produções em português e raros eram os factos sobre Portugal. Havia três idiomas que as produções nesta agência de notícias assumiam automaticamente: francês, inglês e espanhol. A maioria dos casos que retratavam as notícias que já estavam prontas eram sobre factos referentes à agenda mediática internacional. Alguns deles eram aproveitados. Aliás, de manhã, os jornalistas sugeriam, via email partilhado com a rede de colaboradores, que temas do

Wibbitz

daquele dia poderiam ser interessantes para o

V Digital.

Mas, antes publicados, todos sofriam alterações. Os jornalistas verificavam os factos,

118

por exemplo, cruzando a informação com a se era veiculada noutros meios (no caso de temas internacionais que não permitiam o contacto direto com as fontes), ou, sempre que possível, verificava-se diretamente com a fonte de informação (mas estes casos foram raros, pelo menos no que concerne à minha rotina de produção jornalística).

A maioria dos autores, como Jerónimo (2015), diz que a voracidade da informação, que consequentemente origina notícias atualizadas de minuto a minuto e notícias de última hora (breaking news) são a causa para a dependência cada vez maior de agências de notícias, como a

Lusa, a Reuters

e, neste caso, o

Wibbitz.

Mas a verdade é que o

V Digital

propôs-se a ser, recorde- se, “(…) mais do que mostrar o que está a acontecer (tal como os outros meios de comunicação do grupo), explicar o que acontece no país e no mundo”, como se pode ler na sua página principal. Por isso, esta não deveria ser a justificação para a dependência de conteúdos pré-fabricados, até porque estima-se que só um conteúdo por dia era um destes programas, ou seja, morosos, de maior explicação dos fenómenos e aprofundamentos dos factos e maior hibridez das linguagens. Mas a verdade é que a atualidade é uma exigência dos leitores, segundo Jerónimo (2015). Essa poderá ter sido a causa para que a linha inicial do

V Digital

ter-se alterado, numa primeira fase, numa perspetiva de alcançar maior notoriedade de marca junto dos leitores, aumentando o número de visualizações das notícias e, consequentemente, solidificar o seu modelo de negócio. Ou seja, manter a sua essência de conteúdos de explicassem fenómenos ao invés de os noticiarem tal como todos os órgãos de comunicação – e isso faziam-no através dos seus programas, como “Quebra-Mitos”, “O Explicador”, “Suplemento de Alma”, entre outros –, mas também mantendo os conteúdos de atualidade. Nestes, auxiliando-se com as informações que lhes chegavam das agências. Recorde-se que as redações cada vez mais pequenas e um elevado volume de trabalho para alimentar um site todo o dia é outro dos fatores que Harcup e O'Neill (2016) consideram estar na origem desta dependência do material pré-fabricado.

Mas é sabido que muito do que as agências e assessores de comunicação transmitem para os órgãos de comunicação vem carregado de intenções publicitárias e, nesse sentido, cabe ao jornalista ser capaz de filtrar os conteúdos e “limá-los”, de modo a retirar apenas os factos e deixar de lado a publicidade (Berkowitz, 2009).

119

Recorde-se que, na contabilização de notícias tidas em conta nas fontes de informação

Wibbitz

, não foram consideradas as produções de jornalistas em que a plataforma serviu para criação de um vídeo de raiz, onde houve contacto direto com as fontes.

Esses casos entraram diretamente para a segunda maior percentagem obtida no que respeita à consulta de fontes de informação nos três meses de produção de conteúdos

,

isto é, as fontes originais. Nestas, considerou-se todos os contactos diretos com as fontes, seja via telefone,

Skype

, ou pessoalmente. Desses 20%, a maioria foi contacto pessoal com a fonte. O

V Digital

é uma plataforma de vídeo, logo carece de conteúdo multimédia. Embora bons trabalhos também se possam fazer por telefone, até porque o fator que mais distingue atualmente os bons e os maus trabalhos jornalísticos é o quão verificada é a informação (McGregor & Molyneux, 2018; Marín et al., 2017; Santos, 2015; Canavilhas & Rodrigues, 2012), o certo é que a redação, sempre que possível, escalava um jornalista e um videógrafo para o terreno. Assim se faziam as entrevistas, os planos de corte e recolhiam-se os sons de fundo. Estes eram outros dos conteúdos publicados por dia no órgão de informação. Depois, houve ainda recurso à

Reuters

(2%) e a outros jornais (2%), mas esta não era uma prática muito comum na minha rotina de produção. Salvaguarda-se aqui que, embora não tenha feito parte da minha rotina, poderia integrar a dos meus colegas. Depois desta análise às agências de notícias, que eram a principal fonte de informação deste canal de vídeo online, importa analisar-mos os restantes. A segunda fonte mais utilizada foi, precisamente, os motores de busca, representando 22% da sua opção. A verificação das informações é o momento mais importante de toda a rotina de um jornalista. É precisamente este o fator capaz de distinguir um bom de um mau conteúdo jornalístico e permite detetar informações falsas, por exemplo, aos

press release

, assim como a presença de conteúdos publicitários. É também através da verificação e apuramento dos factos que se consegue encontrar informações distintivas (Santos, 2018), sem sair da secretária (através do envio de emails, telefonemas, consultas de redes sociais, motores de busca, entre outros) mesmo que a notícia “mãe” tenha chegado de um

press release

enviado para todas as redações (Canavilhas & Rodrigues, 2012). Isso poderá fazer com que o conteúdo seja diferente dos demais da agenda mediática (Santos, 2018). E era isso que o

V Digital

tentava fazer, muito através de motores de busca. Na minha rotina de produção, foi-me pedido muitas vezes que trabalhasse os conteúdos Wibbitz do dia. Umas vezes não encontrava mais informação do que aquela que já constava e a editora indicava- me apenas que “traduzisse” a linguagem do conteúdo. Outras vezes, através de pesquisas em motores de busca, como na Google e em redes sociais, como o Twitter (principalmente quando

120

dizia respeito a temas internacionais) e Facebook, conseguia-se enriquecer os conteúdos com novas informações. Além de serem uma forma de encontrar factos novos e enriquecedores, os motores de busca eram ainda utilizados com outro fim: verificar a informação que chegava. A Internet é uma forma de prolongar a memória humana, capaz de auxiliar os jornalistas a verificar muita da informação que lhes chega (Bradshaw, 2014). Isso aconteceu várias vezes na minha rotina de produção. Era frequente ter temas em mãos que remontavam a anos em que eu nem existia ainda. É certo que outrora, com o recurso a uma biblioteca, era possível consultar livros que ajudavam a avivar a memória e a evitar erros por falta dela. Mas esse era um processo moroso. Agora, com uma pesquisa, é possível aceder à informação num curto prazo de tempo, aumentando a rapidez de produção. Por outro lado, era frequente utilizar as redes sociais como forma de estabelecer um primeiro contacto com as fontes de informação antes de partir para a entrevista presencial. Por vezes, através do nome da pessoa, enviava uma mensagem via conversação de Facebook e conseguia o contacto telefónico para que fosse feita uma primeira abordagem ao tema. Esta era uma prática que se verificava no meu trabalho, mas também no dos meus colegas.

As fontes institucionais, como jornais, foram a terceira fonte de informação mais utilizada (18%). Aqui, incluiu-se quer os jornais impressos, quer os digitais. Como já foi referido, fazia parte da rotina de produção consultá-los, logo pela manhã. Depois de uma leitura detalhada, via-se se havia temas que eram tratados, principalmente ao nível da linguagem. A par disso, dava-se à informação o tratamento que fosse necessário. Esta leitura fazia-se não só aos jornais impressos, como também aos digitais. Constatou-se que os jornais Público e JN eram os mais consultados não só por mim, como também pela restante redação. Além de servirem de ponto de partida para conteúdos, os jornais serviam também para confirmação dos factos. Por vezes, era através deles que se verificava a veracidade de informações proliferadas em

press release

, vendo, por exemplo, o que diziam os jornais no passado sobre determinados factos ou o que estavam a dizer naquele momento.

No que concerne às fontes empresariais, ou seja, casos em que as fontes das notícias foram corporações, indústrias, comércios, serviços ou agronegócio (Schmitz, 2011), foram consultadas 9% das vezes, principalmente em casos de conteúdos ditos originais, ou seja, para a criação de programas, com contacto direto às fontes. Optou-se em casos relacionados com negócios como a Ach Brito, quando festejou 100 anos, e em micronegócios como o World You Need Is Love. Em todo o caso, era sempre frisado pelos editores a necessidade de focar nos factos e afastar da

121

publicidade. Embora, a meu ver, só o facto de mencionar o nome de uma das empresas e todo o trabalho ser em torno delas, já fosse uma forma de fazer publicidade. Também no que respeita ao trabalho desenvolvido pelos meus colegas reparei que aconteceu realizarem trabalhos destinados aos programas sobre empresas. Um dos casos recaiu sobre a empresa Fruit, que serviu de fonte de informação na reportagem do Francisco Graça sobre a tendência alimentar subordinada a fruta desidratada. A empresa foi escolhida pelo conhecimento comportamental do consumidor, bem como daquilo que é a fruta desidratada sendo, por isso, considerada uma entidade especialista mas que, ao veicular o seu conhecimento e ao serem feitas as filmagens neste local, considero que foi feita publicidade ao espaço. Era antes trabalho da

Global Media Play

e não específico do

V Digital

, embora se partilhasse, em ambos os canais, certos elementos de trabalho. Porém em todos estes casos, não se verificada (pelo menos que se tivesse conhecimento) de interesses comerciais pelo meio. O segundo caso foi sugerido por mim à editora, porque tinha visto numa rede social e achei que daria um programa interessante. No caso do meu colega, observei que foi também sugestão dele utilizar aquela empresa em específico. Ou seja, não parecia haver, tal como se prevê na conduta do jornalismo, interferências entre publicidade e informação, nem vindas das chefias nem dos jornalistas.

Foram também consultados especialistas (3%), como o investigador Rui Brito, que explicou o seu projeto para combater a praga das gaivotas nos centros urbanos, ou o “Quebra-Mitos”, intitulado “Especial Dar Sangue”, em que fomos ouvir o diretor do serviço de sangue e medicina transfusional do CHVNG/E, Miguel Figueiredo. Pelo seu elevado nível de conhecimento, foram chamados a intervir nas reportagens. Reparei que, embora não tenha sido uma fonte muito utilizada por mim, era um tipo de fonte privilegiada no trabalho dos meus colegas para programas como “Quebra-Mitos” e “O Explicador”.

As fontes populares, aquelas que dão voz ao cidadão comum, foram pouco utilizadas na minha rotina de produção. Estas fontes eram privilegiadas em trabalhos como os Suplementos de Alma. Isto porque se baseava em relatos inspiradores, que poderiam ser histórias de vida de um cidadão comum. Muitas delas era “apanhadas” nas redes sociais cuja partilha partia do cidadão comum. Por exemplo, um outro colega realizou um trabalho sobre fibromialgia, em que escutou o relato de várias pessoas portadoras da doença.

122

Já no que respeita às fontes documentais, incluiu-se os relatórios que chegavam via email ao jornal, comunicados oficiais, decretos-lei; orçamentos de estado e estudos, constituiu 1% das fontes. Por último, não foi verificado, neste estudo de caso, a utilização de fontes anónimas.