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Note B – Forklaring til brukte fullmakter og beregning av mulig overføring til neste år

5 VURDERING AV FRAMTIDSUTSIKTER

6.1 Ledelseskommentarer til regnskapet

6.2.3 Note B – Forklaring til brukte fullmakter og beregning av mulig overføring til neste år

Como vimos, os conteúdos que mais interação provocaram não se prendiam com os programas do

V Digital

, aqueles cuja rotina de produção jornalística era mais exigente, requerendo várias horas de produção. Pelo contrário. E isso era desmotivante para os jornalistas verem que, quanto mais davam de si para as suas produções, menos leitores tinham a vê-las. Uma das situações que mais despertou este sentimento foi o conteúdo intitulado “O desafio deste verão? Virar o biquíni ao contrário”.

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Figura 18: Um dos conteúdos com mais interação no V Digital

Solicitados os dados deste dia à gestora de redes Sara Ribeiro, sobre o quão rentável, em termos de visualizações, foi fazer esta publicação, a mesma informou que nada melhor do que observar os números. Das tabelas a que tive acesso, foi construído o seguinte gráfico:

Gráfico 5: Número de visualizações de: "O desafio deste verão? Virar o biquíni ao contrário"

Os números revelam que, por um lado, há um maior alcance da publicação a partir da publicação da notícia "O desafio deste verão? Virar o biquíni ao contrário" no

JN

, com uma diferença, no caso das visualizações de página, de 4.380 visualizações face ao

V Digital

, criador do conteúdo. No que respeita às visualizações de páginas únicas, ou seja, o número de sessões que a página foi

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visualizada pelo menos uma vez (segundo a Google Analytics16), a diferença foi menor (4.050 visualizações).

Constatados estes dados – que servem apenas para exemplificar o quão importante é a partilha dos conteúdos nos demais canais de informação do grupo – verifica-se que, se somados ambos os valores, dá um total de acessos ao conteúdo

Wibbitz

de 28.366, sendo o conteúdo mais visto do dia, segundo o relatório da Google Analytics. Este conteúdo manteve-se no topo das visualizações durante vários dias. De 1 de maio a 17 de julho, segundo a mesma ferramenta de monitoramento de tráfego online de sites, a reportagem foi líder de visualizações no site em análise neste relatório

,

representando, só por esta via, 45.301 visualizações de página.

Figura 19: Relatório de visualizações de “O desafio deste verão? Virar o biquíni ao contrário”

Nesse mesmo relatório é possível ver que programas como Quebra-Mitos, que se dedicam a explicar crenças da sociedade e a derrubar mitos existentes na mesma através da consulta de especialistas em determinadas áreas, estavam apenas com 13.423 visualizações de página, cerca de metade dos acessos.

Isto tudo denota preferências dos consumidores por aquilo que é chamado de

“Soft news”

(Schaudt & Carpenter, 2009) face às “

hard news

” ou também denominadas de “

slow news

”. E parece que

o V Digital

alcançou esse público, o que prefere notícias da atualidade, de conteúdo leve, relacionado com

o life style

, com curiosidades e também celebridades.

Recorde-se que, na dimensão de “valor-notícia”, para esta análise, foram tidos em conta os componentes: “novidade”, “inesperado”, “catástrofe”, “proeminência”, “atualidade” e “instantaneidade”. No que respeita ao indicador “novidade”, se atendermos até ao exemplo dado anteriormente (“O desafio deste verão? Virar o biquíni ao contrário”), verificamos que este valor-

16 Informação consultada no manual da Google Analytics, em https://support.google.com/analytics/answer/1257084#pageviews_vs_unique_views)

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notícia era tido em conta na rotina de produção dos jornalistas deste órgão de comunicação. Ao longo do meu dia a dia apercebi-me de que tudo o que apresentava este valor-notícia tornava-se alvo de atenção por parte da redação. Perante a imensidão de conteúdos pré-fabricados que chegavam às nossas mãos, eram os valores-notícia que nos ajudavam a decidir o que era e o que não era notícia (Harcup & O’Neil, 2016). Considero que este era um dos critérios mais valorizados pelo

V Digital

. Novas tendências culturais, de moda, de música e até de arte eram, geralmente, temas deste canal. Também tudo o que evidenciava novidade era alvo de notícia. Caso disso foi, por exemplo, a mochila

Tetris

que, por ter um material diferente, foi notícia. Tal como os cadernos reciclados, ou a nova coleção de roupa da

H&M

para cães.

Outro dos critérios de noticiabilidade que mais determinava a agenda do dia era o inesperado/surpresa. O

V Digital

dava atenção a conteúdos que outros órgãos de comunicação raramente atendiam no meio da sua agenda mediática. E um dos valores-notícia que guiava os jornalistas nesse sentido era precisamente este. Um desfile de moda em que as modelos são de diversas etnias, cores e tamanhos causou estranheza nas redes sociais. Esse comportamento, de surpresa por fugir de um desfile de moda comum, determinou que era motivo de notícia. Ou um homem que trepa paredes e é um caso quase único no mundo, ou ainda a exposição sobre imitações humanas de sons de baleias. Apercebi-me de que era um valor-notícia valorizado, não só pela capacidade de atrair leitores, mas porque marcava a diferença perante aquilo que estava a ser produzido pelos demais órgãos de comunicação do país. Ou seja, o canal não estava a fazer aquilo a que se propôs: as “

Slow News”.

Essa é uma tendência dos média perante um mercado cada vez mais sobrecarregado (Ganiyu & Akinreti, 2015). Nestes casos, deve-se avaliar também quem são os intervenientes nas notícias para perceber se há ou não razão para ser noticiado (Silva & Jerónymo, 2017). Muitas vezes, determinava-se que era notícia pela pessoa a quem remetiam os factos. Exemplo disso foi falar-se das parecenças entre Cristina Ferreira e a Princesa Diana. Estávamos perante duas pessoas influentes na sociedade portuguesa e, por isso, determinou-se que seria um dos conteúdos do dia. Aqui entra também o critério de proeminência, ou seja, o grau de conhecimento e celebridade.

Os escândalos também faziam parte da rotina de produção. Sempre que se encontrava casos desses na atualidade, passavam a integrar a agenda do dia. O escândalo é algo que se torna relevante quando relacionado com temáticas que dizem respeito à vida do cidadão, mas muito mais quando envolvem pessoas reconhecidas na sociedade, como celebridades, políticos, figuras públicas. Isto porque ajudam a captar audiências (Silva & Jerónymo, 2017). Exemplo disso foi ter-

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se noticiado o caso Robles, e escândalos relacionados com questões sexuais, como o movimento

#Metoo

, ou com figuras públicas, como Cristiano Ronaldo.

O critério de noticiabilidade “catástrofe” foi pouco determinante na rotina de produção do

V Digital

, neste período. Houve alguns casos, como o resgate na cave de Tham Luang, na Tailândia, a explosão em Bolonha, assim como a explosão de botijas de gás que obrigou a evacuar ilha da Estátua da Liberdade. Estes foram os três casos em 81 notícias por mim publicadas em que este critério se evidenciou.

No que concerne ao critério de noticiabilidade “instantaneidade”, relacionado com notícias da atualidade, atualizadas de minuto a minuto, pode-se afirmar que tal valor-notícia não foi tido em conta na rotina dos jornalistas. Embora o

V Digital

tenha passado por muitas reformulações em apenas três meses, o certo é que nunca passou por uma grelha de programação que incluísse diretos ou

breaking news.

Isso era trabalho para meios de comunicação como o

JN.

Procurava-se sempre uma nova abordagem, mesmo que essa não estivesse na informação, mas antes na forma como os factos eram comunicados ao leitor (por exemplo, através da hibridez das linguagens).

f) O fenómeno da hibridez das linguagens verifica-se no

V Digital

?

Poderá ser na hibridez das linguagens que estará o futuro da comunicação online. Repare-se que a maior potencialidade da web é a capacidade que tem de albergar conteúdos híbridos, interativos e multimédia (Santos, 2018).

Cada vez mais, ter um conteúdo diferente é difícil. Isto porque, por um lado, a informação é veiculada em massa para os órgãos de comunicação. Depois, existem dezenas de meios de propagação de informação. Deste modo, o cidadão prefere ler a informação que lhe é mais fácil de ler, acessível em qualquer lugar e a qualquer hora. Para tal, passou a haver a necessidade de

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convergir, num só conteúdo, as várias linguagens. Só as notícias da agência

Lusa

que eram publicadas logo pela manhã, entre as 7h e as 10h, enquanto os restantes jornalistas não chegavam – e que serviam para alimentar o site – é que aliavam duas linguagens, ou seja, a textual e a visual. Eram, assim, construídas sempre através de imagem seguida de texto. Nestas, o elemento visual servia de âncora para aquilo que o texto comunicava. No exemplo da figura 21 a notícia refere-se ao incêndio de Vinhais. A imagem ilustra precisamente um fogo, mas que não é o referido na imagem. Há uma componente textual que ajuda a clarificar isso mesmo: “Incêndio em São Vicente Pereira”. Assim, a imagem é meramente ilustrativa, mas ajuda a entender, mesmo antes de ler, que o conteúdo está relacionado com incêndios. Isso é positivo, até porque a Internet é cada vez mais visual (Santaella, 2012). Depois, o texto clarifica todos os factos.

Considero que a verdadeira convergência das linguagens assentava na produção que vinha a partir das 10h00, isto é, nos vídeos. Isto porque não eram apenas imagens em movimento, nem apenas som, nem somente texto. Era antes a convergência de todos estes elementos num só conteúdo.

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Figura 21: Exemplo de hibridez das linguagens

Além do vídeo, como elemento visual, havia também o recurso a elementos gráficos em movimento, desenhados pelo grafista, para ajudar a explicar a comunicação do jornalista. A par daquilo que se vê, existia também aquilo que se ouvia. O áudio era cuidadosamente trabalho. Se havia música, os editores tinham o cuidado de fazer os cortes da música a bater com os cortes dos planos. Transmitia assim mais rigor e emoção, iam-me explicando. Mas é sabido que, no meio do trabalho, no autocarro a caminho de casa, entre outras situações do dia a dia, nem sempre é pertinente ouvir o som das reportagens. Então aliou-se a linguagem textual que veio assim colmatar esta debilidade da linguagem sonora. Através das legendas de tudo o que era dito, passava a ser possível, na ausência de som, perceber-se a totalidade da informação. Havia, assim, a complementaridade entre as linguagens, criando conteúdos completos e eficazes na sua comunicação. Tudo isto só era possível graças às potencialidades da digitalização da comunicação que deu origem a conteúdos híbridos, com linguagens que antes só víamos em separado, com narrativas mais aprimoradas (Barretos, 2016).