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Ressurser til administrasjon og ledelse på kommunenivå

Paulo Freire em „Pedagogia para Autonomia‟ (1996) retrata os aspectos da autonomia, do „aprender fazendo‟, e do „saber de experiência feito‟, que serão úteis no delineamento do Currículo para Formação de Empreendedores.

Para Freire (1966), formar, muito mais do que treinar, é criar condições para o aluno pensar certo e conquistar sua própria autonomia no saber: „e pensar certo, é fazer certo‟. A prática de ensinar é algo mais do que a simples transferência de conhecimento, „mas criar possibilidades para a sua própria produção ou construção‟ e, portanto, „exige respeito à autonomia do ser do educando‟.

É preciso que o educando [no caso o empreendedor] vá assumindo o papel de sujeito da produção de sua inteligência do mundo e não apenas o de recebedor daquilo que lhe seja transferido pelo professor (FREIRE, 1996, p. 124).

Esta deve ser a ideia central do processo de construção do conhecimento para o empreendedor: permitir que ele se torne o seu próprio professor e com isso ganhe autonomia no saber, uma vez que o empreendedor não aprende para hoje, mas para sempre. Não existe o “status” de formado na condição do empreendedor. Ele possui a necessidade de apreender continuadamente para dar sequência ao seu negócio. Assim, existe sempre uma condição de inacabado em seu saber.

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Outro aspecto importante na reflexão sobre a obra de Freire (ibidem), e que se aplica à formação de empreendedores, é a importância de se conciliar a teoria com a prática.

É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico necessário à reflexão crítica tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática (FREIRE, 1996, p. 39).

Para o empreendedor não cabe a defasagem no tempo entre o aprender (teoria) e o fazer (prática), como é comum nos programas de ensino tradicionais. O aprendizado do empreendedor deve ser orientado para conciliar o aprender fazendo, ou seja, ao adquirir uma visão crítica (conceitual) sobre determinado assunto, ele deverá associá-la à sua prática no sentido de aperfeiçoá-la e assim progredir interativamente.

Quando se pensa na formação de empreendedores não há como se desprezar o saber prático que já possuem, fruto do seu convívio social e da experiência adquirida na condução de seu negócio. Para Freire (ibidem) este „saber de experiência feito‟ é tão importante como o saber acadêmico.

Não há para mim, na diferença e na distância entre a ingenuidade e a criticidade, entre o saber de pura experiência feito e o que resulta dos procedimentos metodicamente rigorosos, uma ruptura, mas uma superação(FREIRE, 1996, p. 31)

O empreendedor não irá modificar sua “leitura do mundo”, durante o aprendizado, mas sim, aperfeiçoá-la. Neste sentido, o ensino do empreendedor deverá ser construído a partir da sua realidade individual (de vida, de experiências, do cotidiano) e não de conceitos absolutos como costuma acontecer no modelo de ensino atual. É a partir da leitura de seu mundo particular que se deverá construir o conjunto de conhecimentos a ser compartilhado (não distribuído) para ajudar o empreendedor a melhorar a sua compreensão desta realidade.

Com base nestas considerações, no Quadro 7, a seguir, são realizados alguns ajustes nas características do processo epistemológico pela Escola Reflexiva, para se chegar a sua aplicação para a Escola de Formação de Empreendedores.

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ASPECTO ESCOLA REFLEXIVA ESCOLA DE EMPREENDEDORES

PRESSUPOSTO EPISTEMOLÓGICO

Há uma relação entre a experiência profissional com a construção do seu conhecimento, desenvolvida pelo „conhecer na ação‟ e do „refletir na ação‟.

Há uma relação entre a aprendizagem e o interesse do aluno, de modo que este construa seu conhecimento, a partir da realização de seu projeto de vida.

PROPÓSITO DA EDUCAÇÃO

Proporcionar ao aluno condições para que este desenvolva competência para exercer com êxito uma atividade profissional que exija a tomada de decisão.

Proporcionar ao aluno os meios necessários para que ele desenvolva sua competência para realizar uma ação empreendedora com sucesso.

APLICAÇÃO PELO ALUNO

Aprende para saber decidir:

Prepara-se para ser o profissional que „aprende fazendo‟ pela reflexão na ação.

Aprende para ter autonomia no saber e ser: Prepara-se para ser um cidadão emancipado na sua condição econômica e social.

ORGANIZAÇÃO DO CURRÍCULO

Interativo:

Organização pela prática que precede a teoria e cria matéria para novas teorias, levando em conta todas as áreas de conhecimento que envolva o problema.

Projeto:

O conhecimento é um processo em que o aluno aprende fazendo, relacionando o saber teórico com o fazer acontecer prático, em uma série sucessiva de pequenas realizações. ESTRATÉGIA DE

ENSINO

Construtivista:

O conhecimento é obtido por „aprender fazendo‟ pelos alunos, motivados pelos progressos alcançados no saber aplicado.

Problematização:

O conhecimento é obtido pela solução de problemas a ser resolvidos pelos alunos para avançar em seu projeto de negócio.

FUNÇÃO DO EDUCADOR

Educador é o Orientador:

O centro é o aluno que não se pode ensinar, mas orientar para que enxergue os meios e métodos empregados, e os resultados obtidos.

Educador é o Facilitador:

O centro é o aluno e a preocupação do professor é ensiná-lo a aprender por si próprio, de maneira que obtenha autonomia na construção do próprio saber.

Quadro 7: Processo epistemológico construído pela Escola Reflexiva, comparados com a Escola para Formação de Empreendedores.

Fonte: O autor

As características descritas acima para o Pressuposto Epistemológico, Propósito da Educação, Aplicação do Conhecimento pelo Aluno, Organização do Currículo, Estratégia de Aprendizagem, Papel do Educador, são utilizadas como orientação para se estabelecer as diretrizes curriculares na elaboração de Programas para Formação de Empreendedores, conforme descrito na seqüência.

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CAPÍTULO 4 – DIRETRIZES CURRICULARES E PROPOSTA PARA PROGRAMA