A estratégia de organização de currículos por Projetos de Trabalho permite relacionar diferentes conteúdos e informações, em torno de problemas a ser solucionados pelos alunos. Diferencia-se do método tradicional, pelo conhecimento não estar determinado de antemão (livro ou professor), mas sim, por ser constituído, a partir da pesquisa a ser realizada pelo aluno em etapas sucessivas, cada qual com seu próprio propósito.
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William Kilpatrick (1871-1965), também aluno de John Dewey e influenciado pelo método da Educação Progressiva, foi quem primeiro publicou sobre este tema na obra „O Método do Projeto‟ (1918), com a ideia de dar liberdade para o aluno escolher situações de aprendizagem que lhe fossem mais significativas e valorizar sua participação efetiva neste processo.
Para Franco (2008), atualmente a metodologia de projetos é retomada por autores que buscam suporte à fragmentação do conhecimento, numa abordagem problematizadora, integradora, crítica, participativa e reflexiva. Com a metodologia orientada por projetos foi possível deixar os métodos de aprendizagem orientados pela memorização de conteúdos, para um processo em que a retenção se dá pela vivência de experiências com as quais o aluno interage durante o seu processo de aprendizagem.
[Esta alteração] dos currículos e práticas pedagógicas [...] aponta para uma nova perspectiva epistemológica que valoriza a produção do conhecimento e o concebe como um fenômeno cultural, [...] para integração entre a teoria e a prática, para sua organização interdisciplinar, [...] para aprendizagem a partir de enfoques problematizadores enfim, para a formação integral da pessoa humana (FRANCO, 2008, p.18).
Behrens (2004) propõe a metodologia de projetos por meio de fases de evolução. Considera que estas fases não necessariamente se constituem em uma regra fixa, mas sim, como proposições que vão sendo selecionadas diante dos objetivos e da interação e negociação com os envolvidos:
- Apresentação e discussão do projeto;
- Contextualização do tema; Aulas expositivas dialogadas; - Pesquisa individual; Produção individual;
- Discussão coletiva crítica e reflexiva; - Produção coletiva;
- Produção final;
- Avaliação coletiva do projeto.
No ensino por projeto, o aluno aprende a resolver problemas, pelo encaminhamento e desenvolvimento de determinada situação, relacionando teoria com a prática e integrando conhecimentos de diferentes áreas de maneira interdisciplinar, em especial para a aprendizagem profissional.
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O encaminhamento da técnica se dá pela seguinte relação de ensino e aprendizagem (MASETTO, 2003, p.107):
- O professor solicita que cada aluno (grupo) escolha um projeto de seu interesse; - A seguir, discute com o grupo os passos para elaboração de cada etapa do projeto e
acompanha a sua realização de maneira contínua71;
- Os alunos desenvolvem as atividades e, ao final de cada etapa, apresentam o resultado para debate com o grupo, de modo que a aprendizagem também possa ocorrer pela socialização dos conhecimentos adquiridos individualmente.
Para Fernando Hernàndez, em “Organização de currículos por projetos de trabalho” (1998), a Metodologia por Projetos é uma forma de organizar a atividade de ensino e aprendizagem. Implica em considerar que tais conhecimentos não se ordenam para sua compreensão, de uma forma rígida, nem em função de algumas referências disciplinares pré- estabelecidas, ou de uma homogeneização dos alunos.
A função do projeto é favorecer a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares em relação a: 1) o tratamento da informação, e 2) a relação entre os diferentes conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que facilitem aos alunos a construção de seus conhecimentos, 3) a transformação da informação procedente dos diferentes saberes disciplinares em conhecimento próprio (HERNADÈZ, 1998, p. 61).
Para Hernàndez (ibidem), a aprendizagem por Projeto de Trabalho obedece às seguintes diretrizes:
- O objeto de estudo é um eixo interdisciplinar; - Assume uma atitude pró-ativa por parte dos alunos; - Pressupõe uma estrutura lógica e sequencial de conteúdos;
- Desencadeia uma série de ações correlatas entre professor e aluno; - Assume uma aplicação prática dos problemas abordados;
- Valoriza a memorização compreensiva por parte dos alunos; - Avalia todo o processo de aprendizagem.
Esta abordagem pode trazer os seguintes benefícios para a relação ensino- aprendizagem (HERNÀNDEZ, 1998, p.62):
71Este acompanhamento é fundamental para que o professor corrija eventuais inconsistências, durante cada etapa
do projeto, e que o aluno a corrija antes de concluí-la, permitindo que este aprenda durante a elaboração do trabalho.
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- Um sentido da aprendizagem que quer ser significativo, ou seja, que pretende conectar e partir do que os estudantes já sabem que se há de abordar;
- Assume, como princípio básico para sua articulação, a atitude favorável para o conhecimento por parte dos estudantes, sempre e quando o professorado seja capaz de conectar com seus interesses e de favorecer a aprendizagem;
- Configura, a partir da previsão, por parte dos docentes, uma estrutura lógica e sequencial dos conteúdos, numa ordem que facilite sua compreensão;
- Permite visualizar, com um evidente sentido de funcionalidade, o que se deve aprender. Para isso, torna-se fundamental a relação dos procedimentos com as diferentes alternativas para organização dos problemas abordados;
- Valoriza a memorização compreensiva de aspectos da informação, com a perspectiva de que esses aspectos constituam uma base para estabelecer novas aprendizagens e relações;
- Por último, a avaliação trata, sobretudo, de analisar o processo seguido ao longo de toda a sequência e das interrelações criadas na aprendizagem.
Para tanto, é importante se estabelecer uma relação de interação entre professor e alunos, iniciando-se com a escolha do tema, sobre o que ambos “devem questionar sobre a sua necessidade, relevância, interesse ou oportunidade [e a viabilidade] de trabalhar um ou outro determinado tema” (HERNÀNDEZ, 998, p.67)
Durante a realização dos projetos, cabe aos alunos o papel de participar da busca, síntese e análise das informações obtidas para realização dos Projetos.
Esse envolvimento dos estudantes na busca da informação tem uma série de efeitos que se relacionam com a intenção educativa dos Projetos. Em primeiro lugar, faz com que assumam como próprio o tema, e que aprendam a situar-se diante da informação, a partir de suas próprias possibilidades e recursos. Também lhes leva a envolver outras pessoas na busca de informação, o que significa considerar que não se aprende só na escola, e que o aprender é um ato comunicativo, já que necessitam de informação que os outros trazem. Mas, sobretudo, descobrem que eles também têm uma responsabilidade na sua própria aprendizagem, que não podem esperar passivamente que o professor tenha todas as respostas e lhes ofereça todas as soluções, especialmente porque, como já foi dito, o educador é um facilitador e, com frequência, um estudante a mais. (HERNÀNDEZ, 1998, p. 75)
Neste processo, a função do professor é agir como „facilitador‟, gerando um alto grau de autoconsciência e de significância nos alunos com respeito à sua própria aprendizagem, “de forma especial a partir de sua capacidade para transformar as referencias informativas em materiais de aprendizagem com intenção crítica e reflexiva” (HERNÀNDEZ, 1998, p. 76).
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Mas, se a busca das fontes de informação favorece a autonomia dos alunos, é, acima de tudo, o diálogo promovido pelo educador para tratar de estabelecer comparações, inferências e relações, que o ajuda a dar sentido à forma de ensino e de aprendizagem que se pretende com os Projetos. Nesse diálogo, é essencial superar dois preconceitos do aluno: por um lado, achar que pode aprender tudo por si mesmo e, por outro, que o professor está ali para cobrar. Superado ambos os obstáculos, ele será receptivo frente à informação apresentada pelo professorado. Para tanto, Hernàndez (ibidem) propõe a seqüência de atividades professor-aluno para realização do projeto, descrita no Quadro 8 a seguir.
POR PARTE DOS PROFESSORES POR PARTE DOS ALUNOS
1. Estabelece os objetivos educativos e de aprendizagem.
2. Estabelece a possibilidade do tema. 3. Seleciona os conceitos e procedimentos que prevê
possam ser tratados no Projeto.
4. Realiza a avaliação inicial: O que sabemos ou queremos saber sobre o tema.
5. Pré-sequencializa os possíveis conteúdos a trabalhar em função da interpretação das respostas dos alunos.
6. Realiza propostas de sequenciação e ordenação de conteúdos.
7. Busca fontes de informação; elabora um índice. 8. Compartilham propostas. Buscam um consenso organizativo.
9. Preestabelece atividades. 10. Planeja o trabalho (individual, em pequeno grupo, turma). 11. Apresenta atividades. 12. Realiza o tratamento da informação, a partir das atividades. 13. Facilita meios de reflexão, recursos, materiais,
informação pontual. Papel de facilitador.
14. Trabalho individual: ordenação, reflexão sobre a informação.
15. Favorece, recolhe e interpreta as contribuições dos alunos – avaliação.
16. Autoavaliação. 17. Contraste entre a avaliação e autoavaliação
18. Análise do processo individual de cada aluno: Que aprendeste? Como aprendeste?
19. Conhecer o próprio processo e em relação ao grupo. 20. Estabelecer uma nova sequência.
Quadro 8: Sequência de síntese da atuação do professorado e dos alunos em um currículo por projeto. Fonte: Currículos por Projeto de Trabalho (HERNÀNDEZ, 1998, p.82)
Pela compatibilidade dos propósitos e procedimentos apresentados anteriormente, com a criação de competências para realização de uma ação empreendedora, a metodologia de organização de currículos por Projetos de Trabalho será adotada para organização do Programa para Formação de Empreendedores.
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