5 Drøfting
5.3 Hvem samarbeider skolen med, og hvilken betydning har samarbeid for skolens
5.3.1 Ressurser
Expusemos no referencial teórico desta pesquisa, por meio do entendimento de autores como Dejours, Abdoucheli e Jayet (2011), que é através das organizações do trabalho que se extrai o que potencialmente desestabiliza a saúde mental dos trabalhadores por decorrerem delas pressões que podem desequilibrar o sujeito.
Assim, a hierarquia institucional, os modelos de gestão e comando, as relações de poder, questões de responsabilidade, dentre outras inerentes à organização do trabalho podem ou não viabilizar o trabalho do sujeito com interferência direta na sua subjetividade.
Nesse sentido, os professores participantes da pesquisa apontam que o trabalho na organização os desvalorizam e não aproveita os seus potenciais, pois as regras estipuladas limitam o desempenho do professor uma vez que, presas à burocracia instituída, tornam o trabalho rotineiro, estéril, pouco agradável em termos de convivência, frustrando e desagradando, a todo o momento, o sujeito, conforme os relatos abaixo:
Profª Karol, que labora no curso de Letras, em Instituições públicas e privadas,
atua em vários cursos da Instituição porque sua disciplina principal está presente nas ementas desses cursos, relata:
“[...] trabalhei com várias disciplinas, em vários cursos. Saía do trabalho da tarde às 17h e então vinha e ficava direto aqui até às 22h e 30 min., todos os dias, nesses anos todos. Eu também tive a oportunidade de ser coordenadora de curso, por duas vezes, e foi bom porque assim eu pude ver como a coisa funciona no outro plano, porque até então eu achava que as coisas eram difíceis para os professores e tudo mais, mas eu via que mesmo na relação coordenador essas coisas também aconteciam. Não eram assim tão favoráveis, primeiro porque o coordenador não tinha autonomia...”
“[...] quando fui coordenadora, encontrei um curso sem vida e tentei dar uma dinâmica ao grupo, mas eu não senti apoio, eu não me senti apoiada. Eu buscava apoio e não sentia, e muitas vezes as coisas aconteciam, mas o apoio que eu tinha era dos alunos, em todo caso era a força dos alunos, o entusiasmo dos alunos para que as coisas acontecessem como por exemplo o sarau.Tive a oportunidade de trazer aqui, umas três vezes, alguns escritores para o sarau. Então, foi assim, as coisas que aconteceram foram com a força de vontade dos alunos e meu empenho.”
“[...] a gente buscava na Coordenação Geral, buscava assim apoio pra isso e então não tinha incentivo e isso, às vezes, me deixava desmotivada e aos poucos a gente vai perdendo o entusiasmo, o que eu acho muito ruim quando a gente perde o entusiasmo porque a gente deixa de acreditar em algumas coisas.”
Diante desse depoimento, observa-se o descompromisso dos gestores para com os cursos, bem como condutas e ações diferenciadas em relação aos mesmos, o que gera não só desgaste, insatisfação e estresse, como também influencia o comportamento dos sujeitos envolvidos que, notadamente, aparenta alta competitividade, interferindo no modo de os mesmos se relacionarem.
Também o Prof. Phil demonstra vivências de sofrimento no trabalho,
relacionando-o ao modelo de gestão da empresa e à forma de relacionamento em seu interior:
“[...] Em termos de organização do trabalho, a gente vai falar estritamente da hierarquia, então a instituição, a mantenedora dela é uma família, a família não se porta como mantenedora, ela ocupa cargos dentro da Instituição e esse problema de ocupar o cargo, acaba confundindo o que é profissional e o que é parente e amigo, fica muito difícil nesse tipo de relação. Com isso, a gente não sabe se se reporta ao dono, ao parente, ao primo, ao amigo, a gente não sabe quem é que acaba mandando ou quem é que consegue atender aquilo que está sendo solicitado, só isso, dentro daquela hierarquia.”
“[...] é comum entrar professores e, principalmente, pessoal administrativo que têm algum tipo de parentesco. As aulas, às vezes, têm que ser substituídas por amizade, por parentesco, por um professor que pediu pra ser colocado lá, que não passou de forma coerente pelo processo seletivo, e isso é uma angústia muito grande pra qualquer outro professor.”
Essas afirmações denotam um quadro de estrutura organizacional hierarquizada, sem primar por regras de admissão e promoção e, principalmente, a forma de manutenção na empresa não é uma garantia para o professor que zela pela qualidade de ensino, que possua um currículo de excelência e seja produtivo cientificamente.
“[...] Isso é uma angústia muito grande para o professor porque ele precisa manter certa quantidade de horas, de disciplinas pra poder manter um salário mínimo que ele almeja manter, já que o plano de cargos e salários não existe.”
“[...] aqui o professor está empregado até seis meses, porque os outros seis meses não me garantem que eu tenha minhas disciplinas, eu tenho que estar o tempo todo cercando a coordenação, pedindo para que o meu trabalho seja visto, pra que alguém me dê uma turma e isso não te dá garantia de trabalho de forma alguma, ah! Apesar de você ter sua carteira assinada como professor, com um salário, olha o contracheque inteirinho, todo mês vem no contracheque um valor diferente, ninguém sabe por que, às vezes, as faltas, às vezes, elas são atribuídas, se deu um problema no ponto, é você que ainda tem que dar a justificativa desse problema, você ainda tem que justificar e isso acaba mexendo com os valores das suas horas.”
“[...] Então a política de pessoal é essa que eu falei, o que vale pra eles é que você esteja dentro de sala de aula e bata seu ponto, se você passar seu conteúdo de acordo com aquilo que está elaborado na ementa, no plano de ensino e esse conteúdo começa a dificultar o aprendizado dos alunos, você tem duas opções: ou você baixa o nível ou você vai sair porque os alunos vão reclamar de você e você vai ser substituído no próximo semestre.”
“[...] o conteúdo tá muito difícil, você não é um bom professor, você não trabalhou direito esse conteúdo e ninguém vai tentar te colocar numa posição correta, ou você muda o conteúdo ou muda o método, você é facilitador, mas não como professor facilitador, mas como facilitador mesmo, baixar o nível da disciplina para que o aluno possa acompanhar e você não ter problema e aí isso faz com que gere um pacto de mediocridade em sala de aula, o professor finge que dá aulas e o aluno finge que assiste, e tá todo mundo “feliz”, todo mundo tá recebendo dinheiro, mas quem gosta de dar
aulas e vive disso passa por essa situação e essa não é uma situação boa porque às vezes, o professor se frustra, desanima.”
“[...] E isso acaba gerando problemas sociais e pessoais para os professores, porque se sente desvalorizado em relação àquilo que ele trabalha. Isso, afeta, com certeza, a parte psicossocial, acaba influenciando, fora a pressão de todo semestre você ter que garantir sua carga horária pra poder ter um bom salário.”
Conforme esses relatos confirmam-se as vivências de sofrimento no trabalho em decorrência do modelo de gestão instituído que aplica pouco profissionalismo, deixando a credibilidade e a instabilidade na empresa afetarem o emocional do professor.
A carência de um plano de cargos e salários também é um ponto relevante presente nas angústias do professor, pois além de ter que ministrar uma grande carga horária para obter um salário razoável, afetando o planejamento e a produção acadêmica, lida também com a instabilidade no curso ou no semestre na empresa, o que gera um desgaste emocional constante.
Outro ponto relevante relativo à forma de gestão é a limitação imposta à formação científica do professor, pois o que parece ser realmente importante para a empresa, segundo o entendimento dos gestores, é o professor em sala de aula com o devido ponto registrado. As qualidades do ensino e da atuação acadêmica ficam em segundo plano, fazendo o professor concluir que não seja importante ministrar uma boa aula.
Diante disso, instala-se uma transformação no comportamento dos sujeitos. Na realidade apresentada, ou o professor fica apático, imobilizado, desmotivado, ou submete-se a ostentar um comportamento bajulador, que nem sempre condiz com sua personalidade, e com o modo de ver as coisas em seu entorno.
Dessa forma, o professor se sente refém dos alunos, da Instituição e adoece pela falta de autonomia, pela desvalorização da função e por outros fatores organizacionais que geram desânimo e frustração, causando um intenso sofrimento psíquico.
Isso ocorre também, segundo os relatos dos professores pesquisados, devido à diferença de salários entre os antigos e os novos docentes, pois a política da Instituição sobre regras de admissão e manutenção no emprego apresenta o perfil de trocar antigos professores remunerados à hora-aula mais cara, por outros professores que aceitam ser contratados por valor inferior. Embora essa regra não fira direitos trabalhistas, desestabiliza emocionalmente os professores.