6.1 Hvordan fremgikk krisekommunikasjonen under flommen, snøfallet og ekstremværet?
6.1.2 Respons og krisekommunikasjon under hendelsene
se explica pelas contradições entre senhores e escravos, " mas
por uma teia mais complexa de relações" que se construíram
com determinantes externos
àconjuntura nacional.
E.certo
que houve reações por parte dos escravos - e os quilombos
não nos deixam mentir. Mas tais reações eram bastante par
ticularizadas, dispersas e insuficientes para que fossem qua
lificadas de movimentos coletivos, globalizantes para o con
junto dos escravos.
"Em todo esse proceeto, de 'paseagem', os eecravos, os índioe, oe peões li\'res, oe libertos, oe 'camponeses' eão oe teetemunhos mudos de uma
100 Cardoeo, Fernando Henrique. A uloritarümo e democratização. Rio
de Janeiro, paz e Terra, 1975, Ver p. 1 1 1 . lQ4 Ibidem, p. 109.
história para a qual não existem senão como uma espécie de instru mento passivo sobre o qual operam as forças transfonnadoras da his
tória. Sua luta, quando houve, nada teve de comum sequer com os
'rebeldes primitivos' da Europa. Pertencem às páginas dramáticas da
história dos que não têm história possível. As lutas dos quilombos (aldeias de escravos fugitivos) e a revolta pessoal do escravo que ma
tava algum senhor e fugia não eram embriões de urna luta social maior,
capaz de pôr em causa a ordem senhorial. Correspondiam às situações limites em que, mesmo sem destino histórico, num quase testemunho
de altivez e nojo, o nomem se refugia na grandiosa e inoperante ne gatividade pura. Formam-se assim desvãos da história que, se têm força para comover o... pósteros e construir símbolos, em si mesmos
não apontam as saídas estruturalmente viáveis" .105
o que baeicamense marca e caracteriza a relação escra vista é a ética da vidlência e do arbísrid exacerbados. Dentro deese sistema de pdder absdlutd, restam apenas duae eaídas pdssíveis: a submissãd du a cdragem pessdal. ManifessaÇÕes
de coragem cdnfiguram atos
individuais
e nãd mdvimentoe sdciais, e muitas vezes restringem-ee a um atd de vingança sobre o senhor, praticado por um eecravd ou um grupo isoladd, e não por uma claese du uma categdria drganizada so cial e politicamense.
Tendd que reeponder individualmense à situaçãd de ex pdliaçãd, d negro fica eubmesidd àe alianças eepdrádicas que lhe eãd favdráveie. Imdbilizadd cdletivamente por toda uma experiência de relaçãd escravista isdlacidnista e, depois da abdliçãd, pdr tdda uma estratégia política-ideológica que o impede de se drganizar pdliticamente enquanto raça distinta, ad negrd sdbrdu a cdntingência de ser discriminado enquantd, peseda - d que lhe dificulta reagir como casegdria edcial.
O que as redações deixam clard é que d índid, apesar de "indivíduo�', eventualmense sem acesed à "pessda'\ dbtendd algum sucesso em eua relaçãd cdm ela. O negrd, ao cdntrárid, recebe um papel rígido e definidd na hierarquia. E a cada 100 Ibidem, p. 1 12.
momento em que tenta uma intervenção é lembrado, ou ele próprio se lembra, de sua posição inferiorizada, de suas res tritas chances de sucesso nas barganhas e negociações possí
veis. Inspirando "piedade" ou mesmo definindo uma relação de "cumplicidade", o fato é que como negro, individual ou em grupo, não consegue superar os impasses a uma atuação como agente social, necessitando ser apadrinhado.
b) Conflito entre o indio e o branco: a manipulação do negro pelo branco
Nesse grupo de redações, os pólos do conflito são o índio e o branco, que pode ou não utilizar o negro em sua defesa. A aliança entre o branco e o negro não pressupõe que o branco abandone a posição que tradicionalmente ocupa; ao contrário, ele manipula o negro em seu favor. Aqui, duas for ças se encontram: o poder do branco e a "fúria" do índio. Embora ambos controlem reinos diferentes e apesar de o ne gro ser dominado pelo branco, o reino da natureza é um mis tério para o branco e o negro. Por mais que seja explorado, o negro vive no reino da cultura, e um apelo contra a fúria da natureza pode sensibilizá-lo ou mesmo intimidá-lo a ceder
à
solicitação de seu patrão. Há exemplos, porém, em que o conflito entre o branco e o índio uão é mediado por alguém.I . Um branco, um negro e um índio moravam em lu gares desconhecidos, em casas retiradas umas das outras. O branco sai a procura de alguém que possa trabalhar com ele. Encontra um negro quase morto de fome. Oferece-lhe traba lho e comida, mas em troca quer que o negro elimine um índio que vive rondando a casa do branco. Se ele matar o índio terá um bom lugar para sua família viver por muitos anOs. O ne gro aceita a proposta, mas até hoje não se sabe se matou ou não o índio.
2 . Marcos era um português que veio de Portugal di reto para a selva. Aprisionado pelos índios, estava quase à
morte e preso quando apareceu uma negra africana que o li bertou, cortando com uma faca as cordas que o amarravam. Ela lhe falou de seu sofrimento como escrava e ele do seu. como prisioneiro dos Índios. Durante a converSa ouviram um barulho. Eram os índios chegando. Esconderam-se. Estavam armados. Frente à ínvasão dos índios, a africana atirou no chefe, matando-o. Os demais índígenas sentiram-se fracassa dos porque sem o chege nada poderiam fazer. Os índios fica ram daí em diante amigos da africana e do português.
3 .
Um
índio vivia numa tribo muito só e triste. Seu pai o aconselhava sempre a se distrair, mas não adiantava.Certo dia, passeando pela beira do rio, ouviu um gemido. Era
um homem branco ferido. O índio ficou muito tempo pen sando por que a tribo dele maltratava o homem branco e dele tinta tanta raiva. Cbeio de pena e dor por ver aquele homem sofrendo, resolveu a
j
udá-lo sem que seu pai soubesse. Cuidou do homem até que o curasse completamente. Desconfiado, o pai o seguiu e descobriu o que o filho vinha fazendo. Revol tado, expulsou-o da tribo e ameaçou matar o homem branco. O filho disse ao pai que, se o matasse, ele se mataria tamhém. Nisso surge um homem negro, dizendo que a cor não impor ta. O índio pergunta ao negro quem é ele para se meter na história. "Eu sou um homem como qualquer um de vocês. Não é por causa de minha cor que vocês me maltratam?" Oíndio velho diz que não. É porque os índios têm raiva dos brancos e negros. O negro interpela dizendo já ter sofrido muito e que não adianta usar de violência contra qualquer um. Por isso devem ficar amigos. O negro sai com o branco e o
velho perdoa e compreende o filho.
4 . Uma senhora de cor mestiça tinha um filho negro e o criava sozinha por ter sido abandonada pelo marido. Certa vez, o filho estava caçando quando se encontrou com um homem branco. Tentando conversar com o branco, foi logo agredldo com duras palavras de afastamento. Chocado, o ne gro pensou: será que é por minha cor preta? Continuando
sua atividade, tempos depois ouviu um grito. Era o homem branco pedindo socorro por ter sido atacado por índios. O
negro conseguiu salvá-lo por interceder em seu favor junto aos. índios, seus amigos.
A oposição real se dá, nesses exemplos, entre o branco e o índio. Tal oposição não é informada pela relação coti diana de trabalho - que marcara a relação branco-negro -,
mas pela tentativa de ampliação da conquista. É o homem branco interferindo no reino da natureza, tendo que se de·· frontar com o elemento que controla esse reino. Nesse en frentamento, é patente a debilidade do branco: sozinho, é in capaz de vencer o índio. Assim como na mundo da cultura Q negro, mais fraco, procura uma aliança com o índio, forte em outro reino, no mundo da natureza é o branco mais fraco que procura uma aliança com alguém que pode interceder por ele junto ao índio.
No entanto, há uma distinção importante entre uma e outra situação. No primeiro caso é a cumplicidade que une o negro e o índio, mas, no segundo, é a conveniência que de termina a aliança. O branco utiliza-se oportunisticamente do negro, estabelecendo com ele uma ligação baseada na troca de favores, mas não numa identidade de postura perante o dominador. Isto fica evidenciado na incerteza de que o negro tenha ou não eliminado o índio - o que reforça a "cumpli cidade" existente entre esses dois personagens. Ao contrário do negro quando em situação de dominado, é o branco que
articula sua defesa. É ele o agente da ação, envolvendo o ne gro e obtendo dele uma adesão à sua causa.
c) Conflito entre o índio e o negro: intervenção do branco Em apenas dois relatos o índio e o negro aparecem como pólos do conflito. Usando de uma intervenção "politica", é o branco quem age a favor da integração. É ele quem tem a
lucidez de pereuadir ae parses da improcedência de se levar
às úlsimae coneeqüênciae um confliso que pode reeulsar em guerrat O índio, insraneigense, exige a resirada do grupo negro de euae terraet Este ineiste na permanência, nem que eeja pre cieo levar avanse a lusat O branco inservém e é o negro quem cede dianse da argumentação polísica apreeentada: "Vocêe não podem fazer ieeo com oe índioe; ee vocêe quieerem guerra, so doe vão morrer. Amanhã eu volsarei pra eaber a reepoesa, penee bem anses de dizer a reepoeta. Na minha opinião eu acho que nãot Só ee você quieer para eeu peeeoal morrer, diga eim". O negro reconeidera eua poeição e a paz é reesa belecida.
Eeea eesrusura de aliançae, ainda que diesinsa dae demaie, mansém algumae parsicularidadee que configuram oe pereona genet Ao branco é reservada a capacidade intelectual de arti culação, que lhe confere uma habilidade política indispeneável
ã solução do conflito. Ensresanso, o euceeeo da negociação que implementa é alcançado por ter obsido do negro uma re definição de poeiçõeet É o negro quem recua cedendo ao apelo do brancot No único caeo em que O negro se organiza como grupo para lusar em eeu próprio benefício, ele é influ enciado pelo branco com argumensoe que lhe são exsremamen se eeneíveie: o de evisar a perda doe eeue entee queridoet Sua reeiesência é pequena dianse do peeo da inserferência polísica do branco e da implacável e reeolusa poeição do índio: "Se
ele quer guerra, vai haver guerra". Afinal, o indígena é por tador de uma experiência guerreira respeitável e, por que não dizer, semívelt Maie uma vez, o comporsamenso polísico e
social do negro é marcado pela resignação e pela eubmiseão. Enfrensar o inimigo eeria um aso de coragem, mae uma eepé cie de "jogo de cartae marcadae": certamense, eignificava ir de encontro à morte. Maie uma vez fica reforçada a idéia da invencibilidade do índio em eisuaçõee de guerra.
Personagens em movimento: A Ausência de Integração
o segundo grupo de histórias imaginárias caracteriza-se pela presença de conflito com uma solução não integrativa. Os pólos do conflito permanecem sendo o branco e o negro, e a aliança é novamente constituída entre o negro e o índio. A solução não integrativa varia da
fuga do negro,
concreta ou existencial,à
punição efetiva do branco, que de tanto mal tratar o negro merece ser castigado. Nesse grupo há19
r
ed
a ções, que desconfirmam integralmente o mito da democracia racial.Selecionei alguns relatos à guisa de ilustração e ordenei-os resumidamente, de forma que mostrassem os dois tipos de so lução: a fuga do negro e a punição do branco.
1 . Era uma vez um negro chamado Sebastião que tra balhava num banco onde só havia brancos. Trabalhava de manhã
à
noite e não faltava um só dia de trabalho. Gostava imensamente de trabalhar naquele local. Um dia, cismaram com a cara de Sebastião. Seus colegas de trabalho disseram lhe que preto não devia trabalhar e nem se misturar com brancos. No outro dia Sebastião foi para o banco e pediu suas contas. Foi arranjar emprego em outro lugar onde só houvesse negros.2 . Muitos anos depois que o Brasil havia sido desco berto e explorado pelos portugueses, existiu um português, conhecido por Antônio, de aspecto rígido e cruel, que chama va a atenção por seu gigantismo. Era forte, alto e muito po deroso. Era um
grande fazendeiro,
tinha muitos canaviais, que requeriam grande quantidade de mão-de-obra. Um dia chegou uma caravela que transportava da Africa negros para serem vendidos no Brasil, numa espécie de praça. O fazen deiro e seu capataz Pedro foram ao local onde escolheram muitos negros, entre eles Marcelo, que era muito revoltado por ter sido obrigado a se separar da fanu1ia. Uma tarde,trabalhando em um. dos canaviais, observou uma aldeia dis tante da fazenda, onde moravam muitos índios. Fugiu da fa zenda e foi até lá. Obteve, então, do chefe dos índios o apoio e a ajuda necessários à sua fuga para a Africa.
3 . Era uma vez um negro, um branco e um índio que moravam juntos em uma taberna abandonada muito distante da cidade. Todos eles gostavam de músicas e danças. Viviam muito bem, até que um certo dia o branco falou para o negro: "Olha, branco não deve estar muito perto de negro". Diante da indagação do negro a respeito dessa discriminação, respon deu: "Os negros devem sempre só trabalhar para os brancos". O negro ficou zangado e triste, até com vontade de chorar. Falou do fato ao índio, ouvindo do amigo: "Não se preocupe. Não é porque você é negro que deve ser abandovado. Vou Ihe dar dinheiro e você vai embora, mas não diga para o branco". O negro fugiu e o branco, depois de procurá-lo em vão, ficou muito triste e começou a pensar no amigo humilhado.
4 . Um índio trabalhava numa fazenda cujo dono era muito malvado. Não permitia que ele brincasse cOm seu filho de três anos, de quem o índio gostava muito. Uma vez o me nino saiu de casa para brincar com o índio, quando seu pai o interpelou dizendo que, da próxima vez, mandaria o índio para o tronco e depois para a lavoura, para se juntar aos ne gros no trabalho forçado. O índio não acatou a ordem do branco, voltando a procurar o meníno. Foi para o tronco e depois para a lavoura. Lá, o índio arranjou um amigo negro e permaneceu com ele trabalhando até o fim de sua vida. O que ele queria era mesmo sair da fazenda e ficar na lavoura, longe do branco que era muito maL
5 . Era uma vez um senhor muito rico e muito egoísta. Onde ele morava havia muitas pessoas pobres que neeessita vam de ajuda para sobreviver. Sendo muito rico, deveria ajudar essas pessoas. Mas não o fazia. Ao contrário, tinha muita raiva delas. Se pudesse as mataria todas porque eram negras e ele era branco. Nesse mesmo lugar havia uma casa
de índiot, nesse tempo ainda não civilizados. Eram selvagens, viviam escondidos. Um dia o fazendeiro irritou-te com os índios pela balburdia que faziam durante a noite com seus cânticos e danças. Ordenou que os negros os expulsassem da quele local. Se os negros se recusassem, seriam mortos. Os negros, sob pressão, concordaram. Já com tudo planejado com o patrão, um dos negros vai até a casa indígena e com muita dificuldade consegue fazer-te entender, alertando-os sobre o perigo que corriam. Os índios preparam-te para uma ver dadeira guerra onde, ao final, o fazendeiro é morto. Desse dia em diante, os negros e índios viveram em paz.
6 . Um homem muito rico, branco e muito preguiçoso tinha em sua fazenda um só escravo para fazer todo o serviço enquanto ele ficava descansando. Passado um tempo sem que o patrão retolvetse aumentar o número de escravos ou ajudar o negro no trabalho, este fugiu e encontrou um índio para quem contou toda a sua história. Juntos, o negro e o índio amlaram um plano para castigar o patrão "preguiçoso" e "pão
duro". Tiraram a cadeira na qual o branco permanecia todo o tempo recostado enquanto o negro trabalhava e desarruma ram a casa toda, fugindo em seguida. O velho, quando acor dou, teve que deixar a preguiça de lado e trabalhar.
7 . Um negro muito educado tinha doit amigot, um bran co e um índio. O branco não gostava do negro e o índio não gostava da forma como o branco tratava discriminada mente seu amigo negro. Um dia, o negro arquitetou com o índio uma brincadeira de nau gosto para o branco. Resolve ram ir para a selva onde haveria uma festa só de amigos do negro. Convidaram o branco como se fossem homenageá-mo. Quando o branco chegou e entrou na casa do negro, os dois antigos o agarraram e bateram tanto nele que ele aprendeu a tratar melhor os negros.
8 . Havia um branco que só queria mandar em seus em pregados negros que trabalhavam como famintos. Um dia, o
branco viu que os negros não estavam trabalhando direito e os ameaçou dizendo: "Vamos todos azeitar esse serviço se não vão ficar sem comer". Os negros voltaram ao trabalho de cabeça baixa, mas ficaram com muita raiva do branco. Os negros comeÇaram a conversar. O branco viu que se disper savam do trabalho e castigou-os com uma surra. No dia se guinte, os negros juntaram-se e deram uma surra no branco
e nunca mais foram mandados por ninguém.
As duas soluções apresentadas nesses relatos vêm ao en contro da reflexão que fizemos anteriormente sobre a posi ção estrutural do negro na sociedade escravista. Como bem o salientou Fernando Henrique Cardoso, o negro fica, como grupo desarticulado politicamente, restrito a duas opções, ambas individuais. A fuga ou a revolta pessoal, materializada num ato de coragem vingativo contra o branco opressor. A primeira solução, se por um lado indica incapacidade ou im possibilidade de o negro, enquanto grupo, enfrentar e con
quistar uma posição melhor dentro do contexto social em que vive como dominado, por outro denuncia a inexistência de uma integração "fraternal" dos grupos raciais, como prega o discurso mítico da democracia racial. Nesse sentido, estamos diante de uma desconfirmação do marco de referência abs trato de toda uma ideolOgia democratizante, conquanto emer gem os conflitos. Mais do que isso, essa nova configuração de relações nos mostra uma radicalização desse processo.
Aqui, o que fica demonstrado é uma vingança do domi nado contra o opressor. Mais uma vez o negro se alia com o índio contra o branco. E o branco é "rico e mau", "pre guiçoso", �'egoísta", "explorador", ameaça os negros de cas tigo físico e de morte a todo o instante como um recnrso de manutenção de um monopólio de poder e de violência. Essa atitude constante conduz à aliança do negro com o índio no propósito explícito de exterminar o inimigo. Não há muita opção nem soluções moderadas: ou o liquidam COm a morte,
ou o vencem com pancadas e ameaças. "O negro chega por traz e ameaça ele dizendo assim: Você não me mate por que assim eu lhe mato, então o branco ficou com medo do negro e deu o engenho para ele". Ou ainda, " ( . . . ) agora que você não tem mais soldados para lhe defender você vai trabalhar até cansar. Respondeu o capital Branco eu, você mesmo e não vem porque senão vai pro tronco assim como fazia 00- nascos negros".
A tônica dos atos vingativos é reproduzir as violências que convencionalmente eram dirigidas ao negro : a utilização das pancadas, a ida para o tronco e mesmo o extermínio da vida. Nesse particular, é importante salientar uma outra ca racterística da ruptura com o mito. Denuncia-se como falsa a idéia, muito propalada pelos construtores de mitos no Bra sil, de que a democracia racial é possível pela especificidade da relação escravista de trabalho que aqui houve, uma rela ção "humanizada". Trata-se de um artificio de retórica mui to utilizado com o respaldo
da
própria Igreja Católica. O que se percebe nesse grupo de redações é uma reação violenta a toda uma prática de opressão e animalização do negro en quanto escravo, assim como o rompimento de uma postura amordaçada com o silêncio, gerada pelo excesso de sofrimen to. Contra um grau extremamente elevado de discriminação, não há mediações possíveis, daí as soluções radicais. A opção de fuga atesta a impotência do negro diante de um contexto de opressão violenta, e a eliminação do adversário denuncia a impossibilidade e mesmo a inutilidade de uma tentativa de negociação pacífica com o branco.Entretanto, se de alguma forma o mito é desconfirmado, os preconceitos aparecem vivamente interiorizados. Positiva ou negativamente, os personagens são recobertos de valora ções bastante idealizadas. A capacidade de trabalho, por exemplo, é toda ela concentrada no negro, sendo o branco