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6.4.6 Reservasjonsretten
O estudo da mecânica da fratura dos materiais vem sendo realizado desde a década de 40. Vários pesquisadores têm desenvolvido estudos envolvendo a falha mecânica por ruptura frágil de materiais dúcteis. Irwin, no ano de 1948, introduziu o conceito de energia liberada e, Orowan, em 1952, realizou grande contribuição no desenvolvimento teórico da mecânica da fratura. A mecânica da fratura estuda, além da mecânica das trincas (ou fissuras), outros tipos de falhas estruturais como, por exemplo, a perda da integridade estrutural sem aparecimento das micro-trincas, a perda de estabilidade e a deformação inadmissível.
Os dois principais mecanismos de fratura são chamados fratura por cisalhamento e fratura flexível, sendo este último quando a fratura ocorre na tração e na compressão. Quando uma fissura devido a fadiga do material se desenvolve a um certo tamanho, a fratura final tomará lugar por fratura de cisalhamento e/ou por fratura flexível. Como uma fratura por cisalhamento é, geralmente, associada a materiais com pouca deformação plástica, ela é, também, chamada de fratura frágil. Além disso, o termo fratura frágil é generalizado para todas as fraturas com pouca deformação plástica (Broek, 1988).
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Os dois ramos principais da mecânica da fratura são a Mecânica da Fratura Linear Elástica (MFLE) e a Mecânica da Fratura Elastoplástica (MFEP). As argamassas colantes industrializadas que compõem o sistema de revestimento cerâmico, objeto de estudo deste trabalho, são consideradas materiais frágeis, nos quais podem ocorrer fraturas sem extensa deformação plástica anterior, podendo ser, portanto, um material que pode ser estudado por meio da MFLE.
A. A. Griffith deduziu, em 1920, as equações que determinam a fratura de sólidos com trincas presentes a partir da observação em um experimento de que quando uma trinca é inserida em uma placa de material elástico tensionada, deve haver um equilíbrio entre o decréscimo na energia potencial e o aumento na energia de superfície resultante da presença de uma trinca. Com isso, uma trinca presente cresce a partir do fornecimento de energia de superfície adicional necessária pelo sistema. Essa energia de superfície decorre do não equilíbrio dos átomos vizinhos mais próximos da superfície de um sólido. O primeiro modelo de fratura de um sólido com trinca foi criado pelo engenheiro Inglis. Griffith utilizou a análise de tensões de Inglis, considerando um corpo de prova de dimensões infinitas contendo um furo elíptico sob carga de tração, como apresentado na Figura 3.15, para deduzir as Equações 3.9 e 3.10 de tensão plana e deformação plana, respectivamente.
Figura 3.15 - Um corpo de prova com um furo elíptico sob carga de tração. (Griffith, 1920)
𝜎 = √2𝐸𝛾𝑠
𝜋𝑎 (3.9)
𝜎 = √ 2𝐸𝛾𝑠
𝜋𝑎(1 − 𝜈2) (3.10)
49 Onde:
Е = módulo de elasticidade (Pa)
𝛾𝑠= energia superficial específica (Pa.m) 𝑎= metade do comprimento da trinca (m) 𝜈= coeficiente de Poisson
A Equação 3.11 fornece a tensão plana necessária para propagar uma trinca em um material frágil em função do tamanho da trinca (2𝑎). Como a tensão plana é inversamente proporcional à raiz quadrada do comprimento da trinca, um aumento de quatro vezes no comprimento da trinca irá corresponder a uma redução pela metade na tensão de fratura. Admitindo-se um estado de deformações e espessuras grandes do material em comparação com o comprimento da trinca, temos a Equação 3.11 para a deformação plana.
Entretanto, a teoria de Griffith não leva em conta a deformação plástica sofrida pelo material. Posteriormente, Irwin introduziu o termo relacionado à energia de deformação plástica deduzida na Equação 3.11.
𝜎 = √𝐸ϛ
𝜋𝑎 (3.11)
Onde ϛ é a força de extensão da trinca ou taxa de dissipação de energia de deformação elástica, uma propriedade do material possível de ser obtida em laboratório a qual indica que para um valor crítico (ϛ𝑐) a trinca se propagará rapidamente. E para uma placa finita de
largura (𝑤) com uma trinca central de comprimento (2𝑎), a força de extensão da trinca (ϛ) para carregamento em condições de tração é dada pela Equação 3.12.
ϛ =𝜎
2. 𝑤
𝐸 (1 − 𝜐
2). 𝑡𝑔 (𝜋. 𝑎
𝑤 ) (3.12)
Dessas equações, pode-se observar que a resistência à fratura diminui com o aumento do comprimento da trinca do material.
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Portanto, considerando as solicitações de cargas atuando no campo de tensões em uma trinca, serão induzidos três modos básicos de movimentação da trinca correlacionados a um tipo básico de solicitação de carga, conforme apresentados na Figura 3.15. Apesar da premissa de Griffith de que a distribuição de tensão é uniforme pelo corpo do material, exceto nas partes abaixo e acima da trinca que estão livres de tensão, verificou-se que a distribuição real de tensões é não uniforme. Isso porque, a trinca é um forte concentrador de tensão e depende de três fatores: do comprimento da trinca, da geometria do material e do modo de carregamento da tensão, conforme mostrado na Figura 3.16. Além disso, somente a área, imediatamente abaixo e acima da trinca pode ser considerada livre de tensão, pois a carga externa está distribuída uniformemente ao longo de todo o contorno inferior e superior do material, e todo material próximo deste contorno está também carregado.
Modo I - Abertura Modo II - Deslizamento Modo III - Rasgamento Figura 3.16 - Modos de carregamento básico de uma trinca.
Os modos geométricos de fratura em um estado plano de tensão podem ser apresentados como uma superposição linear de três estados independentes representados pelos Modos I, II e III conforme Figura 3.16. O modo geométrico Modo I representa uma trinca de tração normal e ocorre quando as faces da trinca são separadas. O Modo II representa uma trinca de cisalhamento no plano e ocorre quando há o deslocamento das superfícies da trinca paralelamente a si mesma e, perpendicularmente, à propagação da trinca. Por fim, o Modo III representa uma trinca de cisalhamento fora do plano – rasgamento e ocorre quando as superfícies da trinca se movem paralelamente em relação à aresta de propagação e relativamente umas às outras. O estudo desses casos tem importância prática, principalmente, o Modo I que é mais encontrado em elementos estruturais e caracterizado pelos menores valores críticos de carga (Pastoukhov e Voorwald, 1995).
I F F z y x F F z y x F F
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Dessa forma, pode-se tratar qualquer trinca assumindo o deslocamento em uma trinca como sendo uma combinação dos três modos, apresentados na Figura 3.16, de forma semelhante a um campo de tensões. E para efeito de dimensionamento, o Modo I é considerado o mais importante, pois atende ao modo de fratura da maioria das peças trincadas, apresentando também maior desenvolvimento em termos de metodologias analíticas e experimentais.
Na Figura 3.17, Griffith propõe um modelo para a determinação da abertura de trinca numa região interna de um material. Nesse modelo foi considerada uma trinca com comprimento
a
2 no meio do material submetido a tensões uniformemente distribuídas, , normal ao plano e, todo o material abaixo e acima da trinca está livre de tensão.
Figura 3.17 - Abertura de trinca sob tensão uniforme normal ao plano. (Griffith, 1920)
Anderson (1995) apresenta o campo de tensões atuantes no ponto da abertura de uma trinca em um material elástico submetido a uma tensão uniforme, conforme mostrado na Figura 3.18. 2a Ө σ σ x y dx dy σx σy τxy r
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Figura 3.18- Abertura de trinca sob tensão uniforme e coordenadas na frente da trinca. (Anderson, 1995)
Dessa forma, o campo de tensões para o modo geométrico tipo Modo I em estado plano é dado pelas Equações 3.13, 3.14 e 3.15.
σx = σ√ 𝑎 2rcos θ 2[1 − sin θ 2sin 3θ 2] (3.13) σy = σ√𝑎 2rcos θ 2[1 + sin θ 2sin 3θ 2] (3.14) τxy = σ√𝑎 2rsin θ 2cos θ 2cos 3θ 2 (3.15)
Entre os modelos que visam explicar a propagação das trincas por fadiga destaca-se o trabalho de Paris (1960) que determinou, experimentalmente, ser a variação do fator de intensidade de tensões (∆σ) e não a tensão propriamente dita, que controla a propagação das trincas.