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5. PRESENTASJON OG DRØFTING AV DATAMATERIALET

5.1 P RESENTASJON AV SKOLENE

Dois meses após a aprovação do Loteamento Tambaú, a prefeitura de João Pessoa aprovou, em maio de 1938, o extenso Loteamento Santa Júlia – Macacos, que par- celava duas glebas, quase adjacentes, pertencentes a Júlia Freire. Um mês antes, ela havia aprovado o também extenso Loteamento Veado–Sobradinho, aqui comentado na Secção 2.3.

A criação desses três grandes loteamentos – que juntos cobriam uma área de quase 300 hectares – no curto intervalo de dois meses pode estar relacionada com a publi- cação, alguns meses antes, do Decreto-Lei nº 58,de 10-12-1937, que disciplinava o parcelamento do solo no Brasil.

As duas glebas tinham juntas aproximadamente 120 hectares e estavam separadas por uma longa e estreita faixa de terra com a largura constante de uns 120 metros. A área planejada no projeto do loteamento delas era um pouco maior, totalizando cerca de 150 hectares (Fig. 63), porque incluía essa faixa e algumas áreas adjacentes aos muito irregulares contornos oeste e sul das glebas. A maior destas confinava com o arruamento Veado–Sobradinho e as duas, com a expansão que entre 1923 e 1930 foi criada a leste da ampliação de Guedes Pereira (perímetro verde na Fig. 49). A menor era tangenciada ao sul pela estrada do Macaco.

Figura 63: Localização da área planejada no Loteamento Santa Júlia – Macacos

(área envolvida pelo perímetro vermelho), na versão – elaborada por Alberto Sousa – da planta da cidade de 1930. Fonte: Sousa & Vidal, 2010.

A largura e o comprimento médios da área planejada eram aproximadamente 1.100 e 1.400 metros, respectivamente.

A maior parte da área localizava-se no platô situado a leste da lagoa, era quase plana e tinha altitude média de 40 metros. Contudo, uma pequena porção da área estendia- se da borda do platô à várzea do rio Jaguaribe, incluindo encostas bastante inclinadas e locais de cotas baixas (em torno de 10 metros).

Desconhece-se o nome do projetista do Loteamento Santa Júlia – Macacos.

Na hora de traçar este, ele procurou seguir, até onde lhe pareceu conveniente, o plano que Nestor de Figueiredo propusera seis anos antes para a mesma área (Fig. 64).

Figura 64: Traçado proposto por Nestor de Figueiredo em 1932 (dentro do perímetro

magenta, desenhado por esta autora) para a área planejada no projeto do Loteamento Santa Júlia – Macacos. Fonte: Acervo do arquiteto Paulo Pelegrino.

Desse plano ele aproveitou o setor semicircular e a quadrícula ortogonal localizada a oeste dele, suprimindo as praças existentes em ambos. Entretanto, substituiu a qua- drícula mondriânica por uma ortogonal convencional e um tecido irregular que articu- lava esta com o referido setor. Ademais ele arruou e loteou os terrenos situados nas encostas do platô e na várzea do rio, o que Figueiredo acertadamente não fizera. Desta forma, o seu traçado (Fig. 65) ficou composto de quatro elementos: duas qua- drículas ortogonais convencionais, um setor semicircular e um tecido irregular.

Para adequar à topografia o setor semicircular proposto por Figueiredo, ele deslocou-o cerca de 60 metros na direção oeste. Tal foi necessário para evitar que as quadras mais orientais do setor fossem implantadas numa íngreme encosta. Com isso, a quadrícula situada a oeste do setor ficou mais estreita que a de Figueiredo. Além disso, ao setor por este projetado ele acrescentou várias ruas radiais.

Para traçar a trama ortogonal convencional que substituiu a quadrícula mondriânica, ele prolongou três avenidas do arruamento Veado–Sobradinho, a Maranhão, a Piauí e a Ceará, as quais ele estranhamente não desenhou no seu projeto (elas estão representadas na Fig. 65 por traços grossos amarelos, acrescentados por esta autora). Depois completou a quadrícula com ruas paralelas e perpendiculares a elas.

Figura 65: Cópia do projeto do Loteamento Santa Júlia – Macacos, com acréscimos desta autora

(traços amarelos). Fonte: Arquivo da PMJP.

Já o mencionado tecido irregular resultou da criação de ruas destinadas a interligar vias da última quadrícula com as do setor semicircular.

As ruas tinham 15 ou 18 metros de largura e havia uma avenida central com 30 metros de largura, que vinha da cidade existente e terminava no centro do setor semicircular. O arruamento adotado gerou quadras de diferentes formas, tamanhos, proporções e orientações. Em geral as quadras eram um tanto largas e não tinham grande compri- mento: a grande maioria delas tinha largura igual ou superior a 90 metros e compri- mento inferior a 150 metros.

As quadras foram subdivididas em lotes do mais variados tamanhos, dispostos em múltiplas posições, mas algumas não foram parceladas. A faixa de terra adjacente ao rio foi dividida em grupos de lotes profundos, destinados a granjas, e nenhuma via foi interposta entre eles e o rio.

Nenhuma praça foi deixada no projeto, como acontecera no Loteamento Tambaú e como aconteceria em seguida no Loteamento Veado-Sobradinho. A repetição desse fato nessas três grandes expansões da primeira metade de 1938 mostra o atraso da

legislação urbanística local em relação à cidade de São Paulo, que nessa época já exigia que nos planos de arruamento fosse reservado cinco ou sete por cento da área arruada para áreas verdes (Lei Municipal nº 3.427, de 19-11-1929, Art. 733).

O projeto em foco tinha duas importantes qualidades: (a) a variedade nele presente, atributo tão apreciado por Camillo Sitte, e (b) a perfeita integração do seu traçado com os tecidos existentes adjacentes, o que foi conseguido através da criação de várias ruas que davam continuidade a vias destes (como o mostra a Fig. 66) e da adoção do modelo do traçado deles na maior parte das áreas que lhes eram contíguas. Outra qualidades do traçado era seu potencial de gerar perspectivas agradáveis possibi- litadas por suas ruas curvas e sua avenida central terminando numa quadra edificada, onde poderia surgir um prédio marcante fechando as perspectivas.

Figura 66: Indicação na planta da cidade de 1953 das ruas existentes no entorno do Loteamento

Santa Júlia – Macacos na época da criação deste. Tais ruas estão realçadas com linhas amarelas, acrescentadas pela autora desta dissertação. Fonte: PMJP.

Por outro lado, prejudicavam o projeto os defeitos principais apontados em seguida. Ele continha um número muito grande de cruzamentos viários. A maior parte das quadras não estavam posicionadas na melhor orientação, tal implicando a existência de numerosos lotes com frente para o poente. Havia um predomínio de quadras e lotes muito profundos, o que levaria a um remanejamento deles. E não foi deixada nenhuma praça no loteamento. Um inconveniente, menos grave, do traçado é o desnorteamento que causam nos transeuntes algumas ruas do setor semicircular.

Durante sua implantação, o plano de arruamento das duas glebas sofreu várias modificações pontuais que não alteraram sua estrutura básica, tais como: (a) a aber- tura de algumas ruas curtas, para dividir quadras; (b) o fechamento de trechos de vias, para amalgamar quadras, e (c) o remanejamento de pares de quadras para que elas ganhassem uma melhor orientação e ficassem menos profundas.

Ademais, o proprietário da faixa de terra compreendida entre as duas glebas do loteamento não seguiu o traçado proposto para ela pelo projeto deste quando foi loteá- la vários anos depois. Ele passou uma extensa rua na divisa norte de sua propriedade e outra no meio desta, paralela à primeira, criando, dessa maneira, duas longas quadras que interromperam duas das ruas curvas do setor semicircular e eliminaram trechos de duas vias radiais. Assim procedendo, ele mutilou o interessante traçado desse setor.

O Loteamento Santa Júlia – Macacos gerou boa parte do bairro da Torre, o bairro dos Expedicionários e uma pequena porção do bairro de Tambauzinho.