• No results found

5. PRESENTASJON OG DRØFTING AV DATAMATERIALET

5.2 D RØFTING AV DATAMATERIALET

5.2.1 Mobbing

Os três extensos parcelamentos de 1938, atrás comentados, geraram tantos lotes que não houve necessidade de criar novos grandes loteamentos nos anos seguintes. Exemplares destes só voltariam a ser criados na década de 1950.

Em 1952, o governo estadual, através do Banco do Estado da Paraíba, loteou um terreno de sua propriedade, com cerca de 65 hectares, lindeiro à Avenida Epitácio Pessoa e contíguo a algumas quadras do Loteamento Santa Júlia – Macacos. Nesse terreno, que lhe pertencia desde os anos 1920, estivera instalado o campo de aviação da cidade, implantado pelo presidente João Pessoa na sua curta gestão (1928-30). Esse aeródromo ocupava inicialmente uma área retangular, com quase 1.000 metros de comprimento e pouco menos de 60 hectares, que foi representada na planta da cidade de 1930, de Alfredo Cihar (Fig. 67). Em 1941, o interventor estadual Ruy Carneiro ampliou essa área na direção oeste (A UNIÃO, 29-06-1941) .

Tendo assumido o governo do estado em 1951, José Américo de Almeida decidiu fechar esse obsoleto campo de aviação e vender a maior parte do seu terreno na forma de lotes urbanos, para obter recursos que viabilizassem a execução de obras de sua administração (um trecho do terreno, situado junto ao seu canto noroeste, não se prestava à urbanização, em razão se sua topografia acidentada, e por isso não foi loteado). Boa parte da receita arrecadada com tal operação foi gasta na pavimentação da Avenida Epitácio Pessoa (A UNIÃO, 27-11-1954), concluída em fins de 1952. Foi assim que se originou o loteamento Jardim Tambauzinho.

Figura 67: Localização do campo de aviação na planta da cidade de 1930. Fonte: IHGP.

O terreno onde o empreendimento foi implantada estava bem localizado. Ele confinava a oeste com o Loteamento Santa Júlia – Macacos e a leste com o recém-criado Jardim Miramar, conjunto habitacional de extensão média construído pela Caixa Econômica Federal – e estendia-se por quase 1.300 metros na margem de uma extensa avenida pavimentada, com 30 metros de largura, fadada a tornar-se a mais importante da cidade. Seus contornos eram irregulares e sua largura máxima era pouco inferior a 600 metros (Fig. 68). Uma porção majoritária dele, adjacente a tal via, era quase plana e tinha a altitude média de uns 42 metros. Perto dos seus limites sul e leste o terreno se inclinava, mas moderadamente.

Figura 68: Localização, em versão modificada da planta da cidade de 1953, do terreno

onde foi implantado o Loteamento Jardim Tambauzinho (área cercada pelo perímetro vermelho, desenhado por esta autora). Fonte: PMJP.

Era desejável que o arruamento desse terreno se articulasse com os adjacentes loteamentos Santa Júlia – Macacos e Jardim Miramar. Este tinha um traçado irregular planejado, que se inseria na categoria do planned picturesque, de Kostof (2006). Esta pesquisa não descobriu o nome do projetista do Loteamento Jardim Tambau- zinho. Mas pelo seu projeto se vê que ele devia ser um profissional bem preparado. Ele sabia que para um bairro de classe média em João Pessoa a quadra mais adequada era aquela com largura em torno de 60 metros e comprimento em torno de 200 metros, orientada de modo que seus lados maiores olhassem para o sul e para o norte. Essa largura evitava lotes de profundidade excessiva e aumentava o número de lotes no loteamento, em comparação com as quadras de largura de 90 ou 100 metros de parcelamentos precedentes. Já em 1811, o plano de expansão de Nova Iorque adotara quadras com largura dessa ordem e comprimento ainda maior que 200 metros, como se viu no Capítulo 1. Por outro lado, quarteirões com um comprimento substancial diminuíam a quantidade de ruas na expansão, o que era vantajoso em termos econômicos, como Beruto ressaltara no texto que apresentava seu plano de ampliação de Milão (1884), comentado no mencionado capítulo. E quadras na referida disposição permitiam que não existissem lotes com frente para o poente, que são muito inconvenientes em João Pessoa, em termos do conforto ambiental.

Ele estava ciente também que não se podia admitir que um loteamento urbano não contivesse nenhuma praça, como os de 1938 acima examinados.

Conhecedor dessas diretrizes de composição urbanística, ele deu ao Loteamento Jardim Tambauzinho o traçado quadriculado ortogonal que se vê na Fig. 69.

As ruas do empreendimento foram dispostas paralelamente ou perpendicularmente à Avenida Epitácio Pessoa, salvo duas, que acompanhavam os limites leste e oeste do terreno, oblíquos em relação a essa via. A maioria delas tinha 12 metros de largura, mas havia algumas ruas mais largas, com 17 e 24 metros de largura.

A quadrícula continha, do oeste para o leste, seis fileiras de quadras residenciais alongadas. Em todas havia quadras incompletas, algumas das quais eram meias- quadras. A quantidade de quadras completas existentes nas fileiras variava entre quatro e oito. As quadras completas das duas fileiras das extremidades tinham forma trapezoidal e as das demais fileiras eram retangulares.

As quadras completas retangulares tinham 200 metros de comprimento e a maioria das trapezoidais eram ainda mais longas (algumas se estendendo por mais de 250 metros). As larguras das quadras residenciais completas, retangulares e trapezoidais, variavam entre 56 e 60 metros.

As quadras foram subdivididas em lotes que em geral tinham testada de 12 metros, voltada para o norte ou o sul, e profundidades variando entre 28 e 30 metros. Havia lotes com frentes maiores, voltadas para o leste e o oeste. É curioso o fato de o proje- tista ter disposto lotes na última posição – o que é inconveniente em termos do con- forto ambiental –, apesar de o traçado que adotou permitir que ele não fizesse isso. O traço mais interessante do projeto era a área que foi nele destinada a um pólo de atividades coletivas (Fig. 70). Ela correspondia a quatro quadras retangulares inteiras e tinha por centro uma praça com pouco mais de dois hectares. Completavam-na quatro quadras pequenas (cada uma com cerca de 3.800 metros quadrados), reser- vadas a uma escola, uma igreja, um centro comercial e um uso a ser definido.

As principais qualidades do projeto eram (a) o tamanho, forma e orientação apro- priados das suas quadras, e (b) a área destinada ao pólo de atividades coletivas (praça e pequenas quadras adjacentes). Já seus defeitos maiores eram os numero- sos cruzamentos viários, uma boa dose de monotonia, os muitos lotes com frente para o poente e a falta de articulação entre ele e o Loteamento Santa Júlia – Macacos (sua integração com o Jardim Miramar foi resolvida de modo satisfatório).

O traçado em questão representou um substancial avanço em relação aos grandes loteamentos da capital paraibana que o antecederam, em razão das suas duas quali- dades apontadas no parágrafo anterior.

Ele foi implantado sem alterações merecedoras de nota. Mas no início dos anos 1970, ele foi modificado pelo alargamento de uma de suas vias transversais, efetuado para que no centro dela passasse, num nível bem mais baixo, a rodovia BR-230 (que apa- rece na Fig. 69 tangenciando o pólode atividades coletivas). E alguns anos depois, a praça e duas das pequenas quadras adjacentes foram aglutinadas para formar uma única área livre – na qual o governo estadual construiria em seguida um grande equipamento público, o Espaço Cultural.

O Loteamento Jardim Tambauzinho gerou o bairro de Tambauzinho.