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A literatura (e.g., Darling & Steinberg, 1993) distingue os conceitos de práticas e de estilos parentais. As práticas formam padrões educacionais estratégicos que pretendem promover recursos internos que favoreçam a persecução de metas e objetivos nos diversos domínios de vida, quer sejam académicos, sociais ou relacionais (Darling & Steinberg, 1993). Em suma, a recompensa ou a punição são dois exemplos de práticas parentais.

Por outro lado, os estilos parentais aludem aos padrões comportamentais mais ou menos estáveis que se estabelecem na interação entre pais e filhos nas mais diversas situações geradoras de um clima emocional, e que detêm um impacto no desenvolvimento psicossocial da criança, do adolescente e, posteriormente, do jovem adulto (Cecconello et al., 2003, Baumrind, 1971; Hill & Wang, 2015). Os estilos parentais provisionam um forte indicador do bem-estar da criança ou do jovem num vasto espectro de situações e contextos, em que o equilíbrio entre a responsividade e a exigência indicam ser importantes componentes para designar uma boa parentalidade. Inúmeras pesquisas indicam o papel importante dos estilos parentais no desenvolvimento psicológico de crianças e adolescentes, sabendo-se que a rejeição e a falta de afetos positivos podem apontar para consequências nefastas neste processo (Cecconello et al., 2003).

De salientar, o modelo teórico proposto por Baumrind (1996), sobre os tipos de controlo parental, foi um marco nos estudos da parentalidade. Baumrind (1996) propôs três principais tipos de parentalidade, designados por: autoritativo, autoritário e permissivo. A autora designou o estilo autoritativo como um padrão em que os pais se interessam pelas atividades dos filhos de forma racional, emocional e orientada, e motivam o diálogo, integram as crianças nas suas atividades e escolhas, exercem controlo nas situações de conflito, gerem com destreza as objeções colocando a criança na perspetiva do adulto sem a restringir às suas opiniões, interesses e desejos (Baumrind, 1966, 1967). Neste contexto, as crianças e os jovens considerados mais assertivos, maduros, independentes, empreendedoras e socialmente ativos, foram associados ao estilo parental autoritativo (Weber, Prado, Viezzer, & Brandenburg, 2004). A prática do estilo autoritativo associa-se também ao desenvolvimento de competências e sucesso académico por parte dos filhos. Crianças com pais autoritativos são dotadas de maiores competências emocionais e académicas e menores índices de comportamentos disruptivos (Steinberg, Darling, & Fletcher, 1995). Já as crianças com pais negligentes tendem a revelar

traços de personalidade e de conduta mais negativos, e apresentam menores competências em termos de desempenho em vários domínios do desenvolvimento, nomeadamente ao nível académico. Estas crianças mostram ter sintomas de personalidade depressiva, baixa autoestima, elevados níveis de stresse e menores competências ao nível da autorregulação (Darling & Steinberg, 1993). Os pais autoritários modelam, controlam e avaliam o comportamento da criança mediado por regras e princípios rígidos, absolutos, onde é promovida a obediência, através de medidas punitivas para lidar com as crianças, sempre que estas se debatam com o que pensam ser correto (Baumrind, 1996). Estes pais são exigentes e não responsivos, isto é, as suas exigências estão em desproporção com a aceitação das exigências dos filhos. Já os pais autoritativos são exigentes e responsivos e mais equilibrados. Neste padrão, os filhos respondem às exigências dos pais e os pais às exigências e aos pontos de vista dos filhos de forma recíproca e contentora (Maccoby & Martin, 1983). Filhos de pais autoritários tendem a demonstrar um desempenho académico mediano, embora apresentem por norma, limitações consideráveis em termos de desenvolvimento de competências sociais e internas, sendo frequente desenvolverem uma autoestima mais frágil, sentimentos de desvalorização, de descrença face à vida e de depressão (Darling, 1999).

Por fim, os pais permissivos comportam-se de forma não punitiva, são bastante permissivos face aos desejos e ações da criança. Estes pais afiguram-se como mediadores de execução de desejos dos filhos, em vez de assumirem um papel orientador, de responsabilidade, controlo e exigência (Baumrind, 1966).

Depois dos contributos de autores como Baumrind (1966), Maccoby e Martin (1983), também os autores Darling e Steinberg (1993) propuseram uma abordagem mais detalhada acerca dos estilos parentais. Darling e Steinberg (1993) afirmam que os pais influenciam determinantemente os seus filhos através das suas práticas, crenças e valores, e recorrem a estratégias para motivar comportamentos adequados e reprovar comportamentos inadequados,

num clima emocional de relação parental. Estes autores atestam que acima do controle parental, os pais devem aos filhos senso de responsividade perante as necessidades básicas das crianças e de exigência face às responsabilidades das mesmas, envolvidos num clima educativo, afetivo e emocional.

A combinação das dimensões da exigência, caracterizada por comportamentos de supervisão e disciplina, e da responsividade que reporta a comportamentos de apoio, concordância e suporte, culminou em quatro estilos parentais diferentes (Cecconello et al., 2003). Os quatro estilos parentais propostos por este modelo são: o autoritativo, o autoritário, o indulgente e o negligente.

Passando a descrever cada um dos estilos parentais do modelo de Darling e Steinberg (1993), o estilo autoritativo surge da forte combinação entre exigência e responsividade. Neste estilo os pais aprovam atitudes e comportamentos positivos e reprovam e corrigem atitudes e comportamentos negativos, como forma de fomentar princípios elementares, edificantes e consistentes, pautados por comportamentos, responsabilidade e maturidade, através de uma comunicação clara, aberta e objetiva. De salientar que as interações nesta dinâmica se revestem de afetos positivos, como o carinho, a atenção e a preocupação, mas também pela autonomia, ferramenta elementar para o desenvolvimento de múltiplas competências, nomeadamente da tomada de decisão, elemento chave para estimular o desenvolvimento de competências (Baumrind, 1966). Por sua vez, o estilo autoritário pauta-se pelo padrão de elevada exigência e fraca responsividade, caraterizando um estilo educacional com comportamentos rígidos, inflexíveis e impostos, que exclui o envolvimento e a participação da criança. A obediência é imposta através de comportamentos de punição e autoridade, num estilo comunicacional também unilateral e rígido (Baumrind, 1966). Por seu turno, Darling e Steinberg (1993) definem o estilo indulgente por comportamentos em que há baixos níveis de exigência e elevados níveis de responsividade. Pode dizer-se, então, que este estilo parental se opõe ao estilo autoritário na

medida em que não há imposição de regras ou limites, em que é a própria criança a monitorizar os seus comportamentos. Este padrão parental desfavorece a aquisição de autonomia, de responsabilidade e de maturidade. Nestes contextos, a interação e a comunicação é afável e orientada para as exigências impostas pelos filhos. E, por último, o estilo negligente, caracteriza-se pela fraca combinação ou ausência tanto de exigência como de responsividade, donde, os pais negligentes são afetivamente ausentes e distantes, não demonstram envolvimento com a criança ao longo do seu desenvolvimento, estando, portanto, mais focados nos seus próprios interesses (Cecconello et al., 2003; Maccoby & Martin (1983).

Em suma, no que concerne aos fatores familiares, o apoio familiar é fundamental no desenvolvimento académico e da carreira dos adolescentes (Bardagi & Hutz, 2008; Darling & Steinberg, 1993). Super (1990) indica que as figuras significativas, os pais, assumem um papel determinante na relação com exploração, aquisição de interesses, gerência do locus de controlo, construção de perspetiva temporal e formação do autoconceito. Roe e Lunneborg (1990), nos anos 50, propuseram seis tipos de padrões educacionais de pais, com influência direta na formação dos interesses dos filhos: “Protecionista”, “Exigente”, “Rejeitante”, “Negligente”, “Casuístico” e “Afetuoso”.

Também os resultados de outros estudos (e.g., Baumrind, 1991; Bardagi & Hutz, 2008; Garriot et al., 2014; Hutz & Bardagi, 2006; Soares, 2002; Strage & Brandt, 1999) têm vindo a atestar que a relação entre os estilos parentais e o desenvolvimento das crianças está ligado a vários domínios da vida, criando impacto sobre a autonomia, o desempenho e o sucesso académico. Também os estudos de Wenz-Gross, Siperstein, Untch, & Widaman (1997) constatam que o estilo parental determina o desenvolvimento das crianças, especificamente no âmbito académico, tendo sido mostrado que um fraco suporte emocional por parte da família está diretamente associado a um baixo autoconceito académico. Em adolescentes, as expetativas parentais desempenham um papel chave nas aspirações vocacionais, assim como,

no rendimento académico (Teixeira & Ferreira, no prelo), e também no envolvimento académico (Teixeira & Bardagi, 2016). Por outro lado, os estilos de parentalidade surgem associados à eficácia com que os adolescentes preparam as tarefas de carreira, especialmente nos domínios do planeamento, exploração e fixação de objetivos (Teixeira & Bardagi, 2016). Pesquisas recentes indicam ainda que o suporte parental determina indiretamente os constructos cognitivos que a criança elabora, através das experiências de aprendizagem de sucesso ou insucesso e da aprendizagem por observação (Garriot et al., 2014). A literatura (e.g., Silva, 2016; Teixeira & Bardagi, 2016) tem vindo a demonstrar que os estilos parentais impactam sobre o desenvolvimento das crianças e jovens, nomeadamente na aquisição de mediadores cognitivos elementares na formulação do autoconceito. As expectativas dos pais face ao sucesso dos filhos é também um preditor significativo de bem-estar (Rogers, Creed, & Searle, 2012) e de rendimento académico (Teixeira & Ferreira, no prelo).