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Depois da proposta dos modelos de natureza sociocognitiva da formação dos interesses, escolhas e desempenho (Lent, Brown, & Hackett, 1994), apresentados anteriormente, Lent e Brown (2006a) expuseram o modelo de bem-estar subjetivo que representa uma integração da Psicologia Positiva e da Psicologia do Desenvolvimento da Carreira. Tal como os modelos anteriores, o modelo de bem-estar subjetivo tem uma natureza integrativa e, especificamente, procura explicar a satisfação e o bem-estar em domínios específicos de vida, nomeadamente o académico e o profissional, através de mecanismos sociocognitivos.

Com inspiração nos modelos de bem-estar geral, anteriormente referidos, o modelo de Lent e Brown (2006a), para os domínios académico, vocacional e profissional, tem como pressupostos os conceitos-chave da teoria sociocognitiva (Lent et al., 2009), anteriormente analisados. No modelo, a satisfação e o bem-estar podem ser vistos como domínios distintos mas intrinsecamente relacionados, que podem ser percecionados de uma forma global como bem-estar e satisfação com a vida (Lent et al., 2005).

O modelo do bem-estar (Figura 4) inclui variáveis pessoais (e.g., traços de personalidade) e variáveis contextuais (académicas, profissionais, familiares), salientando-se os mediadores sociocognitivos (crenças de autoeficácia, expetativas de resultados e objetivos), que operam a relação entre todas as variáveis. Este modelo considera o bem-estar e a satisfação da carreira nos ambientes académicos onde ocorre o desempenho e a adaptação. Assim, é importante operacionalizar essas variáveis de contexto, relativamente às condições que a literatura identifica como condições de sucesso e bem-estar (e.g., Almeida, 2017; Almeida, Araújo & Martins, 2016; Seligman, 2011), privilegiando-se variáveis associadas ao suporte social e emocional e às componentes de aprendizagem e de carreira.

As crenças de autoeficácia são centrais no modelo e implicitamente conduzem à necessidade de elencar as respetivas fontes, responsáveis por formar, desenvolver e consolidar a confiança pessoal. Lent e os seus colegas (2005) referem existir associação entre baixos níveis de crenças de autoeficácia e fracas estratégias na persecução de metas ou objetivos, fracas estratégias de coping, recursos sociais limitados, e consequentemente menores níveis de satisfação geral. Assim, perceber o bem-estar e os respetivos fatores desencadeadores, possibilita o desenvolvimento de estratégias que favoreçam sentimentos de felicidade, realização e satisfação, conducentes à satisfação e ao sentido de vida (Lent et al., 2005).

Por seu turno, o apoio social ou barreiras ambientais circunscrevem também o senso de autoeficácia que, por sua vez, se repercute na persecução de objetivos e consequentemente na

satisfação na carreira. Mesmo que a persecução de metas seja um processo desencadeador de stresse é também um agente motivacional, na medida em que permite encontrar sentido para a vida (Ramos et al., 2011). Os indivíduos que têm metas e objetivos delimitados apresentam maiores níveis de satisfação. Neste processo, quando o indivíduo se depara com obstáculos, decrescem consequentemente os níveis de satisfação na carreira, de satisfação geral, de crenças de autoeficácia, pelo conflito gerado quando se confronta com as suas limitações. Nesta medida, as expectativas de resultado assim como as crenças de autoeficácia são preditores diretos de satisfação na carreira e de bem-estar (Ramos et al., 2011).

Figura 4. Modelo de Bem-estar de Lent e Brown (2006a)

O modelo (Figura 4) certifica ainda que para além dos fatores anteriormente descritos, também os fatores de personalidade, a avaliação que o indivíduo faz de si, as experiências de vida anteriores e os recursos sociais de que dispõe, impactam nos sentimentos de satisfação na carreira e satisfação de vida em geral (Lent & Brown, 2006a).

Os primeiros estudos feitos para testar o modelo de bem-estar foram aplicados a estudantes do ensino superior e percebeu-se que a persecução dos objetivos é um excelente preditor de bem-estar (Lent et al., 2005, 2007; Ramos et al., 2011). Contudo, as expectativas de resultado não evidenciaram o mesmo efeito na satisfação da carreira (Lent et al., 2005, 2007). A TSCDC, nomeadamente o modelo de bem-estar é uma das poderosas ferramentas para intervenção vocacional e promoção de experiências académicas e laborais, na medida em que são previstos sentimentos de realização e de satisfação face a determinados domínios da vida, a partir de variáveis como a autoeficácia, o envolvimento, metas e objetivos (Lent et al.,2009). O progresso e a persecução dos objetivos pessoais prognosticam satisfação de vida nos indivíduos, que por sua vez, percecionam maiores níveis de bem-estar subjetivo e psicológico (Lent et al., 2009).

A combinação de fatores cognitivos, comportamentais e ambientais são responsáveis pela predição do bom funcionamento psicológico. Pelo que, de acordo com a literatura (e.g., Lent, 2008), os níveis de satisfação sentidos pelos indivíduos são diretamente afetados por condições laborais, expectativas de resultado, necessidades materiais, suporte institucional e por fatores de personalidade (Lent, 2008).

As adaptações características que os indivíduos vão fazendo ao ambiente onde se inserem vão formulando a estrutura da personalidade. Se por um lado, as tendências básicas são mais constantes, por outro lado, as adaptações características têm um cunho mais dinâmico, na medida em que podem ser influenciadas por agentes externos, resultantes das interações entre indivíduos e ambiente. Neste sentido, umas das dimensões mais importantes é a do autoconceito, dado que se refere à forma como os indivíduos se avaliam, recorrendo a crenças, atitudes e sentimentos que estes vão construindo, englobando também as que se percecionam do exterior (McCrae & Costa, 1996).

Na evolução da perspetiva sociocognitiva no domínio da carreira, Lent e Brown (2013) propuseram um novo modelo, que designaram de autogestão da carreira, em que focam os comportamentos adaptativos nas tarefas normativas de desenvolvimento, nos acontecimentos e nas crises. De acordo com os autores, este novo modelo é entendido como complemento aos outros quatro modelos descritos anteriormente (Lent & Brown, 2013). Este modelo inclui o conjunto das variáveis e processos cognitivos já referenciados, mas dá particular atenção aos processos e competências adaptativas de carreira em relação aos mediadores cognitivos (autoeficácia e fontes de autoeficácia) e aos fatores de personalidade (Lent & Brown, 2013).