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Após o período de Invocação, chega-se ao momento da Edificação, que é considerado central nos cultos evangélicos de um modo geral, pois é descrito como o momento onde “se vai ouvir a voz de Deus falando aos corações”. Autoridade para pregar não é necessariamente concedida ao pregador, na hora em que ele vai cumprir essa tarefa. Geralmente, confirmado com antecedência, ele assume o púlpito convicto de que sua autoridade já foi concedida por Deus. É comum o pregador ler um trecho da Bíblia e explicá-lo em seguida para a comunidade, fazendo aplicações para determinadas situações da vida. A atuação do pastor como performer será objeto de análise no capítulo 6.

No caso da IBC, a pregação geralmente é realizada pelo seu pastor principal, Pr. Armando Bispo, e, na ausência deste, pelos pastores auxiliares José Edson e Alcimou Barbosa87 ou por líderes convidados. A admissão de pregadores

de outras denominações no púlpito da IBC não é algo comum e sempre passa pelo crivo dos pastores principais da IBC.

As séries de mensagens especiais que assisti, tais como “o Caminho da Restauração”, “Cristo, Comunidade e Carisma” e “Família: de onde veio essa ideia?”, foram pregadas pelo Pr. Armando Bispo. Os telões, durante as pregações, alternavam a imagem do pastor com o esboço da mensagem de cada série que estava sendo pregada, trechos bíblicos e imagens dos participantes do culto.

A utilização de recursos como os testemunhos foi observada na Série “Família: de onde veio essa ideia?” e, em maior extensão, na série “O caminho da restauração”. Nessas mesmas séries foram apresentadas dramatizações como forma de preparar o terreno para as prédicas realizadas.

Antes da segunda mensagem da série “Família: de onde veio essa ideia?”, foi apresentada uma dramatização de problemas familiares: marido 87Alcimou Barbosa atua como pastor desde 1993, é responsável pelo processo de acolhimento de novos membros na IBC, sendo ainda “conselheiro e líder do ministério de restauração através dos Retiros Espirituais. Sua experiência teológica advém de estudos pessoais e sua vivência ministerial dentro e fora da comunidade IBC” (IGREJA BATISTA CENTRAL, 2010).

desempregado (que maltrata verbalmente a sogra), mulher trabalhando para sustentar a casa, filho que engravida a namorada e chantageia o pai para obter dinheiro para a realização de um aborto. Expressando tristeza diante dessas situações. Nesse momento, a equipe de louvor canta uma música que fala do “esfriamento” nas relações familiares e sobre o poder de Deus como restaurador das famílias. A prédica dessa noite teve como tema “família – campo de batalhas espirituais”.

Outro momento em que se utilizou da dramatização, desta vez conjugada com música, foi na quinta pregação da série “O caminho da restauração”. Nessa ocasião, sete jovens entraram em silêncio no palco. Após alguns segundos, começam a cantar o refrão “eu quero que me , então eu sou assim”, fazendo o acompanhamento com palmas, estalar de dedos e batidas nas coxas com as palmas das mãos. Assim, foram se alternando na apresentação dos seus personagens. À medida que os nomes destes apareciam nos telões, cantarolavam a frase que os representava na seguinte ordem: Engraçadinho (“olhem pra mim, gostem de mim, não quer me conhecer”), Namoradeira (“me abraça, me conquista, é tão fácil me ganhar”), Sarado (“vou malhar, vou bombar, preciso ser o tal”), Cabeça de vento (“ok, ok, então, então, sem maquiagem eu não vou não”), Esnobe (Sou legal, sou amiga, se você beijar meu pé”), Fera (“quero ganhar, quero vencer, eu só penso em competir”) e Doidão (“tomo todas, tô doidão, tô pra lá de Bagdá”). Em seguida, todos ao mesmo tempo passaram a cantarolar suas falas confundindo as vozes. Ao final, eles entraram numa espécie de gaiolas com rodas puxada por um membro da IBC que os conduzia para fora do palco. Nessa noite o tema era “O passo da transformação”.

Nas igrejas protestantes históricas e pentecostais mais tradicionais, a utilização de dramatizações durante os cultos dominicais não é bem aceita em virtude da importância dada à pregação e por certa dificuldade em se lidar com a dimensão lúdica presente no teatro. O argumento contra o uso destas no culto é simples: “Jesus e os apóstolos não usaram o teatro para falar do evangelho”. Na IBC, as dramatizações nas celebrações dominicais acontecem de forma articulada com a mensagem pastoral como parte da estratégia de produzir impacto nos participantes.

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O áudio dessas mensagens foi disponibilizado gratuitamente no site da IBC. A série “O caminho da restauração”, até 29 de junho de 2008, poderia ser assistida também pela internet gratuitamente. Durante essa série, os participantes podiam ter acesso a folhas contendo o esboço da mensagem (com lacunas em branco para serem preenchidas à medida que o Pastor Armando Bispo pregava). Além disso, os participantes, posteriormente, podem adquirir uma cópia em DVD ou o áudio em CD da mensagem de cada noite. A pregação também é transmitida pela Internet.

A realização de prédicas ou pregações pastorais no contexto das comunidades protestantes contemporâneas pode ser considerada também como, na terminologia de Zumthor (1997, p. 37), uma performance mediatizada tecnicamente, quando estas são guardadas tecnologicamente, digitalmente, em gravações em áudio ou em arquivos de imagem com áudio. Não apenas a emissão, mas também emissão e recepção podem ocorrer simultaneamente dessa forma mediante os recursos de microfones e mídias sonoras diversas. “aquilo que se perde com os

media, e assim necessariamente permanecerá, é a corporeidade, o peso, o calor, o

volume real do corpo, do qual a voz é apenas extensão” (ZUMTHOR, 2000, p. 19). Embora preservem algumas características da performance, participar desta ao vivo tem um impacto indiscutivelmente maior.