O momento da análise na pesquisa qualitativa é aquele em que o pesquisador finalmente olha atentamente para os dados e os confronta com o aporte teórico construído durante a sua realização.
Nesse momento, realizar a análise dos dados significa compreender os dados coletados, responder aos objetivos da pesquisa e ampliar o conhecimento acerca do problema estabelecido, articulando-o ao contexto do qual faz parte.
Para a análise dos dados, foi escolhida a técnica denominada por Moraes (2003) como análise textual qualitativa. Para o referido autor, essa abordagem de análise pode ser concebida com um processo “auto-organizado” na busca da compreensão da realidade, que ocorre, por exemplo, da interpretação de textos vinculados ao contexto investigado.
Levando-se em conta a abordagem adotada, foram adotados os quatro focos apresentados por Moraes (2003).
1. Desmontagem dos textos: processo denominado também de unitarização, consiste na leitura dos materiais cuidadosamente com a finalidade de definir as unidades de significado, ou seja, frações do texto que tenham um significado para o estudo. Para tanto, o corpus utilizado foram os textos de cada entrevista e os diálogos realizados
nos chats. Constitui-se em um momento de intenso contato e impregnação com o material de análise. Os textos foram lidos com intensidade, depois separados um conjunto de expressões referentes à investigação.
2. Estabelecimento de relações: processo denominado também de categorização, consiste no agrupamento das unidades de significado de acordo com as suas relações, combinado-as e classificando-as, levando-as ao agrupamento de elementos semelhantes. A partir de cada informação contida nas unidades de significado, elaborou-se um texto para cada categoria, preservando a integridade dos relatos dos entrevistados.
3. Captando o novo emergente: processo que resulta o metatexto. A partir da reunião dos textos elaborados em cada categoria, levando-os a uma descrição e interpretação com ênfase em argumentos aglutinadores, elaboraram-se os metatextos. Ao interpretá- los, buscou-se relação com o referencial teórico adotado, no sentido de ampliar a compreensão do problema investigado.
4. Um processo auto-organizado: processo de aprendizagem viva. Conjunto de movimentos que utiliza a Teoria do Caos17 visando a emergência de formas criativas para entender o problema investigado, emergindo no final do processo a construção de novos significados em relação a ele. Esse processo caracteriza-se, simultaneamente, pela ordem e desordem. A ordem se dá com a leitura dos textos a serem analisados, uma organização estável e linear. Já a desordem é causada pela fragmentação das informações, desestruturando-os, produzindo um conjunto desordenado e caótico de elementos unitários. Esse movimento da desordem produz um exercício de impregnação intensa com o fenômeno investigado. Então, chega-se ao limite da desordem, o caos. A partir desse momento, tem-se a estrutura inicial – a nova ordem, entendida como a formação de novas estruturas de compreensão do fenômeno investigado. A emergência dos novos conhecimentos foi relatada na forma de produção escrita, caminhando assim para a validação dessa pesquisa.
17 Misoczky (2003) afirma que a Teoria do Caos começou a ser estudada na década de 70, especialmente na Universidade de Santa Fé, onde estava em aprofundamento o tema de sistemas adaptativos complexos. Esses sistemas seriam formados por unidades interligadas entre si, em que o comportamento de cada uma influencia a outra. Assim, esses sistemas oscilam entre a ordem e a desordem, podendo ser analisados apenas por meios de simulações computacionais. A metáfora do “Efeito Borboleta” de Edward Lorenz é caracterizado como marco inicial de estudo dessa teoria, quando foram constatados que pequenas causas podem gerar grandes efeitos.
5 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Devemos nos tornar a mudança que queremos para o mundo. Gandhi
Neste capítulo do trabalho, são apresentados os resultados da pesquisa realizada a partir dos dados coletados nas respostas do questionário e do chat. Segundo Ludlke & André (1986, p. 42): “ [...] a análise dos dados qualitativos é um processo criativo que exige grande rigor intelectual e muita dedicação. Não existe uma forma melhor ou mais correta. O que existe é sistematização e coerência do esquema escolhido com o que pretende o estudo.”
Os materiais de análise são eles: às questões e aos relatos do chats, nos quais os sujeitos da pesquisa relatam suas posições e perspectivas em relação ao MD da disciplina de Geometria Espacial.
A metodologia para análise dos dados está caracterizada em três momentos, aqui descritos.
1º momento: descrição dos resultados. O momento descritivo configurou-se na fase de desmontagem dos textos emergindo, assim, as unidades de significado, agrupamento de dados de acordo com a similitude que apresentam. Essas unidades serão “reagrupadas” no momento posterior quando levadas à categorização. Para facilitar a análise, nomeou-se cada unidade. Para apresentação das argumentações, usou-se como código os atributos: a palavra “Aluno” para textos dos alunos e “Professora-tutora” para os textos dos professores; alunos pertencentes ao pólo um a letra “T”, pólo dois a letra “J” e ao pólo três a letra “C”. Salienta- se, ainda, que a integridade dos questionários foi mantida, em relação aos questionários, a integridade deles, ou seja, os problemas de ortografia e de morfossintaxe foram preservados, portanto trata-se de informações originais e fidedignas como se encontra no Anexo C.
2º momento: análise interpretativa. Nesta fase, buscou-se a interação com a teoria, em que as unidades de significado são categorizadas partindo, assim, para uma auto-organização. Para tanto, foram expressos argumentos aglutinadores e sintetizadores das subcategorias que formam as categorias resultando, portanto, no metatexto. Quando pertinente, apresentam-se os dados tabulados na forma de percentuais, sempre calculados em relação ao número de sujeitos envolvidos na pesquisa. Segundo Moraes (2006a), a quantidade aqui pode significar
freqüências de ocorrência, descrições em termos de tempo e espaço, incluindo medidas de aspectos significativos de um fenômeno.
3º momento: comunicação das novas compreensões atingidas ao longo das duas fases anteriores. Elaboração de um texto com a explicitação das categorias e das relações entre elas, descrevendo os novos insights e teorizações que emergiram por auto-organização ocorrida de uma impregnação intensa com os dados e informações do corpus analisado.