Esse tópico é parte integrante do 4º capítulo. Está organizado com informações referentes às vozes dos sujeitos da pesquisa, professores, alunos e ex- alunos do Curso de Direito da UFC, colaboradores da pesquisa, em que trataremos as narrativas sobre suas relações com a formação jurídica no âmbito da rotina pedagógica da Faculdade de Direito da UFC.
Narrativas e memórias se cruzam aqui nesse estudo. Ao buscarmos aferir o sentido da formação desses alunos, convidamos, também, a um grupo de ex -alunos a olhar para trás, em busca da construção de um fato biográfico, que permitisse enunciar à história de vida e trouxesse os momentos vividos na formação, nessas últimas três décadas. Por amostragem para esse estudo foram selecionados três alunos concludentes, três professores com mais de 20 anos de exercício d o magistério no curso e três ex-alunos do Direito da UFC, que se consagraram no mundo da profissão jurídica.
Assim, esse tópico será desenvolvido a partir das entrevistas semiestruturadas realizadas com os sujeitos. Aqui eles narram suas significações na relação ensino - aprendizagem.
4.2.1 Quem sã o os entr evista dos
Conforme destacado anteriormente, foram selecionados para as entrevistas, três alunos concludentes do Curso de Direito no semestre 2015.2, época de aplicação da pesquisa, três professores da Faculdade, com mais de 20 anos de exercício de magistério, três ex-alunos do Curso de Direito, todos da UFC que se consagraram no mundo da profissão jurídica e hoje ocupam cargos de responsabilidade política e judicial no âmbito do Estado do Ceará e da esfera nacional.
4.2.2 Sobr e a técnica da entr evista
Pensamos numa modalidade de entrevista semiestruturada. Quanto às técnicas, bem como instrumentos utilizados para a realização d a coleta de dados, decidimos escolher a entrevista, conforme destaca anteriormente, seguindo as orientações do
pesquisador Gil (2010).
Com relação à entrevista semiestruturada é asseverado o seguinte argumento:
Pode-se definir entrevista como a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação . A entrevista é, portanto, uma forma de interação social. Mais especificamente, é uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação. A entrevista é uma das técnicas de coleta de dados mais utilizada no âmbito das ciências sociais [...] Por sua flexibilidade é adotada como técnica fundamental de investigação nos mais diversos campos [...]. (GIL, 2010, p. 113).
Por meio de tal caminho, buscamos recorrer às potencialidades dos sujeitos da pesquisa para deles extrair representações acerca da ressignificação da dimensão pedagógica do Curso de Direito da UFC. Logo, acreditamos que a utilização do referido instrumento contemplará de maneira adequada à investigação a qual nos propusemos, porque atendeu aos requisitos primordiais da nossa investigação.
Conforme ainda o citado autor, as entrevistas podem ser classificadas em categorias, dividindo-as de acordo com o grau de estruturação:
A classificação desses tipos pode ser feita mediante crit érios diversos, sendo que o mais usual se refere ao seu grau de estruturação. Desse modo, as entrevistas mais estruturadas são aquelas que predeterminam em maior grau as respostas a serem obtidas, ao passo que as menos estruturadas são desenvolvidas de forma mais espontânea, sem que estejam sujeitas a um modelo preestabelecido de investigação. Admitindo esse princípio, as entrevistas podem ser classificadas em: informais, focalizadas, por pautas e formalizadas. (GIL, 2010, p. 115).
No que tange a entrevista informal, esta tende a possibilitar bastante liberdade entre os sujeitos durante o diálogo em que se estabelece no âmbito da inquirição, embora apesar disto, ainda tenha como foco a coleta de informações. Sobre esta temática o autor assegura:
Este tipo de entrevista é o menos estruturado possível e só se distingue da simples conversação porque tem como objeto básico a coleta de dados. O que se pretende com entrevistas deste tipo é a obtenção de uma visão geral do problema pesquisado, bem como a identific ação de alguns aspectos da personalidade do entrevistado. (GIL, 2010, p. 116).
Com relação à segunda categoria, Gil (2010) destaca que a entrevista focalizada se apresenta de forma quase tão livre quanto à entrevista informal, porém,
ao enfatizar um tema específico, caberá ao entrevistador retomar, constantemente, os conteúdos relevantes que conduzem o teor do roteiro daquilo que se quer saber.
Segundo Gil (2010, p.116):
O entrevistador permite ao entrevistado falar livremente sobre o assunto, mas quando este se desvia do tema original, esforça -se para a sua retomada. Este tipo de entrevista é bastante empregado em situações experimentais, com o objetivo de explorar a fundo alguma experiência vivida em condições precisas.
A terceira categoria ele classifica de entrevista por pautas. Caracteriza-se por ter certo grau de estruturação, pois ela guia -se por meio de uma relação de pontos de interesse o qual o entrevistador vai explorando ao longo de seu curso. De acordo com o referenciado autor durante a entrevista por pautas:
O entrevistador faz poucas perguntas diretas e deixa o entrevistado falar livremente à medida que refere às pautas assinaladas [...] . As entrevistas por pautas são recomendadas sobretudo nas situações em que os respondentes não se sintam à vontade para responder as indagações formuladas com maior rigidez. (GIL, 2010, p. 117).
A quarta, dentre as quatro categorias elencadas caracteriza -se por desenvolver- se a partir de uma relação fixa de perguntas.
Para Gil (2010, p.117):
A entrevista estruturada desenvolve-se a partir de uma relação fixa de perguntas, cuja ordem e redação permanece invariável para todos os entrevistados, que geralmente são em grande número. Por possibilitar o tratamento quantitativo dos dados, este tipo de entrevista to rna-se o mais adequado para o desenvolvimento de levantamentos sociais.
A entrevista por nós utilizada, conforme destacado anter iormente é a semiestrutura, que muito se assemelha a que foi classificada por ele focalizada.
Nosso roteiro foi composto por dez perguntas, partindo de questões mais pessoais indo em direção as questões mais complexas, que exigiam opinião sobre a formação em Direito, sobre dimensão pedagógica, sobre mercado de trabalho, sobre conjuntura etc. Essa técnica satisfaz de maneira sufic iente a proposta a qual versa a presente pesquisa, tendo em vista a liberdade, bem como o direcionamento que ela possibilita a necessidade da utilização das narrativas dos sujeitos.
Quanto às perguntas lançadas durante a entrevista escolhemos, para ficar m ais claro, abordar as especificidades de cada uma delas. Optamos por dividir essas perguntas em duas etapas: a primeira composta por cinco questões mais gerais. Finalmente, a outra etapa também composta por cinco questões mais específicas. Todas, contudo, dentro do tema proposto a responder aos objetivos da pesquisa.
As perguntas partiram de questões mais gerais que envolvam diversos aspectos, como: origem, aspectos socioeconômico e cultural. Depois a formação jurídica e o mundo do trabalho.