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RESEARCH METHODOLOGY

In document Living in the Margins of the State (sider 84-108)

Qualquer medida protecionista adotada pelo governo seria amplamente criticada pelo resto do mundo, principalmente por aqueles que vendiam para os Estados Unidos, e também pelo mercado consumidor interno daquele país.

A Europa possui seis das dez maiores companhias siderúrgicas do mundo. Entretanto, já em 2000 estas indústrias estavam passando por graves crises. As ações da Usinor, por exemplo, haviam caído em cerca de 40% (Dunkirk 2000). Outras importantes empresas seguiam a mesma tendência, como indicado no Gráfico 2.3.

Gráfico 2.3: Valor de ações de empresas siderúrgicas selecionadas (1999/2000)

Diferentemente do discurso norte-americano, tanto os europeus quanto todos aqueles que vendiam para os Estados Unidos acreditavam que as tarifas só resolveriam temporariamente o problema do desemprego crescente na indústria siderúrgica. Em outras palavras, por se tratar de uma questão estrutural, elas não solucionariam o problema da indústria.

Outra conseqüência de uma medida protecionista seria o desemprego que ela acarretaria em outras áreas, ou seja, os empregos das siderúrgicas seriam assegurados, mas outros setores dependentes do consumo de aço seriam afetados, gerando desemprego em outros locais. Todas as outras áreas que dependiam do aço da indústria norte-americana sofreriam diretamente com tais medidas.

Os europeus acreditavam que a ISA não era competitiva; a melhor solução seria deixá-la ir à falência (The Economist 2001). Só assim, acreditavam, a oferta se adaptaria à demanda, promovendo certa estabilidade no setor. Defendiam ainda que a ajuda aos trabalhadores dos EUA deveria ocorrer de outras formas que não por meio do protecionismo comercial, a fim de que ela não interferisse no livre comércio. Segundo eles, o governo poderia ajudar também em um programa de readaptação para auxiliar essas pessoas a se reciclarem profissionalmente, redirecionando sua força de trabalho.

Em artigo publicado em 2001 pela revista The Economist, conclui-se que:

There are equally creative solutions for other steel problems. Tax credits or subsidies could make health insurance affordable for laid-off workers who are not eligible for Medicare. Communities that depend on a single steel mill could get special help. Sticking to free-trade principles may mean losing some steel companies, but it need not mean abandoning their workers. It just requires the political spine to stop traditional—and always unsuccessful— protection and focus help instead on employees, not their employers (The Economist 2001).

Quando se analisa a posição adotada pelo lobby contrário às medidas protecionistas, constata-se que nunca existiu de fato uma crise. Conforme mostra o Gráfico 2.4, em 1998 a produção da ISA estava dentro dos padrões da normalidade, apresentando até mesmo uma pequena elevação em relação aos anos anteriores.

Gráfico 2.4: Produção norte-americana de aço (1980/1998)

There is no steel crisis. U.S. steel mills shipped 102 million tons in 1998, the second highest annual total in the past two decades. Eleven of the 13 largest steel mills were profitable in 1998, earning collective profits of more than $1 billion. U.S. steel makers still supply more than two-thirds of domestic steel consumption. The problems confronting the steel industry are already lessening. Steel imports in February 1999 fell to 2.2 million tons, below the monthly average of 2.7 million tons imported during the last “precrisis” quarter of April–June 1997 (Lindsay 1999).

Eram vários os argumentos desse grupo, que formaria posteriormente um lobby contrário às medidas protecionistas. Brink Lindsey, Daniel T. Griswold e Aaron Lukas levantaram alguns motivos para a não-adoção de medidas protecionistas. Em um estudo publicado em abril de 1999, estes autores chegaram à conclusão de que o governo já havia exagerado em suas políticas de favorecimento à ISA, com medidas protecionistas desleais a produtos importados, e que esse favoritismo era desprovido de sentido econômico. Vários motivos foram levantados para chegarem a esta conclusão. Os principais são:

1) A ISA produziu 102 milhões de toneladas em 1998, conforme nos mostra o Gráfico 2.4, a segunda maior média num total de 25 anos.

2) A ISA aumentou sua participação no mercado global em 1998 em 0,3%. E os produtores norte-americanos de aço ainda produziam cerca de 2/3 de todo o material consumido pelos EUA.

3) 11 das 13 maiores indústrias lucraram em 1998. Nove destas treze lucraram mesmo durante o último trimestre de 1998, quando se acredita que a crise ganhou sua maior força.

4) O protecionismo do setor siderúrgico não é capaz de salvar os empregos desta indústria. O número de empregados por esta indústria declinou em cerca de 60% desde 1980 devido ao aumento da produtividade, e este número continuará a cair mesmo se barreiras comerciais forem impostas. De 1984 a 1992, a última vez que os Estados Unidos adotaram cotas de importação, 78.300 pessoas perderam seus empregos neste setor.

5) Enquanto a indústria siderúrgica reduziu sua força de trabalho em cerca de 10 mil pessoas, outros setores da economia norte-americana criaram 2,5 milhões de novos empregos. Assim, para cada pessoa desempregada na ISA, 250 novos empregos foram criados em outros setores da economia.

6) Restrições quantitativas à importação de aço na década de 1980 custaram à economia norte-americana cerca de 6,8 bilhões de dólares por ano.

7) A adoção de cotas seria uma violação direta das obrigações internacionais junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Tal violação pelos Estados Unidos encorajaria outros países a adotarem medidas semelhantes. Uma erupção de medidas protecionistas ao redor do mundo ameaçaria diretamente a continuidade da prosperidade dos Estados Unidos.

As declarações de que a ISA estaria passando por graves crises acarretaram o surgimento de um cenário político diferente em Washington. Foram vários os mecanismos adotados pelo governo Clinton para controlar a situação: medidas anti- dumping, countervailing duty e Section 201.

In document Living in the Margins of the State (sider 84-108)