A entrevista na pesquisa se constitui num tipo de comunicação entre quem está pesquisador e o entrevistado, com o objetivo de colher informações sobre fenômenos e indivíduos que possam dar essas informações. Por sua vez
A entrevista é uma técnica para extrair informações sistematizadas, possibilitando compreender opiniões, visões, percepções dos atores socais para se aproximar da ‘descoberta’ do que pensam e sentem enquanto entrevistados.” (NUÑEZ; RAMALHO, 2012, p. 72)
Concordando com Bogdan e Biklen (1994), utilizamos a entrevista por considerarmos o melhor instrumento de abordagem para o estudo de pessoas que compartilham uma característica particular. Aquilo que compartilham entre si será manifestado com mais clareza no momento o qual cada pessoa tem oportunidade de expressar suas perspectivas.
A entrevista na qualidade de instrumento de coleta de dados tem um caráter interativo, permitindo tratar de temas complexos, podendo ser a principal técnica de coleta de dados de uma pesquisa, mas pode ser também parte integrante de outras técnicas. Em relação ao questionário, entrevista, propicia maior flexibilidade, permitindo assim que o entrevistador se adapte com mais facilidade às pessoas, bem como às circunstâncias do contexto no qual a entrevista é realizada.
As entrevistas qualitativas variam quanto ao grau de estruturação, desde as entrevistas estruturadas até as entrevistas não estruturadas. Quanto às semiestruturadas, têm a vantagem de se ficar com a certeza de obter dados comparáveis entre os vários participantes “as boas entrevistas caracterizam-se pelo fato de os sujeitos estarem à vontade e falarem livremente sobre os seus pontos de vista [...] produzem uma riqueza de dados, recheados de palavras que revelam as perspectivas dos respondentes” (BOGDAN; BIKLEN , 1994, p. 136)
Para Triviños (1987, p. 146) a entrevista semiestruturada tem como característica questionamentos básicos que são apoiados em teorias e hipóteses que se relacionam ao tema da pesquisa. Os questionamentos dariam frutos a novas hipóteses surgidas a partir das respostas dos informantes. O foco principal seria colocado pelo investigador-entrevistador. Complementa o autor, afirmando que a entrevista semiestruturada “[...] favorece não só a descrição dos fenômenos sociais, mas também sua explicação e a compreensão de sua totalidade [...]” além de manter a presença consciente e atuante do pesquisador no processo de coleta de informações (TRIVIÑOS, 1987, p. 152)
Nessa pesquisa optamos pela entrevista semiestruturada, que possibilita a obtenção de descrições e explicações mais detalhadas sobre o objeto de pesquisa. Esta foi conduzida através de um roteiro elaborado a partir do referencial teórico da pesquisa, o qual se constitui de questões gerais que foram respondidas verbalmente em uma ordem prevista e exploradas mediante as respostas dos professores.
A vantagem da entrevista semiestruturada é a sua flexibilidade e a possibilidade de rápida adaptação, pois ela pode ser “ajustada”, às circunstâncias, porém, essa adequação deve estar devidamente prevista.
Apesar de o entrevistador poder ter as perguntas previamente preparadas, a maioria das perguntas gera-se à medida que a entrevista vai decorrendo, permitindo tanto ao entrevistador, quanto à pessoa entrevistada, a flexibilidade para aprofundar ou confirmar se necessário.
Isso se constitui no aspecto mais importante deste tipo de entrevista, pois é o desdobramento que emerge a partir do roteiro sugerido durante o processo dialógico existente entre o entrevistador e o entrevistado, e a oportunidade de coletar dados com maior riqueza de detalhes. Vale ressaltar que, para evitar possíveis erros, as perguntas fundamentais sugeridas no roteiro, em parte, a entrevista semiestruturada, no enfoque qualitativo, não nasce a priori. Elas são resultados não só da teoria que fundamenta a ação do pesquisador, mas também de toda a informação que ele já recolheu sobre o objeto de estudo.
A entrevista no nosso estudo teve como objetivos:
a) Descrever o perfil dos professores participantes da pesquisa;
b) Caracterizar a compreensão dos professores sobre a formação da habilidade de explicar Revolução Social no Ensino Médio.
6. 4.1.1 Plano da entrevista
Com base no referencial teórico, na natureza do objeto e no objetivo geral da pesquisa, foi elaborado o roteiro da entrevista semiestruturada, inicialmente traçado para dar respostas às questões orientadoras do estudo. Tal elaboração se deu de forma cuidadosa e atenta. Por conseguinte, definimos os objetivos a atingir e construímos o roteiro orientador suficientemente flexível para que permitisse, por um lado, o aprofundamento das questões levantadas e, por outro, a introdução de novas questões (as chamadas questões de reforço) que garantissem a efetivação dos objetivos definidos, podendo os entrevistados expressar-se livremente.
Não podemos esquecer que o roteiro é, sobretudo, um apoio ao entrevistador, não um registo exaustivo e rigoroso que suporta as questões a serem colocadas ao entrevistado. Nele constam elementos indispensáveis para delinear o objeto em relação a realidade empírica dos entrevistados. Segundo Minayo (2004, p.99)“ [...] deve ser o facilitador de abertura, de ampliação e de aprofundamento da comunicação” e considerar condições como:
a) Elaboração de questões para o delineamento do objeto – se deu pela elaboração de que questões correspondentes ao objetivo geral;
b) Formulação de perguntas claras – as perguntas foram elaboradas considerando o contexto da pesquisa de forma que os professores que responderam compreenderam o seu teor;
c) Ampliação e aprofundamento da comunicação – as perguntas foram gerais. o que permitiu que os professores expressassem seus pontos de vista acerca do objeto estudado.
d) Consideração das possíveis dificuldades dos entrevistados em relação ao objeto de estudo – quando da elaboração das questões tivemos o cuidado de torná-las compreensíveis em relação ao objeto de estudo.
Triviños (1987), discute sobre tipos de perguntas na entrevista semiestruturada diferenciando-as a partir de duas vertentes teóricas: fenomenológica e dialética. Para a linha teórica fenomenológica, as perguntas seriam de natureza descritiva - o objetivo seria o de atingir o máximo de clareza nas descrições dos fenômenos sociais. Para a dialética as perguntas seriam de natureza explicativa ou causal - o objetivo seria determinar razões imediatas ou mediatas do fenômeno social.
É importante esclarecer que o roteiro da entrevista foi submetido à validação, como mostraremos mais adiante, então todas essas condições serão avaliadas.
No nosso estudo, elaboramos perguntas de natureza explicativa causal. A escolha desse tipo de pergunta se justifica pelo fato possibilitar perspectivas de análise acerca da compreensão dos professores sobre a formação da habilidade de explicar Revolução Social, nas aulas de História, que é objeto de estudo dessa pesquisa.
No roteiro da entrevista, consideramos os aspectos acima através de perguntas explicativas. É importante destacar que o plano da entrevista segue as questões de estudo
desencadeadas a partir do objetivo geral e foi elaborado em blocos temáticos que objetivaram agrupar o mesmo assunto. Os blocos temáticos são referentes à:
a) Identificação dos professores; b) Habilidade de explicar em História;
c) Explicação do conteúdo Revolução Social no Ensino Médio. Os quadros que seguem são correspondentes ao plano da entrevista
O quadro 8 se refere a ao plano da entrevista, essencialmente para a descrição dos professores .
Indicadores Roteiro para entrevista
Identificação
Formação acadêmica
Experiência com o Ensino de História
Dados de identificação. 1.1 Qual o seu nome? 1.2 Qual a sua graduação? 1.3 Fez pós-graduação
(especialização, mestrado, doutorado)?
1.4 Qual o seu tempo de atuação no Ensino Médio?
1.5 Quanto tempo de atuação com a disciplina História?
1.6 Você gostaria de relatar outras experiências?
O quadro 9 se refere a segunda parte do roteiro da entrevista
Questão de estudo Roteiro
Como os professores definem a habilidade de explicar em História?
Como os professores identificam um aluno que desenvolveu a habilidade de explicar em História?
O que pensam os professores sobre a formação da habilidade explicar fatos e acontecimentos no Ensino Médio?
2 A explicação de fatos e acontecimentos históricos se constituem numa das finalidades da disciplina História no Ensino Médio.
2.1 O que é explicar em História? 2.2 O que um aluno que desenvolveu a habilidade de explicar em História, deve saber?
2.3 Na sua opinião, a escola ensina aos alunos a explicar fatos e acontecimentos nas aulas de Historia?
O que os professores pensam sobre a importância dos alunos aprenderem a explicar Revolução Social no Ensino Médio?
Que tipos de explicação são destacados pelos professores para o ensino do conteúdo Revolução Social?
Para os professores o que é explicar uma Revolução Social?
O que os professores compreendem sobre o que é pensar conceitualmente os
processos Revolução Social ?
3 . Em relação ao conteúdo Revolução Social na área da História no Ensino Médio. 3.1 Qual é a importância dos alunos
aprenderem a explicar Revoluções Sociais no Ensino Médio?
3.2 Como o conteúdo Revolução Social é trabalhado na escola nas aulas de História? 3.3 A escola ensina a pensar os processos de Revolução Social conceitualmente?. Justifique sua resposta.
Quadro 9 Plano da entrevista (Identificação da compreensão dos professores sobre a formação da habilidade de explicar Revolução Social no Ensino Médio)
6.4.2 Protocolo de análise de livros didáticos e estabelecimento das categorias teóricas