5 Discussion
5.2 Collaborative engineering
Na pesquisa quantitativa, o volume de dados é grande. Precisam ser organizados e compreendidos. Isto se dá através de um processo continuo no qual é necessário identificar dimensões, categorias, tendências para desvendar o sentido e o significado dos dados. Nesta pesquisa, as entrevistas serão analisadas de acordo com as seguintes etapas:
a) Realização das entrevistas
Em princípio tivemos a intenção de realizar a entrevista com 10 (dez) professores. Precedendo a realização da entrevista entramos em contato com todos os professores, sendo que 9 (nove) dos professores foram contactados, de forma individual e pessoalmente, e 1 (um) deles por via telefone. Dos 10 (dez) professores, 8 (oito) expressaram a disponibilidade e o interesse em participar na realização do estudo, 2 (dois) optaram por não participarem. Reforçando, as entrevistas foram realizadas com 8 (oito) professores.
Como refere Bogdan e Biklen (1994, p. 77) “ao negociar a autorização para efetuar um estudo, o investigador deve ser claro e explícito com todos os intervenientes relativamente aos
termos do acordo e deve respeitá-lo até à conclusão do estudo”. Neste sentido, em conformidade com Bogdan e Biklen, todos os professores foram devidamente informados de sobre o processo do estudo.
A realização das entrevistas ocorreu de acordo com os dias, horário e local combinados e agendados, respeitando a disponibilidade dos entrevistados. As entrevistas tiveram uma duração entre 14m e 40m (quatorze e quarenta minutos). Todas as entrevistas foram realizadas nas instituições as quais os professores trabalham, em um ambiente adequado e não susceptível de interferências, que pudessem comprometer a gravação em áudio da entrevista. Os professores demonstraram satisfação em responder as perguntas, a principio foi necessario a utilização de estrategias para que eles se sentissem à vontade, uma vez que, a todo momento, tivemos o cuidado para estabelecer um clima de confiança mútua entre os professores e o entrevistador.
De acordo com Triviños (1987, p.149),
Antes de iniciar a entrevista mesma, o investugador deve estar plenamente convencido da necessidade de desenvolver no decorrer dela, todos os elementos humanos que permita um clima de simpatia, de confiança, de lealdade, de harmonia entre ele e o entrevistado.
Assim sendo, durante a realização das entrevistas, este clima foi estabelecido, visto que os professores tiveram oportunidade de expor seus pensamentos em relação ao objeto de estudo. Não tiveram dúvidas em relação as questões propostas., tornando o ambiente adequado a realização das entrevistas.
b) Registro literal das entrevistas
Para o registo dos dados, e tendo em vista a qualidade da sua recepção, utilizamos um gravador profissional de voz, com o consentimento e acordo prévio com professores, para a gravação de áudio das entrevistas. É importante destacar que no decorrer das mesmas, tivemos o controle no que diz respeito a: esclarecer possíveis questões e dúvidas dos professores e verificar se o equipamento (gravador) estava funcionando de forma correta. Para registrar aspectos não verbais, num momento imediato ao término de cada entrevista utilizamos a estratégia de notas de campo. Logo após a realização, ocorreu a audição das gravações antes da transcrição.
c) Transcrição do conteúdo das entrevistas
O momento da transcrição corresponde a uma experiência para o pesquisador e se constitui em uma pré-análise do material. Para a transcrição da entrevista semi-estruturada, é conveniente que esta atividade seja realizada pelo próprio pesquisador.
Tão logo a realização das entrevistas ocorreu a transcrição, na íntegra, dos registos áudio recolhidos. Todo o processo foi realizado de forma manual e não com recurso a programas informáticos.
Desse modo, em consonância com os fundamentos da pesquisa e as categorias empíricas, as respostas foram transcritas literalmente, consideradas algumas das normas compiladas e os exemplos apresentados por Marcuschi apud MAZINI(2014). Posteriormente editadas com um o grau baixo de edição proposto por Piñuel (2002).
Assim, foram utilizadas as seguintes estratégias para a transcrição:
a) Comentários, para a análise (a proporção que foi realizada a transcrição, foi utilizada a ferramenta do word para comentar o conteúdo das respostas);
b) Utilização de alguns sinais como:
entonação enfática – letra MAIÚSCULA
incompreensão de palavras – ( ) e repetir a hipótese. silabação – si-la-ba-ção citações literais – “aspas” qualquer pausa - reticencia ...
d) nomes de obras ou estrangeiros - sublinhado e) utilização de:
abreviatura Pesq. – pesquisadora
letra P - professor (acompanhado do número que corresponde a sequencia das transcrições). Exemplo P1
T para Turno (produção de um falante enquanto ele está com a palavra, incluindo a possibilidade de silêncio).
Part. - participantes
Após a transcrição das entrevistas, os professores tiveram acesso a cópia ,via correio eletrônico, para verificar se as respostas transcritas estão em conformidade com as respostas dadas por eles.
Após a apreciação dos professores, foi dado proseguimento ao tratamento dos dados recolhidos. Para este instrumento, recorremos à técnica de análise de discurso, a partir dos estudos de Orlandi.
A análise de discurso permite interrogar sobre os sentidos estabelecidos em diferentes formas de produção, advindas de distintas naturezas, dentre elas: verbais, não verbais, textos escritos ou orais, frases, imagens. Bastando que sua materialidade tenha sentido para ser interpretado. Entretanto, é importante destacar que a interpretação é passível de equívoco, embora pareça ser clara, existem diferentes definições, por isso, os sentidos não são tão claros como apresentam ser em sua aparência (ORLANDI, 2003).
Diferente do enfoque positivista e determinista, a análise de discurso considera os dados na qualidade de elementos indiciários, como discursivo. Deste modo, as “evidencias” são tratadas como indícios, marcas que se apresentam para interpretação. Os dispositivos de análise fornecidos pela análise de discurso abrangem elementos indiciários produtores de sentido. Dito de outra forma, a interpretação não se faz por ela mesma, não é pura, é fruto da historicidade.
Na análise de discurso, Orlandi (2003), discute sobre a interpretação a partir desta forma de tratamento de dados, esclarece que tal tratamento a interpretação deve ser pensada como um conjunto de indícios que pode introduzir vários sentidos. Sendo assim, nos variados gestos interpretativos é que ocorrem as polissemias, entendidas sempre na relação entre diversos aspectos.
[...] Análise do Discurso visa fazer compreender como os objetos simbólicos produzem sentido, analisando assim os próprios gestos de interpretação que a considera como atos no domínio simbólico, pois eles intervém no real do sentido. A análise do discurso não estaciona na interpretação, trabalha seus limites, seus mecanismos, como parte dos processos de significação, também não procura um sentido verdadeiro através de uma “chave” de interpretação. (ORLANDI 2003, p. 26)
Orlandi distingue os termos: inteligibilidade, interpretação e compreensão. O primeiro refere-se o sentido à língua, o segundo é o sentido pensando-se o co-texto e o contexto imediato e o terceiro é saber como um objeto simbólico produz sentidos.
Tendo em vista o objeto de estudo se relacionar com compreensão dos professores sobre a formação da habilidade de explicar com recorte para a explicação de Revolução Social e como este processo está organizado nos livros didáticos, aprovados pelo PNLD para triênio 2012/2014 para ensino de história e, é importante salientar que, na materialidade discursiva, no caso das entrevistas com os professores, a análise refletirá o entendimento e o
funcionamento discursivo considerando dá sentido ao discurso. Visto que “não há análise de discurso sem a mediação teórica pertinente, em todos os passos da análise, trabalhando a intermitência entre a descrição e interpretação”.(ORLANDI, 2003 p. 62).
Deste modo, os processos discursivos serão compreendidos e interpretados enquanto determinados pela historia em sua relação com a memória de um dizer (interdiscurso), e para isso se faz necessário unir-se análise e teoria de forma que simultaneamente sejam interpretadas as marcas, formais, a partir de seu contexto histórico cultural e se realize movimentos de comparação com a teoria ajustando assim, a interpretação de tais fatos.
Os adeptos da análise de discurso consideram um texto como um processo de significação e unidade significativa. Portanto, o funcionamento do discurso é marcado pelo seu autor determinado para um interlocutor com finalidades específicas. É neste confronto que se encontra o processo de significação.
As palavras falam com outras palavras. Toda palavra é sempre parte de um discurso. E todo discurso se delineia na relação com outro: dizeres presentes e dizeres que se alojam na memoria (ORLANDI, 2003 p.23)
É importante destacar que na análise de discurso é essencial que o próprio entrevistador transcreva a entrevista, pois a análise é construída através dos vieses compartilhados pelo mesmo, isto é, a percepção, a interpretação, a formação discursiva do entrevistador estão implícitas em sua análise.
A partir dos fundamentos da análise de discurso analisou-se como os professores compreendem a formação da habilidade de explicar Revolução Social nas aulas de História.
As etapas da análise de discurso:
a) Identificação das primeiras ideias do texto - A partir do material empírico bruto analisado e antes da transcrição, a gravação das entrevistas foi copiada no computador e ouvida. As notas de campo também foram lidas. Este momento foi o segundo contato com a entrevista gravada, lembrando que o primeiro momento, foi o contato direto com os professores.
b) Identificação dos pontos chaves do discurso - Durante esta fase de leituras contínuas, procurando temas repetitivos, frases que pareçam representar de maneira compreensão dos professores de forma mais ou menos coerente e de
significado similar ou palavras com significados particulares. Isto implica sublinhar e passar para outro papel essas frases, de forma a facilitar a sua organização posterior.
c) Descrição detalhada e análise dos elementos identificados - será a redação do passo a passo apresentada no capitulo dos resultados;
d) Confronto entre os resultados obtidos e as teorias que embasam a pesquisa - as análises serão confrontadas com o referencial teórico da pesquisa, através de exemplos no corpo da tese. A transcrição na integra será disponibilizada nos anexos.
e) Formulação da conclusão – será apresentada após o capítulo dos resultados.
Nossa opção pela análise do discurso se justifica pelo fato de que essa técnica de análise de dados nos permite analisar a estrutura de um texto e a partir disto compreender as construções ideológicas presentes no mesmo. Tais construções ideológicas presentes em um discurso são produzidas pelo contexto político-social no qual o seu autor está inserido. A análise do Discurso extrapola uma análise textual, nos permitindo a fazer um análise contextual da estrutura discursiva em evidência, por isso se adequa a natureza da nossa pesquisa.