9. CONCLUSION
9.2 Further research
Contexto da entrevista
A entrevista narrativa com o professor Washington Cordovil aconteceu no dia 29 de junho de 2011, no horário das 14:30 às 16:00 h. Antes, já havia tentado uma entrevista, mas, quando fui gravar, a memória do gravador digital estava cheia. Então, remarcamos para o dia em que realmente aconteceu a entrevista. Não conhecia o professor, a escolha dele atendeu aos critérios de seleção, é uma pessoa reservada, muito distinta e a entrevista transcorreu com muita tranquilidade, característica esta do entrevistado, que, dentro de suas possibilidades, deu as informações. O professor tinha um compromisso, portanto não prolongamos muito essa entrevista.
Perfil
O professor Washington é paraense e nasceu em 21 de maio de 1952 no município de Gurupá. Seu pai se chamava Joaquim Rocha Filho, também era paraense, médico e hoje já é falecido. Sua mãe, Graziela Cordovil Rocha, enfermeira Ana Nery. Casado com a senhora Jacira Bastos Rocha, tem um filho chamado Fábio Alexandre Bastos Rocha, formado em Ciência da Computação, e uma filha Anna Márcia Rocha Rodrigues, formada em Administração de Empresas.
Estudou em escola pública e sua formação profissional teve início em Macapá na Escola Industrial Macapá de. Todavia, sua formação é complexa: se formou em Engenheiro Mecânico, Engenheiro Elétrico, Licenciatura em Matemática, Engenheiro Naval, Gestão em Transportes e Licenciatura em Disciplinas Especializadas. É bem relacionado, trabalhou em empresas que o possibilitou viajar e conhecer a formação técnica de ponta de vários países, como a França e a Inglaterra.
Quando veio para Belém ainda foi para a antiga Escola Industrial e, no ano em que chegou, no segundo semestre a escola mudou de nome para a Escola Técnica. Fez o curso técnico em Eletromecânica (1968-1970) e, após formado trabalhou fora da instituição; retornou em 1973 como professor, permanecendo até o momento, com 38 anos de serviço.
Minha família, uma experiência de vida
O professor Washington relatou o seguinte:
Wm: O meu pai se chamava Joaquim Rocha Filho, ele era paraense, hoje já é falecido. Ele era médico da marinha, chegou ao posto de Mar e Guerra. A minha mãe foi enfermeira Ana Nery, seu nome era Graziela Cordovil Rocha. Logicamente se casaram, e depois separaram, quando eu tinha 15 dias de nascido. Nasci em 1952, fui crido com a minha mãe, até 1967 em Macapá. Depois viajei para Belém, com a bolsa da SUDAM – Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia em convênio com o Território Federal do Amapá. Durante os três anos do curso, com mais o estágio, praticamente fixei domicílio em Belém e morava praticamente sozinho.
A escolha pelo curso de Eletromecânica
O entrevistado professor Washington Cordovil estudou em escola pública. Sua experiência teve início em Macapá, na Escola Paroquial Padre Dário, depois estudou no Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Então, se mudou para o lado, que era o Ginásio de Macapá, esta escola trabalhava com ensino profissionalizante e lá Washington concluiu o ginásio. Na época, o governador do Amapá era o General Ivanhoé Gonçalves Martins.
Washington Cordovil relatou que sua vinda para Belém foi facilitada devido ao seguinte fato:
Wm: O que facilitou a minha vinda para Belém foi uma visita do presidente Castelo Branco a Macapá. Na ocasião, fiz um apelo ao então presidente: solicitei que fosse concluída a obra da hidroelétrica do Paredão. Porque a verba que era repassada, terminava e a obra não terminava. Com isso foi tirado uma fotografia minha junto ao presidente e essa foto foi para o Palácio Setentrião do Governo e o governador Ivanhoé viu essa foto e isso foi meu passaporte [+], pois o governador apoiou a minha vinda e dos meus colegas para fazer o curso técnico.
Segundo Washington Cordovil, quando veio para Belém em 1968 estava já com a bolsa da SUDAM para estudar na Escola Técnica. Entretanto, Cordovil buscou outra formação, como seu pai era médico e sua mãe enfermeira, de alguma forma ele também se sentia atraído pelo cheiro do éter. Então, quando estava cursando no 2º ano de eletromecânica na ETFPA, apareceu uma oportunidade de fazer um curso nas Centrais Telefônicas de Belém do Pará. Naquela época, seriam implantadas as torres de repetição da Embratel a cada cem quilômetros e o técnico que fosse para lá tinha a necessidade de saber os primeiros socorros.
Desta forma, em 1969 buscou a formação em primeiros socorros. A Companhia de Telefone do Município de Belém/COMTEBEL alugou uma sala (ou tinha permissão para usá-la) no Colégio Deodoro de Mendonça; lá se estudava a teoria, tudo era muito lindo. Sendo que a prática seria no pronto socorro municipal; eram oito alunos, indo de dois em dois para esse local. Washington Cordovil foi junto a Miguel Lopes às sete da manhã para o pronto socorro, quando se deparou com um pessoal que tinham os dedos amputados e muito sangue. Naquele momento, constatou que essa não era a área em que gostaria de atuar.
Assim se decidiu e passou a gostar mais da área tecnológica. De acordo com Washington Cordovil, seu curso teve início na Escola Industrial, situada na (rua) Dom Romualdo de Seixas. Lá fez um ano; morava na escola mesmo, embaixo da arquibancada da quadra de esportes. Depois, mudou junto com a escola, quando ela foi transferida para a Almirante Barroso. Foi aluno de 1968 a 1970; fez o curso de Eletromecânica. A diretora era a professora Yolanda Pinto; as refeições ele fazia na Escola Lauro Sodré e, movido pela emoção, disse: “essa escola já foi a minha casa, já morei nela, sai daqui empregado, porque no meu 2º ano a ERICSSON já me pagava. Eu tinha uma bolsa do território e mais esse salário”.
Cordovil não foi monitor na ETFPA, formou-se como técnico em Eletromecânica, fez estágio uma parte na CELPA, e outra parte na montagem da Companhia Telefônica de Belém/COMTEBEL.
De aluno a professor na ETFPA
Depois de formado em técnico, foi para São Paulo concluir o curso de Centrais Telefônicas com duração de três anos que havia começado em 1969, através de um convênio entre o Ministério da Educação, e a Ericsson do Brasil (que estava fazendo mudanças telefônicas na região). Voltou em 1971.
Wm: fiz meu primeiro vestibular, não se fazia para o curso, mas sim para área, optei pela área de exatas, eu me classifiquei em engenharia mecânica e para me manter tive que dar aula em cursinho de vestibular, que foi minha melhor escola como professor, os cursinhos de vestibular.
Segundo Washington Cordovil, quando estava professor de cursinho, foi uma fase muito boa:
Wm: Brincando com seus alunos, [+] dizia que ia fazer o vestibular, e em 1972 passou em engenharia elétrica, em 1973 em Matemática. Depois fez Engenharia Naval, Licenciatura em Disciplinas Especializadas em Mecânica Técnica, Resistência de Materiais e Produção Mecânica e Gestão de Transporte. Em 1975 houve uma revisão no regimento interno da Universidade e proibiram até hoje; você só pode fazer um curso.
Por volta de 1973, passou no concurso no CIABA, lá trabalhava juntamente com o professor João Damasceno de Aquino, o qual já havia sido seu professor na Escola Técnica, e a convite deste, veio trabalhar na instituição como professor colaborador também no mesmo ano, onde permanece com 38 anos de trabalho.
De acordo com o entrevistado, foi também diretor da Empresa de Navegação da Amazônia/ENASA ― hoje não existe mais, mas foi a maior empresa fluvial de navegação do mundo, e essa experiência somou ao seu repertório na área tecnológica, e contribuiu bastante na sua atuação como professor na ETFPA.
2.3 A Política da Educação Profissional para o mundo do trabalho na década de