1. Introduction
1.3. Research Design
É evidente que os resultados gerados no presente estudo foram afetados por algumas limitações. Por exemplo, a composição da amostra com empresas pesquisadas de uma única região e setor da economia. Isso representa uma oportunidade para pesquisas futuras objetivando a generalização dos resultados considerando características estruturais de outras regiões como também de outros setores da economia. Outra limitação está relacionada ao tamanho da amostra devido as dificuldades de obtenção de questionários respondidos e válidos para a pesquisa. Isto pode consistir em trabalho futuros que contempla a amplitude da amostra considerando empresas de outras regiões do Brasil e de outros países.
A partir dos resultados e conclusões apresentadas, surgem algumas recomendações de pesquisas no tema, por exemplo, uma melhor avaliação do efeito das características que causam dificuldades da região de localização das empresas pesquisadas, sobretudo nos países em desenvolvimento, no grau de adoção de práticas lean.
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O EFEITO DO LEAN MANUFACTURING NO DESEMPENHO
EMPRESARIAL EM UMA REGIÃO COM RECURSOS ESCASSOS:
UMA SURVEY NA REGIÃO AMAZÔNICA DO BRASIL
Este capítulo direciona suas análises para a terceira e última questão de pesquisa
(medir o efeito de adoção das práticas lean no desempenho empresarial) da presente tese. Isso foi possível a partir da investigação empírica da hipótese de pesquisa formulada na Seção 5.2.2, sustentada pela discussão da literatura mundial quanto ao impacto da adoção de práticas de lean manufacturing no desempenho das empresas da indústria de transformação.
O capítulo encontra-se estruturado em cinco Seções: a Seção 5.1 apresenta a introdução com caracterização do tema e do objeto de pesquisa; na Seção 5.2 discorreu-se acerca do estudo da literatura quanto a adoção de lean pela indústria de transformação ao redor do mundo, o impacto de tal adoção no desempenho das empresas da indústria de transformação de países desenvolvidos e de países em desenvolvimento, fundamentando o gap existente na literatura, que sustenta a realização da presente pesquisa e sua essencial contribuição, e a formulação das hipóteses de investigação; a Seção 5.3 detalha o método de pesquisa utilizado, com descrição dos procedimentos de coleta e análise estatística dos dados; a Seção 5.4 trata das discussões dos resultados obtidos com a realização das análises de dados, lançando mão de técnicas estatísticas, dentre as quais: estatística descritiva, teste de Friedman e análise post hoc de Friedman, Análise Fatorial Exploratória (EFA), Análise Fatorial Confirmatória e Modelagem de Equações Estruturais (SEM); e a Seção 4.5 com a conclusão, que reforça a relevante contribuição da presente pequisa por meio das contribuições científicas e gerenciais, e finaliza com as limitações e diretrizes para futuras pesquisas.
5.1 Introdução
A aplicação de práticas de lean manufacturing na gestão de operações tem se mostrado efetiva na melhoria do desempenho das empresas do setor industrial. Isso vem sendo evidenciado há algum tempo por vários estudos que abordam o efeito de práticas lean no desempenho empresarial (por exemplo, BORTOLOTTI; DANESE; ROMANO, 2013; DEAN; SNELL, 1996; GODINHO FILHO; GANGA; GUNASEKARAN, 2016; HUDSON; NANDA, 1995; WHITE, 1993; WIENGARTEN et al., 2015).
A maioria dos estudos analisados na literatura mostra a relação positiva e estatisticamente significativa de adoção de práticas de lean manufacturing com o desempenho de empresas do setor industrial, localizadas tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento (por exemplo, GODINHO FILHO; GANGA; GUNASEKARAN, 2016; CHAVEZ et al., 2015; SHARMA; DIXIT; QADRI, 2015; DORA et al., 2014; FULLERTON; KENNEDY; WIDENER, 2014; BHASIN, 2013; CHEN; TAN, 2013; GHOSH, 2013; NAWANIR; TEONG; OTHMAN, 2013, HOFER; EROGLU; HOFER, 2012; FORRESTER et al., 2010; WHITE; PEARSON; WILSON, 1999; UPTON, 1998; WHITE, 1993). Entretanto, outras pesquisas também mostraram que não há relação entre a implementação do lean manufacturing com desempenho empresarial (ALCARAZ et al., 2014; GREEN JR. et al., 2014; FULLERTON; MCWATTERS; FAWSON, 2003; SWINK; NARASIMHAN; KIM, 2005; KADIPASAOGLU; PEIXOTO; KHUMAWALA, 1999; DEAN; SNELL, 1996; HUDSON; NANDA, 1995). Ou ainda, que a relação entre algumas práticas de lean manufacturing e desempenho das empresas mostrou-se estatisticamente negativa (BELEKOUKIAS; GARZA-REYES; KUMAR, 2014; HONG; YANG; DOBRZYKOWSKI, 2014; BORTOLOTTI; DANESE; ROMANO, 2013; MATSUI, 2007).
Essas evidências empíricas deixam claro que mais pesquisas precisam ser realizadas para que possam avaliar efetivamente a relação entre a implementação de lean manufacturing e a melhoria ou não de indicadores de desempenho empresarial. Outra lacuna identificada no estudo da literatura, refere-se as características das regiões de localização das empresas objeto de análise. Visto que os estudos mostram a relação de implementação do lean manufacturing com desempenho empresarial em países em desenvolvimento, mas nenhum desses estudos focou uma região com baixo desenvolvimento econômico dentro desses países. É exatamente dentro deste contexto que o presente estudo está inserido, objetivando fornecer uma visão abrangente e detalhada quanto a relação de implementação do lean com o desempenho de empresas da indústria de transformação localizada em uma região de recursos escassos, dentre os quais, baixo valor agregado dos produtos, infraestrutura de transporte/logística insatisfatória, baixa qualificação técnica quanto ao lean manufacturing, distância dos principais fornecedores.
5.2 Revisão da literatura
Objetivando caracterizar a adoção das práticas lean e sua relação com desempenho, realizou-se a revisão sistemática de 84 artigos de suveys publicados em periódicos e
identificados nas bases de dados Engineering Village, Scopus, Web of Knowledge e Google Scholar. Dentre esses artigos, 38 analisaram o grau de adoção das práticas lean na indústria de transformação e 46 estudaram a relação das práticas lean com o desempenho das empresas. A análise e discussão desses estudos estão divididas nas Seções 2.1, 2.2 e 2.3, respectivamente.