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ENFERMAGEM COMO IMPORTANTE INSTRUMENTO DO CUIDADO (GESTÃO 2000/2001)

Os enfermeiros percebem a influência do modelo conceitual de Horta na prática de Enfermagem. No entanto, essa metodologia de planejamento da assistência era chamada de PE e não de SAE.

Nós, mais antigos, temos mais dificuldades, por que a gente (...) falava-se em Wanda Horta. Era o Processo de Enfermagem, não era sistematização (...). Naquela época a gente não falava muito em SAE, era ainda chamado Processo de Enfermagem (EIC – 3).

Apesar das limitações na compreensão da SAE como um método composto por várias etapas, observam-se investimentos na Evolução de Enfermagem. No relatório de atividades anuais da Chefia do NE em 2000, citam-se a elaboração da referida etapa (check-list) e a implantação do Serviço de Educação Continuada. O impresso de Evolução de Enfermagem foi implantado em caráter experimental e avaliado após utilização nas Unidades de Internação. A GE/SES/DF divulgou os formulários da referida metodologia, confeccionados para utilização em todos os hospitais da rede.

Informamos que esses instrumentos de trabalho foram elaborados após amplas discussões das encarregadas de enfermagem das UTI’s e Clínicas Médica e Cirúrgica, com objetivo de sistematizar a assistência de enfermagem e aprimorar a qualidade de assistência prestada (Ata de reunião do NE em 07/07/2000).

A construção de instrumentos para a coleta de dados dos clientes, durante a fase de realização do Histórico e da Evolução de Enfermagem, foram fatores determinantes para que o NE e a GE/SES pudessem trabalhar o processo de implantação da SAE. Foi um período marcado pela participação dos enfermeiros, por discussão e elaboração de impressos, padronizados e adotados por diversas

áreas de internação da SES/DF, tais como: Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, UTI, Pediatria e Neonatologia. A GE trabalhou juntamente com as Coordenações de Enfermagem da SES/DF para a implantação desses formulários nas unidades de atuação da Enfermagem.

Nesse período, a implementação da SAE era complementada com a realização da Prescrição e da Evolução de Enfermagem, embora essas etapas fossem desenvolvidas apenas para alguns clientes, o que tornava o processo incompleto e fragmentado. Tais dificuldades fizeram com que fosse realizada a divisão quantitativa das evoluções dos clientes por turnos de trabalho.

Não era uma sistematização, mas a gente já tinha uma preocupação. A gente já evoluía paciente, já admitia. (...) A gente já tinha um histórico. (...) a gente já tinha um apoio, que era o histórico de enfermagem. (...). A gente fazia a prescrição de enfermagem e evoluía (...) a gente admitia, não tinha como admitir, prescrever e evoluir (...) e dividia: um pouco de manhã, um pouco de tarde, um pouco de noite (EIC – 3).

Esse modelo assistencial foi apontado como uma ferramenta que possibilitava o conhecimento e avaliação do cliente, principalmente através da realização do exame clínico, o que colaborou para transformar a prática do enfermeiro, tornando-a mais científica. Tal metodologia tornava visível o trabalho desse profissional por meio dos registros e anotações que eram realizados durante a execução da SAE, o que permitia conhecer as intervenções para realizar a prescrição e também acompanhar melhor o cliente durante sua internação por meio da evolução de enfermagem.

Eu acho que é um ganho para o enfermeiro (...). Você começou a ter um enfermeiro mais técnico quando ele começou a fazer, porque antes, nós éramos meros fazedores (...). Eu acho que a sistematização veio pra melhorar a assistência de enfermagem (...). Hoje a gente consegue avaliar um cliente (...). Acho que a sistematização hoje veio para acrescentar o enfermeiro (...). Hoje você lê o que o enfermeiro fez (...) o que ele fez, como ele ta avaliando, se houve melhora, se não houve (...). Você conseguia ver o que tinha acontecido com cada paciente daquele, porque, porque tinha algo escrito, tinha uma evolução. Lá dentro tinha uma prescrição para você prescrever (EIC – 3).

Reconhece-se que, embora algumas etapas da metodologia em questão já tenham sido incorporadas pelos enfermeiros, estas ainda requerem o reforço da Supervisão de Enfermagem e um dimensionamento de recursos humanos adequados para a garantia da qualidade da assistência.

Você tem que conhecer o seu cliente (...). Hoje ele tem que fazer, não tem como eu fazer uma sistematização sem conhecer o exame físico (...). A gente cobra a sistematização, a qualidade de assistência naquele hospital (...). A gente começou a sentir essa necessidade (...). Eu acho que a sistematização é boa. É, mas tem que botar os enfermeiros lá em quantidade suficiente e não enfermeiro para 30 ou 40 pessoas (...). A gente não tinha as alas separadas, os raquimedulares ficavam com os pacientes da oncologia, que são pacientes completamente diferentes, bem diferentes (EIC – 3).

Uma das dificuldades apresentadas para a SAE esteve relacionada à fase do Diagnóstico de Enfermagem, considerada como uma etapa complexa para a execução que devia ser incorporada lentamente ao trabalho do enfermeiro. A falta de unidade e apoio do grupo para a aplicação desse modelo assistencial, especialmente no que se refere à etapa da Evolução de Enfermagem, também contribuiu para a não-realização dessa metodologia. Quando, porém, toda a Equipe passou a se envolver nesse processo de trabalho, o seu desenvolvimento tornou-se viável e possível.

A ausência de reuniões e discussões foi apontada como uma dificuldade para a SAE, uma vez que o número de enfermeiros era reduzido e existia uma grande demanda de atividades assistenciais para esse profissional.

Considerou-se também como dificuldade a rotina da assistência de enfermagem na instituição, porque o trabalho do enfermeiro se tornou muito repetitivo e rotineiro, principalmente em função do perfil de clientes que eram atendidos, especialmente aqueles com doenças crônicas e com necessidades de cuidados relacionados ao tratamento de feridas (curativos) e reabilitação vesical (cateterismo vesical intermitente). Essas atividades demandavam maior tempo do enfermeiro, considerando o número de um profissional para cada Unidade de Internação.

Nós éramos fazedores (...) hoje a gente tem que trabalhar com diagnóstico, que não é uma coisa fácil (...). Você tinha alguns que evoluíam, tinham outros que brigavam para não fazer (...) mas acontecia isso, e não tinha o apoio de todo mundo, mas você acabava trazendo as pessoas, porque se a maioria começava a fazer, aquele que não faz, ele começa a ficar diferenciado da equipe (...). Nós não éramos muitos, o serviço não era pouco, e a gente praticamente não reunia não (...). Não reunia com esse objetivo de discutir para implementação de alguma coisa não (...). Porque lá é paciente crônico e você sempre faz a mesma coisa (...). A gente empurrava carrinho de curativo. Quando não era de curativo era de cateterismo vesical e às vezes era um enfermeiro que empurrava. Então isso tudo dificulta (...). Mas era um em cada ala, ficava pesado (...) era pesado como enfermeiro, e para chefe, e depois fui os dois (EIC – 3).

3.4 A IMPLANTAÇÃO DA ETAPA DO DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM E DA