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2. Theory

2.6 Requirements for barrier reporting

Apesar da repetição de um experimentador nas quatro etapas da coleta de dados, sua

presença na introdução dos objetos não gerou efeito na resposta exploratória dos saguis (e.g.

habituação). Houve similaridade na duração de contato com os objetos entre as condições

fotoperiódicas, além da semelhança na latência para contato, com exceção dos DL (Figura

15). Essa diferença nos DL foi a única que refletiu a diferença global entre os fotoperíodos

(Anexo VIII), encontrada para a latência (log10) na A2 (F3, 21=3,5, p=0,033, ANOVA), para a

duração de contato com o(s) objeto(s) (A1: F3, 21=3,82, p=0,025, ANOVA; A2: χ23=10,65, p=0,009, Friedman) e para o índice de exploração por contato (IC A1: F3, 21=4,67, p=0,012;

IC A2: F3, 21=7,81, p=0,001, ANOVA).

Figura 15. A. Duração de contato (segundos) com o(s) objeto(s) em cada condição fotoperiódica. Círculos pretos: valores atípicos (outliers) (A1: F3, 21=3,82, p=0,025, ANOVA; A2: χ23=10,65, p=0,009, Friedman) B.

Latência para contato (segundos) nas apresentações 1 e 2 em cada fotoperíodo (A1: F1,76, 12,35=1,50, p=0,26; A2:

F3, 21=3,5, p=0,033, ANOVA). *Fleury não saiu da caixa ninho na A1 dos DS1.

A

B

A1 A2 A1 A2 A1 A2 A1 A2 Fleury* - 71 59 6 8 52 152 58 Bastos 6 8 7 16 8 3 3 7 Ari 86 21 44 10 10 6 4 108 Obama 9 2 71 10 84 7 510 900 Fatinha 19 7 5 33 4 32 25 34 Safira 7 7 13 6 5 10 15 900 Orestes 4 29 1 3 2 8 589 14 Flora 900 14 27 6 10 30 12 11 Média 147 20 28 11 16 19 164 254 Desvio padrão 308 22 27 10 27 18 244 401 DC DS1 Sujeito DS2 DL

Sendo o IC representado pela proporção de exploração do objeto por meio do contato,

em comparação com a duração total de exploração visual e manual, os resultados mostraram

que nos DL os saguis tiveram menos exploração por manipulação do objeto (e mais

exploração visual) do que nos outros fotoperíodos. Adicionalmente, no geral, passaram menos

tempo com os objetos nos DL e demoraram mais para explorá-los. Os testes post hoc

encontram-se no Anexo VIII.

Não houve efeito dos fotoperíodos na memória de reconhecimento de objetos pelos

saguis (χ23= 4,37, p=0,236, Friedman) (Figura 16). Entretanto, dois sujeitos tiveram ausência de resposta na A2 dos DL (Safira e Obama), não manipulando o objeto novo nem o velho e

impossibilitando o cálculo de seus índices de reconhecimento. O IR desses sujeitos foram

definidos como zero nesta condição fotoperiódica, já que não apresentaram resposta que

valesse de reconhecimento.

Figura 16. A. Índice de reconhecimento representando a porcentagem de contato com o objeto novo em cada fotoperíodo. B. Médias individuais do IR (χ23= 4,37, p=0,236, Friedman). Barras de erro: EP. *Obama e Safira

não tiveram contato com nenhum objeto nos DL e seus valores inexistentes foram substituídos por zero para a ANOVA de Friedman.

Contudo, avaliando o padrão de resposta desses dois animais que deixaram de

responder nos DL, foi observado que, naturalmente, são sujeitos não tão responsivos como os

outros. A média da porcentagem da duração de contato dos outros seis saguis nas quatro

Bastos Safira Obama Fatinha Ari Fleury Orestes Flora

A

B

0 20 40 60 80 100 120 DS1 DC DS2 DL Ín d ice d e reco n h eci m ento (% ) * *

etapas experimentais foi comparada pelo Teste t de uma amostra com as médias de Obama e

Safira como valores de referência. Para ambos, foi encontrada uma diferença em relação à

exploração média dos outros sujeitos: A1: x=9,46 ± 4,49%; A2: x=12,6 ± 5,29%; Obama: A1

= 1,61%, A2 = 0,81%, t5>4,27, p<0,008; Safira: A1 = 2,17%, A2 = 4,28%, t5>3,85, p<0,012.

A avaliação desse resultado indica que a ausência de resposta desses saguis nos DL pode ser

devido a uma individualidade desses dois sujeitos, muito comum em primatas, e não uma

particularidade dos dias longos em si. Dessa forma, o IR foi calculado também para amostra

de n=6, que nào mostrou diferenças entre os fotoperíodos (F3, 15=2,52, p=0,097, ANOVA)

(Anexo VIII).

Em resumo, os resultados de atividade exploratória mostraram que os dias longos não

afetaram a memória de reconhecimento dos saguis, mas sim os comportamentos

exploratórios, corroborando, assim, a hipótese 2 e 3 mas não confirmando a predição 2

levantada, já que a redução da atividade exploratória ocorreu nos dias longos e não nos dias

DISCUSSÃO

Este estudo foi a primeira investigação do ritmo de atividade-repouso e da resposta

comportamental de saguis expostos a ciclos claro-escuro de 24 horas com fotofases de 8, 12 e

16 horas de duração. A avaliação dos resultados de ritmicidade circadiana indicou

sincronização da atividade locomotora aos diferentes fotoperíodos por meio do processo de

arrastamento e também do mascaramento. A duração da fotofase teve efeito no total diário da

atividade do sagui, na duração da fase ativa e em parâmetros rítmicos do ritmo circadiano de

atividade locomotora, como relações de fase, amplitude e variância do período. Além disso,

afetou a taxa e o tipo de emissão vocal dos saguis, a atividade exploratória e a frequência de

comportamentos nas horas iniciais após início do claro. Especificamente, foi observado um

efeito dos dias longos. Esses achados contribuem tanto em estudos sobre efeitos dos

fotoperíodos na ritmicidade circadiana (Wehr, 2001b; Walton et al., 2011b; Workman &

Nelson, 2011), bem como nas investigações sobre os padrões de atividade na ecologia do

sagui, já que atualmente é uma espécie introduzida em regiões de várias latitudes, logo, com

fotoperíodo variável (Rylands et al., 2008; Rylands et al., 2009).

Os saguis sincronizaram o ritmo circadiano de atividade pela pista fótica em ciclos de

24h com diferentes fotofases, como observado em outros primatas não humanos, por

exemplo, uma espécie de lêmure com hábitos noturnos (primata neotropical Microcebus

murinus) (Schilling et al., 1999; Perret & Aujard, 2001). Como a fase ativa desse animal é

alocada à noite, a diminuição da duração da escotofase pode ser comparável à diminuição da

fotofase para o sagui. Assim, os lêmures aumentaram a atividade em noites curtas de 9 e 10h

comparadas às noites de 14 e 12h e ao ritmo em livre-curso (Perret & Aujard, 2001), ao passo

alteração do total diário de atividade para os lêmures, assim como para os saguis em dias

longos.

Pelas transições de fase observadas entre as condições fotoperiódicas, a diminuição da

fotofase de 12h para 8h pareceu forçar mais o sistema de temporização circadiana no ajuste do

início da atividade locomotora do sagui, ao passo que o aumento de 12h para 16h e a

diminuição de 16h para 12h promoveram o ajuste mais rapidamente. Essa facilidade ou

dificuldade do ajuste pelo sistema de temporização circadiano é decorrente de mecanismos

funcionais relativos às atividades e interações de diferentes osciladores do núcleo

supraquiasmático e este é um processo determinado pelo grau de acoplamento entre estes

osciladores, que pode variar em função do fotoperíodo (Daan et al., 2001; Naito et al., 2008,

Meijer et al., 2010).

Esses pós-efeitos diferenciados na sincronização do ritmo de atividade-repouso diante

de avanço ou atraso de fase foram igualmente observados para a espécie noturna de lêmure

citada anteriormente (Schilling et al., 1999). Investigações como essas contribuem para as

constatações acerca da luz como pista de extrema relevância para a organização temporal dos

primatas. Um exemplo pode ser tomado para humanos, quando passam por uma mudança de

fase abrupta em voos transmeridianos. Há indicações de que o ato de evitar ou se expor à luz

seja eficaz para contornar efeitos de jet lag (Lee & Galvez, 2012), mas ainda são necessárias

mais investigações para esclarecer e estabelecer uma prevenção apropriada em cada situação,

além de compreender os complexos e amplos sintomas do jet lag (Kolla & Auger, 2011).

Neste estudo não foi possível distinguir se os saguis estavam evitando a luz ao se recolher

para a caixa ninho ou se estava de fato iniciando um intervalo de repouso, mas novas

metodologias estão sendo desenvolvidas no LNRB para possibilitar um olhar mais

O ajuste do início da atividade às mudanças de fase do claro observado neste estudo

em quase todas as situações (maior variação nos dias longos) converge aos achados de

investigações em cativeiro onde saguis estavam sujeitos às oscilações ambientais naturais ao

longo do ano e ajustavam o início da atividade dependendo do horário do nascer do sol, que

variava em até 40 min durante o ano (Menezes et al. 1998; Melo et al., 2010).

A duração da fase ativa do sagui em vida livre (11,37 h ± 13,8 min: Castro et al.,

2003), semelhante à observada em condições artificiais e naturais de luminosidade em

cativeiro (11,1 ± 0,7 h: Erkert, 1989; 11,06 ± 0,47 h: Menezes et al., 1993, respectivamente),

é similar à duração encontrada no presente estudo, apesar de ter sido um pouco menor. Foi

observada na primeira condição de dias simétricos uma duração de 10,58 ± 0,31 h e na

segunda condição (com pós-efeito de dias curtos), de 10,42 ± 0,54 h. Essa leve diferença em

relação aos achados acima pode ser devido às ferramentas de mensuração, além das

diferenças individuais.

Essa variação individual teve destaque principalmente no sujeito Ari, que se destacou

como valor atípico nas variáveis total diário de atividade e amplitude do ritmo. Ari foi o único

sujeito que teve o primeiro contato com a sala de experimentação no início deste estudo. Os

outros sujeitos já haviam habitado a sala de experimentação anteriormente. Contudo, o

término da fase de habituação ao novo alojamento foi definido pelo ritmo de atividade dos

animais pela inspeção do actograma e por observação dos comportamentos dos animais. Nos

primeiros dias, esse sujeito ficou predominantemente na caixa ninho, como era de se esperar.

Mas no decorrer dos dias, se exibia frequentemente fora da caixa ninho e não mostrava

inibição na presença dos experimentadores. Apesar de não podermos descartar a possibilidade

da razão desse sujeito ser tão diferente dos outros seja devido a isso (em relação às variáveis

A diferença entre os indivíduos também ficou bastante clara nas relações entre o início

da fase de claro e a fase de atividade, principalmente nos dias longos, nos quais alguns

sujeitos estenderam a duração da fase ativa de acordo com o final da fotofase, outros

avançaram a atividade para iniciar com o claro e outros distribuíam as atividades ao longo da

fotofase. Sugerimos que os saguis podem utilizar diferentes estratégias de resposta aos dias

curtos e longos, mas que todas resultam em sincronização aos fotoperíodos testados.

Assim, a pista fornecida pelos dias curtos, com atraso de fase de 2 h em relação aos

dias simétricos, foi suficiente para arrastar o ritmo de atividade locomotora dos saguis e

também para reduzir a duração e o total diário de atividade, mas não para alterar a variância

do período e a amplitude do ritmo, convergindo à predição 1. Já o avanço de 2h nos dias

longos gerou um ritmo sugestivo de sincronização também por mascaramento para alguns

sujeitos (que responderam de forma mais imediata à transição simétrico-longo-simétrico),

causou um aumento da duração da fase ativa, mas não do total diário de atividade e, ainda,

modulou a amplitude e a variância do período do ritmo, invalidando parcialmente a predição 1

em relação aos dias longos. A predição da hipótese 1 se mostrou válida quanto à dificuldade

de ajuste ser maior nos dias longos do que nos curtos, pois houve muita diferença individual

nas relações de fase entre atividade e claro, indicando que o sagui pode ajustar o ritmo de

atividade aos fotoperíodos testados de diferentes maneiras. Considerando todos esses

resultados, a avaliação do ritmo de atividade-repouso corroborou a hipótese 1, mas não

contempla às predições completamente.

Como o sagui é originário do nordeste brasileiro, região de pouca variação

fotoperiódica ao longo ano (baixas latitudes), poderíamos imaginar que esses animais não

responderiam distintamente aos fotoperíodos curtos e longos. Assim, essa flexibilidade no

ajuste temporal do ciclo de atividade-repouso do sagui aos diferentes fotoperíodos confere

uma vantagem na utilização desse animal como modelo de primata não humano, já que C.

jacchus é encontrado em instituições de pesquisa de diversos países (Abbott et al., 2003) com variações fotoperiódicas mais acentuadas (considerando que as colônias podem ter ciclo CE

natural, além do artificial 12:12). Contudo, cabe um olhar mais aprofundado no

comportamento do sagui frente a essas situações.

Dos comportamentos mensurados, vários são encontrados na literatura como

“displacement activities”, dependendo da situação em que o animal pode expressá-los. Essas atividades são classificadas como similares ou derivadas de padrões motores normais

encontrados na espécie, mas que parecem irrelevantes ou fora do contexto comportamental

apresentado simultaneamente (McFarland, 1966). Muitas vezes são confundidas com a

expressão normal do comportamento ou mesmo com estereotipias, porém, estas são distintas

por serem consideradas indicadoras de comportamentos patológicos, por exemplo, exibidos

por animais em isolamento (Troisi, 2002). Embora ainda existam dificuldades em interpretar

as “displacement activities”, especialmente quanto a causas e funções (Anselme, 2008), há evidências em primatas não humanos de que esses comportamentos são indicadores de

ansiedade, como a coceira, a autocatação, a marcação e sacudir o corpo (Schino et al. 1991;

Maestripieri et al., 1992; Schino et al., 1996; Cilia & Piper, 1997; Barros et al. 2004). No

nosso estudo, não tivemos o objetivo de identificar esses comportamentos como

“displacement activities”, pois não só uma abordagem etológica é importante como também correlatos fisiológicos e neurobiológicos (Troisi, 2002). Contudo, consideramos o potencial

dos comportamentos acima indicarem ansiedade.

Alguns comportamentos mensurados tiveram sua frequência alterada pelas condições

fotoperiódicas do presente estudo, dando suporte parcial à hipótese 2. Entretanto, a predição

dias longos não foi encontrada. Uma limitação da metodologia foi a amostragem

comportamental apenas das duas primeiras horas após o início do claro.

A frequência de catação provavelmente é representativa da média diária, pois o sagui

geralmente apresenta um padrão unimodal de catação (Mota et al., 1993; Menezes et al.,

1994), desempenhando comportamentos de autolimpeza principalmente pela manhã.

Entretanto, apresenta picos variáveis (acrofase), o que é importante na interpretação do

resultado de menor frequência de catação nos dias longos. Englobando os resultados de

atividade locomotora, é possível que a redução da catação nos dias longos seja devido ao

atraso de alguns animais em iniciar a atividade em dias longos e, diante da mensuração apenas

nas primeiras duas horas do claro, a frequência dos comportamentos de catação não pôde ser

bem amostrada, principalmente para Ari, Obama e Bastos.

Esse comportamento é uma variável relevante no âmbito deste estudo, pois além da

função de limpeza, há indícios de que funcione como um mecanismo de redução de tensão em

contexto de estresse, mesmo quando desempenhado individualmente (autocatação) (Barbosa

& Mota, 2009; Lampert et al., 2011; Arnold & Einspanier, 2013). Nesse sentido, outra

interpretação possível seria que os dias longos afetariam negativamente esse mecanismo

redutor de tensão nos animais. Mesmo considerando apenas os sujeitos que iniciavam a

atividade com o início do claro nos dias longos, é observada uma redução da frequência de

catação nos dias longos e um aumento nos dias curtos, mas essa diferença não foi

significativa.

Adicionalmente, a duração seria um melhor parâmetro para avaliar este

comportamento, ao invés da frequência, como foi observado para a fêmea Safira, por

exemplo. Na maior parte das sessões de observação comportamental ela se encontrava

fazendo catação, porém sua frequência resultava em um valor baixo, pois o episódio de

segundos a partir do término de um episódio anterior. Assim, mais estudos são necessários

para investigar se o comportamento de catação é alterado em dias longos e curtos.

Além do padrão já conhecido na literatura para a catação, é encontrado em saguis um

padrão bimodal para comportamentos de vigilância (Nunes et al., 2010 – C. penicilatta) e de marcação (Sousa et al., 2006 – C. jacchus), com picos no início e fim da fase ativa. Sendo a marcação um comportamento possível de refletir ansiedade no sagui (Bassett et al., 2003;

Barros et al., 2004), pode ser que haja diferenças entre os dois blocos de comportamentos no

início da manhã e no final da tarde ao mensurar níveis de comportamentos de ansiedade.

Contudo, nem a frequência de marcação nem a de vigilância diferiu entre os fotoperíodos,

mas sim a categoria de comportamento de ansiedade no geral. Essa diferença foi refletida

predominantemente pelo comportamento de sacudir o corpo, que foi mais frequente na

segunda condição de dias simétricos, invalidando a predição 2 em relação às supostas

alterações comportamentais nos dias longos e curtos.

Já em relação às vocalizações os resultados também dão suporte à hipótese 2, mas não

em seus aspectos preditivos, já que não foram encontrados mais chamados de alarme nos dias

curtos nem mais vocalizações de contato nos dias longos. A fotofase longa até causou um

efeito na expressão vocal dos saguis, mas reduzindo o total de vocalização, especificamente, a

taxa dos chamados de longa distância, de contato e afiliativo. Além disso, os saguis

empobreceram a composição do repertório nos dias longos.

Como em sua região de origem os dias mais longos (indicando verão) são

caracterizados por seca e escassez alimentar, os saguis estariam mais sujeitos à predação e

defesa de território. Diante das vocalizações observadas no pico inicial de atividade nos dias

longos (diminuição de chamados intragrupo “phee” e ausência de chamados de longa distância “loud shrill”) podemos especular um possível mecanismo de resposta a essa situação em vida livre para que os saguis não ficassem tão expostos. Adicionalmente, como a emissão

de chamados agonísticos e de alarme (twitter, tsik, see, seep) não se alterou entre os

fotoperíodos, é possível que, sendo a duração do dia de fato um fator de influência para a taxa

e para o tipo de vocalização, não seria vantajosa a redução da emissão desses chamados.

Nesse sentido, seria mantida a defesa de território e de grupo no momento em que estariam

mais vulneráveis à predação e à competição em vida livre. Novos estudos devem ser

realizados para esclarecer esses achados e também avaliar outros parâmetros acústicos para

investigar a composição vocal, já que apenas a taxa de emissão foi analisada.

Adicionalmente, como perspectiva futura no estudo de comunicação animal neste

protocolo é amostrar as vocalizações individualmente. A expressão vocal do sagui é bastante

complexa e rica (Bezerra & Souto, 2008) e existem ainda chamados com assinatura individual

(Jones et al., 1993), possibilitando a mensuração das vocalizações por animal, e criando

oportunidade para investigar diferenças individuais inerentes às personalidades dos sujeitos.A

avaliação da composição das vocalizações quanto à quantidade de sílabas e a composição de

diferentes chamados (Santee & Stumpf, 1997) também é um alvo de investigação interessante

entre condições experimentais que potencialmente alteram o comportamento, como foi

observado na casual interferência presenciada nos dias curtos.

Nesse ponto, uma questão importante na investigação de vocalizações é o isolamento

acústico, que no caso do presente estudo, a sala de experimentação era apenas atenuada

quanto aos sinais sonoros. Esse é um fator que pode modular a resposta dos animais, já que

nos arredores podem ser encontrados saguis no campus da Universidade emitindo

vocalizações audíveis dentro da sala. Vocalizações de coespecíficos podem alterar a taxa de

cortisol no sagui, uma variável fisiológica que é associada a comportamentos de ansiedade e

de alerta (Rukstalis & French, 2005). Além disso, ruídos não emitidos por coespecíficos

também podem alterar as vocalizações do sagui, como foi observado por Roy e colaboradores

acaso, esse efeito foi encontrado no dia em que houve reforma nos arredores do alojamento

dos animais, causando uma maior emissão de chamados phee e loud shrill dissilábicos que a

taxa usualmente encontrada. Especula-se que os animais poderiam utilizar essa estratégia para

se comunicar de forma mais eficiente na presença de ruídos.

Outra perspectiva futura para avaliar a influência do fotoperíodo é investigar

comportamentos sociais, que podem ser modulados sazonalmente (Workman & Nelson,

2011). O sagui é um animal social, vive em grupos familiares e pode ter diferentes expressões

comportamentais devido a fatores presentes quando alojado em grupos. Mesmo

individualmente, com contato acústico/visual, como no presente estudo, pode haver influência

social tanto afiliativa, quanto agonística (Watson & Caldwell, 2010). Além disso, as

brincadeiras em grupos sociais são indicadores de redução de níveis de ansiedade, inclusive

em adultos (Norscia & Palagi, 2011), e também poderiam ser uma variável de interesse ao

mensurar o efeito dos dias curtos e longos. Igualmente, a atividade exploratória pode ser uma

variável associada a níveis de ansiedade e estresse, podendo reduzir a taxa de

comportamentos ansiosos devido ao enriquecimento ambiental ou aumentá-la, no caso de

eliciar alguma resposta de monopolização de um estímulo frente a coespecíficos (Majolo et

al., 2003). Como neste estudo foi avaliada a atividade individual, podemos considerar que os comportamentos exploratórios são um fator positivo para o bem estar dos animais e que sua

investigação sugere um estado de motivação.

A avaliação da exploração dos estímulos entre os fotoperíodos mostrou que os saguis

passaram menos tempo em contato com os objetos nos dias longos, sugerindo uma redução no

interesse em explorar novidades. Apesar da possível influência da presença do

experimentador durante a introdução dos objetos, o início da sessão foi estabelecido no