2. Theory
2.5 Regression analysis
Para a avaliação do repertório vocal (Figura 6) foi mensurada a frequência (taxa) de
chamados espontâneos dentro da sala, registrados duas vezes por semana. Um microfone
genérico de eletreto gravava as vocalizações, simultaneamente ao registro comportamental
nas primeiras duas horas após o início do claro (ZT00-ZT02), salvas algumas exceções nos
dias curtos: em um dia da penúltima semana em ciclo CE 08:16 o sistema de registro de
vocalizações travou e foi substituído por outro dia. Além disso, na última semana desse
mesmo ciclo, houve uma reforma no Centro de Biociências, nos arredores do LNRB, que
afetou acusticamente a sala de experimentação. Os dois dias de registro dessa semana foram
descartados da análise, pois foi encontrada uma elevada taxa de vocalização dos animais,
provavelmente devido à interferência do barulho. Devido às comparações múltiplas na análise
estatística entre as condições, a amostra de 8 dias seria reduzida para 6 dias também nos
outros fotoperíodos. Então, como os animais já estavam ajustados aos dias curtos no terceiro
dia da condição de dias curtos, foram adicionados às análises dois dias da primeira semana
que estavam disponíveis (o quarto e o sétimo dia após início do CE 0816), ocupando a lacuna
deixada pelos dois dias de registro da última semana dos dias curtos.
Um computador de sistema operacional Windows 7 Home Basic 2009 de 32 bits,
Analysis Pro 2011 (Tchernichovski et al., 2011) para identificação dos sinais. As
configurações do canal de gravação foram definidas como gain 1, threshold 520, peak
comparator 10, peak record duration 2 seg, recording cut-off 30 seg. Como não foi possível registrar o animal individualmente, as comparações foram feitas pela média de vocalizações
emitidas na sala de experimentação por todos os saguis entre ZT00-ZT02 em cada dia de
registro, representativo do fotoperíodo.
Figura 6. Quadro descritivo com as categorias de vocalizações mensuradas.
4) ATIVIDADE EXPLORATÓRIA E MEMÓRIA DE RECONHECIMENTO
A atividade exploratória do sagui foi avaliada por vídeos registrados pelo mesmo
sistema de monitoramento utilizado na avaliação dos comportamentos espontâneos (DVR
Intelbras VD 16E 480). As sessões experimentais de quinze minutos foram realizadas em dois
dias consecutivos na última semana de cada fotoperíodo. O experimento iniciou logo após o
registro comportamental descrito no tópico 2 acima (intervalo entre registros da coleta 2 e 4:
x=25,62 ± 12,23 min), ou seja, na terceira hora após início do claro (ZT03).
Categorias Vocalizações Descrição
afiliativa whirr, chirp
frequentemente antifonais, contato intra-grupo; vocalização whirr semelhante a um assobio, bastante frequente, de curta duração (≈250 ms), banda de frequência entre 6 e 11 kHz, geralmente
monossilábica, também classificada como trill ; vocalização chirp seriada em unidades de número variável, com a duração podendo ser curta ou longa, semelhante a piado de aves
alarme
see, seep,
tsik
vocalizações breves, intensas e agudas, geralmente monossilábicas; seep e tsik também podem ser emitidas em série de várias unidades inter-espaçadas (intervalo mínimo de ≈ 300-500 ms), tsik em série é frequente como resposta de alarme anti-predatória ("mobbing call")
agonística twitter
vocalização intra ou inter-grupo, comum em situações de distúrbio no ambiente, geralmente antifonal; categorizado como agonística, mas é observada também em forrageamento; gorgeio composto de pelo menos duas unidades, banda de frequência entre 5 e 14 kHz, intervalo entre as unidades ≈ 60-100 ms de contato phee mono-, di- ou trissilábica, frequentemente antifonal, banda de frequência em adultos entre 6 e 10 kHz
com duração variável dependendo da quantidade de sílabas de longa
distância loud shrill
vocalização phee prolongada e intensa; foi considerado como loud shrill quando o phee fosse maior que 1500 ms (pelo menos a primeira unidade silábica)
Como estímulos para a exploração, foram utilizados 12 objetos de cores e formas
geométricas diferentes (aresta: 3 a 4 cm; espessura: 1 mm) (Figura 7A). Os objetos foram
montados com arame e barbante (gancho + corda = 12 cm) para permitir o posicionamento na
frente da gaiola do animal (Figura 7B). Na primeira sessão, apenas um objeto foi apresentado
ao sagui. O objeto foi posicionado centralmente na plataforma, no 5º espaço da grade da
gaiola. A segunda sessão foi realizada 24 horas depois, na qual dois objetos foram
apresentados ao sagui, o anterior (“velho”) e um novo. A lateralidade de posicionamento dos dois objetos da segunda sessão experimental foi aleatorizada conforme o Anexo III A. Um
objeto era posicionado no 2º espaço da grade e o outro no 8º espaço, ficando ambos na frente
da plataforma. Os objetos, com gancho e barbante, eram sempre deixados de molho em água
sanitária durante 8h para remoção de odores e sujeiras. Os barbantes foram verificados quanto
a possíveis marcas de mordidas para ser trocado em caso afirmativo.
Figura 7. A. Conjunto de objetos utilizados como estímulo para atividade exploratória do sagui. B. Fêmea Safira (esquerda) e macho Ari
A
A fim de minimizar o efeito de um determinado objeto na resposta dos animais e
maximizar o efeito do fotoperíodo (DS, DC e DL) foi realizado um rodízio aleatório para
alocação dos diferentes objetos por sujeito em cada fotoperíodo. Como a hipótese de teste foi
em relação à novidade do estímulo, a aleatorização seguiu os seguintes critérios: nenhum
animal recebeu o mesmo objeto mais de uma vez durante os quatro meses de coleta e, em uma
sessão, não mais que um sagui recebeu pela primeira vez determinado objeto, já que havia
contato visual entre os sujeitos (Anexo III B). A introdução dos objetos foi realizada por dois
experimentadores nos DS1 e DC e por um deles nos DS2 e DL. O tempo de introdução dos
objetos durou uma média de 4,1 ± 1,6 min e a presença do experimentador no início da sessão
dos primeiros animais a receber o(s) objeto(s) não pôde ser evitada, assim, foi aleatorizada
também a ordem dos sujeitos para introdução dos objetos.
A mensuração das variáveis foi feita por meio de uma planilha do Microsoft® Excel®
com função macro desenvolvida no LNRB. A avaliação da resposta dos animais foi feita pela
latência para primeiro contato, duração de contato e de exploração visual, registrados na
apresentação 1 e 2 (A1 e A2). Foram calculados dois índices: o índice de reconhecimento
(IR), para verificar o quanto o sagui explorou mais o objeto novo (IR > 50%) ou velho (IR <
50%); e o índice de contato (IC), a fim de visualizar qual a forma de exploração que o sagui
esteve engajado por mais tempo, por contato com o objeto (IC > 50%) ou por exploração
visual (IC < 50%).
Para análise do tempo em que o animal passou em contato com o(s) objeto(s) durante
a sessão de 15 min (900 seg), a duração de contato foi expressa em segundos. No caso da contato com o objeto novo (seg)
contato com o objeto novo + contato com o objeto velho (seg)
IR (%) = x 100
exploração por contato (seg) exploração por contato + exploração visual (seg)
segunda apresentação (presença de dois objetos), a duração de contato foi dada pela soma do
contato com os dois objetos, utilizada também no cálculo do IC da A2.
O desenho experimental de toda a investigação seguiu de acordo com a Figura 8.
Figura 8. Representação esquemática da coleta de dados de atividade locomotora, de resposta exploratória e dos repertórios comportamental e vocal de saguis em ciclos CE 12:12, CE 08:06 e CE 16:08.
Delineamento estatístico
O estudo seguiu um delineamento experimental de medidas repetidas (amostra
dependente) com oito saguis cativos. As variáveis mensuradas, já descritas em cada tópico,
são apresentadas na Tabela 1. Para análise estatística foi utilizado o software IBM® SPSS®
Statistics Versão 19 e para a confecção dos gráficos, o Microsoft® Excel® 2010 e o SPSS®.
Ao ser revelado um valor atípico (outlier, fora da abrangência da média ± dois desvios) e caso
os dados apresentassem assimetria positiva na curva de distribuição, foi utilizado o método de
transformação logarítmica na base 10 a fim de normalizar a distribuição e reduzir o impacto
desses valores extremos (variável Latência na A1 e na A2). O nível de significância dos
resultados foi estabelecido utilizando a probabilidade de 5% de erro tipo I (α). As barras de erro nas figuras exibidas representam o erro padrão.
Ciclo CE 12:12 Ciclo CE 08:16 Ciclo CE 12:12 Ciclo CE 16:08
H A B I T U A Ç Ã O A A A A E O V EE V VV VV VV EE E EE 07/05/12 a 03/06/12 04/06/12 a 01/07/12 02/07/12 a 29/07/12 30/07/12 a 26/08/12 Semana: 1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª 9ª 10ª 11ª 12ª 13ª 14ª 15ª 16ª E O V EE V VV VV VV EE E EE E O V EE V VV VV VV EE E EE E O V EE V VV VV VV EE E EE Vocalização V E Etograma
Registro 2 vezes por semana: