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2 Methodology

3.1 Representativeness of FOCUS run-off scenarios

A média do IMC apresentado pelo grupo amostral estudado foi de 26,41 kg/m² (18,45-35,1Kg/m2) e a circunferência abdominal de 88,08 cm (64,5-112 cm). Entre os homens, a média do IMC foi de 27,25 kg/m² (19,84-35,1), o que os classifica como pré-obesos, segundo a OMS (2000) e entre as mulheres 25,90 kg/m² (18,45-34,35), configurando sobrepeso. Com relação à circunferência abdominal, a média dos homens foi de 93.34 cm (72,00-110,5) e das mulheres 84,81 cm (64,50- 112), classificando ambos os sexos com risco elevado de complicações metabólicas associadas à obesidade.

Ao comparar as duas medidas antropométricas, demonstradas no gráfico 7, percebemos, que ambos os gêneros estão, segundo classificação da OMS (2000) e das Diretrizes brasileiras de obesidade 2009/2010 com pré-obesidade e com risco aumentado de comorbidades – conceito que designa, doença ou estado patológico. Esse conceito também conhecido como duplo diagnóstico, correspondente a associação de no mínimo duas patologias. Constatado em nossa pesquisa pelos valores acima do normal do peso aferido e da circunferência abdominal Salientamos que as consequências desse risco aumentado poderá se refletir através de doenças como o diabetes, hipertensão arterial, hiperlipidemia, doenças articulares, apneia do sono, além de coronariopatias. O controle dessas doenças necessariamente envolve o controle e a perda de peso.

Gráfico 7. Comparativo do IMC x CA de homens e mulheres. Aracaju-SE. 2015

Fonte: O autor (2015).

O estado nutricional expressa o equilíbrio entre ingestão e necessidade de nutrientes. Averigua-se na determinação desse estado nutricional se, as necessidades fisiológicas do corpo por nutrientes estão sendo alcançadas, para manter a composição e funções adequadas do organismo. Quando isso não ocorre constamos um desequilíbrio nutricional (ACUÑA, CRUZ, 2004, p. 345). Por isso que papel da nutrição na manutenção de sua saúde é imprescindível. É por meio dessa alimentação equilibrada e saudável, que se previne, diminui ou evita-se as consequências de problemas de saúde, como hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, constipação, cujos sintomas se acentuam com a idade. Para o êxito dessa nutrição, se faz necessário que essa alimentação, seja individualizada, orientada e direcionada a cada indivíduo e identificando suas necessidades.

Com relação à associação entre idade e gênero, constata-se que, no sexo masculino altas prevalências de sobrepeso e obesidade são maiores quando comparados com as mulheres, estando diretamente relacionadas ao aumento da idade, principalmente entre os 27 a 37 anos. Dados nacionais identificaram que aproximadamente 8% dos homens adultos brasileiros são obesos, sendo mais prevalentes esse valor nas regiões Sul e Sudeste do país (TEIXEIRA; PEREIRA, 2010. p.414). O sexo feminino se preocupa sim com sua alimentação, mais até que os homens, todavia, o que muda é o motivo. Essas mulheres relacionam essa alimentação com uma questão de imagem corporal, não pela saúde.

Segundo Baratto & Silva (2010, p.03): 27,25 93,34 25,90 84,81 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 IMC CA Masculino Feminino

Entre as mulheres, principalmente no ocidente, a relação entre magreza e atributos positivos é fortemente perpetuada na sociedade. Segundo Ogden e Evans, as normas sociais veiculadas representam uma forma de perpetuarem o estereótipo que associa o corpo magro da mulher a atributos positivos, à normalidade e à capacidade de se tornarem atraentes e bonitas. No entanto, nossa pesquisa constatou uma realidade antropométrica da docente, diferente do mencionado acima. 41% dessas professoras estão pré- obesas, apesar do índice de eutrofia (normalidade) ser maior 35% quando comparadas aos homens eutróficos 26%. Preocupa-nos o dado de que 17% delas estão com obesidade grau I e quando correlacionada a circunferência abdominal com média de 84,81%, evidencia nessas mulheres uma elevada probabilidade de riscos para doenças cardiovasculares. A obesidade, segundo Santos (2013), é uma doença com diversos fatores e adquirindo caráter epidêmico em virtude de seu crescimento. A mudança no estilo de vida da população e a alimentação vem contribuindo para o aumento da obesidade e gordura corporal (FRISON, 2013).

Essa realidade nutricional feminina é em parte, justificada com a inserção da mulher no mercado de trabalho, jornada de trabalho dupla, responsabilidades familiares, mudança de hábitos alimentares, influência de outras culturas e a facilidade de alimentos industrializados e condimentados, alcançar uma alimentação saudável vem sendo cada vez mais difícil. Outro fator que contempla o sexo feminino, diz respeito à questão hormonal. Com o avançar da idade ocorre mudanças corpóreas, principalmente no aumento de tecido adiposo e na diminuição, tanto da massa magra quanto óssea. Isso acontece, segundo Barankiewicz (2009), por conta da diminuição do metabolismo evidenciado em virtude do envelhecimento, levando a um ganho de peso ponderal em torno de 250g/ano. Somado à uma redução da prática de exercícios físicos pode contribuir para um quadro de sobrepeso ou obesidade.

Em pesquisa realizada por Pereira (2015), na cidade de São Paulo com 930 mulheres, como objetivo de detectar a prevalência de sobrepeso e obesidade em mulheres no climatério,usando com parâmetro o IMC, constatou-se uma elevada prevalência de aumento de peso dessas mulheres e associação com morbidades. O climatério engloba os períodos de pré-menopausa, menopausa e pós-menopausa.

Ao relacionar idade versus IMC, conforme gráfico 8 verificou-se uma correlação positiva e significativa (p = 0,013), o que demonstra quanto maior a idade maior é a classificação do IMC.

Gráfico 8. . Correlação entre IMC e idade dos docentes. Aracaju-SE. 2015. IMC vs. IDADE IDADE = 29.575 + .42897 * IMC r = .15809 0 5 10 15 20 25 30 35 IMC 0 10 20 30 40 50 60 70 80 ID A D E Fonte: O autor (2015).

Segundo o Vigitel (2014), a mais recente pesquisa realizada no Brasil sobre hábitos alimentares, revela uma estabilização da obesidade, um aumento da atividade física e a melhoria do consumo de frutas e hortaliças do brasileiro, 52,3% da população esta acima do peso. O aumento foi de 9,5% comparado a 2006, ano da última pesquisa e, 17,9% da população do país está obesa. Fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e, até câncer.

Apesar de não ter havido aumento significativo do avanço da obesidade no Brasil em ambos os sexos, as mulheres se destacam, 18,2% contra 17,6% nos homens. Já o excesso de peso aumentou 23% na última década. A cidade de Aracaju possui 18% de sua população adulta com obesidade, sendo Florianópolis a capital com menor índice de obesos (14%)., segundo dados do vigitel 2014.

É importante considerar que num ambiente universitário, muita das vezes com excesso de atividades acadêmicas e tempo limitado nos deparamos com a realidade que inviabiliza a realização de refeições em casa, deixando o docente frequentemente dependente dos estabelecimentos comerciais – restaurantes, fast food e lanchonetes, que circundam a instituição. Na maioria das vezes, as opções

são lanches rápidos, práticos e de alto valor calórico e apesar dos ensinamentos preconizados sobre alimentação e conhecimento nutricional, estes fatores, em conjunto, podem influenciar na interferência desses hábitos alimentares, podendo acarretar carências nutricionais, e justificar os resultados encontrados na nossa pesquisa quanto a avaliação nutricional.

Ao aplicarmos o Teste de razão de chance (Odds Ratio) para verificar o fator de risco da carga horária sobre o IMC, tomando-se como variável a carga horária até 20 horas e acima de 20 horas semanais, encontramos: resultados que demonstram que o aumento da carga horária incide em 1,4 vezes o risco de aumento do IMC (OR = 1,4024; p= 0,3073), portanto, constata-se uma relação entre a carga horária do docente e seu IMC, o que corrobora com os resultados antropométricos demonstrado nessa pesquisa.

Outro dado importante refere-se à correlação da idade dos docentes com a CA, conforme gráfico 9, uma correlação positiva e significativa (p < 0,001), portanto, quanto maior a idade maior é a CA, portanto maior é a probabilidade de risco de complicações metabólicas associados com a obesidade.

Gráfico 9.. Correlação entre idade e CA dos docentes. Aracaju-SE. 2015 CA vs. IDADE IDADE = 17.687 + .26361 * CA r = .28514 0 20 40 60 80 100 120 CA 0 10 20 30 40 50 60 70 80 ID A D E Fonte: O autor (2015).