“Não somos aprendizes de trabalhadores, somos aprendizes de homens, e o aprendizado deste último ofício é mais difícil e mais longo do que o outro” (ROUSSEAU, 1995, p. 259).
Conclui-se que, embora tenham sido constatadas evidências de mudanças que implicam promoção social dos sujeitos treinados e suas respectivas famílias, considera-se que tais mudanças podem ser ampliadas por medidas políticas direcionadas a apoiar os egressos, propiciando continuidade e melhorias no trabalho artesanal, com vistas à geração e/ou incremento da renda familiar, já que o estudo revelou ser esta a principal expectativa dos treinados.
As evidências mostraram que os sujeitos aprendem ou aperfeiçoam a técnica de produção do artesanato, mas não têm apoio para progredir e acabam estagnados em um determinado ponto do segmento evolutivo na atividade econômica. Constatou-se, também, que o programa tem viabilizado inserção dos jovens no mercado artesanal, ao qualificá-los numa perspectiva empreendedora a partir das noções do gerenciamento do processo produtivo.
O programa avaliado, da forma como vem sendo proposto e concretizado, consiste num exercício prático e humanitário que proporciona desenvolvimento da integridade do indivíduo, uma vez que as experiências vivenciadas pelos egressos foram positivas e gratificantes, proporcionando tanto condições para atualização e produção de peças com melhor qualidade e beleza, quanto para integração com outros membros da comunidade.
Pôde-se inferir, também, que as informações dos conteúdos das habilidades básicas e gerenciais são aplicáveis a outros segmentos da vida pessoal e familiar, considerando que o treinamento resulta numa mudança em cadeia, pois o indivíduo aprende, se realiza, ocupa o tempo, melhora a renda, a auto-estima, muda positivamente a maneira de agir na família e na sociedade, fortalece a habilidade para atuar como agente de mudança, questionar, propor e descobrir novas maneiras de comportar e, nesse somatório pode contribuir para o desenvolvimento socioeconômico da localidade onde vive.
Por intermédio do treinamento, o participante refina a técnica, desenvolve a criatividade e aprende a trabalhar de forma planejada. Diante disso, ofertar cursos dessa natureza no espaço rural constitui uma medida imprescindível para desenvolver a habilidade dos artesãos, capacitar jovens que queiram aprender a
profissão e melhorar a qualidade de vida da população, combatendo a pobreza por meio da capacitação.
Tomando como referência o caso do município de Ubá, onde está situado o Arranjo Produtivo Local, cujas empresas são, em sua maioria, especializadas na produção de móveis, a capacitação ampliou oportunidades de atividades produtivas não-agrícolas. Nesse caso, o mercado de oportunidades pôde comportar, atrair e/ou estimular introdução de outros segmentos de produção ligados ao design como o artesanato decorativo com produtos têxteis.
Sob a ótica da valorização cultural, social e econômica do artesanato, os treinamentos de artesanato têxtil, nos quais os participantes aprendem na prática, experimentam, comparam e questionam, carregam um complexo de valores e proporcionam a promoção social por viabilizar oportunidades que podem gerar rendimentos, além de conferir “prazer” ao realizar um trabalho de qualidade.
Com base no exposto, sugere-se à instituição SENAR, medidas educativas, administrativas e de apoio, fomentando o alcance dos objetivos do programa, nos âmbitos produtivo e social, em termos de:
• Repensar as estratégias de mobilização nos aspectos de antecedência e fator motivador do contato com o público; conteúdo informativo e reforço à informação ou convite;
• Nas atividades que envolvem artesanatos têxteis, atualizar instrutores, proporcionando-lhes maior segurança para abordagens dos conteúdos das habilidades básicas, essencialmente aqueles relativos às noções de fibras têxteis; conservação do vestuário e educação para o consumo; assim como preparar material didático (cartilha) de apoio aos referidos conteúdos.
• Incluir no programa de conteúdos educativos, nas abordagens das habilidades básicas, informações que possibilitem desenvolver competências para a administração do tempo com abrangência para a importância da pontualidade. • Viabilizar processo de educação continuada, possivelmente via parceiros, na
modalidade de “programa de atendimento de suporte pós-treinamento”, de modo a suprir as demandadas de orientação apresentadas pelos egressos;
• Implantar medidas de estimulo à produção em conjunto, possivelmente via parceiros, incentivando a prosperidade, ancorada na união dos artesãos locais, tanto na compra de insumos quanto na comercialização dos produtos.
• Proporcionar orientações acerca das opções de programas de apoio financeiro para aquisição de equipamentos e insumos, viabilizando condições para investimento na atividade.
• Planejar levantamento de dados sistemáticos, nos níveis de aplicação e resultados do programa de capacitação, decorridos um tempo mínimo de três meses e máximo de doze meses após a realização do treinamento.
• Incluir nas Fichas de Inscrição a data de preenchimento e telefone para contato com o candidato após treinar, em casos de interesse e necessidade de localizá-los.
Finalizando, ressalta-se que o estudo de caso aqui apresentado não teve a pretensão de ser um estudo completo em si mesmo, apesar de todo o empenho e rigor na realização da pesquisa. Houve prevenção da negligência de aceitar evidências equivocadas ou visões tendenciosas que influenciassem o significado das descobertas e das conclusões. Sendo um estudo que envolveu apenas três atividades da Linha de Ação Artesanato, não se pretendeu fazer generalizações para o Programa de Promoção Social, como um todo, dadas as limitações.
As possibilidades de análises e conclusões não ficaram esgotadas neste estudo. Contudo, cumpriu-se o propósito de descortinar as inúmeras facetas que poderão incitar novos estudos, tanto no campo da promoção social das famílias “rurbanas”, quanto na geração de subsídios para novas pesquisas nos vastos campos das Ciências Sociais. Nesse sentido, os resultados desta pesquisa certamente constituirão abertura de caminhos e trajetórias para que outras instituições possam repensar suas práticas de educação não-formal; bem como referência para outros pesquisadores desenvolverem trabalhos relacionados à avaliação de egressos com vistas ao monitoramento de programas de capacitação à promoção social.