• No results found

Report on recent developments in environmental quality

In document BEWG11.pdf (1.801Mb) (sider 21-25)

Professor que ama o que faz naturalmente assume uma posição de investigador. Trabalhar em contexto educativo, principalmente com crianças, é uma responsabilidade que requer uma atualização constante de conhecimentos na área educativa e uma reflexão permanente das problemáticas detetadas e dos métodos, estratégias e comportamentos imprevistos que ocorrem em contexto.

A I-A referente ao desenvolvimento da CC revelou-se ser difícil de pôr em prática. Tentei desenvolver várias atividades e estratégias que contribuíssem para essa competência, mas sendo ela tão complexa torna-se difícil de afirmar se as crianças realmente reforçaram a sua CC. Não podendo afirmar isso, posso apresentar a minha visão no que se refere a questões individualizadas que foram trabalhadas, que fazem parte do puzzle que constrói a CC, e que obtiveram sucesso, apresentando contributos para o objetivo que orientava este estudo, que contemplava a aquisição de conhecimentos diversificados, capacidades e habilidades, que ajudam os alunos na preparação para a intervenção social em situações de comunicação.

Posso afirmar que todas as atividades contemplaram processos de comunicação em vários modos: oral, escrito, sensorial, artístico e/ou expressivo. Estando sempre ciente da importância de possibilitar aos alunos formas diversificadas de comunicar os seus sentimentos e as suas aprendizagens.

Apesar da questão problema centrar-se na exploração e leitura de textos e na exposição de trabalhos como forma de desenvolver a CC, a verdade é que não consegui centrar-me só nesses aspetos o que foi verificado no decorrer da descrição e reflexão das atividades. De qualquer modo esse trabalho foi realizado e no meu entender com sucesso.

Em primeiro lugar todas as atividades de exploração de diversos textos, conhecimento dos mesmos, leitura, representação e interpretação, tal como a escrita e apresentações suscitam, de alguma forma, questionamento por parte dos alunos e, o questionamento é um indicador de curiosidade pelo saber o que leva à aquisição de novos conhecimentos e aprofundamento de outros. Logo, os alunos de uma forma generalizada concretizaram aprendizagens novas. Com conhecimento a comunicação fica facilitada.

Respondendo à questão problema, quanto ao conhecimento, exploração e escrita de vários tipos de textos possibilitou um trabalho de desenvolvimento da habilidade extralinguística e habilidades linguísticas e gramaticais por parte dos alunos, sendo que compreenderam, que cada um tem a sua funcionalidade e regras de escrita. Especificamente na leitura trabalhou-se “aspectos paralinguísticos (…), nomeadamente a entoação, a enfatização, a acentuação, o ritmo/velocidade, as quais expressam emoções e atitudes que, de alguma forma, complementam a informação linguística” (Franco, Reis & Gil, 2003, p.16).

Enfatizando a leitura os alunos que tinham mais dificuldade começaram a demonstrar melhorias, dando dois exemplos, em que uma menina lia muito baixo e começou, aos poucos a ler mais alto preocupando-se se os colegas estavam a ouvir, e um aluno que não gosta muito de ler começou a tomar iniciativa em querer fazê-lo para melhorar. Nos textos escritos aos poucos o gosto foi crescendo, sendo que alguns alunos tomam iniciativa em escrever textos autonomamente e os alunos que não gostam muito de escrever começam a apresentar mais alguma criatividade e a escrever textos um pouco mais longos.

A exposição de trabalhos permitiu pôr em prática e partilhar as aprendizagens concretizadas, trabalhando com maior ênfase o desenvolvimento das habilidades semióticas, do respeito pelas regras da uma boa comunicação e a importância da escuta ativa para uma melhor compreensão dos assuntos explorados. Tal como refere Fiadeiro (1993, citado por Franco, Reis & Gil, 2003) a comunicação é um processo de interação, que envolve uma pessoa que transmite uma mensagem e outra que a descodifica e compreenda. Sendo que este processo envolve uma atitude de respeito, compreensão recíproca e partilha.

Foram também considerados “os processos não linguísticos que (…) contribuem para o processo comunicativo. Incluem-se nestes, os gestos, os movimentos do corpo, o contacto visual e as expressões faciais que poderão adicionar ou restringir algo à mensagem linguística” (Franco, Reis & Gil, 2003, p.16). Se o aluno retrai-se enquanto apresenta um trabalho, esconde a cara com um livro ou olha para o chão está a demonstrar que não está à vontade com a sua comunicação. Neste sentido tentou-se trabalhar no aperfeiçoamento destes processos não linguísticos fazendo com que os alunos ganhassem mais autoconfiança nas suas apresentações e que isso transparecesse no processo não linguístico subjacente ao momento de comunicação oral. Notando-se

melhorias na comunicação conforme as vezes que os alunos tinham de expor os seus trabalhos iam aumentando.

É de ressalvar que quando os alunos têm um intuito bem definido para escrever eles empenham-se mais, dou o exemplo de um livro que os alunos me ofereceram no final do estágio onde cada um escreveu uma carta. Nestas cartas os alunos foram muito criativos, escreveram textos longos, fluentes e eloquentes onde expressaram muito bem os seus sentimentos e as vivências que tinham passado comigo. Escrevendo sobre momentos que vivenciaram, sobre temas que lhes interessam, sobre aprendizagens que fizeram, os alunos escrevem com entusiasmo e vontade, mesmo que com alguns erros. O que importa é ganhar o gosto por comunicar, quer seja na escrita, quer seja na oralidade, quanto aos erros que possam advir, será com o seu confronto que os alunos vão aprender a corrigi-los.

A comunicação em sala de aula, ambiente formal, não se limita ao que ocorre dentro dela. Todas as experiências que os alunos têm fora da sala em ambientes informais, no intervalo, em casa e outras situações das suas vidas têm influência na comunicação ocorrente em sala de aula. Todos os ambientes são ricos em aprendizagens e é essa diversidade que torna os conhecimentos e as nossas capacidades de ação mais completas e eficientes em qualquer contexto comunicativo. Não podemos pensar que o aluno é um ser mecanizado, o aluno é um ser único que aprende na escola e esta é-lhe muito útil para a vida, mas aprende igualmente, ou mais em outros contextos da sua vida diária. Reforçando este pensamento surge (Nunes, 2001, citado por Franco, Reis & Gil, 2003) defendendo que ao comunicar “a criança desenvolve as suas capacidades e competências, em virtude das trocas que mantém e assume com o meio ambiente. Quanto maior for a sua capacidade para comunicar, maior controlo ela poderá ter sobre o seu meio ambiente” (p.16).

Durante o desenrolar do trabalho em torno da I-A pude constatar que os ambientes cooperativos são fortes fomentadores da comunicação entre os alunos, pelo que considero ser um aspeto que todos os professores que pretendem fazer um trabalho intensivo no campo da CC terem em consideração de proporcionar. Este ambiente fomentador de interação e comunicação fortalece o desenvolvimento de aprendizagens e competências que complementam o indivíduo como ser complexo em construção da sua identidade pessoal e social. Um trabalho continuado envolto em cooperação entre os alunos permite sensibilizar os mesmos para a sua importância, que aos poucos vão se

familiarizando e assumindo uma postura cooperativa e de interajuda para com os outros. A criação de ambientes cooperativos promove:

do ponto de vista intelectual, a criatividade e a melhoria da expressão verbal; do ponto de vista social, melhora as relações interpessoais, aumentando a confiança e a amizade e ensina aos estudantes competências de trabalho em grupo que poderão ser transferidas mais tarde a outras situações de trabalho profissional ou de estudo (Cohen, 1986, citado por Detry, 1992, p. 123).

Prepara os alunos, como Seres Humanos que são, para a Vida Social em variadas situações de interação e comunicação.

Em género de conclusão, encaro que a aplicação da I-A foi uma mais-valia para os alunos que desenvolveram atividades que os fizeram melhorar e aperfeiçoar a sua CC, que continuará ao longo da Vida. Para mim foi também um trabalho desafiador, que me possibilitou, igualmente, aprimorar a minha CC, informar-me mais sobre o assunto e a encontrar estratégias que se adequassem aos alunos, aos seus ritmos e especificidades, tal como ao seu nível de ensino, com vista a contribuir para o seu crescimento na vertente comunicativa.

In document BEWG11.pdf (1.801Mb) (sider 21-25)