O AS de Guimarães foi palco, em 1998, de grandes modificações. Aquela que era uma lixeira a céu aberto foi reconvertida em AS, por imposição do Ministério do Ambiente de acordo Figura VI.5. - Sequência dos RSU desde os biorreactores até à afinação.
Figura VI.6. - Aspecto da antiga lixeira em Guimarães, após reconversão. com o PERSU. Essa reconversão levou a que fossem tomadas medidas de prevenção na deposição dos resíduos, uma vez que existiam descargas clandestinas realizadas pelos vulgares farrapeiros e sucateiros que iam procurar materiais dos RSU que lhes interessasse, e pelas viaturas que recolhiam todo o tipo de resíduos e
despejavam na lixeira. Essa realidade foi radicalmente alterada, para benefício do ambiente e da saúde: efectuou- se um revestimento vegetal de toda a área de intervenção por forma a concretizar a estabilização dos taludes e o controle da erosão, assim como a minimização do impacte visual, procurando-se a sua harmoniosa integração na paisagem, como se ilustra na Figura VI.6..
O As de Guimarães dispõe dos seguintes equipamentos: Dois edifícios de apoio para funções de controlo; Báscula de pesagem;
Parque para viaturas ligeiras e pesadas;
Lava rodas para os camiões que descarregam os RSU;
Queimador de biogás ilustrado na Figura VI.7., queima em contínuo do biogás captado, incluindo a sua monitorização.
Sistema de drenagem de águas lixiviantes é feita através de dois drenos periféricos colocados na sua base, que são escoados através do interceptor
principal do Ave para a Estação de Tratamento de Águas Residuais de Guimarães, na freguesia de Serzedelo.
De acordo com Martinho e Gonçalves (1999) o AS é uma obra de engenharia, seleccionada, desenhada e gerida por forma a atingir os seguintes objectivos:
Redução, a níveis mínimos, dos incómodos e dos riscos para a saúde pública (trabalhadores e população residente na zona envolvente), provocados por cheiros, fogos, tráfego, ruído, vectores de doença, estética, entre outros factores;
Minimização dos problemas de poluição (da água, do ar, do solo e da paisagem); Figura VI.7. - Queimador de biogás do AS de Guimarães.
Utilização completa do terreno disponível, através de uma boa compactação e cobertura;
Gestão do empreendimento orientada para a futura utilização do local; Redução dos níveis de percepção de risco.
O AS de Guimarães é utilizado como destino final dos RIB´s e do refugo da ETRSU: o Concelho de Guimarães deposita diariamente cerca de 150 t/d de RIB’s e o refugo da EC ronda os 80%, o que implica grandes quantidades a
depositar em aterro. A Figura VI.8. ilustra uma célula de resíduos ainda não coberta, observando-se ao fundo, uma já completamente coberta com terras. O AS de Guimarães assemelha-se a um aterro em superfície. O processo de enchimento é por células e em cada uma delas são depositados os resíduos, sendo cobertas diariamente com terras. A impermeabilização do aterro
é feita através de uma geomembrana em polietileno de alta densidade (PEHD), que permite que os lixiviados sejam controlados e encaminhados correctamente. Sobre a geomemebrana é então colocado um geotêxtil, cuja protecção é garantida através da colocação de uma camada de solos predominantente arenosos (AMAVE, 1998). Falar-se-á de seguida das infraestruturas utilizadas para os resíduos recolhidos selectivamente.
VI.2. As infraestruturas para os RSU recolhidos selectivamente
O sistema dispõe de uma rede de ecopontos (já referido anteriormente), um ecocentro e uma ET. Todos os resíduos recolhidos e previamente separados são encaminhados para a SPV, que paga às autarquias pelos resíduos levantados. Todos os resíduos recolhidos selectivamente através dos ecopontos ou ecocentros são transportados para a ET, exceptuando o vidro, que não sofre qualquer triagem (Figura VI.9.).
Figura VI.8. - Deposição de resíduos no AS de Guimarães.
Figura VI.9. - Plataforma de
armazenamento do vidro na ET para posterior remoção pela SPV.
VI.2.1. O Ecocentro de Guimarães
O ecocentro é uma boa aposta no campo da recolha selectiva, já bastante enraizada nos Estados Unidos e na maioria dos países da Europa. Um ecocentro é uma espécie de parque asfaltado onde estão instalados contentores de grandes dimensões. As pessoas podem e devem usá-los para despejar entulho, restos de madeira, papel e cartão, materiais ferrosos e plástico. Uma vez que é permitida a entrada controlada de automóveis, não é difícil deixar também os electrodomésticos antigos – adereços inevitáveis das mais recônditas paisagens portuguesas – permitindo assim que sejam reciclados (Fórum Ambiente, 2000). Situado na freguesia de Aldão, junto ao Mercado Abastecedor e à Feira Grossista, o ecocentro de Guimarães está em funcionamento desde o ano 2002. É constituído por um edifício de recepção, ilustrado na Figura VI.10. - uma plataforma de descarga para onde são encaminhadas as viaturas de acordo com os materiais que vão depositar (Figura VI.11).
Figura VI.10. - Edifício de recepção do ecocentro. Figura VI.11. - Local para deposição dos objectos no ecocentro.
O ecocentro, foi formulado como um centro de recepção diferenciado que permite a deposição voluntária de materiais cujas características não permitem ou não se aconselham a recolha conjunta com os restantes resíduos. É uma infraestrutura que contribui para a implementação da recolha selectiva de RSU, juntamente com a adopção de ecopontos. Como dispõe de vários contentores com capacidade de 30 m3, permite a deposição de resíduos por fileiras, segundo as suas características, facilitando, deste modo, o seu futuro encaminhamento para reciclagem ou reprocessamento.
Estes contentores são devidamente identificados e permitem a deposição de: Resíduos verdes;
Plásticos;
Madeira;
Monstros não metálicos – Colchões; Electrodomésticos – frigoríficos, fogões; Sucata – alumínio, latas e embalagens de metal; Vidro;
Óleos usados – de motor de automóveis; Filtros de óleo;
Lâmpadas Fluorescentes;
Roupas (contentor fechado de pequena dimensão); Pilhas.
Outras descargas, como por exemplo MO, são proibidas nestas instalações, razão que, aliada à necessidade de controlo, obriga a que seja um espaço
vedado e com guarda. O sistema de recolha é o denominado polibenne (contentores rebocavéis - Figura VI.12). Quando um dos contentores está cheio, a viatura recolhe o contentor e coloca no seu lugar um vazio, transportando o cheio para a ET.