6. Analyse
6.2. Tradisjonelle nøkkeltall - regnskapsanalyse
6.2.2. Rentabilitetsanalyser
O trabalho é considerado esforço enquanto processo de ação. Significa algo mais amplo do que a aquisição de bens e manutenção da sobrevivência; representa condição de realização por meio do qual o homem exterioriza-se e dignifica-se (LUNARD FILHO; LEOPARDI, 1999). Sua concepção vai além da
produção, sendo, sobretudo espaço de relação, de convivência social que realimenta em cada um o sentido de inclusão social, de diferenciação numa comunidade profissional e institucional (FERREIRA, 2001). Também é considerada atividade humana por excelência pela qual o homem transforma a natureza e a si mesmo. Entretanto, nos sistemas em que persiste a exploração, ao invés de contribuir pela liberdade do homem, o trabalho torna-se condição de sua alienação (MARX, 2000).
Historiadores da Medicina, como Rosen e Henry Sigerist mostraram que era possível detectar associação entre trabalho e a doença, desde os relatos de egípcios e depois no mundo greco-romano. O fato desta associação ser escassa é compreensível visto que os trabalhos mais pesados e de elevado risco eram destinados aos escravos, o que não suscitava preocupação pelos seus adoecimentos. Hipócrates chegou a descrever com exatidão o quadro clínico de um mineiro vítima de intoxicação saturnina, com a menção desse quadro ser decorrente do ambiente de trabalho (ROSEN, 1953; MENDES, 2003).
Ramazzini considerado o Pai da Medicina do Trabalho cita, em 1700, que seus escritos não visavam sua própria glória, porém deveriam ser úteis aos trabalhadores. O livro é ainda tão atual e útil quanto o foi em sua época. Ramazzini ensinou que o médico, ao atender o doente, não poderia limitar-se a aplicar a mão no pulso, com pressa, mas que deveria, sim, examinar sua fisionomia e buscar informações à seu respeito, dentre elas o que o paciente sentia, qual a causa de seu problema de saúde, desde há quantos dias o problema existia, se seu “ventre” (intestino) funcionava, que alimento ingeriu, etc. Além dessa anamnese cuidadosa, era importante acrescentar outra pergunta que é: “que arte exerce?”, obviamente entendendo-se a arte como o ofício, o trabalho realizado tentando assim relacionar a alteração de saúde apresentada com o trabalho realizado pelo indivíduo enfermo. Contribuiu assim esse autor, de forma sistemática e eficaz, para a classificação das doenças segundo a natureza e o seu grau de nexo com o trabalho (MENDES, 2003). A evolução das doenças dos trabalhadores ocorre em função de determinantes econômicos; evidenciam-se os estudos de Charles Thackrah Louis Villermí, indicando que as doenças dos trabalhadores podem ser detectáveis através dos perfis de morbidade e mortalidade de trabalhadores de diferentes categorias profissionais. Tal forma de analisar os problemas encaminha para a necessária identificação de determinantes sociais; a prevenção e erradicação da doença seriam
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possíveis com a eliminação da causa, quer por medidas higiênicas, quer pela imunização; a partir destas vertentes nasce o enfoque do nexo-causal, associado aos agentes químicos, físicos e biológicos. Na Idade Moderna as doenças do trabalho são evidenciadas pós século XVII, devido as necessidades de informação para estudos epidemiológicos, através de atestados de óbitos, com dados precisos, preocupação da população com os problemas ambientais que ameaçavam sua saúde e a necessidade de interpelação de problemas ambientais dos ocupacionais (Ibidem).
Os impactos da Revolução Industrial e dos períodos de guerra influenciaram, sobremaneira, a saúde dos trabalhadores. A presença dos homens na guerra significava que aconteceriam acidentes mutilantes e fatais. Movimentos sociais começaram a pressionar para haver modificação desta realidade, sendo introduzidas medidas legais de controle das condições no ambiente laboral. A categoria trabalho representa uma dimensão diversificada nas concepções do homem como ator ou autor de sua própria historia; estudar a organização do trabalho implica elucidar a dimensão tecnológica, organizacional e a construção dos sujeitos coletivos (COHN, MARSIGLIA, 1993).
Em países industrializados a patologia do trabalho concentra-se no final do século XIX, até metade do século XX, na questão das doenças profissionais. Casos novos e graves de pessoas portadoras de doenças que procuravam as clínicas são citados em estudos, o que serviu para a erradicação de muitos problemas. A partir de 1930, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) começa a consolidar estudos e publicações, sendo referência clássica, no Brasil, o livro com temas de Medicina no Trabalho escrito por René Mendes em 1980.
O desejo de libertação das fadigas e penas do trabalho é tão antigo quanto a própria história; a Era Moderna trouxe a glorificação do trabalho, porém a sociedade demonstra que pode haver o contexto de trabalhadores sem trabalho. A existência humana tem relação com as condições gerais de vida no contexto de nascimento e morte, em que o labor assegura não apenas a sobrevivência do individuo, mas a vida da espécie. O trabalho tem também raízes na natalidade, na medida em que a tarefa é preservar o mundo para os recém-chegados; a condição humana compreende algo mais que as condições nas quais a vida é dada ao homem. A vantagem possível da fertilidade humana para a força de trabalho consiste em sua capacidade de prover as necessidades de um homem ou sua
família, em que este homem não usa seu corpo livremente, utiliza as mãos que são seus instrumentos primordiais, mas não exerce voluntariamente suas funções (ARENDT, 2008).
É fato então, que dependendo da forma em que é realizado, dos fatores de risco presentes nos ambientes laborais, da organização e da própria suscetibilidade do trabalhador, o trabalho pode favorecer a presença de adoecimentos e de acidentes em quem trabalha.
Atualmente, sabe-se que a rotina nas corporações revela a busca por resultados superiores em prazos mais apertados; as crescentes demonstrações corporativas de desafeto e ausência de atenção ao trabalhador geram falta de camaradagem nos inter-relacionamentos organizacionais e a propagação do medo e da insegurança. A importância dos relacionamentos nos locais de trabalho é tema de estudo de cientistas, levando ao direcionamento da espiritualidade da organização (VASCONCELOS, 2008).
Tendo o indivíduo que trabalhar, cada vez mais se manifestam sintomas de doenças, perturbações e sofrimentos, tendo como resultante o paradoxo no qual as pessoas e as organizações perdem a fonte de vitalidade. Comportamentos e atitudes de chefias abusivas geram traumas em quem é vitimizado, em ambientes que tendem a prevalecer convivências desgastantes entre o individuo, temores constantes, desconfianças, frustrações e deslealdades (ROSSI, 2008). Uma reação comum que se constitui em verdadeiras armadilhas no local de trabalho está relacionada à atividade mental não produtiva. A situação ou relacionamento difícil com algum colega ou chefe pode gerar pensamentos obsessivos, distrações, fantasias de vingança, esquecimentos ou dificuldades de manter a concentração, pois quando o indivíduo está mentalmente preso a uma destas armadilhas, seu intelecto trabalha em dobro para tentar se livrar do fator estresse (CROWLEY, ELSTER, 2007).
A responsabilidade social e corporativa está atrelada as atividades que propiciam tempo aos empregados para que estes executem serviços voltados às comunidades carentes, cuidado com questões ambientais e envolvimento com assuntos globais. Entretanto as empresas precisam atrelar a responsabilidade social e corporativa também em práticas internas, processos e políticas baseados na integralidade dos trabalhadores (WADDOC, 2001). Organizações e seus lideres estão exercendo uma influencia destrutiva na qualidade de vida de seus
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colaboradores, constatando que o fato de subir na carreira pode ser devastador para saúde (WADDOC, 2001).
A sobrevivência depende dos outros; em todos os momentos de nossas vidas, o homem beneficia-se do trabalho e esforço dos outros; a saúde de uma organização é altamente dependente da qualidade dos relacionamentos interpessoais nela existentes; relacionamentos de qualidade são precursores de equilíbrio no local de trabalho (VASCONCELOS, 2008).
Agravos psíquicos relacionados ao trabalho levam a amplitude da organização laboral e as relações entre distintos aspectos organizacionais como tensão, fadiga, tristeza, medo ou apatia, que podem ser estimulados através de determinadas situações laborais (SILVA, 1995).
Trabalhadores, em diversos tipos de ocupação, apresentam vários problemas, tais como: ingestão abusiva de álcool, que é uma das causas mais importantes dos afastamentos do trabalho (KARAM, 2005) ou uso e/ou abuso de drogas (DIAZ et al, 2011); suicídios ou tentativas de suicídios (SOUZA e SOUZA, 2010); lesões por esforços repetitivos (SATO, 2001) e lesões ósteo-musculares que colaboram com os absenteísmos (DIAZ et al, 2010; GHISLENI, MERLO, 2005); acidentes de trabalho (Freitas, 2008; Oliveira Secco et al, 2007); aumento dos valores médios de pressão arterial (DO CARMO CRUZ ROBAZZI et al, 2002), entre outros. Estudo realizado em 23 instituições de saúde de Minas Gerais identificou que transtornos mentais e de comportamento ocupam a terceira causa entre os problemas de saúde dos trabalhadores na área de saúde (MUROFUSE, 2004).
Diferentes modelos da organização do trabalho têm sido estudados quanto as suas repercussões subjetivas e psicossociais, enquanto conflitos interpessoais laborais também são fatores a serem estudados; saúde e doença mental emergem dos estudos da psicodinâmica do trabalho (SELIGMANN, 2004).