3. Bakgrunn logistikk
3.2. Innkjøp
Tendo considerado os periódicos de relevância localizados pelo levantamento desta pesquisa, caso excepcional pela descontinuidade de seus registros, pode-se considerar em conjunto as demais tipologias encontradas nessas coleções. Foram identificadas outras oito categorias tipológicas para as obras encontradas nos livros de tombo: Tratados, para obras abrangentes, abarcando aspectos teóricos e práticos de uma questão ou atividade; Manuais, para obras menos abrangentes, dedicadas à instrução das práticas e procedimentos de determinada atividade ou conhecimento; Monografias, para discussões de casos ou questões específicas de determinada atividade ou conhecimento; Repertórios, para coleções de referências (visuais ou não) relevantes a determinada atividade; Relatórios e notícias, para relatos técnicos ou episódicos; Catálogos, para repertórios ligados à atividade comercial e, por fim, Dicionários e enciclopédias.
A atribuição destas categorias ao universo de transcrições obtidas não foi tarefa particularmente fácil, uma vez que, como já comentado, baseou-se, em muitos casos, em informações catalográficas bastante sumárias. Além disso, o uso dos termos tratado, manual e repertório, por exemplo, é um tanto livre na nomenclatura das obras transcritas. Há tratados práticos de determinados assuntos, tanto quanto manuais teóricos e práticos de outros. Nestes casos, por exemplo, à ausência de maiores detalhes sobre seus conteúdos, ambos foram classificados como tratados, por acenarem para uma abordagem ampla destes conteúdos. Além disso, como já foi sublinhado por Lima,316 a diferenciação entre repertórios e catálogos, por exemplo, é difícil, razão pela qual essas categorias serão consideradas em conjunto na presente discussão. Os resultados obtidos, postas estas breves observações sobre os limites dos critérios adotados, foram as seguintes:
316
Veja-se o comentário de Solange Ferraz de Lima em: LIMA, Solange Ferraz de. O Transito dos Ornatos: modelos ornamentais da Europa para o Brasil, seus usos (e abusos?). In: Anais do Museu Paulista, n. s., v16, n1. 2008. p.154.
192 38% 27% 11% 9% 9% 4% 2%
Gráfico 8: Perfil tipólogico dos títulos levantados
Tratados Manuais Monografias Repertórios e Catalogos Noticias e Relatorios Periódicos Enciclopédias e Dicionários
Como se pode observar pelo gráfico acima, predominam nas coleções (883 títulos, ou 39% do total) obras teóricas e abrangentes sobre os diversos temas tratados pelos cursos. Há tratados de arquitetura, de construção, de topografia, de mecância (cálculo), de contrução de pontes, de perspectiva, estradas de ferro, saneamento, e muitos mais. Há também inúmeras obras intituladas curso de determinado tema, que quando não tratando de objetos muito específicos (como determinada técnica de trabalho ou instrumento), foram classificadas também como tratados. Os manuais, obras menos abrangentes mas ainda de caráter explanativo, constituem o segundo grupo mais numeroso, com 29% do acervo (ou 615 títulos). Abarcam, igualmente, todas as temáticas de interesse consideradas neste levantamento.
As monografias, ou estudos específicos, por sua vez, correspondem a 11% dos acervos, ou 236 títulos. Apesar de abarcarem quase todas as temáticas das coleções, são claramente mais numerosas aquelas dedicadas à história da arquitetura (63 títulos, examinando monumentos e épocas específicas), estradas de ferro (61 tit.), pontes (11 tit.), portos (20 tit.) e obras de saneamento determinados (29 tit.). De modo similar, as notícias e relatórios encontrados (9% do total, ou 193 títulos) referem-se, em sua maioria, a obras de infra-estrutura, em geral nacionais. Há um grande número de relatórios de estradas de ferro de todo o país (31 tit.), assim como relatórios sobre obras de saneamento de diversas cidades (em geral de comissões de saneamento, 24 tit.), ou relatórios sobre portos ao redor
193
do mundo (28 tit.). Estes relatórios e notícias tratam tanto de obras de implantação quanto da administração de obras consolidadas. Pode-se destacar também algumas pequenas coleções dedicadas a exposições, abarcando as exposições nacionais de 1875, 1908 e 1922, ou a participação do Brasil nas exposições universais de 1863, 1873 ou 1899. Destacam-se também relatórios de congressos de habitação e arquitetura, como o Congrès d’Ha itatio
de Lyon (1º e 2º, de 1919 e 1920 respectivamente), ou o Congrès International des Habitations a Bom Marché, (1º e 10º, de 1899 e 1913, respectivamente).
Quanto aos repertórios e catálogos, que representam outros 9% do acervo (ou 210 títulos), predominam as coleções de projetos e imagens de edifícios contemporâneos em geral (40 tit.), dos quais ao menos um terço é dedicado a tipologias habitacionais. Monumentos, edifícios históricos e estilos reúnem também grupo apreciável de repertórios (39 tit.), acompanhados dos repertórios de elementos decorativos em geral (7 tit.) e elementos de arquitetura (8 tit.). Entre esses repertórios estão incluídos os famosos Album
da Avenida Central, de 1903, e o Album de Construcções do escritório de Ramos de
Azevedo. Há, ainda, catálogos das Exposições Universais de Chicago, em 1894, de Paris, em 1900, de Bruxelas, em 1910 e da Exposição do Rio Grande do Sul de 1901. Outro repertório notável é o L’A hite tu e Offi ielle et des Pavillo s, de Pierre Patout, referente à Exposition Internationelle des Arts Décoratifs de Paris, de 1925, ocasião de referência para a eclosão do movimento art déco. Mesmo com esta larga predominância da arquitetura, merece ser apontada a presença de um apreciável número de formulários e tabelas de cálculo para engenheiros e calculistas em geral (36 tit.), além de cadernetas de campo e formulários específicos para engenheiros de estradas de ferro (7 tit.). Do mesmo modo, podem ser encontrados alguns catálogos de bibliotecas na coleção, como o Gabinete Portuguez de Leitura, a biblioteca da Facildade de Medicina, o Instituto Histórico e Geográfico Brazileiro, e o britânico Instituition of Civil Engineers. É bem provável que esta categoria, de repertórios, esteja um pouco sub-representada neste levantamento devido à dificuldade de precisar, a partir de informações sumárias, quando se trata de coleções de projetos, levantamentos ou imagens e quando se trata de um texto teórico que inclui grande quantidade destes.
194
As enciclopédias e dicionários (2% das transcrições, ou 54 títulos), são, em sua maioria, obras de caráter técnico e generalista. Há entre eles dicionários de estradas de ferro, dicionários industriais, de arquitetura, de construção e de higiene. Notáveis entre eles são as obras de Viollet-le-Duc, os Dictionnaire raisonné de l`architecture française du
XIe au XVIe siecle e o Dictionnaire raisonné du mobilier français de l`epoque carlovingiene a la renaissance.
É importante observar que, ao se considerar a evolução histórica deste acervo, é surpreendentemente estável a proporção entre essas diferentes tipologias com o passar dos anos. Como pode ser observado pelo gráfico a seguir, a composição tipológica até aqui comentada (que corresponde aos valores atingidos pelo acervo em 1928), é representativa de quase todo o período estudado, com a exceção dos primeiros anos de funcionamento da escola. De modo geral há uma suave e progressiva redução na participação dos tratados a partir de 1902 (partindo de 44% para 39% do acervo). Entre 1902 e 1918, esta redução é acompanhada de um crescimento proporcional na participação das notícias e relatórios, sendo que após essa data o maior crescimento se dará entre os periódicos. Como se pode notar, os periódicos só se tornam parcela apreciável das estatísticas (se bem que, como já comentado, provavelmente sub-representada) a partir das mudanças de registro nos livros de tombo ocorridas em 1918.
195 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 1895 1896 1897 1898 1899 1900 1901 1902 1903 1904 1905 1906 1907 1908 1909 1910 1911 1912 1913 1914 1915 1916 1917 1918 1919 1920 1921 1922 1923 1924 1925 1926 1927 1928
Gráfico 9: Composição tipológica histórica dos títulos levantados (1894-1928)
Periódicos Enciclopédias e Dicionários Noticias e Relatorios Monografias Repertórios e Catalogos Manuis Tratados
Mesmo se forem desconsideradas as doações recebidas durante a última década deste estudo (período para o qual há informações precisas), é pequena a mudança observada. Isso sugere que entre os profissionais formados o recurso a tratados e manuais era tão comum quanto na escola. Se os periódicos constituíam
recurso relativamente escasso de
atualização desses profissionais, como já discutido, tudo indica que os tratados e manuais permaneciam, em igual patamar, os instrumentos impressos preferenciais de
engenheiros e arquitetos. É bem verdade que a longevidade de coleções de periódicos é, em média, menor que a de outras tipologias, tanto por seu formato ser fisicamente mais frágil, quanto pela perda de interesse em seus conteúdos ser, de modo geral, mais pronunciada com o passar do tempo. Livros de temática abrangente e cara obtenção
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 1918 1919 1920 1921 1922 1923 1924 1925 1926 1927 1928
Gráfico 10: Composição tipológica histórica desconsideradas as doações (1918-1928) Periódicos Enciclopédias e Dicionários Noticias e Relatorios Monografias Repertórios e Catalogos Manuis Tratados
196
seriam, portanto, mais propensos a sobreviver em coleções particulares e serem ainda considerados de valor para uma doação, com o passar do tempo. Mas mesmo com essa ressalva a constatação da similaridade entre o perfil tipológico das doações e dos acervos da biblioteca permanece um dado interessante. Aliada à relativamente pequena participação de repertórios, relatórios e monografias nos acervos da escola, essa constatação aponta para as questões da profissionalização da categoria, consideradas em linhas gerais no primeiro capítulo.
A biblioteca da instituição de ensino superior de arquitetura e engenharia do estado reuniria em suas coleções obras predominantemente teóricas, abrangentes, preterindo a aquisição de repertórios de trabalho e modelos de reprodução de mais imediato acesso. Esta situação contrasta bastante com aquela observada, por exemplo, nas coleções particulares do pintor-decorador Oreste Sercelli, citadas por Solange Lima em seu artigo sobre o trânsito de repertórios ornamentais em São Paulo no período. Se a autora pode verificar a ausência dos numerosos repertórios italianos reunidos pelo decorador nas bibliotecas institucionais prospectadas para seu estudo (inclusive os acervos correntes da Escola Politécnica), aqui se parece verificar uma ausência ainda mais abrangente dessa tipologia. Guardadas as devidas proporções entre as diferentes prerrogativas de um arquiteto ou engenheiro e um pintor-decorador, não há razão para que repertórios de estilo fossem menos úteis aos primeiros que ao último. E as considerações da Congregação sobre a adoção da língua italiana como ferramenta de trabalho no canteiro e sua adoção como ferramenta de trabalho na escola de engenharia apontam, propriamente nesse sentido. De fato, como a própria autora sugere, parte do discurso em defesa da formação oferecida pela politécnica se articularia, no que concerne a arquitetura propriamente, na oposição entre a criação erudita dos profissionais bem educados e a cópia vinholesca repetitiva dos mestres de obras.317 Línguas e literaturas a demarcar territórios. Mas para avançar com essa ponderação seria necessário refinar o levantamento feito até o momento e considerar mais coleções particulares de interesse.
317 LIMA, Solange Ferraz de. O Transito dos Ornatos: modelos ornamentais da Europa para o Brasil, seus usos
197