3.1 Høy pH-verdi, dannelser og konsekvenser:
3.1.2 Rensing med CO2-metoden
Escutar é estar alerta para deixar de considerar as coisas como obvias e naturais. Isso ajuda essa atitude de estranheza que resgata a evidência trivial do extraordinário e inesperado que existe nas palavras, nos gestos, nos desenhos e nos olhares das crianças. É necessário desconfiar do que é evidente para buscar significados mais profundos do que parece ser banal.
(MALAGUZZI – Sonhar a beleza do insólito – apud PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2015, p.18)
Vale a pena trazer aqui, como epígrafe deste item, esta sugestiva frase encontrada no Projeto político pedagógico analisado, especialmente pelo que ela sugere em relação à concepção de criança e infância, que norteia esse documento.
A pedagogia da educação infantil apresentada no documento procura desconstruir uma visão fixa e imutável da criança: “(...) rompendo com os ‘jeitos’ de ver a criança até agora constituídos, procurando gerar mudanças significativas na concepção de infância” (p.14).
O documento acrescenta ainda:
Os estudos sobre a infância realizados pela Antropologia, História Social e Sociologia apontam para a seguinte concepção: Infância é uma construção social variável que não pode estar desvinculada de outras variáveis como classe social, sexo e o pertencimento étnico, onde as crianças são consideradas como atores na construção de sua vida social e da vida daqueles que as rodeiam. A concepção de criança é uma noção historicamente construída e consequentemente vem mudando ao longo dos tempos. (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2015, p.17).
Ampliando a visão de infância, a concepção informada no Projeto Político Pedagógico de 2015, considera a criança, “(...) sujeito histórico e autônomo que dentro do espaço escolar deve desenvolver suas potencialidades (p.17)”. Busca, ainda, incorporar ao trabalho docente “(...) o respeito e escuta dessa criança” e lança o desafio em relação a práticas educativas que “(...) estimulem e acolham essa variedade de princípios (p.18)”:
O CEI considera as crianças como sujeitos de direitos, cidadãos em processo de desenvolvimento, portadores das melhores potencialidades da espécie, inteligentes, curiosas, animadas, em constante busca de relacionamentos gratificantes, tagarelas, inquietas, encantadas, fascinadas, solidárias e cooperativas desde que o contexto ao seu redor, e principalmente nós adultos /educadores, saibamos responder, provocar e apoiar o encantamento, a curiosidade que leva ao conhecimento, à generosidade e a participação. (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2015, p.14).
A escola caracteriza a sua visão de infância, partindo do princípio de que educar para a cidadania, implica na concepção de criança como “sujeito de direitos” e sua formação passa a ser pensada para além do espaço escolar. Ao citar a “escuta da criança”, presume-se que as atividades e vivências propostas respeitem o coletivo e busquem se pautar nas necessidades e curiosidades que as crianças apresentam.
Considera-se o espaço escolar como “um espaço de socialização através do cuidar e o educar”:
O CEI constitui-se um espaço coletivo e privilegiado de vivência da infância e contribui para a construção da identidade social e cultural das crianças, fortalecendo o caráter integrado do cuidar e do educar, entendendo que todo cuidado educa e que toda educação cuida. (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2015,p.17)
Nas palavras do documento, essas vivências de cuidado e aprendizado são realizadas de maneira integrada, para desenvolver as capacidades das crianças. As relações interpessoais e o brincar são citados, apresentando o que o documento chama de “concretude da prática”, para “respeitar as manifestações das crianças” e “prestigiar a cultura infantil”:
(...) situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens organizadas de forma integrada, através de projetos que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros, em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e acesso aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural. Neste processo, a educação poderá auxiliar o desenvolvimento das capacidades de apropriação de conhecimento, das potencialidades corporais, afetivas, emocionais, estéticas e éticas, na perspectiva de contribuir para a formação de crianças felizes e saudáveis.
E, especificamente em relação ao currículo, acrescenta:
O currículo da Educação Infantil, proposto no CEI, levará em conta todas as ações, experiências e vivências em que são envolvidos os sujeitos de sua construção, considerando sua linguagem, a dimensão lúdica, o tempo e o espaço em que se desenvolvem as atividades, os participantes (atores e protagonistas), as formas de possibilitar as interações e as modalidades de gestão. (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2015).
Segundo o Projeto, o currículo prevê que as crianças participem das relações sociais, “(...) possibilitando o acesso e a apropriação do patrimônio histórico-cultural, numa perspectiva de repensá-lo e reescrevê-lo”. As manifestações das crianças são observadas e movem o currículo na “(...) busca contemplar as diversas instâncias de diversidade, acessibilidade e igualdade.” Nas palavras do Projeto:
O currículo constrói-se nos fazeres individuais e coletivos, permitindo a potencialização das dimensões humanas, das identidades, das diversas formas de expressão, dos elementos que emergem das interações sociais e dos saberes infantis, num diálogo entre o planejado e o vivido. O currículo deve contemplar a diversidade cultural, de gênero, etária, sexual, étnico-racial e da criança com dificuldade sensorial física, mental e com distúrbio global de desenvolvimento. (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2015).
A “organização dos agrupamentos”, segundo o documento, oportuniza a interação de crianças de diferentes idades em situações e espaços intencionalmente preparados pelas educadoras, no sentido de viabilizar: “(...) a troca, a diferenciação do eu do outro, do coletivo e do individual, favorecendo a construção da identidade, autonomia, conhecimento e cultura infantil” (p.17).
Assim, a leitura do Projeto Político-Pedagógico permitiu constatar a preocupação explícita com o espaço coletivo de integração entre professores e alunos e com a “diversidade do ser criança”:
Currículo este não escolarizante, não antecipatório, não preparatório, em defesa das infâncias e suas culturas, que tem as crianças como centro destas práticas educativas, sociais e culturais. Pensamos em infâncias no plural, pois há várias formas de ser criança (sujeito social) e vivenciar as infâncias (categoria geracional), de acordo com sua classe social,
pertencimentos étnico raciais, das relações sociais de gênero dos diferentes arranjos familiares, dentre outras questões que perpassam este processo de constituição de identidade individual e coletiva. (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2015).
Essa problemática sobre o “currículo não antecipatório”, que viabiliza a educação infantil com sua singularidade, e não corresponde a um espaço preparatório para o ensino fundamental foi também citada pela Coordenadora em entrevista:
E eu sou modesta (risos) se na época eu tivesse uma Coordenadora Pedagógica como eu, seria diferente, por que a gente tinha aquela visão de educação infantil, como fase antecipatória do ensino fundamental. Então eu tentava enquadrar as crianças, mas elas não se enquadravam. E era ruim, pra eles e pra mim. Não dava muito certo. E eu penso que consegui passar isso para as professoras, que o tempo da criança é outro. (Coordenadora)
No documento e na fala da gestora, respeitar a singularidade da educação infantil e não exercer nela uma visão de enquadramento e formação para a vida adulta traz em si “o respeito e a escuta da criança”.
Assim, é possível perceber que a escola preconiza, em seus escritos e na fala de seus gestores, um espaço acolhedor e respeitoso as crianças, comunidade e profissionais.