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3.6 Dimensjonering av renseanlegg

3.6.1 Dimensjonering av sedimenteringsbassenger

Adentrando nas questões de gênero e buscando entender as mediações e ações realizadas nessa temática, no espaço escolar pesquisado observou-se que os profissionais que constituem a gestão e coordenação escolar, Diretor e Coordenadora, percebem seu papel na escola como função direta de atuação com o trabalho da e na escola. A escola já não separava os banheiros por sexos para as crianças e também não pratica divisões de brinquedos, brincadeiras ou espaços por gênero, como filas (de menino e menina) ou competições (meninos versus meninas).

O trabalho realizado para contemplar as questões de gênero atualmente na escola são os textos no horário de formação coletiva e os debates decorrentes dos Indicadores de Qualidade, que proporcionaram discussões também com a comunidade acerca da questão de gênero. Nas palavras da coordenadora, isso proporcionou ampla reflexão sobre o papel da escola e da família, na questão da homossexualidade:

E o interessante é que quando começamos a debater os indicadores sobre gênero com as famílias, uma avó fez uma fala super bonita. Eu lembro que eu trouxe um texto da Daniela Finco, que falava sobre o menino que só queria usar fantasias. E a professora no primeiro dia deixou, no segundo ela deixou e no terceiro ela falou “não” e não deixou mais, com medo da família. E lendo esse texto para contextualizar e ambientar os pais dessa discussão na escola. E uma vó levantou e disse “eu tenho um filho gay, e independente disso eu o amo muito.” E tinha alguns pais na plenária com umas caras meio envergonhados e tal. E uma mãe perguntou para eles “Mas ia matar se fosse gay?”. E os pais ficaram chocados e envergonhados. E a vó concluiu “O meu filho é gay e se ele tivesse tido uma professora que pensasse assim, ele não teria sofrido tanto, pois o que ele sofreu na escola, ele sofre até hoje. E não foi porque ele brincou de boneca que ele é gay.” E foi um soco no estomago dos pais, tudo machão, ali tendo que ouvir. (Coordenadora)

Sobre essa questão, ocorre uma ambiguidade na aceitação concreta e inegável de práticas igualitárias com os profissionais da gestão, pois na fala do Diretor, fica clara a contrapartida, de entender a necessidade de práticas igualitárias para as crianças, enquanto existe o conflito de dissociar essas práticas a possíveis influencias sobre a orientação sexual.

O pressuposto nessas falas é o de que o medo da homossexualidade cause restrições à aprovação de certas práticas, impossibilitando avanços nas questões do rompimento com práticas não sexistas. Reforçando essa idéia, está o posicionamento dos gestores de que práticas não sexistas “devem ponderar os ditos exageros” - o que nada mais é do que condicionar a manutenção dos padrões e práticas de diferenciação por sexo, mas de “uma maneira mais amena”.

Mas eu acredito que exista coisas adequadas para meninas e para meninos. Não ao ponto de dizer que futebol menina não pode jogar, ou menino não pode brincar de bonecas. Eu não chego nisso, mas o que eu acho exagero é a questão da maquiagem. Menino se pintar é uma coisa, agora se maquiar é outra. (Diretor)

Percebe-se que na fala do Diretor, práticas não sexistas são aceitas até o momento em que essas práticas não envolvam determinado vínculo com a orientação sexual. E uma das questões que apresenta é, por exemplo: “(...) se o ato de maquiar as crianças em festas pode a vir a se referir a uma prática sexualizada, porque então é permitido para as meninas?

Sobre ter um professor no espaço de educação infantil, ambos naturalizam o papel do professor e complementam que não existem restrições diante do trabalho a ser feito.

A princípio essa restrição pode ser um tiro no pé, porque por exemplo, pode ser que um dia que eu só tenha um homem para fazer o que precisa fazer. E aí, não vai fazer? Se um dia só tiver um homem para trocar fralda,ninguém vai troca? Eu acho que não. Eu como pai trocava as minhas filhas. E eu não tinham nenhum tipo de constrangimento. E as famílias tem que saber que sou eu que estou aqui, não importa se sou homem ou mulher, o serviço tem que ser feito.(Diretor)

Na perspectiva do trabalho pedagógico e relação com a formação e estrutura do espaço escolar como um todo, o diretor afirma que “(...) a gestão proporciona um espaço reflexivo para as questões de gênero no trabalho voltado as crianças”. Mesmo assim, os dados de observação do cotidiano escolar revelam que é possível perceber que, quando se trata das relações interpessoais entre os profissionais da educação, existe grande reprodução e falas sobre os padrões de gênero.

Para ilustrar tais reproduções, algumas falas reproduzidas sobre existir diferenças em trabalhar com mulheres ou homens, extraídas da entrevista com o Diretor, revelam que há uma tendência em se considerar que as mulheres seriam “mais fofoqueiras e emocionais” e os homens “mais práticos e racionais”:

Então, tem sim, diferença de trabalhar com mulheres e homens. Um exemplo. Chega aqui uma professora dizendo “Ah, eu queria reclamar da fulana que...” e eu já falo. “Pera aí!” E abro o caderno de registro, e coloco , data tal a professora tal veio reclamar de fulana. Agora você pode falar. E a professora reclama dizendo que não queria que registrasse. E eu já corto logo e digo, se eu não posso registrar é porque não é reclamação, mas sim, fofoca. E fofoca eu não quero ouvir. Homem não tem muito dessas coisas, mulher tem esses probleminhas para administrar. (Diretor)

Além disso, características sobre atenção e afetividade surgem em outra questão, ligadas a mulher, relacionadas à socialização primária e secundária. Nesse caso o que se constata é que, numa lógica binária (homem e mulher / masculino e feminino) os sujeitos transitam, mas a naturalização das manifestações de identidades de gênero continua a aparecer de maneira difusa. Por exemplo:

Até por uma questão cultural, brasileira, e histórico da educação machistas, a mulher acaba sendo muito mais disciplinada que o homem. Então a mulher foi educada e é natural do universo feminino que é estar ligada em tudo. Apesar de que ultimamente a mulher tem incorporado comportamentos masculinos. A questão da mulher no mercado de trabalho, os modelos de família que gera diversas questões. Hoje tem mulher que faz tratamento de alcoolismo, fumo, drogas, ela esta incorporando coisas que era do universo masculino. (Diretor)

A coordenadora, por sua vez, pondera essa questão para a idéia de que existem algumas características que se assemelham entre homens e outras

entre mulheres, mas que, no espaço profissional, essas diferenças não aparecem:

Homens e mulheres tem características diferentes, mas eu penso que como conduzir o trabalho, se você tem princípios, e homens e mulheres seguem esses princípios, ai não tem diferença. (Coordenadora)

Vale ressaltar que as crianças brincam com todos os brinquedos de maneira igualitária, mas ao separá-los, são divididos em temáticas (carrinhos, bonecas, bolas, etc). Assim, ao citar essas caixas temáticas, a coordenadora as nomeia como “kits masculinos” e “Kits femininos”, como mencionado a seguir:

As professoras são orientadas a montar Kits masculinos, com ferramentas, carrinhos, e disponibilizar para todos. E a mesma coisa com as bonecas, banheira e roupinhas. Porque se você coloca bonecas e roupinhas, já esta instituído a divisão de quem brinca com o que. E o importante é brincar de tudo, de fantasias, não cercear as brincadeiras, o que pode e o que não pode. É evitar cercear! (Coordenadora)

Fica claro que o objetivo da coordenadora é orientar as professoras para que não delimitem as brincadeiras por gênero e não coloquem brinquedos com clara divisão sexista no mesmo tempo espaço, por que isso pode induzir as crianças a se dividirem em duas brincadeiras distintas. Essa coordenadora usa as caixas temáticas para fortalecer a prática e a idéia de que, ao brincar de casinha, por exemplo, o “kit” da casinha seja aberto e todos – meninos e meninas – brinquem de casinha com os objetos que estão ali.

Porém, ao determinar ou nomear os “kits” como masculinos e femininos, as determinações de gênero ficam impressas.

Tais dados sugerem que é possível perceber que um ambiente escolar que possui um espaço favorável para o diálogo e reflexão sobre as questões de gênero, não está isento de contradições, já que a instituição está imersa em uma sociedade sexista e heteronormativa.