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Chapter 2. The Mithraic icon in fourth century Rome

2.7. Change and continuity

Na literatura são encontrados achados ambíguos entre as pesquisas que relacionam locus de controle e consumo de álcool e alguns pesquisadores enfatizam tal inconsistência de resultados (Weissbach, Vogler & Compton, 1976; Donovan & O'Leary, 1983; Newsome, 1986; Steptoe & Wardle, 2001; Surgenor, 2006). Donovan e O'Leary (1983) apontam a necessidade de instrumentos específicos para medir orientações de controle relacionados ao

beber e sugerem que esses instrumentos seriam melhores preditores do comportamento de beber de alcoolistas do que as medidas generalizadas de locus de controle.

Como concluiu Dela Coleta (2004), os pesquisadores buscam cada vez mais desenvolver instrumentos para medida do locus de controle próprios para o estudo de comportamentos específicos. Desta maneira, outro objetivo deste estudo foi adaptar e validar para amostras da população brasileira a escala DRIE (Drinking-Related Internal-External Locus of Control Scale) construída originalmente por Keyson e Janda (1972) para uma

população-alvo de adultos (NIAAA, 2003) e que tem sido amplamente utilizada, como ressaltam Yeh e Hwang (2007).

Foi possível observar que nos estudos que testaram as propriedades psicométricas da escala DRIE as amostras eram compostas de alcoolistas internados para tratamento (Donovan & O'Leary, 1978; Hartmann, 1999; Yeh, et al. 2007), com exceção do estudo de Hirsch, et al. (1997), do qual participaram homens que procuravam tratamento, com diagnóstico de uso abusivo de álcool ou dependência.

Entretanto, neste estudo, buscou-se ampliar a aplicabilidade deste instrumento acreditando-se que uma versão traduzida e adaptada poderia ser útil também para a população de não-alcoolistas.

Todos os estudos revisados testaram a estrutura fatorial da DRIE no formato original de resposta dicotômica. Na adaptação da versão DRIE a amostras brasileiras, as opções A e B da escala original com 25 itens foram transformadas em itens independentes e o formato de respostas foi modificado para tipo Likert de cincos pontos (1 = discordo totalmente, 2 = discordo, 3 = indeciso, 4 = concordo e 5 = concordo totalmente). O formato tipo Likert é o mais utilizado no meio brasileiro, principalmente no caso de testes de personalidade e escalas de atitude (Pasquali, 1999) e permite maior variabilidade nas respostas como também explorar melhor o conteúdo de cada item.

Além disso, Pasquali (1999, p. 57) levanta o problema grave da desejabilidade social com o formato de escolha forçada: “os dois itens que estão sendo comparados devem possuir mais ou menos o mesmo nível de atratividade, do contrário a própria questão já está dando a resposta ao sujeito se um dos itens da questão é socialmente desejável e o outro indesejável”. Essa tendência de se apresentar bem diante dos outros não é intencional, “o sujeito o faz sem dar-se conta disso: quer simplesmente aparecer com bons olhos diante dos outros” (Pasquali, 2004, p.155).

No caso de um instrumento relacionado à percepção de controle do comportamento de beber, justifica-se ainda mais a mudança no formato de resposta do sujeito ao item da escala, já que há uma prevalência de concepções negativas frente ao problema, em que a sociedade rotula a pessoa com problemas com a bebida alcoólica como um “bêbado” a quem falta força de vontade para resistir a tentação ou que é incapaz de exercer controle sobre seu próprio comportamento, como descrito no modelo moral por Marlatt e Gordon (1993).

Para a validação da versão DRIE para amostras brasileiras foram seguidos os mesmos passos anteriormente descritos para a validação da escala de crenças deste estudo: análise teórica dos itens, análise por juízes, estudo piloto, aplicação a uma amostra da população-alvo e, em seguida, análise de seus padrões psicométricos, através de análises fatoriais e cálculo dos coeficientes de confiabilidade.

Apesar do teste gráfico (scree plot) da análise dos componentes principais da escala

DRIE traduzida e adaptada ter revelado a existência de três componentes interpretáveis, a primeira tentativa com o método de extração PAF, rotação oblíqua e solução antecipada de três fatores não revelou o mesmo, visto que no terceiro fator foram retidos apenas três itens com carga fatoriais acima de 0,30, dois coerentes com o primeiro fator com itens relativos à orientação externa no locus de controle do comportamento de beber e um adequado ao conteúdo do segundo fator que apresentou itens relacionados com a orientação interna.

Por isso decidiu-se proceder a uma segunda análise com os mesmos métodos de extração e rotação incluindo todos os 43 itens, forçando-se dois fatores, o que resultou em uma solução com dois fatores que se distinguiram quanto ao conteúdo de seus itens: o fator 1, com 21 itens, indicando “orientação externa no locus de controle do comportamento de beber” e o fator 2, relacionado à “orientação interna no locus de controle do comportamento de beber”, que reuniu 14 itens.

Esses resultados foram de encontro às duas orientações do locus de controle consideradas por Keyson e Janda (1972) na construção da escala DRIE original, baseada na proposta unidimensional de Rotter para a medida do locus de controle, em cujos pólos extremos estariam a internalidade e a externalidade. No entanto, não replicaram a estrutura encontrada pelos estudos anteriores de Donovan e O’Leary (1978) e de Hartmann (1999). Apenas o estudo de Hartmann (1999) encontrou a mesma dimensionalidade do instrumento inicial conforme proposta por Donovan e O’Leary (1978) com três fatores: controle intrapessoal, controle interpessoal e controle geral, enquanto outros dois trabalhos encontraram uma estrutura fatorial com um fator único (Hirsch, et al. 1997; Yeh, et al. 2007).

Hirsch, et al. (1997) encontraram um fator único com 14 itens que expressavam uma inabilidade para abster-se de beber, uma falta de poder ou uma sensação de desamparo, enquanto Yeh e Hwang (2007) denominaram o único fator com 16 itens apontado pela análise fatorial confirmatória como “locus de controle”. Hirsch, et al. (1997) sugerem aos pesquisadores que sejam cuidadosos ao testar a validade e a confiabilidade da escala DRIE com amostras muito diferentes daquelas para as quais o instrumento foi construído, já que seu estudo com alcoolistas não internados apresentou resultados diferentes dos estudos feitos com pacientes internados.

Já os resultados dos testes de confiabilidade da versão brasileira da escala DRIE indicaram que o instrumento possui índices bastante satisfatórios de consistência interna (

α

= 0,85 no fator 1 e

α

= 0,80 no fator 2).

8.3 Perfil da amostra e de sub-grupos em relação às crenças em saúde, locus de