2. RESEARCH DESIGN
2.5 Reliability and validity
3.2.2. O desempenho financeiro
A variabilidade do desempenho tem sido uma das principais questões de interesse dos pesquisadores da área de estratégia. Teve início a partir do trabalho de Schmalensee (1995) que avaliou as fontes das diferenças de lucratividade entre empresas com base nas diferenças entre empresas, mercados e participações de mercado e como obra seminal o artigo de Richard Rumelt (1991) sobre a importância da indústria no desempenho das empresas. Para este autor, o efeito firma, respondia por 44,17% da variância total observada para o retorno sobre ativos, em análise de 2.810 empresas americanas.
In this study, I find that the majority of this 'residual' variance is due to stable long-term differences among business-units rather than to transient phenomena. Using Schmalensee's sample, I find that stable business-unit effects account for 46 percent of the variance. Indeed, the stable business- unit effects are six times more important than stable industry effects in explaining the dispersion of returns. Business-units differ from one another within industries a great deal more than industries differ from one another. (RUMELT, 1991), destaque nosso.
Os principais indicadores utilizados para análise do desempenho das empresas nas pesquisas sobre o construto são relacionados ao faturamento, aos custos e à utilização dos ativos da empresa. Valor de mercado e retorno sobre ações, apesar de apropriadas para a avaliação do construto, ainda são muito financeiras e ligadas aos objetivos da empresa. (VENKATRAMAN; RAMANUJAM, 1986). Vários pesquisadores avaliaram a importância dos vários fatores que exercem influência sobre o desempenho. (BRITIO; VASCONCELOS, 2004). No Brasil, vários pesquisadores têm se dedicado à análise da variabilidade do desempenho das empresas brasileiras (BRITO, 2009). O quadro 9, contém um resumo comparativo de estudos anteriores sobre a variância do desempenho.
Quadro 9 – Componentes de variância de Desempenho – Resumo comparativo de estudos anteriores.
Fonte; BRITO; VASCONCELOS, 2004)
3.2.3. O construto desempenho e a Visão Baseada em recursos
A aplicação da lógica da teoria dos jogos aos conceitos de RBV indica que as empresas são fundamentalmente heterogêneas em termos das funções-objetivo que perseguem, aos conhecimentos e habilidades que possuem e nas estratégias que concebem para responder aos competidores, criando um valor econômico que levam a uma vantagem competitiva. (BARNEY, 1994).
Ainda no conceito RBV, a vantagem competitiva é expressa em termos da habilidade de criar maior valor econômico relativo. Para criar mais valor que os rivais, uma empresa deve produzir maiores benefícios líquidos através de uma diferenciação superior e/ou custos menores. O benchmark para comparação é o concorrente marginal. Indicadores financeiros para essa abordagem são a lucratividade e o crescimento da firma. (BARNEY e CLARK, 2007).
Uma abordagem interessante é avaliar quais fatores realmente contribuem para o crescimento das firmas e tentar estabelecer a relação entre eles. Voltando aos conceitos da escola RBV, o desempenho das empresas está relacionado aos seus recursos disponíveis, principalmente àqueles relacionados com a criação de valor, raros, de difícil cópia e que sejam explorados de maneira efetiva pelas organizações. Como existe heterogeneidade de recursos entre as empresas, teremos diferenças de desempenho entre elas. Cabe, portanto definir quais variáveis de desempenho representam de maneira adequada à vantagem competitiva criada pelos recursos das empresas avaliadas.
3.2.4. Síntese do construto desempenho
Esta pesquisa delimitou como domínio da análise o desempenho e o crescimento do negócio. Foram escolhidas duas variáveis representando os resultados da empresa (Lucro Líquido sobre o faturamento e Geração de caixa sobre o faturamento) e duas representando o crescimento (Crescimento do faturamento e Crescimento do lucro total). Foi excluída a avaliação do valor de marcado devido à baixa incidência de empresas de capital aberto no setor avaliado.
4. QUESTÃO DE PESQUISA E OBJETIVOS
A principal questão a ser respondida é: “A utilização efetiva de práticas de gestão
operacional influencia o desempenho das empresas do setor sucroalcooleiro no Estado de São Paulo?”
O Objetivo geral desta pesquisa é contribuir para o aumento do conhecimento sobre a competitividade do setor sucroalcooleiro no Estado de São Paulo, principalmente no que se refere à utilização de melhores práticas de gestão operacional e seu impacto no desempenho financeiro das empresas sob o enfoque teórico da visão baseada em recursos.
O objetivo geral pode ser desdobrado nos seguintes objetivos específicos:
1. Verificar quais as práticas de gestão operacional utilizada pelas Usinas produtoras de açúcar e/ou etanol no Estado de São Paulo.
2. Analisar qual o grau de utilização efetiva de tais práticas pela empresa.
3. Avaliar se a utilização efetiva das boas práticas de gestão operacional está associada a um melhor desempenho financeiro das empresas avaliadas, em relação à lucratividade e ao crescimento da empresa.
4. Analisar quais práticas tem relação mais direta com o melhor desempenho das empresas.
A partir da questão de pesquisa e dos objetivos do trabalho, foram elaboradas as hipóteses a serem testadas sobre as respostas obtidas na pesquisa, detalhadas a seguir.
5. HIPÓTESES
As hipóteses desta pesquisa foram elaboradas com o objetivo de responder à questão principal: “A utilização efetiva de práticas de gestão operacional influencia o desempenho das empresas do setor sucroalcooleiro no Estado de São Paulo?”.
O quadro a seguir resume as dimensões dos construtos utilizados na elaboração das hipóteses.
PRÁTICAS DE GESTÃO DESEMPENHO FINANCEIRO
Operacional (op)
• Gestão da Produção (OP1)
• Documentação de Processo (OP2) • Gestão da Manutenção (OP3) • Gestão da Inovação (OP4) • Gestão da Qualidade (OP5) Monitoramento (mn)
• Acompanhamento do Desempenho (MN1) • Reuniões de Monitoramento (MN2) Metas (mt)
• Amplitude das Metas (MT1) • Conexão entre as Metas (MT2) • Horizonte de Tempo das Metas (MT3) Recursos Humanos e Incentivos (rh) • Promoção do bom Desempenho (RH1) • Atração do Capital Humano (RH2) • Retenção do Capital Humano (RH3) Inovação em Organização e Gestão (IN1) Planejamento Estratégico (PE1)
Gestão Financeira (GF1) Sustentabilidade (ST1) Gestão Agrícola (GA1)
Lucratividade
Lucro Líquido sobre Faturamento (D1LL) Geração de Caixa sobre Faturamento (D4GC)
Crescimento
Crescimento do Faturamento (D2CF) Crescimento do Lucro Total (D3LL)
Quadro 10 – Dimensões dos construtos práticas de gestão e desempenho. Fonte: Proposto pelo autor.
As relações entre as variáveis de práticas de gestão com as variáveis de desempenho formam as hipóteses testadas estatisticamente. O esquema 15 orienta os grupos de hipóteses que serão discutidos e detalhados na seqüência.
Esquema 15 – Esquema gráfico dos grupos de hipóteses