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Reliabilitet

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3.7 Undersøkelsens troverdighet

3.7.2 Reliabilitet

Quando a vida não pode mais ser vista da perspectiva da juventude por meio de uma fantasia de crescimento e expansão contínuos, mas sim da perspectiva da maturidade, do fim e da morte através de fantasias do destino e das limitações humanas, significa que a meia-idade, ou o meio da vida chegou. (STEIN, 2007, p. 55).

Mas como identificar o meio da vida? Alguns definem uma faixa etária correspondente, outros argumentam que os indicadores do meio da vida deveriam estar baseados em fatores individuais.

Jung ([1930], 2011a), quando definiu o meio da vida, descreveu-o como um período que vai tipicamente dos 35 aos 40 anos, podendo se prolongar por mais tempo. Stein (2007), seguindo a mesma linha, alude a um período típico entre 35 e 50 anos.

Apesar de se basear em um marco cronológico, Stein (2014) ressalta que nem todos passam por essa transição ou, ainda, nem todos atingem identidade adulta sólida e significativa. Para algumas pessoas, que demonstram sérias limitações de desenvolvimento com atitudes infantilizadas, não há transição do meio da vida, mas uma contínua e prolongada identidade parcialmente adulta, com marcantes características infantilizadas que permanecem até o fim da vida.

De acordo com Levinson (1978), a transição do meio da vida normalmente vai de 40 a 45 anos. São os primeiros anos correspondentes à entrada na idade adulta média, que vai de 40 a 65 anos. O autor salienta que períodos de transição levam de quatro a cinco anos, não menos que três e raramente mais que seis.

Hollis (1995) não define marco de idade, sustentando que é uma experiência mais psicológica do que um evento cronológico, ou seja, uma experiência do tempo em sua dimensão profunda, um encontro com o mundo de Kairós, no qual a vida tem um significado mais profundo do que uma sucessão linear de anos. A ocorrência de algum evento externo pode contribuir para a entrada no meio da vida. Normalmente, são eventos envolvendo perdas, tais como acidentes, doenças ou divórcio, que levam a

uma possível restruturação da vida, provocada pela alteração da direção previamente definida (STEIN, 2007; HOLLIS, 1995).

Lachman (2004) denomina “idade subjetiva” o período que engloba o meio da vida. A autora argumenta que, a despeito de muitas pesquisas definirem o meio da vida como um período de 40 a 60 anos, o uso da idade cronológica não é o ideal, porque as normas de idade são menos restritivas no meio da vida do que em outros períodos. Muitas pessoas com a mesma idade cronológica estão em fases diferentes da vida em relação à família, à vida social, ao trabalho e às responsabilidades assumidas. Com a possibilidade da maternidade tardia, algumas famílias têm o primeiro filho ao redor dos 40 anos, enquanto outras têm filhos adolescentes saindo de casa para estudar fora, nessa mesma fase cronológica. Por conseguinte, não deveria ser a idade por si só que determina o meio da vida.

Mesmo dentre aqueles que utilizam um marco cronológico, não há uniformidade. Nas pesquisas levantadas para a construção desta dissertação12, há grande diversidade quanto à idade compreendida como meio da vida.

Entendendo que o meio da vida não é um momento cronológico e depende de eventos e vivências, optou-se, contudo, em delimitar uma idade considerada liminar, nessa transição. Segundo Stein (2007), conforme já se observou, seria entre 35 e 50 anos.

Levinson (1978) chama de eventos culminantes os possíveis eventos externos que colaboram com a entrada na transição do meio da vida. O autor destaca que eventos externos podem acontecer em outras fases da vida, no entanto, o mesmo evento pode ter significado e consequências diferentes, conforme o momento em que ocorre, no ciclo de vida. A partida de um filho ou, como é comumente denominada na literatura, a síndrome do ninho vazio, pode ser também uma porta de entrada para a transição do meio da vida.

Outro evento externo bastante citado na literatura é a perda dos pais. Jacques (apud LACHMAN, 2004) postulou que a crise do meio da vida é uma resposta à realização da aproximação da morte, que gera uma conscientização da finitude. Hollis (1995) assinala igualmente que, enquanto um dos pais ou ambos estiverem vivos, haverá um amortecedor psíquico contra os perigos do mundo. Quando esse amortecedor é

12 O Capítulo 3: Revisão de pesquisas sobre o tema traz dados de diversas pesquisas que utilizam marco cronológico.

removido, em situações de adoecimento ou morte, a pessoa se depara com a ansiedade existencial, mas também é convidada a assumir mais a própria vida.

A conscientização da finitude geralmente contribui para um questionamento sobre o legado de vida, como uma reinvidicação à imortalidade. O legado pode estar associado à família, à criação dos filhos, a posses materiais ou heranças. Levinson (1978) esclarece que, para muitos homens no meio da vida, o trabalho é um dos componentes mais significantes da sua estrutura de vida e a maior fonte de legado. Posteriormente, ao pesquisar três grupos de mulheres – donas de casa, mulheres com carreiras corporativas e mulheres com carreiras acadêmicas –, Levinson (1996) também identificou que o trabalho é uma estrutura importante na vida daquelas que optaram por uma carreira corporativa ou acadêmica. Ao considerar o trabalho como

um legado de vida, se este for interessante e satisfatório, haverá possivelmente grande motivação e energia para seguir adiante. Se não for satisfatório, provavelmente haverá tendência para mudar para outro emprego ou profissão. Ou, ainda, haverá diminuição no interesse pelo trabalho, e o indivíduo procurará atuar bem o suficiente para se manter empregado, mas passando a investir mais em outros aspectos da vida, como a família, o lazer ou atividades de filantropia, através das quais se espera gerar um legado (LEVINSON, 1978).

Em relação a eventos externos associados ao trabalho, diversas situações podem levar à entrada no meio da vida, como, por exemplo, a perda do emprego, a perda do senso de vocação ou a perda da idealização de um chefe ou mentor (STEIN, 2007).

Em suma, a entrada no meio da vida, seja através de um evento interno, seja externo, relacionado a perdas ou a vitórias, o meio da vida é entendido como um período de uma certa turbulência, mas que pode levar a uma ampliação de consciência em um processo contínuo de desenvolvimento.

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