3. Metodologi og metode
3.7 Reliabilitet og validitet
Referindo-se à centralidade do trabalho como tema presente no atendimento psicológico, Furtado (2003) cita que é comum, no atendimento clinico, o trabalho penoso se apresentar como fonte de sofrimento psíquico; o psicólogo educacional também tem esse tema presente, especialmente tratando da orientação profissional e das expectativas do jovem com o mundo do trabalho, mas também trabalhando sua inserção no mundo; para o psicólogo que atua em organizações o tema trabalho tem se apresentado com novas características frente à tendência de terceirização dos serviços de R. H., pela prestação de serviços de assessoria às empresas.
Frente a essa demanda refere: “Para os psicólogos está colocado também um desafio: conhecer e explicar a constituição de um campo de subjetividade ligado ao trabalho que deve ser conhecido e explicado pelo psicólogo.” (FURTADO, 2003, p. 213)
Enfatiza a necessidade de se construir um referencial no campo da psicologia e de se elaborar pensamento crítico enfocando as relações de trabalho do ponto de vista do trabalhador em vez de focar estritamente a organização. Refere que as significativas mudanças que vêm ocorrendo no âmbito do trabalho remetem a repensá-lo a partir da perspectiva de quem executa a atividade: o trabalhador.
Nesse aspecto o psicólogo muitas vezes depara com sintomas apresentados pelo paciente sem referência direta (explicita) à questão do trabalho, porém com origem no ambiente, atuação ou escolha/identidade profissional, gerando sofrimento e significativa interferência em sua vida. A formação social do indivíduo na sociedade capitalista e do trabalho valoriza a riqueza, a posição social e o poder, tendo, o trabalho como fonte de obtenção desses valores possibilitando desenvolvimento, autonomia e melhor qualidade de vida. Em decorrência, nem sempre o indivíduo se permite possuir sentimentos que considera negativos em relação ao trabalho, podendo ser mascarados por sintomas psicossomáticos ou por explicações racionalizadas, que se apresentam como defesa ao descortinamento da origem dos sintomas e podem estar relacionados aos conceitos sociais introjetados em relação ao trabalho.
Furtado (2003) entende que para a psicologia sócio-histórica o trabalho é categoria fundante da constituição do ser humano. A categoria trabalho não é vista aqui da forma como é circunstanciada pelo capital (e pelo capitalismo), mas como forma encontrada pelo homem para transformar o reflexo psíquico da realidade em atividade consciente. Assim as configurações psicológicas não são meros reflexos do mundo exterior, mas resultado de um intrincado processo dialético de construção e reconstrução subjetiva e objetiva da realidade.
Da mesma forma que o trabalhador em situação de desemprego, citado por Furtado (2004, p. 36), entendemos que a pessoa que adquire uma deficiência também enfrenta os sentimentos relativos à perda da possibilidade de desempenhar o mesmo trabalho anterior (principalmente quanto não especializado).
O sofrimento psíquico decorrente dessa situação e relativo à retomada do trabalho - muitas vezes informal e/ou fora de sua área - diz respeito a diversos fatores imbricados entre si, geralmente relacionados às mudanças decorrentes da deficiência quando comparadas à sua condição de trabalho anterior, envolvendo a auto-imagem, insegurança e identidade profissional, dentre outros. Alguns desses fatores são: perda da possibilidade de desempenhar o mesmo trabalho anterior, quando as seqüelas da deficiência comprometem as funções utilizadas no trabalho; falta de acessibilidade interna e externa (escadas, banheiros, portas estreitas, transporte); barreiras atitudinais (na empresa - preconceito) que impossibilitam o
retorno da pessoa com deficiência; barreiras atitudinais da própria pessoa com deficiência que não se permite voltar ao trabalho anterior (na mesma função ou em outra) de forma diferente da qual era conhecido. A condição de vida e as estratégias de superação das dificuldades são importantes fatores para redução do sofrimento e retomada da vida profissional. Costuma passar muito tempo até que supere o impacto da deficiência, tenha percepção das potencialidades, aprenda a lidar com as limitações e aceite o desafio das barreiras a enfrentar para retorno ao trabalho. Essa situação o remete às mais diversas formas de exclusão social (desempenho de papéis sociais e familiares, participação produtiva/econômica, recursos de lazer, saúde, alimentação, etc.), gerando sofrimento psíquico e interferindo diretamente em sua qualidade de vida e de sua família.
Ainda traçando um paralelo com o trabalhador desempregado, surge como alternativa para a pessoa com deficiência, programas de incentivo à empregabilidade da PcD através de capacitação e qualificação profissional desenvolvidos por algumas empresas, levando a “reconfigurar o sentido pessoal e sua configuração subjetiva, a enxergar a realidade com outros olhos, permite que o trabalhador escape do processo autodestrutivo resgatando o seu papel de sujeito da história.” (FURTADO, 2004, p. 36)
A atuação do psicólogo visa compreender e intervir articuladamente em seus sentimentos e comportamentos frente às mudanças ocorridas, às suas expectativas e desejos, as exigências da sociedade, a sua formação social em relação à deficiência e ao trabalho, a sua condição de deficiente e ao movimento para sua inclusão no mercado de trabalho; ou seja, a atuação do psicólogo se pauta, segundo Furtado (2003) no “intrincado processo dialético de construção e reconstrução subjetiva e objetiva da realidade”.
De acordo com o exposto e a diversidade de aspectos a serem considerados, o psicólogo de reabilitação que trabalha com orientação e inserção/inclusão profissional da pessoa com deficiência necessita de formação e capacitação tanto na área da deficiência quanto na área da psicologia do trabalho. Necessita também de constante atualização quanto ao movimento do mercado de trabalho, aos programas e ações de capacitação/inserção profissional de pessoas com deficiência, ao desenvolvimento de recursos e tecnologia de acessibilidade bem como às
políticas públicas voltadas à essa população. De posse dessa bagagem necessita articular todos os aspectos num raciocínio clínico integrado e direcionado às necessidades da pessoa atendida.