O som é o efeito do movimento ondulatório em gases, líquido e sólidos. Ele pode ser causado por numerosos mecanismos, e é sempre associado a rápidas flutuações de pressão em baixa escala que produzem sensações ao ouvido humano. O ruído é definido como um som indesejável (MANWELL, MCGOWAN e ROGERS, 2009).
Os principais ruídos devido aos aerogeradores são (MELO, 2009):
a) Aerodinâmicos: O principal ruído de origem aerodinâmica é produzido pelo fluxo do ar em torno das pás e em menor grau em torno da torre e na estrutura de direcionamento do rotor. O outro é produzido pela turbulência. Os ruídos de origem aerodinâmica geralmente crescem com a velocidade do rotor;
b) Mecânicos: Os ruídos de origem mecânica em grandes aerogeradores são provenientes do multiplicador de velocidade, do gerador elétrico, dos motores de direcionamento, dos ventiladores do sistema de resfriamento e dos equipamentos auxiliares.
No caso das turbinas eólicas offshore, como estarão a certa distância da costa, esses efeitos serão minimizados ou até mesmo eliminados dependendo dessa distância.
4.5.2. Visual
A indústria da energia eólica onshore desenvolveu uma bateria de ferramentas muito sofisticadas para avaliação qualitativa e quantitativa do impacto visual. Estes incluem:
- Mapeamento da zona de influência visual (ZIV), para mostrar quantas turbinas são visíveis;
- Técnicas de fotomontagem que colocam imagens das turbinas geradas por computador em uma imagem fotográfica da paisagem.
- Animações, que mostram o movimento das turbinas sobreposto na paisagem. Uma variação disso é a técnica "voar através" que permite ao espectador olhar para as turbinas de vários ângulos. Estas ferramentas podem ser adaptadas para offshore (IZAGUIRRE, 2010).
As condições climáticas também devem ser consideradas, tais como a presença de nevoeiro, que reduz a visibilidade do parque eólico. Para diminuir o risco de colisão com navios ou aeronaves (a pá de uma turbina de 3,6 MW atinge uma altura cerca de 130-140 m), pintam-se as pás da turbina eólica com cores específicas, e, em alguns casos também se coloca um sistema de iluminação na nacele. Estas soluções fazem a turbina mais visível, não só aos navios e aviões, mas também para a população (IZAGUIRRE, 2010).
Atualmente, vários locais já dispõem de seus aerogeradores como cartões-postais de suas cidades e surge a modalidade de turismo eólico – onde as pessoas vão apreciar essas máquinas – podendo incrementar a economia local (COSTA, CASOTTI e AZEVEDO, 2009).
4.5.3. Ambiental
Vários estudos são feitos para a redução dos impactos ambientais dos aerogeradores como um todo, de forma a manter a energia eólica como uma das energias mais limpas do mundo, tabela 11.
Tabela 11 – Impacto ambiental de diferentes fontes de energia.
Impacto Eólica Nuclear Carvão Gás Natural
Emissão de gases de efeito estufa Não Não Sim Sim Poluição do ar Não Não Sim Limitada
Mercúrio Não Não Sim Não
Mineração/Extração Não Sim Sim Sim
Resíduo sólido Não Sim Sim Não
Uso de água Não Sim Sim Sim
Impacto no habitat Sim Sim Sim Sim Fonte: Adaptado de American Wind Energy Association, 2009
4.5.4. Pássaros
Os aerogeradores podem causar mortes de pássaros maiores pelo choque nas pás. No início, os aerogeradores eram instalados sem o estudo de rotas migratórias de pássaros levando às mortes desses animais. Hoje, para diminuir ainda mais as taxas de mortes aviárias, alguns parques instalam estímulos visuais e auditivos nas torres, evitando a ocorrência desses acidentes (COSTA, CASOTTI e AZEVEDO, 2009).
4.5.5. Vida Marinha
Os parques eólicos offshore podem ter impactos positivos e negativos sobre os peixes. Tal como acontece com os mamíferos marinhos, os peixes podem ser muito sensíveis a sons intensos e podem ser deslocados durante a construção de parques eólicos, no entanto, há uma grande variabilidade entre os sistemas auditivos dos peixes de diferentes espécies que respondem de forma diferente ao ruído da construção subaquática (SNYDER e KAISER, 2008).
Muitas espécies de peixes também são sensíveis aos campos elétricos e magnéticos que podem ser causados por cabos submarinos enterrados. Peixes usam sua percepção de campos elétricos e magnéticos para orientação e detecção de presas. As espécies que contêm material magnético, potencialmente para fins de navegação incluem várias espécies de peixes de importância econômica (SNYDER e KAISER, 2008).
Embora estudos tenham mostrado que os campos magnéticos podem afetar os peixes, há até o momento evidências limitadas de que os peixes são influenciados pelos campos eletromagnéticos dos cabos submarinos. Estudos do
Mar Báltico indicaram alguns efeitos menores (IZAGUIRRE, 2010).
Além desses efeitos negativos, há uma discussão sobre o potencial de impactos positivos dos parques eólicos offshore de peixes e a pesca. Após a construção de um parque eólico offshore, as fundações das turbinas poderiam atuar como dispositivos de concentração de peixes (SNYDER e KAISER, 2008).
A experiência dos parques eólicos de Vindeby (Dinamarca), e Ijsselmeer (Holanda), por exemplo, sugere que eles tiveram um efeito positivo sobre as populações de peixes. Ambos os parques eólicos têm fundação tipo base de gravidade, que atuam como recifes artificiais para organismos que vivem no fundo do mar, aumentando assim a quantidade de alimentos disponíveis para os peixes. (SNYDER e KAISER, 2008).
Fundações monopilares serão menos eficazes como recifes artificiais e, portanto, algumas conclusões podem ser extraídas da experiência destes primeiros projetos. Pouco se sabe sobre o efeito do ruído subaquático e da vibração na vida marinha. A informação disponível sugere que o ruído subaquático gerado pelos parques eólicos offshore será na mesma faixa de frequências que fontes existentes, tais como navios de transporte, vento e ondas. Também convém notar que um critério do projeto de uma turbina offshore e da sua estrutura de apoio é evitar a ressonância, a fim de prolongar a vida útil da máquina (IZAGUIRRE, 2010).
5 CONCLUSÕES
Apesar da tecnologia offshore apresentar certas vantagens, como ventos mais velozes e menos turbulentos, maior produtividade na geração e menor perda no transporte da energia. O alto custo de implantação e a baixa Taxa Interna de Retorno se comparado com o modelo onshore, somado a grande disponibilidade de terras sem uso no Brasil, torna as fazendas eólicas onshore mais atrativas, já que o investimento inicial neste tipo de tecnologia é mais baixo e a realização da manutenção envolve muito menos dificuldades.
Os impactos sociais gerais, particularmente em áreas rurais, são positivos, pois os parques eólicos constroem a infra-estrutura que faltava para a sociedade ou reforça infra-estrutura existente, além de contribuir com uma importante atividade econômica à economia local, geração de empregos e incrementando a renda das comunidades.
É fato que, com o passar dos anos, a demanda de energia aumentará, principalmente na região litorânea onde há grande concentração de consumidores. Assim, a energia eólica, principalmente a offshore, deverá ser um importante complemento para auxiliar o litoral brasileiro evitando possíveis colapsos energéticos, como os apagões ocorridos na última década, deixando a rede elétrica nacional mais segura.
No que concerne aos impactos ambientais, o principal é o fato de que se trata de uma energia ecologicamente correta, que não emite gases poluentes.
A baixa Taxa Interna de Retorno, o alto custo de implantação e a cara manutenção, pode inicialmente afastar investimentos em parques offshore no Brasil, mas futuramente, com as pressões ambientais crescentes e uma maior disseminação e aperfeiçoamento tecnológico, deverão fazer os custos cairem e aumentar a rentabilidade, tornando o investimento bastante atrativo, e o estado do Ceará tem tudo para se tornar o pioneiro.
Ambos os parques possuem impactos ambientais que não podem ser descartados e que foram explanados ao longo deste trabalho, mas como demonstrado, podem ser contornados ou amenizados.
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