Utslippsreduksjon pakke 2 med usikkerhet
8 Oppsummering og veien videre
8.1 Videre forskning og utvikling
8.1.2 Relevante FoU-områder og videre forskning
Outro aspecto que nos interessava era descobrir como as professoras viam sua formação profissional para trabalhar com Educação Ambiental. O que se percebe, pelos depoimentos e pela análise do Projeto Veredas, conhecendo os eixos de formação e o conteúdo que organizou e ofereceu a estas professoras, é que não se pode contar, em sua trajetória profissional, com uma formação formal voltada para Educação Ambiental. O que encontramos foi, na história de vida contada por algumas delas, experiências fragmentadas de formação.
No entanto, todas elas têm no Projeto Veredas uma referência desta formação, trabalhada em alguns conteúdos como, por exemplo, no componente curricular de Ciências da Natureza.
Não tive formação específica para trabalhar Educação Ambiental, mas durante o Projeto Veredas fui bastante influenciada por nossa
tutora. (Professora Mariana)
A minha formação deixou muito a desejar, até que fiz o Veredas. (Professora Luciana)
Quando fiz magistério, não havia essa preocupação com Educação Ambiental. Só fomos debater estas questões posteriormente.. [...] no Veredas. Nossa tutora era muito voltada para Educação Ambiental, desenvolvia projetos e isso nos levou a estudar muito sobre isso. (Professora Clara)
Fiz o Projeto Veredas na UFV que me incentivou ainda mais a
valorizar e lutar pela conservação do nosso espaço. (Professora
Marta)
O Veredas abriu leques de possibilidades da gente inovar mais as nossas pesquisas e passar para os nosso alunos toda a experiência
adquirida ao longo do Veredas, da convivência com os colegas e
com a tutora que é uma amante da natureza. (Professora Aparecida)
Embora não direcionada para a Educação Ambiental, a formação proporcionada pelo Veredas possibilitou-lhes o despertar para o mundo à sua volta. Como se percebe, para cinco delas, a troca de saberes com a tutora, o interesse que esta tem pelo tema, foi um diferencial na sua formação e teria resultado num interesse maior pela temática da Educação Ambiental.
A professora Luciana nos acena para um detalhe interessante da formação dessas professoras no âmbito do Veredas, ao se referir ao material de estudo utilizado, os conteúdos e a forma como os textos dialogavam entre si, o que teria dado embasamento para que pudessem trabalhar Educação Ambiental.
Como seria a formação de professores para a Educação Ambiental? A formação de professores deveria ocorrer nos moldes da criticidade, ou seja, voltada para a transformação das relações dos indivíduos entre si e com o ambiente em que vivem, determinados pelas formas históricas da organização das sociedades. Crítica no sentido de entender as causas da problemática em estudo, incorporando as dimensões políticas nas suas determinações e propondo, e, ou, atuando para reconstruir a sociedade em outros moldes.
Miranda e Salgado (2002, p. 35-36), em relação ao Projeto Veredas, retomam o diálogo salientando que:
Em todos os componentes curriculares, dá-se destaque às experiências culturais dos alunos, que constituem o ponto de partida do ensino dos conteúdos específicos, buscando criar condições para que os professores cursistas aprendam a lidar com a diversidade cultural e a respeitá-la e a valorizá-la. Assim, procura-se ligar educação escolar e vida cotidiana, enfatizando o ensino contextualizado dos conteúdos, que os torna significativos para o aluno da escola fundamental.
Nessa perspectiva, o ensino de Linguagens e Códigos volta-se para a capacidade de o aluno adaptar o uso da língua (e de outros sistemas de comunicação) ao interlocutor e à situação, escolhendo e utilizando adequadamente o código ou o registro linguístico mais apropriado. Assim, ao mesmo tempo em que se aceita e valoriza a experiência linguística do aluno, há empenho em garantir-lhe o acesso à modalidade culta da língua, cujo uso é socialmente valorizado. Além disso, o ensino de Linguagens e Códigos recebe ênfase especial, tendo em vista sua importância na formação do próprio professor cursista, como instrumento para o domínio dos demais componentes curriculares.
Por sua vez, o ensino de Matemática pauta-se pelo significado social dos conteúdos estudados, valorizando os processos de raciocínio mais
que os meros resultados e focalizando habilidades como as de efetuar cálculos mentais e fazer estimativas, que são importantes para resolver situações da vida cotidiana.
Da mesma forma, o ensino de Ciências da Natureza baseia-se nos conhecimentos prévios dos alunos e busca desenvolver esquemas de conhecimento que lhes permitam superar as barreiras entre o cotidiano e o conhecimento científico, e utilizar esse para melhorar a qualidade da vida humana e do meio ambiente.
Finalmente, o ensino de História e Geografia caracteriza-se pelo enfoque da pluralidade cultural e da compreensão das relações entre cultura e meio ambiente, criando condições para que o aluno dos anos iniciais do ensino fundamental perceba, por um lado, o seu cotidiano como parte da história do Brasil e de outras civilizações, e, por outro, as relações entre a localidade em que vive e a região, o País e o Mundo.
Os componentes curriculares desenvolvidos se transformaram em práticas ressignificadas, com diferenciadas formas de transposição, desde comportamentos particulares em sua vida cotidiana, como o da professora Maria, que nos fala em “Começar em minha casa com minha família, evitando o consumismo exagerado; Preservando uma nascente que temos em nossas terras; Não jogando lixo no chão e nem na rua; Conscientizando meus familiares quanto ao desmatamento e suas conseqüências, até como se comporta no dia a dia da escola, mostrando que procura “manter a sala limpa, economizar papel, lápis, borracha etc.”. Esta professora parece que estaria preocupada com o melhor uso de produtos e recursos, no sentido de evitarmos o desperdício.
Mais um desdobramento se encontra na fala de uma outra professora. Clara nos informa que, após a conclusão do Veredas, participou de uma capacitação oferecida pela Universidade Federal de Viçosa, no Museu de Solos, unidade de ensino, pesquisa e extensão que esta Universidade mantém aberta a toda a comunidade educacional. Prossegue a professora Clara nos informando que a escola em que ela trabalha participou de um Projeto sobre preservação ambiental junto com o Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata, “parceira desta escola em projetos voltados para Educação Ambiental e Agroecologia”. Em seu relato, a professora nos informa que o projeto foi selecionado para ser apresentado em Belo Horizonte, MG.
Também o sentimento de pertencimento do espaço e a noção de conservação e proteção parecem originados no fato de viverem no entorno Parque da Serrado do Brigadeiro, o que sugere resquícios em suas práticas.
Enfim, a nossa inserção no universo dessas professoras, por meio de um recorte metodológico – o que foi definido para esta pesquisa – nos suscita a acreditar que a coleta de informações e o seu manuseio ao longo de todo o processo não esgotou os motivos que nos levaram a essa trajetória, dada a riqueza dos dados ali existentes, tampouco a nossa capacidade de pensar sobre eles. Algumas contribuições que disponibilizamos a quem se proponha a dialogar sobre a formação de professores – saberes e Educação Ambiental, no âmbito do Projeto Veredas, no entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, nascem da conexão possível que estabelecemos com a realidade, os sujeitos e os fatos.
De tudo o que encontramos no complexo universo onde habitam essas professoras e suas práticas, algo nos chamou a atenção: muitos de tais saberes são saberes pessoais adquiridos com a família e na família, desde a infância, e que se mantêm arraigados em suas práticas como parte de sua história de vida. A esses saberes são acrescentados aqueles advindos de formação escolar desde os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, em que se depararam com práticas de professores que pretendem manter e, ou, descartar, como é o caso do depoimento da professora Luciana, registrado em seu Memorial, ao dizer que sua “professora era rígida e gostava de ser respeitada, também era carinhosa e sempre amiga, sabendo mesclar ingredientes tão importantes”. Ela diz que às vezes se espelha na figura dessa professora, sem perceber.
Também, saberes provenientes da formação em nível de Ensino Médio, para o magistério, complementada posteriormente pelo Curso Superior Veredas. Ainda aqueles saberes que advêm de leituras propiciadas nos livros didáticos e materiais de que lançam mão para desenvolver o processo ensino-aprendizagem com seus alunos. Outros saberes são aqueles que vão sendo construídos no dia a dia, com a própria experiência docente, no exercício da sala de aula, no encontro diurno com seus alunos, mediatizados pelas temáticas referentes à Educação Ambiental.
Não temos como estabelecer a incidência maior deste ou daquele saber em momentos específicos em sala de aula. Uma vez que as professoras estão inseridas em escolas no entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, o próprio ambiente com suas pessoas, suas paisagens, e o que se fala e o que se faz naquele espaço ganha contornos de Educação Ambiental. Daí o porquê da interdependência entre saberes na construção da prática docente. São saberes individuais que se tornam plurais ao serem compartilhados entre professores e alunos, entre professores e professores, entre professores, alunos e demais profissionais da escola, no encontro com toda a
comunidade, no desenvolvimento dos projetos. Não temos como dizer se um saber suplanta o outro, pois entendemos que eles se completam.