Segundo Laverack (2005 cit. por Vilaça, 2007b), os estilos de vida e os comportamentos, desde a década de 70 que se tornaram centrais na promoção da saúde, porque os promotores e educadores para a saúde reconheceram que estes podiam influenciar diretamente a saúde individual e coletiva.
Os estilos de vida são definidos no Despacho n.º 1916/2004, como “um conjunto de hábitos e comportamentos de resposta às situações do dia a dia, apreendidos através do processo de socialização e constantemente reinterpretados e testados, ao longo do ciclo de vida”.
O conceito de estilos de vida sofreu uma evolução ao longo dos tempos e se inicialmente era um conceito que permitia uma certa caracterização social, mais tarde é associado a fenómenos relacionados com os comportamentos. Contudo, esta abordagem comportamental dos estilos de vida não entende os comportamentos como ações exclusivamente sob o controlo autónomo dos indivíduos e reconhece a influência exercida por uma complexa rede de fatores sociais, políticos e culturais (Vilaça, 2007b).
Deste modo, não há uma definição precisa e clara do que se denomina de um estilo de vida saudável, pois varia entre indivíduos e entre grupos, mediante as suas características individuais, os valores, as motivações, as oportunidades e as questões relacionadas com aspetos culturais, sociais e económicos (OMS, 1985). Apesar de não existir um estilo de vida entendido como único, existem algumas orientações que ajudam na adoção de um estilo de vida saudável,
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que é entendido como aquele em que há um empenho das pessoas num modelo de atividades positivas, com regularidade diária, sendo que estas atividades atuam de modo cumulativo para aumentar o nível de saúde e bem-estar (Phipps, Sands, & Marek, 2003). Consequentemente, essas práticas positivas ao levarem a um maior bem-estar, traduzem-se, também, numa maior qualidade de vida.
No que se refere à qualidade de vida, segundo Wood- Dauphinee e Kuchler (1992 cit.
por Pais Ribeiro, 2007), a expressão qualidade de vida era, em 1929, utilizada como referência
às condições de trabalho e das consequências que daí podiam advir para o bem-estar do trabalhador. No entanto, este tornou-se um conceito várias vezes referido na linguagem comum e em pesquisas científicas em diversas áreas do saber, como educação, saúde, economia, sociologia, psicologia, entre outros.
Perante a ausência de um consenso na sua definição e de instrumentos que a avaliassem, a OMS constituiu o Grupo de Qualidade de Vida (Grupo WHOQOL), cujo primeiro passo foi encontrar uma definição para o seu conceito. Através da opinião de vários especialistas, qualidade de vida, é entendida como “a perceção do indivíduo da sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive, e em relação aos objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (The WHOQOL Group, 1995). Assim, a qualidade de vida é entendida como algo subjetivo, imersa num determinado contexto cultural e social, é algo que não está relacionado com a análise objetiva de um determinado meio ambiente ou realidade cultural, mas antes com uma perceção individual sobre a sua própria posição na vida, no seu contexto cultural e sistema de valores, relacionado com os seus interesses, objetivos, expectativas, metas e preocupações.
Dada a sua ambiguidade, diferindo entre culturas, épocas e até mesmo no próprio individuo em diferentes momentos da sua vida, a OMS definiu qualidade de vida como um modo de vida que resulta de diversos fatores que influenciam a saúde e a felicidade, “ incluindo o bem- estar do indivíduo no ambiente físico, um emprego satisfatório, educação, sucesso social, bem como liberdade de pensamento e de ação, justiça e ausência de qualquer repressão” (Recht, 1981 cit. por Castanheira, 1989).
Recorrentemente, é confundida qualidade de vida com possibilidades económicas abastadas. Sendo que é verdade que são necessárias condições económicas para satisfazer um conjunto de necessidades básicas essenciais que permitem bem-estar às pessoas, como a alimentação, condições de habitação, higiene e segurança, “preocupações excessivas com o
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bem-estar material podem comprometer aspetos essenciais do bem-estar psicossocial, nomeadamente das crianças e dos jovens” (Castanheira, 1989, p.28). Porém, o conjunto de necessidades básicas referidas anteriormente tem influência na saúde das famílias e no seu bem-estar e consequentemente na sua qualidade de vida.
A acrescentar à satisfação das necessidades básicas, existem um conjunto de outros elementos que influenciam a qualidade de vida, nomeadamente dos jovens, como as condições de instalações, acessibilidade e funcionamento em escolas e bibliotecas, centros de saúde, ginásios e espaços de lazer (Castanheira, 1989) e, embora muitas vezes não tão evidentes mas também importantes, “a intensidade e a adequação das trocas afetivas, o equilíbrio emocional, a compreensão e a aceitação de cada um, o interesse pelo saber, a capacidade de adaptação e de inserção social” (Castanheira, 1989, p.28).
Como comprovamos, apesar de os termos estilo de vida saudável e qualidade de vida
não terem uma definição categórica, existem um conjunto de recomendações que, de um modo geral, visam a adoção de um estilo de vida saudável e consequentemente uma maior qualidade de vida. Numa revisão de estudos realizada por Ogden (1996, cit. por Matos et al., 2006a) foi analisada a relação existente entre a prática de determinados comportamentos de saúde e o estado da saúde e foi possível verificar uma relação entre essa prática e um baixo nível de mortalidade. Os comportamentos identificados incluíam ações como tomar o pequeno-almoço todos os dias, ter ou estar próximo do peso recomendado, não fumar, não consumir álcool ou consumir moderadamente e praticar atividade física regularmente. Estes fatores que determinam um certo estilo de vida permitem uma maior ou menor qualidade de vida.