3.5 Quality of the data
4.1.1 Relations between parental education and young children’s vocabulary learning
Dentre os comportamentos pró-ambientais, as práticas de anticonsumo indicam a busca por uma vida mais simples e menos voltada ao consumismo (ZAVESTOSKI, 2002) e
por um estilo de vida mais sustentável (BLACK; CHERRIER, 2010), ou mesmo questões que envolvam experiências negativas com determinado produto ou marca e aspectos que vão de encontro aos valores e à própria identidade do consumidor (LEE et al., 2009). De forma geral, percebe-se que o anticonsumo evidencia uma forma de ação do consumidor que contribui para o comportamento ambientalmente responsável, na medida em que anda contra a corrente do “consumo por consumo”.
Por meio da análise de 16 entrevistas fenomenológicas com mulheres, Black e Cherrier (2010) investigaram os significados das práticas de anticonsumo e como estas se incorporam nos discursos de uma vida sustentável. As autoras falam que o anticonsumo envolve três elementos: redução, rejeição e reutilização de produtos e materiais, e esta conceituação é a adotada nesta pesquisa. As participantes da pesquisa associaram o anticonsumo, nessa perspectiva, a partir de declarações que expressavam identidade e responsabilidade, “distanciando o consumo sustentável de um processamento racional de informação e de uma escolha ambiental para incorporar necessidades objetivas e individualistas” (p. 438). Tal fato corrobora com a ideia de Kaplan (2000) ao defender que o comportamento ambientalmente responsável deve estar relacionado também a satisfação de interesses pessoais sem tratá-lo de forma prescritiva, como por exemplo, posicionar as práticas sustentáveis à ideia de beleza, qualidade e valor para o dinheiro, sendo mais fácil para os consumidores incorporarem um modo de vida mais sustentável em suas vidas (BLACK; CHERRIER, 2010).
As participantes da pesquisa supracitada, de forma geral, entendiam que o consumo verde não é questão essencial para uma vida sustentável. Apesar de elas apresentarem uma boa noção dos problemas ambientais, elas tinham algumas reservas em adquirir certos produtos ecológicos, os quais conflitavam com questões de identidade, como o valor pelo dinheiro, pois tais produtos são bem mais caros do que os convencionais, ou entendiam que a qualidade do produto não era boa. Assim, se tornava mais evidente a prioridade da prática do anticonsumo ao consumo de produtos considerados ecologicamente corretos. Elas rejeitavam certos produtos, marcas ou atividades de consumo que geravam algum dano ambiental (por exemplo, rejeitar a compra de produtos com agrotóxicos), reduziam o uso de produtos ou, de forma mais geral, o próprio consumo (por exemplo, reduzir o uso do carro) e reutilizavam produtos ou bens que já possuíam (por exemplo, aproveitar a água que lavou a roupa para limpar o banheiro). Tais práticas eram usadas como auto-expressão de suas identidades ou de identidades desejadas, e se mostravam mais importantes do que a compra de produtos verdes (BLACK; CHERRIER, 2010). A questão da identidade é investigada também por Cherrier
(2009) que analisa a resistência ao consumo produzida por movimentos contra a cultura do consumo por meio dos discursos e prática do anticonsumo na construção da identidade do consumidor.
Ao analisar os movimentos anti-marca por meio do livro “No Logo” da jornalista canadense Naomi Klein, Fontenelle (2010) argumenta que o discurso responsável do consumidor ou de consumo responsável é resultado de tais movimentos que vão contra o capitalismo via consumo. Tal argumento parte da intenção por trás desta afirmação, em que os movimentos anti-marca não foram os produtores deliberados ou diretos de tal discurso, uma vez que são movimentos com reivindicações coletivas, mas foram assimilados pela mídia a partir de uma ótica individual. A responsabilidade individual é evidenciada no discurso sobre o consumo, envolvendo a preocupação com a sustentabilidade e também com a exigência de uma posição ética e ambientalmente responsável das empresas.
O anticonsumo existe em uma sociedade de consumo em massa e suas motivações variam entre interesses políticos, pessoais e ambientais. Identificam-se quatro tipos de anticonsumo: simplificadores, consumidores de impacto global, ativistas de mercado, consumidores não-fiéis. A Figura 5 apresenta os quatro tipos de anticonsumo (IYER; MUNCY, 2009).
Figura 5 - Os quatro tipos de anticonsumo
PROPÓSITO DO ANTICONSUMO
Preocupações sociais Preocupações pessoais Objeto do
anticonsumo Geral (todo o consumo) Consumidores de impacto global Simplificadores Específico (marcas ou
produtos individuais) Ativistas de mercado Consumidores não-fiéis Fonte: Iyer e Muncy (2009)
Anticonsumo geral com preocupações sociais: Consumidores de impacto global. Tem o interesse em “reduzir o nível geral de consumo para o benefício da sociedade ou do planeta” (p. 160), pois acreditam que o atual nível de consumo tem causado danos à natureza e contribuído para agravar os problemas da pobreza decorrentes do consumo exagerado das nações ricas. É motivado por preocupações ambientais e de desigualdade material (IYER; MUNCY, 2009).
Anticonsumo geral com preocupações pessoais: Consumidores simplificadores. Visam adotar um estilo de vida mais simples e feliz, menos
voltado para o consumo. Os consumidores simplificadores compram apenas o que é necessário, e acreditam que o consumo exagerado traz prejuízos para si e para a sociedade (IYER; MUNCY, 2009).
Anticonsumo específico com preocupações sociais: Ativistas de mercado. Evitam “o uso de um produto ou marca porque eles sentem que uma determinada marca ou produto causa um problema específico à sociedade” (p. 161), seja degradação ambiental ou o incentivo a um comportamento negativo (IYER; MUNCY, 2009).
Anticonsumo específico com preocupações pessoais: Consumidores não- fiéis. Consumidores evitam determinados produtos ou marcas. Tal ação reflete uma experiência negativa ou qualidade inferior em relação ao produto ou marca (LEE et al., 2009 ) e é importante para a formação da identidade ou self (ENGLIS; SOLOMON apud IYER; MUNCY, 2009).
No desenvolvimento de um estudo exploratório para a construção de uma escala que diferencie os tipos de anticonsumo, Iyer e Muncy (2009) focam nos consumidores de impacto global e os simplificadores e sua relação com determinadas variáveis: auto-consciência, auto- realização e assertividade. Os autores verificaram que a auto-consciência, ou seja, “o hábito, tendência ou disposição para o indivíduo se concentrar em si mesmo” (p. 162) apresentou um efeito significativo sobre consumidores de impacto global. Eles argumentam que uma possível explicação para tal efeito é que os consumidores com auto-consciência preocupam-se como a sociedade os veem, e logo, agem de maneira pró-ambiental, entre outros motivos, para serem reconhecidos e vistos como ambientalmente responsáveis e, assim, se sentirem realizados. Diferentemente dos simplificadores que não dão tanta importância à opinião dos outros e valorizam mais seus próprios conhecimentos e princípios.
Iyer e Muncy (2009) argumentam que existe uma dicotomia de motivações em relação ao anticonsumo. Uns mostram em suas falas razões individuais para o comportamento e outros mostram razões coletivas, como, respectivamente, evitar o estresse e tensão em viver em uma sociedade de consumo, e combater o problema de excesso de consumo na sociedade.
Ao abordar os motivos para a ação de evitar uma marca, como uma forma de anticonsumo, Lee et al. (2009, p. 173) verificaram que ela pode ocorrer devido a expectativas não atendidas (experiências negativas em relação ao produto ou marca), incongruência simbólica (“incapacidade da marca para cumprir com as necessidades individuais de identidade simbólica”) e incompatibilidade ideológica (conjunto de ideias e princípios que o indivíduo acredita). Considerando o anticonsumo como expressão de um comportamento
ambientalmente responsável e que intenta proteger o meio-ambiente, tais razões evidenciam, principalmente em relação à incongruência simbólica e incompatibilidade ideológica, que esse tipo de ação está voltado mais para questões intrínsecas ao indivíduo. Como argumentam os autores, “as pessoas protegem suas identidades ao evitarem marcas que representam identidades indesejadas, e em particular, elas evitam marcas associadas a grupos de referência negativos” (p. 178).
No estudo sobre o anticonsumo de sacolas plásticas, Sharp (2010) mostrou que a proibição do uso de sacolas plásticas, por meio de leis, não tem levado as pessoas a serem tão predispostas ao envolvimento no anticonsumo, como se tivessem chegado à decisão por si mesmas, embora tivessem que adotar o novo comportamento. À medida que passaram a seguir o anticonsumo de sacolas plásticas, os entrevistados tornaram-se menos resistentes à ideia, pois gradativamente incorporaram àquela prática de forma positiva. Isso corrobora com a ideia de que elementos intrínsecos ao indivíduo são importantes na decisão de adotar um comportamento ambientalmente responsável.
A partir da discussão, pode-se perceber que o consumidor ambientalmente responsável é aquele que em seu comportamento de consumo diminui ou não gera impactos negativos ao meio ambiente, sendo este alcançado pelo consumo de produtos ecologicamente corretos (consumo verde), rejeição, redução e reuso (anticonsumo) do consumo de bens e marcas que prejudiquem o meio-ambiente, ou seja, é o indivíduo que adota hábitos de vida que contribuem para a sustentabilidade. Faz necessário, agora, discutir sobre o comportamento desse consumidor.