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5.2 The vulnerability landscape of Docker Hub

5.2.8 Images with no vulnerabilities

4.3 Fazer infraestrutura

A implantação do loteamento Jardim Getsêmani foi conduzida pelos próprios moradores e começou em 1999, um ano após o início da elaboração do projeto. O termo ‘rede’ nesta pesquisa é usado em referência a soluções praticadas pelos moradores para abastecimento de água, energia elétrica e esgotamento sanitário e para o sistema viário. Ferrara (2013) problematiza o uso desse termo para se referir ao resultado da autoconstrução:

a criação de infraestruturas pelos moradores buscou remediar, por meio da ação particular e pontual, a ausência das redes públicas, que são eminentemente coletivas e deveriam funcionar como um sistema. Assim, o que chamamos de autoprovisão de infraestrutura não se constitui num sistema, numa rede (FERRARA, 2013, p. 183). Contudo, o fato de a ação ser pontual não torna a infraestrutura também pontual. Se forem considerados os percursos da água ou da energia elétrica até chegar às moradias, ou a relação entre as ruas autoconstruídas e os acessos ao lugar, a ação pontual poderá ser enquadrada dentro de uma extensa e complexa trama. A rede de energia elétrica, por exemplo, é composta pelos sistemas de geração, transmissão e distribuição (POLIZZI, 2013). As conexões clandestinas na rede elétrica se integram a esses sistemas, sendo uma continuação da rede de distribuição. Não há, neste caso, motivo algum para considerá-la isoladamente, como não componente de um sistema.

Comumente, a autoconstrução se articula em um primeiro momento à moradia e somente depois avança para os espaços coletivos. Contudo, no Jardim Getsêmani, esses dois momentos foram simultâneos, pois nem mesmo o sistema viário estava previamente feito quando os primeiros moradores chegaram. Então, as primeiras moradias foram feitas concomitantemente à autoconstrução da infraestrutura (IMG. 8). O relato da ação ‘fazer infraestrutura’ foi subdivido da seguinte maneira: ‘fazer vias de circulação e pavimentação’, ‘fazer redes de água e energia elétrica’, ‘fazer escoamento das águas pluviais’ e ‘fazer rede esgotamento sanitário’.

Imagem 8: Transformações no loteamento Jardim Getsêmani de 2006 até 2013

Fonte: Google Earth, 2006, 2009, 2011, 2013, 2014, 2015; Google Maps 2009, 2011, 2013a 4.3.1 Fazer vias de circulação e pavimentação

O projeto feito pela equipe técnica contratada pela Hanovi, que definia o arruamento e as divisões dos lotes, foi a base para a demarcação inicial das frações, feita de forma rudimentar por representantes das Associações. A abertura das vias em si se deu de maneira distinta na parte loteada pela Habiter em relação à área da Hanovi. Lotes da Habiter começaram a ser vendidos para mais de uma pessoa. Em 2003, os cotistas, temendo ficar sem seus lotes, resolveram destituir a presidente e formar uma nova associação para dar prosseguimento ao loteamento. Então, o processo de demarcação dos lotes e abertura das vias foi feito coletivamente pela nova Associação com o auxílio de um topógrafo. Isso aconteceu em 2004. Segundo Gabriel12, os moradores tiveram que pagar novamente por esses serviços já que o dinheiro recolhido anteriormente para esse fim havia sido desviado pela Habiter.

Na área loteada pela Hanovi, já em 2001, as ruas começaram a ser abertas pelos próprios moradores, sem o apoio da Associação. Eles contratavam horas de trator e faziam a movimentação de terra que julgavam pertinente. Assim foi a abertura da rua Jasmin. O casal Daniel e Ana, por exemplo, pagou R$270,00 em 2001 para que um trator, por três horas, auxiliasse a abertura da rua. Um grande desnível existente no trecho A impossibilitava o trânsito de veículos e a construção de moradias nos lotes adjacentes (IMG 9). Para amenizar essa situação, os moradores começaram a aterrar a área. Com o tempo, essa prática trouxe

transtornos para os moradores do trecho C porque o nível da rua começou a subir e, consequentemente, o térreo de suas casas ficou numa cota inferior. Após pressões daqueles prejudicados, a rua parou de ser aterrada.

Imagem 9: Corte longitudinal da rua Jasmin mostrando o desnível existente antes das movimentações de terra

Fonte: Elaborado a partir de Google Earth, 2009

Devido à descontinuidade gerada pelo córrego, para ter acesso aos outros quarteirões da rua Jasmin, era necessário passar por outras ruas. Então, Mário, morador de um lote depois do córrego, decidiu mudar essa situação. Ele, sozinho, comprou manilhas de concreto com mais de um metro de diâmetro, brita, contratou trator, mão de obra e, com isso, fez a canalização do córrego no final do trecho C. Desse modo, a rua ficou ininterrupta. Os moradores entrevistados estimam que Mário gastou R$10.000,00 nessa obra vindos de um acerto trabalhista. Algumas manilhas menores foram colocadas posteriormente por políticos que, segundo os moradores, somente queriam conquistar votos.

A superfície da rua Jasmin tinha muitas deformidades, as quais se intensificavam nos períodos de chuva. Para amenizar essa situação e para que os carros que por lá transitavam não se danificassem, o morador André fez uma rampa de concreto no início da rua, que era o trecho mais íngreme. Algumas pessoas que não moravam naquele quarteirão, mas que passavam de carro por lá, contribuíram financeiramente com a iniciativa. Depois André conseguiu asfalto para tampar os buracos existentes no trecho A. Ele pediu a um rapaz que estava fazendo recapeamento no bairro próximo para jogar um pouco de asfalto na rua Jasmin e compactar. Como André estava arcando com tudo sozinho, pôde dar em troca apenas alguns refrigerantes. Depois desse dia, o trecho foi asfaltado mais algumas vezes, porém com a

contribuição de diversos moradores (FOT 4). Normalmente, cada um paga cerca de R$40,00. Os moradores espalham o asfalto com pá e enxada, mas ainda assim precisam contratar alguém para compactar e finalizar o processo com uma máquina apropriada. Os trechos B e C da rua Jasmin foram asfaltados parcialmente pelos moradores dos lotes adjacentes. Eles compraram o material e a mão de obra foi remunerada.

Fotografia 4: Pavimentação feita no início da rua Jasmin

Fonte: Arquivo Pessoal

Segundo André, a rua Jasmin foi a primeira do loteamento a ser asfaltada e a atitude que ele teve serviu de incentivo para que moradores de outras ruas fizessem o mesmo. Entretanto isso nem sempre é possível. Pessoas falaram com André que também têm o desejo de asfaltar suas ruas, mas não o fazem por não ter apoio dos vizinhos. André analisou isso dizendo que os moradores em geral somente se incomodam quando têm que gastar dinheiro com algo. Logo, eles não se importam e nem tomam iniciativa para melhorar o lugar.